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Performance des corrections de profil optimales vis-à-vis du critère de

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Chapitre IV. Autres analyses des performances des corrections de profil

IV.3. Modèle AGB Trent XWB composé de 6 étages d’engrènement en cascade

IV.3.2. Performance des corrections de profil optimales vis-à-vis du critère de

Não apenas durante os feitios homens e mulheres permanecem distantes. A própria organização dos rituais daimistas se baseia nessa divisão: mulheres ficam à esquerda do altar central e homens à direita. A própria estrutura física da igreja – descrita no capítulo 2 – serve à separação dos corpos. Segundo Fabio, a divisão é necessária “[p]ara diferenciar essas duas naturezas e para que elas se sintam mais à vontade para manifestarem sua espiritualidade.” (Arquivo de campo)95.

A liturgia também abrange tarefas masculinas e femininas. A partir da pesquisa pude perceber que essa divisão não é hegemônica entre todas as comunidades daimistas (Alto Santo e CEFLURIS), havendo variações particulares. No caso do Céu do Gamarra as divisões são preferências rituais e, portanto, acontece de homens por vezes fazerem tarefas femininas e mulheres as masculinas.

Considerando que idealmente os rituais são iniciados e encerrados por um casal (um homem e uma mulher), o comando do ritual é dividido de modo que a mulher puxa96 as orações de abertura

94 Dados da entrevista. Pesquisa de campo no Céu do Gamarra. 95 Material elaborado com Fabio Pedalino, 2018.

129 e encerramento, enquanto cabe ao homem falar as palavras que encerram o culto97. Durante o ritual será da mulher o papel de puxar os hinos, ou seja, iniciar o canto deles, sendo ela seguida pelos demais participantes. Na maior parte das vezes os instrumentistas são homens, pois as mulheres se dedicam mais ao canto que ao aspecto instrumental da música.

Como o Santo Daime é considerado uma doutrina cantada, os papéis de puxadora e de instrumentista são valorizados na comunidade. No Céu do Gamarra é incontestável a superioridade técnica das mulheres no canto, e elas acabam por serem as responsáveis por sustentarem o trabalho espiritual com ele. Suzana é rigorosa para que suas afilhadas mantenham o estudo do canto e dos hinários, o que tem efeitos visíveis durante os rituais.

Suzana diz que foi a proeminência das mulheres no canto que fez com que suas madrinhas, no Mapiá, crescessem em importância. Também diz que foi isso que fez com que ela se tornasse uma líder efetivamente, e não uma “figura decorativa” dentro do Céu do Gamarra. Segundo ela, ela sentiu no início de sua história como madrinha uma necessidade de afirmar uma tarefa de valor para as mulheres, para que elas não se tornassem decorativas, e com isso abraçou o canto.

Esse tema aponta uma nuance para o que foi descrito até agora. As filiadas e as líderes do Céu do Gamarra também participaram ativamente para realizar transformações, dentro do culto, para que os inúmeros interditos sobre elas fossem diminuídos ou abrandados. Como colocado no depoimento de Suzana:

Eu posso dizer que eu vi ali no comecinho [...] muito machismo. Realmente o tratamento com as mulheres era bem diferenciado, a gente era colocada um pouquinho pra baixo, no dia a dia. Agora, dentro da igreja não, porque as mulheres tomam conta, é mais forte que eles, entendeu? Dentro do salão não acontece isso porque ali é a verdade. E a gente tem hora que brilha mais, ou são eles, enfim, é como tem que ser, na vida, como deveria ser sempre. Mas do lado de fora, socialmente, na sociedade, era bem complicado. E eu vi isso dentro da minha casa. Se eu não firmasse pé, eu acho que eu era só uma figura decorativa. Se eu não tivesse firmado meu pé lá dentro da igreja e pego um trabalho pra mim, a história do canto e não sei o quê, e ter dado prova... (Suzana Pedalino)98.

Continuando a descrição da divisão de tarefas, homens e mulheres podem ser fiscais, ou seja, pessoas que cuidam do bem-estar especialmente dos novatos. Como o número de pessoas que

97 Essas palavras são para a finalização material e espiritual do ritual que se encerra. O comandante diz: “Em nome de Deus Pai, da Virgem Soberana Mãe, Jesus Cristo Redentor, Patriarca São Jose, todos os seres divinos da corte celestial e em nome do Mestre Império Juramidam, dou por encerrado esse trabalho de (aqui ele insere o nome do trabalho realizado na data).

130 frequenta o Gamarra não é grande, esse não é um posto oficial, como ocorre em outras comunidades do CEFLURIS. Os homens cuidam dos homens e as mulheres das mulheres.

Homens costumam ser os responsáveis por servirem o sacramento, para os homens e para as mulheres. Costuma também ser um homem quem cuida da limpeza dos copos dentro do quartinho do daime. No Gamarra há dois servidores de daime “oficiais”, fardados mais antigos. Mas quando esses não estão presentes outros podem servir e com cada vez maior frequência mulheres têm feito esse trabalho, assim como o de cuidar da limpeza dos copinhos.

Por fim deve-se citar os vivas, tema curiosamente polêmico no CEFLURIS. Ao final de determinados momentos dos rituais festivos de hinário, um puxador de vivas entoa nomes99 e é respondido por um grito uníssono “viva”, de todos os participantes do ritual – homens e mulheres. No caso do ICEFLU somente os homens podem dar o viva e, por mais que isso pareça ser uma questão pequena, o tema é de grande comoção na comunidade. As mulheres do Céu do Gamarra entoam “vivas” por conta de uma percepção e pedido da líder Suzana.

No depoimento da líder vemos tanto seu movimento para que mulheres servissem o sacramento nos rituais, como também para que elas entoassem os vivas:

É, eu acho que eu fui a primeira mulher a servir daime na doutrina [...]. Eu achei que eu devia, [...] que eu podia perfeitamente. Eu senti isso num trabalho, que eu tava apta, que eu podia sim, e que eu tinha que enfrentar aquilo, que eu não tava enfrentando só o Fábio, tava enfrentando a doutrina inteira, né. [...] Tive um pouco de receio, de medo, se as autoridades lá pra cima soubessem, né que eu tava servindo daime. Eu acho que eu fui a primeira mulher a dar um viva. [...] A verdade é que as mulheres davam o viva, e aí por questões de preguiça, as mulheres começaram a não dar o viva, fazendo uns viva chocho dentro da igreja, e aí um... isso é o que eu soube, não sei se é verdade, é o que eu fiquei sabendo [sobre] quando se parou [de] dar o viva, que o padrinho Alfredo se chateou e disse “De hoje em diante ninguém dá mais viva”, não sei se foi o padrinho Sebastião [...] não me lembro, “De hoje em diante as mulheres não dão mais viva”, mas era porque as mulheres não davam viva com vontade, “Então se vocês não querem dar, parem de dar”. [...] Então uma vez, eu cantando [...] fazendo um trabalho com o hinário do padrinho Sebastião, aí eu presto muita atenção cada frase que eu canto, tudo que eu tô cantando, pra ver se eu tô apta a cantar aquilo mesmo, se eu não tô, se eu posso cantar aquilo, se eu não posso, aí eu cantei “Dou viva porque eu posso dar” aí eu falei “Ah, como é que eu vou cantar esse hino então, as mulheres não podem cantar esse hino...” Então tem que ter um dizer aí que esse hino só os homens cantam, então como é que eu vou cantar “Dou viva porque eu posso dar”? Ou eu canto esse hino ou eu dou viva, ou eu não canto mais. Aí eu falei “Fábio, se eu canto esse hino ‘Dou viva porque eu posso dar’ eu acho que eu, as nossas mulheres, se eu conversar com elas, que elas vão dar um viva digno, né, então vamos dar viva. O Fábio falou “Você tem certeza?” eu falei “Tenho”, aí voltamos a dar vivas aqui, muito antes de outras igrejas voltarem a dar viva, porque eu sei que muitas igrejas voltaram a dar viva. [...] E eu acho que se o mestre tivesse vivo hoje ele ia achar a

99 As frases obrigatórias são: Viva o Divino Pai Eterno! Viva a Rainha da Floresta! Viva Jesus Cristo Redentor! Viva o Patriarca São José! Viva todos os Seres Divinos! Viva Nosso Mestre Império! Viva Toda a Irmandade!

131 coisa mais normal do mundo uma mulher servir daime... e inclusive porque depois como é que não vai uma mulher servir daime se começar a aparecer igrejas comandadas e tendo como presidente mulher, né. (Depoimento de Suzana Pedalino)100.

Por vezes, inclusive, aconteceu de ela ou outras mulheres puxarem os vivas.

Além do depoimento de Suzana é necessário ir no destaque da posição de Peregrina Gomes, viúva de Raimundo Irineu Serra e atual presidente e líder do Alto Santo. Ela é uma das principais líderes do Santo Daime e um nome respeitado religiosamente e politicamente. Para participar de um ritual no Alto Santo, é necessário ter a aprovação dela.

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