Aspectos materiales y
B. Perímetros de información del presente informe
A distribuição espacial do dossel vegetativo (cobertura vegetal), do troco, dos braços junto com o sistema de sustentação, integram o sistema de condução da videira. O sistema de condução dos vinhedos pode influenciar o crescimento vegetativo da videira, a produtividade dos parreirais e a qualidade da uva, bem como do vinho. A quantidade de folhas e sua distribuição modificam o microclima no interior do dossel vegetativo. A melhora do microclima pode ocasionar modificações na composição da uva. Parreiras com muita sombra
produzem, dentre outros fatores, baixo grau de açúcar na uva (MIELLE; MANDELLI, 2005).
Conforme Mielle e Mandelli (2005), geralmente os sistema de condução dos vinhedos são classificados de acordo com o sentido dos ramos (para cima, para baixo, horizontal, para cima e para baixo) e da divisão do dossel vegetativo conforme sua posição em relação ao solo (não dividido, dividido horizontalmente, dividido verticalmente, dentre outros).
Para os autores referidos, a escolha do sistema de condução é influenciada por fatores como: a cultivar pode requerer altura ou largura maior para melhor exposição ao sol; o tipo de colheita: manual ou mecânica; características do terreno; custos de implantação e manutenção do parreiral; condições climáticas; rentabilidade do produtor; tradição.
Dois dos principais sistemas de condução dos vinhedos são, segundo Mielle e Mandelli (2003): latada e espaldeira. No primeiro caso, o dossel não dividido e os ramos são colocados no sentido horizontal. As parreiras encontram-se alinhadas em fileiras distantes em entre 2 m e 3 m uma da outra, conforme Figura 15. O sistema em latada proporciona o cultivo de videiras mais vigorosas, com maior quantidade de cachos e produtividade mais elevada, o resultado disso é que esse tipo de sistema de condução é mais rentável principalmente em pequenas propriedades. Além de se adaptar facilmente a regiões montanhosas.
Figura 15: Sistema de condução da videira do tipo latada.
Do contrário, segundo estes autores, as desvantagens do sistema de condução em latada são: custos elevados de implantação e manutenção, maior dificuldade de realizar as atividades manuais, já que os frutos situam-se acima do trabalhador. A posição do dossel pode causar maior incidência de sombra, repercutindo na qualidade da uva. O sistema de sustentação deve ser reforçado para suportar a estrutura da videira.
No sistema de condução do tipo espaldeira os ramos tem orientação para cima e dossel não dividido. As varas são ligadas horizontalmente aos fios da produção do sistema de sustentação dos parreirais. Neste caso, as fileiras estão distantes entre 2 m e 2,5 m, conforme Figura 16. As vantagens deste sistema de condução são: fácil adaptação ao sistema vegetativo de grande parte das viníferas; atividades mecanizadas como remoção das folhas e pulverização são mais facilmente desempenhadas; custo de implantação do vinhedo é menor que no sistema latada; melhor ventilação (MIELLE; MANDELLI, 2003).
Figura 16: Sistema de condução do tipo espaldeira
Fonte: Acervo de fotos da Villagio Grando, contido no site da empresa (2015).
Quanto às desvantagens, conforme Mielle e Mandelli (2003), o tipo de condução espaldeira, tem: tendência ao sombreamento, diminuindo a qualidade da uva e consequentemente do vinho; densidade de ramos elevada; menor produtividade quando comparada ao método latada.
4.2 SEGMENTOS DA CADEIA PRODUTIVA VITIVINÍCOLA A cadeia produtiva da uva e do vinho é formada por uma sucessão de operações de transformação, que compreendem atividades desde a compra de insumos e matérias-primas até a distribuição do produto final e sua chegada ao consumidor. Para tanto, no presente capítulo busca-se apresentar os elos que compõe esta cadeia, apresentados na Figura 17, de modo que a caracterização de cada elo individualmente possibilite a compreensão da dinâmica de funcionamento da cadeia por completo.
Figura 17: Segmentos da Cadeia Produtiva da Uva e do Vinho
Fonte: Elaborado pela autora, a partir de Triches et al (2004)
O primeiro segmento é responsável por dar o aporte de insumos necessários para as demais etapas produtivas. Esse elo conta desde o fornecimento de mudas, adubos, fertilizantes e outras matérias-primas, até a indústria de máquinas e equipamentos utilizados nas etapas seguintes. O fornecimento de matérias-primas geralmente é realizado pelas agropecuárias e cooperativas localizadas próximas aos produtores. Algumas variedades de uva são mais sensíveis principalmente em relação a problemas com solo e clima, sendo assim, exigem maiores cuidados. Dessa forma, o processo produtivo requer investimentos maiores com defensivos agrícolas, bem como na proteção contra intempéries climática, como o granizo, utilizando para isso, lonas plásticas ou telas.
O segundo elo é o da produção de uva, formado tanto por produtores agrícolas quanto por empresas beneficiadoras. No caso dos produtores agrícolas, sua atuação frequentemente restringe-se a somente ao segmento da produção, seja pelo fato de que é mais viável economicamente atuar somente em uma atividade, ou ainda, porque estes em grande parte não possuem estrutura própria para o processamento da uva. Já as vitivinícolas podem operar em mais de um elo desta cadeia, abrangendo a etapa da produção, por exemplo. Atuar nesse segmento exige um mínimo de máquinas e equipamentos para o trabalho nos parreirais, pelo fato de que no período da safra são necessários tratores para o transporte da uva colhida e outros equipamentos necessários na colheita. Além disso, no período entressafra o cuidado com a parreira ainda requer o uso de máquinas.
As empresas beneficiadoras compõem o terceiro segmento desta cadeia. Nesse sentido, as vinícolas podem manter diferentes tipos de estrutura, variando desde a atuação somente no beneficiamento da uva, até uma estrutura verticalmente integrada, concentrando etapas da produção e distribuição. Há ainda, as cantinas que optam por comprar o vinho já finalizado ou em processo de finalização, reduzindo seus custos com as atividades desempenhadas nas outras etapas. Os elevados investimentos em capital físico exigido desde a etapa da moagem até o engarrafamento pode ser limitar a presença dos pequenos e médios produtores nesse elo. É fundamental dispor nessa etapa da cadeia máquinas e equipamentos como prensa pneumática, bomba de transferência de vinho, pipas para armazenagem, engarrafadeira, além de outros equipamentos necessários para finalizar esta etapa.
Assim que o vinho encontrar-se engarrafado e pronto para ser consumido ocorre a etapa seguinte, quarto segmento. A distribuição do vinho pode ser realizada pelas próprias vinícolas, ou por terceiros. A comercialização, quinto elo pode ocorrer através da venda em atacado ou no varejo, além disso, o vinho pode ser comercializado tanto nacionalmente, quanto no mercado externo, chegando assim, ao consumidor final do produto.
4.3 AVALIAÇÃO QUANTITATIVA DA PRODUÇÃO DE UVA E VINHO
Compreender os aspectos técnicos e produtivos da cadeia produtiva vitivinícola é fundamental, assim como analisar os dados
desses setores. Nessa etapa do estudo realiza-se uma apresentação dos dados relacionados a produção de uva e da fabricação de vinho em âmbito mundial, brasileiro, do estado de Santa Catarina e uma análise da região Meio-Oeste deste estado. Elementos como produção, área colhida, consumo, exportação e importação são destaques nas próximas subseções.