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PDP-7 and 7/9

Dans le document LIBRARY DECUS (Page 84-93)

A partir das observações das aulas na disciplina de Educação Física no IFRN – Campus São Gonçalo do Amarante, foram confrontadas a percepção da inclusão do autor sobre as aulas em relação a percepção dos alunos, feita através de questionário com questões abertas contendo 6 (seis) perguntas, aplicadas com os alunos participantes da pesquisa.

O primeiro questionamento, pergunta se os alunos se sentem incluídos nas aulas de educação física? Respondendo a primeira pergunta os entrevistados não

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pensaram muito e relataram que sim, estão sendo inclusos nas aulas de educação física. A segunda pergunta questionava se gostavam de participar das aulas de educação física, dois entrevistados com deficiência visual responderam que gostavam pois, eles aprendem mais sobre esportes que não conheciam, diferentemente do aluno com deficiência auditiva que relatou gostar das aulas porque pratica voleibol e handebol. Já o aluno acometido pela Charcot-Marie-Tooth, falou que gosta de participar das aulas porque é um meio de quebrar barreiras e interagir com mais colegas.

A terceira pergunta contestou como era sua participação nas aulas, o entrevistado com deficiência auditiva classificou sua participação como muito boa, a aluna com deficiência visual relatou que não tem 100% de participação nas aulas pelo motivo da insegurança e autoconfiança, já o outro aluno com deficiência visual relatou que é boa tendo em vista, a prática de novos esportes bem como, a implementação por parte da professora “A” de uma venda para que os outros alunos participem das aulas vendados. O aluno com CMT relatou que no começo era tímido, e com o trabalho desenvolvido pela professora “A” passou a ter participação nas aulas, principalmente nos bimestres finais porque atua como treinador das equipes de futsal masculino e feminina de uma turma no contraturno.

O quarto questionamento, indagou como é a interação do aluno com deficiência em relação aos colegas de turma, o aluno com CMT afirmou que na turma dele não havia uma efetividade na interação tendo com exemplo, a exclusão dele pela turma e a saída encontrada foi a de aplicar os treinamentos com outra turma ao qual o acolheu muito bem. A aluna com deficiência visual descreveu que é a minoria da turma que interagem com ela nas aulas de educação física, porém, nas outras disciplinas a interação é normal, o aluno com deficiência visual relatou que a interação é muito boa pois, os colegas o ajudam durante as práticas e até mesmo incentivando ele a participar das aulas quando está indisposto. O aluno com deficiência auditiva expôs que os colegas da turma interagem bem com ele e o auxiliam nas atividades.

A quinta pergunta do questionário, interrogava qual era a maior dificuldade encontrada por eles, o aluno com deficiência auditiva narrou que a única dificuldade que ele tem nas aulas é em relação a comunicação visto que, durante as práticas retira o aparelho auditivo, dessa forma, precisa estar atendo ao comando da

professora “A” ou de algum colega. O aluno com CMT disse que existe uma dificuldade na forma de passar os treinamentos nos aspectos técnicos, entretanto, utiliza vídeos do celular e até mesmo desenho no papel para facilitar a compreensão dos colegas. A aluna com deficiência visual descreveu que a maior dificuldade é em relação a insegurança de participar de novas vivências pois, não se sente confortável em relação ao respeito que a turma tem com a participação dela, já por sua vez, o aluno com deficiência visual disse que as vezes não sabe fazer as atividades e também relata preguiça em alguns momentos.

A última pergunta, foi livre para os alunos fazerem algum comentário em relação as aulas. O aluno com deficiência auditiva contou apenas que gostaria de aprender a jogar voleibol e handebol. O aluno com deficiência visual referiu que gostaria de ter mais vivências de outros esportes pelo motivo de só ter praticado goalball e futsal. A aluna com deficiência visual fez uma comparação das aulas de educação física do ano passado, em que este ano as aulas foram mais inclusivas tendo em vista, o ano anterior que a inclusão dependia muito dos alunos e desta forma as aulas eram interativas. Também relatou que não via muito empenho da professora para que ela fosse incluída, além da minoria da sala ser contribuinte no processo de inclusão e ao final das aulas não se sentia inclusa.

O aluno com Charcot-Marie-Tooth declarou que a turma ao qual está matriculada é muito desinteressada e acaba prejudicando os outros colegas, como citou o exemplo em que marcou um treinamento da equipe onde muitos faltaram e os poucos que foram não se dispuseram a participar, deixando ele sozinho, deste fato demonstrou o descontentamento argumentando que os alunos não tem dado atenção à inclusão. Entretanto, viu em outra turma a oportunidade em poder desenvolver sua função como técnico da equipe de futsal, desta forma, mencionou que foi bem acolhido pois era um ambiente mais suave e com pessoas coletivizada o que se torna gratificante o trabalho pois é um pessoal mais aberto. Destacou o trabalho feito pela professora “A” e acha que está faltando preparação dos professores sobre o tema inclusão, por experiência com antigos professores em que o excluíam das aulas, ressaltou mais uma vez a admiração pela professora “A” que foi a primeira professora que o ajudou a quebrar a barreira do preconceito e enfrentar a inclusão de cabeça erguida.

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Ao analisarmos o que foi relatado durante a entrevista, observamos algumas concordâncias no que foi exposto pelos alunos participantes da pesquisa e do entrevistador/autor da pesquisa. Podemos citar alguns pontos onde houve consentimento dos fatos entre entrevistador para com aluno, como a relação entre os alunos com deficiência e os colegas de turma, também observamos consonância no ponto que se refere à participação deles nas aulas ao qual foi percebida a esta participação efetiva no processo de inclusão.

No entanto, durante a análise do questionário também foi possível observar divergências entre a percepção do entrevistador em relação ao relato do aluno, a qual declarações mencionadas na entrevista não condiziam com a realidade. Temos a situação do aluno com deficiência visual em que nas aulas, aparentava estar disposto e o relato pelo aluno, era o contraditório, ao qual disse que em muitas aulas não se sentia atraído, entretanto, com o incentivo dos alunos ele participava. Foi possível observar o descontentamento da aluna com deficiência visual em relação a sua antiga professora, ela relatou que teve pouca participação nas aulas de educação física em comparação a atual professora “B”, pelo fato da metodologia adotada pela professora ser de responsabilidade dos colegas de turma na inclusão e citou que a comunicação entre eles não favorece a inclusão da mesma. Esta afirmação da aluna ficou nítida durante a apresentação do seminário prático sobre o conteúdo das Lutas, em que durante as intervenções dos alunos não houve a preocupação para sua inclusão. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física afirmam que, a participação desses alunos nas aulas de Educação Física, quando orientada e estruturada adequadamente, pode trazer benefícios para eles, principalmente proporcionando integração, inserção social e desenvolvimento de suas capacidades afetivas (BRASIL, 1998).

Remetendo aos termos inclusão, exclusão e integração que foram definidos podemos relatar que em todas as turmas observadas ocorreram as três situações nas aulas. Como exemplo, podemos citar a aluna com deficiência visual ao qual, teve sua inclusão nas aulas da professora “B”, foi inclusa no grupo para a participação do seminário prático apresentando um tema totalmente inclusivo, entretanto, no que se refere aos colegas, foi integrada no momento da apresentação e excluída do seminário prático apresentado pelos alunos ao qual não teve participação nas práticas corporais.

O aluno com deficiência visual, também foi observado nos termos citados, durante as aulas ele teve sua inclusão nas práticas tanto pela professora, quanto pelos alunos, durante os treinamentos e jogos amistosos ele foi excluído das práticas, estando apenas integrado no processo como torcedor, e uma forma que os colegas de turma encontraram de tentar incluí-lo foi narrando os lances dos jogos e treinos para que ele pudesse se sentir incluso. Toda inclusão, toda relação com o outro, parte de um momento de interação (LARA; PINTO, 2017).

Em relação ao aluno com deficiência auditiva, não foi presenciado a exclusão, existiu sim a integração e inclusão dele em todas as aulas de educação física, principalmente por ele já ter um laço consistente de amizades com a turma e este fato ajuda bastante no processo de inclusão do aluno. No que se refere à professora “A”, também não foi observado nenhuma exclusão do aluno nas aulas visto que, a relação entre professor-aluno acerca da deficiência dele não dificultou este processo. Desta forma, Almeida et al. (2011) cita que a inclusão de pessoas surdas nas aulas de educação física é uma realidade possível desde que haja um engajamento, um compromisso com as partes envolvidas, sobretudo, dos professores e colegas da turma para que o aluno deficiente auditivo seja incluso.

O aluno com Charcot-Marie-Tooth teve passagens pelas três categorias mencionadas, a exclusão no momento em que foi deixado de lado pelos colegas de turma, não tendo assuidade nos treinos propostos por ele. Na integração, relacionado as aulas de educação física da sua turma, ao qual está na turma porém, não participa das aulas, caracterizando a integração neste momento. Quando a prática pedagógica do professor, a flexibilização curricular e a pedagogia é diferenciada centrada na cooperação, bem como estratégias da aprendizagem cooperativa, são medidas que permitem dar resposta a todos os alunos, no contexto de sua turma (SILVA, 2009). Sendo assim, a postura adotada pela professora “A” para a inclusão foi a partir do momento em que propôs que ele migrasse para outra turma para realizar o treinamento, uma forma de inclusão bem sucedida no que se refere ao acolhimento feito pela turma, demonstrando total apoio à iniciativa da professora e do próprio aluno.

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