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Como não foi possível reunir as oito mães em um só encontro, foram realizados três encontros, nos dias 03 e 12 de julho, e 16 de agosto de 2004, com três mães em cada um dos dois primeiros (Andressa, Gilvânia e Germana participaram do primeiro; e Eliane, Juliana e Rosa, do segundo) e com duas mães no último encontro (Ana e Delma). As reuniões foram planejadas com o objetivo de informar sobre a pesquisa e as SEs e também de conhecer o nível de leitura das mães. Cada participante recebeu uma pasta com a programação do encontro, caneta, papel branco e um dos seguintes livros de histórias clássicas da literatura infantil: A bela e a fera, Alice no país das maravilhas, A bela adormecida, Branca de Neve, Aladim, O gato de botas, Mogli, Cinderela (Coleção Fábulas de Sempre). A seguir visualizamos uma ilustração da contracapa de um dos livros desta coleção, onde estão listadas todas as histórias.

Ilustração 5 - Coleção Fábulas de Sempre (contracapa)

As mães foram informadas de que este seria um presente para ser lido junto com seus filhos. Procuramos seguir programação (anexo 4) semelhante nos três encontros, mas, obviamente, cada grupo se desenvolveu de forma singular. O programa distribuído aos participantes constou dos seguintes momentos:

1. Introdução: exposição oral dos objetivos gerais da pesquisa e do encontro. 2. Apresentação pessoal dos participantes do grupo.

3. Atividade coletiva de leitura de um “conto de fadas” escolhido pelas mães, seguida de comentários.

4. Apresentação e leitura coletiva de um texto didático sobre escrita, seguido de discussão com ênfase na aceitação das produções da criança (anexo 4).

5. Apresentação e explicação das quatro SEs a serem realizadas com as díades mãe-criança. 6. Apresentação do conteúdo da caixa individual da criança.

No início de cada grupo de mães foi proporcionada uma acolhida com um lanche. No primeiro grupo as mães tomaram um café-da-manhã. Nos dois grupos seguintes, realizados no período da tarde, elas degustaram um lanche com sucos, refrigerantes, salgados e biscoitos. Após essa acolhida inicial, apresentamos o conteúdo da pasta, a programação e os objetivos do encontro. Na seqüência, houve uma breve apresentação da pesquisadora e de suas duas auxiliares. Esclarecemos para as mães que durante as atividades com as crianças uma das auxiliares estaria presente para ajudar no manejo dos equipamentos e na organização do ambiente. As apresentações pessoais dos participantes do grupo foram muito rápidas nos três encontros: as mães falaram somente seus nomes e os de seus filhos.

Solicitamos que cada mãe dissesse qual era a história do seu livro. Todas as mães conheciam a maioria das histórias por se tratarem de conhecidos “contos de fadas”. Em cada grupo, foi escolhida uma história conhecida por todos os membros do grupo. No primeiro grupo, foi escolhida “A bela adormecida”; no segundo, “O gato de botas”; e no terceiro, “Branca de Neve”. Combinamos que a pesquisadora começaria lendo uma página e cada mãe no seu turno leria outra, até o final da história. Depois dessa explicação nenhuma mãe pareceu, a princípio, apresentar dificuldade quanto à atividade. Quase três rodadas completas de leitura foram necessárias para finalizar a história em cada grupo. Essa atividade nos permitiu conhecer o nível de leitura de cada mãe.

Na seqüência do encontro procedemos à apresentação da síntese de um texto (anexo 4) que relatava os resultados de uma pesquisa sobre o uso da escrita na infância. A apresentação foi realizada através da leitura compartilhada e do comentário de cada parágrafo. Explicamos o objetivo dessa pesquisa: desenvolver atividades que atraíssem o interesse das crianças para que percebessem que a escrita é necessária para diversos usos e não somente para a escola; e ainda que o desenho é importante para o desenvolvimento da escrita. Nos três grupos houve poucos comentários durante essa atividade, apesar do incentivo da pesquisadora para a participação das mães, nesse momento do encontro. Buscamos refletir junto com as mães sobre temas pertinentes à pesquisa que seria desenvolvida. Rosa, no segundo grupo, relatou que ajudava o filho Gabriel sempre que ele solicitava, mas não sabia que essa sua atitude era tão importante, como discutimos após a apresentação do texto. Ratificamos a importância da presença do adulto para mitigar as dúvidas das crianças e que, embora intuitiva, a maneira de proceder de Rosa era adequada.

Após a discussão do texto, procedemos à explicação das atividades que seriam realizadas em todos os encontros. Apresentamos também o conteúdo da caixa, isto é, os materiais a serem utilizados nas SEs com as crianças. Todas as mães demonstraram entusiasmo a respeito do projeto. Incentivamos que elas se posicionassem sobre as atividades propostas. Rosa disse que o filho poderia ficar tímido com a câmera, e especialmente com a presença de outras pessoas, o que não teria nenhum problema, se fosse em casa, pois lá ele não era tímido. Julia achou que Wesley ficaria muito curioso. Como ela já havia informado na entrevista inicial, o filho gosta muito de perguntar. Ele iria querer saber o motivo de sua participação nessas atividades.

Ao final desse momento, voltamos a salientar a importância da conduta das mães sobre as produções das crianças durante as atividades a serem realizadas na pesquisa. Pedimos que todas as mães realizassem o esforço de apreciar todas as produções de desenho ou de escrita de seus filhos. Rosa comentou que em casa também deveria ser assim. Tenta fazer o correto com o filho Gabriel, mas acha que também pode errar na sua maneira de educar. Então, para ela, é importante saber se está agindo corretamente em sua conduta com o filho. Aproveitamos a oportunidade para estender essa orientação para todas as atividades escolares realizadas pelas crianças. Julia lembrou de ver Wesley refazendo um desenho que ela disse que não estava bom, só para ter sua aprovação. Ratificamos a importância de uma atitude positiva em relação aos trabalhos da criança, e, ao mesmo tempo, não deixar de corrigir problemas na escrita.

No final de cada um dos três grupos, solicitamos às mães que não comentassem as atividades descritas com as crianças. Revelar o conteúdo das atividades poderia gerar expectativas ou comportamentos que poderiam interferir no desenvolvimento das próprias atividades. Também tivemos a intenção de garantir a novidade para a criança.

A leitura das mães durante as reuniões

No quadro 3 apresentamos sinteticamente as características da leitura das mães de uma história infantil, durante suas participações nas reuniões.

Quadro 3 - Características da leitura das mães

G Mãe Características da leitura.

Andressa

(Matheus) Leitura com fluência e rapidez, faz algumas entonações. Entretanto não sabe pausar adequadamente. Ao invés de esperar a pausa da pontuação, ela interrompe a leitura no final de cada linha. Isso dificulta bastante o entendimento.

Gilvânia

(Gislane) Leitura lenta, com dificuldade, com pausas incorretas e sem entonação. Ela parece não conseguir dar atenção ao que lê.

G1

Germana

(Juliana) Leitura lenta e silabada. Pronuncia determinados sons diferentemente do modo que os fala sem estar lendo. (ex: o som da letra E). Não possui entonação nem pausas adequadas. Ela parece não estar entendendo o que lê. É como se estivesse muito preocupada em ler certo e não presta atenção no conteúdo da leitura. Pareceu um pouco envergonhada com a atividade.

Eliane (Sarah)

Boa leitura com entonação adequada e pausas corretas. Juliana

(Wesley) Boa leitura, talvez até um pouco rápida demais para as crianças acompanharem.

G2

Rosa (Daniel)

Boa leitura, com pausas bem feitas, boa entonação e alto volume de voz. Ana

(Adriely) Leitura obedecendo a ortografia e a pontuação, mas sua entonação é fraca, o que torna a leitura pouco emocionante.

G3

Delma

(Samuel) Leitura com relativa fluência. Obedece a ortografia e a pontuação e possui entonação razoável.

Ao final da leitura do primeiro grupo, incentivamos comentários sobre a história e perguntamos se já haviam lido uma história infantil para seus filhos. Andressa disse que conta histórias para Matheus dormir. Ela ganhou uma coleção de livros quando estava na quinta série e os usa hoje para ler para Matheus. O livro preferido do filho é O Patinho Feio. Ela observou que ele gosta de ouvir a mesma história várias vezes. Ele também gosta de “ler” sozinho, olhando as gravuras dos livrinhos. E, enquanto Matheus passa as páginas, sua mãe vai explicando a historinha. Andressa pareceu entender a importância da interação mãe-filho quando afirmou que considera importante que ela também brinque com os filhos. Ela informou que costuma desenhar com seus dois filhos. Germana, mãe de Juliana, observou que a história tinha um final diferente daquela que ela já conhecia. Explicamos que é possível que detalhes de contos de fadas podem variar de acordo com o autor que os resgata. Germana diz que lê algumas vezes para Juliana, mas que a menina escuta mais historinha de um CD do que da mãe. Germana comentou que o irmão de Juliana, que está na 3ª série do Ensino Fundamental, é uma criança muito lenta e que sua professora não o entende nem o apóia. Ela acha que ele é muito cobrado pela escola e faz poucas atividades lúdicas lá.

No segundo grupo, ao final desse momento, declaramos às mães que observamos desenvoltura na leitura das três participantes, o que seria importante para a pesquisa. No terceiro

grupo perguntamos também se já haviam lido uma história infantil para os filhos. Delma disse que

já leu para Samuel Raff algumas vezes. E Ana disse que não tem o costume de ler para a filha Adriely, mas sua irmã mais velha leu algumas historinhas que ela adquiriu dias atrás.