Nos últimos anos, observou-se que a indústria da construção busca a eficiência produtiva, da qualidade de seus produtos e de uma melhor adaptação às mudanças que ocorreram em seus mercados. Paralelamente a isso os escritórios de projetos também passaram a sentir a necessidades de mudanças e já iniciam hoje um processo de readequação às exigências de mercado, por isso muitos já têm introduzido em suas rotinas de trabalho programas de Gestão de Qualidade, como forma de se obter melhoria no rendimento e redução de retrabalho.
De acordo com Baía (1998 apud Franco, 1992, p. 44), o aumento da qualidade nos projetos depende da criação de uma estrutura que forneça
... especificações a serem repassadas aos diversos projetistas participantes, além de definir e transmitir as informações entre os diversos elementos envolvidos no empreendimento (proprietários, projetistas, gerentes, construtores), coordenar os projetos elaborados pelos diferentes profissionais e controlar a qualidade dos projetos elaborados.
Essa “estrutura”, proposta por esse autor, revela a necessidade de uma metodologia de gestão da qualidade no processo de elaboração dos projetos de edifícios.
Silva (1995) enumera alguns procedimentos que devem constituir um sistema de gestão da qualidade quanto ao processo de elaboração do projeto, como:
• Identificação e estabelecimento do fluxo de atividades durante o processo de projeto;
• Estabelecimento do fluxo geral de projeto com todas as relações de interface e definição dos momentos de tomadas de decisão e concepção conjuntas;
• Elaboração dos procedimentos gerenciais: internos ao projetista, internos à construtora e na relação entre ambos;
• Procedimentos de controle do projeto antes da entrega ao cliente final; controle de recebimento do projeto através de “check-lists” ;
• Metodologia de acompanhamento da execução da obra pelo projetista. Segundo Baia (1998 apud Amorim, 1997, p.1-2),
a implantação de sistemas de gestão da qualidade nos escritórios de projeto “apresenta-se como uma alternativa concreta para atender a essa demanda por maior eficiência, satisfazendo as necessidades de projetos mais precisos e obras mais adequadas às condições dos clientes, com custos, e prazos projetuais menores.
Garcia (1998a) alerta para o fato que independentemente das construtoras e escritórios de projetos buscarem certificação de qualidade, é imprescindível que sejam implantados programas mais austeros de controle, de forma mútua entre a fase de projetos e os canteiros.
Conforme o autor observou em seu estudo de caso os problemas mais verificados foram:
• As segregações; • A falta de cobrimento;
• A falta de estanqueidade nos elementos estruturais antes da concretagem. Problemas como esses são facilmente resolvidos (ainda que ocasionem problemas futuros graves nas construções por essa negligência), se existirem controles mais rigorosos na fase de projetos e planejamento de serviços.
A falta de cobrimento pode se dar tanto por má especificação ou ocultamento da indicação da camada de cobrimento nos detalhamentos dos projetos estruturais como pode também ser uma omissão do uso de espaçadores nas peças no momento da execução da estrutura.
Garcia (1998b) alerta que se não forem corrigidos esses erros básicos, a tendência será um “boom” de manifestações patológicas que surgirão proporcionalmente às inovações, com os velhos vícios se acumulando aos novos erros, que, por conseqüência, poderão se tornar manifestações patológicas muito difíceis e talvez até impossíveis de serem corrigidas com uma intervenção, a um custo não compensador.
As normas ISO 9001 e 9002, conforme demonstrado nos estudos de caso de Albuquerque Neto (1998), não são perfeitamente adaptadas aos escritórios de projetos, por serem polêmicas em tomo de quais requisitos devem ser cumpridos por
uma empresa que deseja se certificar. Deixa claro que as duas normas podem ser utilizadas para projetos e que, devido ao crescente número de empresas que buscam certificação, deveriam ser mais discutidas pelo setor. Questiona o papel da certificação em escritórios de projetos e o entendimento do que é um processo de garantia da qualidade por certificação e como essa garantia interfere na qualidade do projeto no setor da construção civil.
2.2.1 Parcerias entre Construtoras e Projetistas
Fabrício (1998) analisa a importância e a forma de participação dos fornecedores de serviços de engenharia e projetos junto às empresas construtoras. Os projetos e serviços de engenharia devem estar voltados à busca de soluções inovadoras de produtos e processos que atendam às necessidades dos clientes e usuários. Assim, a capacidade dos prestadores de serviço de engenharia e projetos em desenvolver “novos” produtos superiores (aos da concorrência), e subsidiar a melhoria contínua do processo de produção é um fator chave ao sucesso da empresa.
Melhado (1994) estabelece que as construtoras devem observar a qualificação dos projetistas, procurando estabelecer parcerias com os de experiência comprovada e contratá-los de acordo com suas necessidades, evitando a contratação por preço. Os critérios para a seleção desses profissionais passam por itens como o cumprimento dos prazos em outros projetos realizados, as características de edificações projetadas anteriormente e também o interesse e a disponibilidade do projetista em realizar o acompanhamento da obra.
2.2.2 A NB-1 2001 como Gestora de Qualidade
Em seu item 5, a NB-1 2000 prescreve:
5.1.1 Condições gerais
As estruturas de concreto devem atender aos requisitos mínimos de qualidade classificados em 5.1.2, durante sua construção e ao longo de toda sua vida útil. 5.1.2 Classificação dos requisitos de qualidade da estrutura
Os requisitos da qualidade de uma estrutura de concreto são classificados, para efeito desta Norma, em três grupos distintos:
a) capacidade resistente, que consiste basicamente na segurança à ruptura;
b) desempenho em serviço, que consiste na capacidade de a estrutura manter-se em condições plenas de utilização, não devendo apresentar danos como: fissuração, deformações e vibrações que comprometam em parte ou totalmente o uso para que foram projetadas ou deixem dúvidas com relação à sua segurança; c) durabilidade, que consiste na capacidade de a estrutura resistir às influências
ambientais previstas.
5.2 Requisitos de qualidade do projeto