4.1 Percepções dos alunos sobre o conceito de lugar aplicado a vivência na escola
Para entender a percepção dos alunos sobre os seus lugares de vivência no espaço escolar e a forma como interpretam a realidade vivenciada na escola, foram entrevistados 10 (dez) alunos de séries e idades distintas24.
Referindo-se a perspectiva de considerar a escola um lugar que faz parte da rotina e do cotidiano do aluno, todos os entrevistados responderam afirmativamente, variando as justificativas. A maior parte delas (70%) estão associadas ao tempo de permanência na escola, que para este grupo é, depois de sua residência, o local de maior estadia na vida; outros, como Maria (8º ano), disseram: “Sim, porque lá eu aprendo, tenho amigos e é minha segunda casa”. Este depoimento demonstra o sentimento de identidade do aluno com a vivência na escola e a importância atribuída ao ambiente escolar, apontando para uma percepção de elementos que – em sua maneira de observar o lugar – fazem parte da realidade vivenciada no espaço escolar.
24 Entrevistamos 05 (cinco) meninos e 05 (cinco) meninas, 03 (três) estudantes do 6º ano, 04 (quatro)
estudantes do 7º ano e 03 (três) estudantes do 8º ano. Os alunos citados no texto estão identificados por pseudônimos.
No que se refere a lugares específicos dentro da escola, foi perguntado onde os alunos mais estão presentes ou quais os lugares dentro da escola que eles mais utilizam. As respostas permitiram verificar que todos apontaram a sala de aula como um desses lugares, e que há preferências por determinados lugares, como a quadra de esportes e o pátio da escola, também citados, respectivamente, por 60% e 50% dos alunos entrevistados. A aluna Daiana (6º ano) fez a seguinte afirmativa: “Eu utilizo mais a sala de aula e a quadra de esporte porque eu gosto de jogar queimada”. Espaços como a sala de vídeo, a biblioteca, o banheiro e o refeitório também foram citados pelos entrevistados.
Pensando ainda na escola e na rotina escolar estabelecida para o seu funcionamento, a estrutura física e funcional da escola sugere quais as atividades que, predominantemente e muitas vezes com tempo disciplinado para utilização, devem ocorrer em seu espaço interno; e foi verificado nos depoimentos a afetividade demonstrada por determinados lugares dentro da escola é influenciada pela maneira com a qual se vivencia o lugar. Percebe-se isto na fala de Daiana, ao caracterizar a sala de aula como um lugar de maior utilização e ao expressar sentimento sobre a quadra de esportes como um lugar que gosta de utilizar.
Para verificar a percepção dos alunos acerca da condição da Escola como espaço de formação social ao promover, entre outras coisas, a aproximação de pessoas de diferentes famílias da comunidade, foi questionado aos alunos se consideram os espaços de vivência na escola lugares de interação com outras pessoas e de construção de conhecimento. A resposta de Martin (7º ano) tem relevância ao afirmar que a escola “é um ambiente com várias pessoas, e os trabalhos em grupo e a hora do intervalo ajudam com isso”, por perceber-se que o aluno inclui o tempo de intervalo, que é livre para permanência e utilização da maioria dos espaços da escola, como um momento de interagir com outros alunos, e as atividades em grupo sugerem interação e construção de conhecimento.
Também sobre a questão da interação promovida pelo ambiente escolar, destacou-se o dizer de Maria (8º ano): “Sim, pois neles a gente conhece pessoas de outras etnias, pessoas especiais e pessoas de outras raças”. Estas palavras demonstram que a aluna observa as pessoas como componentes da realidade vivenciada na escola, caracterizando os lugares da escola não apenas pelo que existe de material, mas pelo movimento e pela vivência que acontece no espaço escolar.
Estas são significações ligadas a percepção do conceito de lugar, mesmo que elas não sejam interpretadas desta maneira pelos alunos.
Objetivando verificar o nível de associação entre os conteúdos científicos e a realidade vivenciada na escola, buscou-se saber se os alunos lembravam de algum conteúdo do livro didático ou das aulas de Geografia que se relacionava com o ambiente escolar. Alguns (30% dos entrevistados) não responderam e outros (40%) utilizaram respostas diretas e sem relação explicativa ou prática com os temas da disciplina. Rose (8º ano) respondeu: “Sim, do consumo de água e energia”. Em nenhuma resposta houve uma associação prática do conteúdo do livro de Geografia a realidade vivenciada na escola. Isso demonstra a necessidade de se buscar meios para que o Ensino de Geografia promova a convergência entre conteúdo científico disposto no livro e elementos dos lugares no espaço escolar.
Ainda foi questionado se os alunos consideram que os assuntos estudados em Geografia podem ser utilizados de maneira a contribuir com a vivência em lugares dentro da Escola. Entre os entrevistados, 60% não souberam formular uma resposta e outros (20%) responderam afirmativamente, entretanto, não justificaram. Entre aqueles que disseram o porquê da relação dos assuntos das aulas de Geografia com a forma de viver no lugar, destacamos a resposta de Martim (8º ano) ao dizer que: “Sim, pois ajuda a entender o lugar em que vivemos”, reconhecendo em sua fala que a Geografia da sala de aula está presente nos lugares vivenciados pelas pessoas, entretanto, permaneceu a dificuldade de estabelecimento de um exemplo onde, na prática, os temas da disciplina são relacionados à realidade do lugar no espaço escolar.
As informações obtidas revelam que a dimensão da percepção dos alunos sobre os espaços considerados lugares – tendo como parâmetro a noção de vivência, significação e afetividade, percebida e demonstrada por eles em suas respostas sobre estes lugares – é caracterizada pelo senso comum, no tocante a elementos que expressam uma relação com o conceito de lugar e com os conteúdos dispostos nos livros didáticos e vivenciados nas aulas de Geografia.
Foram descritos nas falas dos entrevistados elementos que podem facilitar uma aproximação para um novo olhar sobre os lugares no espaço escolar e para a compreensão do conceito de lugar. As informações foram de substancial importância para o planejamento das ações didáticas que nortearam a produção videográfica sobre os lugares de vivência dos alunos na escola.
4.2 A produção videográfica sobre o conceito de lugar na perspectiva da