3.2 Regional competition institutions and regional regulation of market competition
3.2.1 Overview of existing Regional Economic Communities with regional Competition
No que diz respeito à técnica de análise foi utilizada a análise de conteúdo, que possui um campo de aplicação vasto, além de ser utilizada em diferentes áreas. Conforme trata Bardin (2011, p. 37), a análise de conteúdo “é um conjunto de técnicas de análise de comunicações” e visa compreender além dos significados imediatos, buscando ir além das aparências. Possui duas funções que podem ser dissociadas: uma função heurística, cuja intenção da análise de conteúdo é enriquecer a exploração dos dados; e uma função da administração da prova, cuja intenção é verificar hipóteses ou afirmações provisórias (BARDIN, 2011). Esta tese situa-se na dimensão de exploração dos dados para compreender o objeto de pesquisa.
Uma primeira fase do procedimento de análise de conteúdo é o tratamento descritivo dos dados, embora seja importante ressaltar que esse tratamento também é inerente a outras técnicas de análise. Para Bardin (2011, p. 41), “a descrição analítica funciona segundo procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens”. A descrição pode ser dos significados e dos significantes. No primeiro caso, têm-se como exemplo a análise categorial, enquanto que no segundo caso a análise lexical.
Para esta Tese, optou-se pela análise de conteúdo do tipo categorial, embora a estatística lexical tenha sido utilizada na descrição dos corpora. Sobre lexicologia e estatística lexical, afirma Bardin (2011) que a primeira se trata do estudo científico do vocabulário, enquanto a segunda consiste no uso de métodos estatísticos que ajude na descrição do vocabulário. Ambas são úteis à análise de conteúdo, pois trabalham com unidades de significações simples (a palavra), contabilizações de frequência e classificações que podem ser usadas nas inferências e comparações dos dados. Para abordar a descrição dos corpora por meio da estatística lexical, na Tese foi utilizado o software IRaMuTeQ que será apresentado na seção seguinte.
Pode-se aplicar a técnica categorial para inferir a partir dos documentos de modo semelhante ao que ocorre nas entrevistas. Porém, nas entrevistas, há uma dificuldade de análise que precisa ser considerada: o paradoxo em que se encontra o analista de conteúdo. Este, com o objetivo de inferir algo representativo dos indivíduos ou grupo social, acaba correndo o risco de desconsiderar informações específicas de cada entrevistado.
O analista que lida com esse tipo de material verbal fica rápida e concretamente sujeito a um dilema. Pode, certamente, proceder a uma análise de conteúdo clássica, com quadro categorial, privilegiando a repetição de frequência dos temas, com
todas as entrevistas juntas. [...] Mas, no fim, esta redução deixará na sombra parte da riqueza de informação específica desse tipo de investigação. O resultado final será uma abstração incapaz de transmitir o essencial das significações produzidas pelas pessoas, deixando escapar o latente, o original, o estrutural, o contextual (BARDIN, 2011, p. 95, grifos do autor).
O desenvolvimento de uma análise de conteúdo deve ser organizado de forma cronológica e em três etapas, segundo Bardin (2011): pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados e interpretações. A pré-análise é a fase de organização da análise, tendo por objetivo operacionalizar e sistematizar as primeiras ideias a fim de estabelecer um esquema para o desenvolvimento das próximas etapas.
Na etapa de pré-análise, o analista deve selecionar os documentos que serão analisados; formular as hipóteses e os objetivos; referenciar os índices que serão utilizados (códigos e categorias). Esquematicamente como segue na Figura 7:
Figura 7 – Etapa de pré-análise
PRÉ-ANÁLISE
Fonte: Adaptado de Bardin (2011, p. 132).
A leitura flutuante é a primeira atividade do analista e consiste no primeiro contato com os documentos. A partir desse contato, o analista forma suas primeiras impressões. A escolha dos documentos trata-se da delimitação do material que será analisado e formará o corpus. “O corpus é o conjunto dos documentos tidos em conta para serem submetidos aos procedimentos analíticos. A sua constituição implica, muitas vezes, escolhas, seleções e regras” (BARDIN, 2011, p. 126). Leitura “flutuante” Escolha de documentos Constituição do corpus Preparação do material Formulação das hipóteses e dos objetivos Dimensão e direções de análise
Referenciação dos índices
Elaboração dos indicadores
Regras de recorte, categorização, codificação
Testar as técnicas Leitura “flutuante”
Na formulação das hipóteses e dos objetivos, o analista apresenta suas suposições que podem ser confirmadas ao concluir a análise dos dados. Nem sempre tais suposições e objetivos são estabelecidos na fase de pré-análise. No caso desta tese, os objetivos foram modificados conforme a análise dos dados avançou. Isso é totalmente compreensível em análise de conteúdo e explicado por Bardin (2011) em seu modelo de organização da análise. Também não foram elaboradas hipóteses, pois a intenção era se atentar muito mais ao que os dados revelaram.
Na referenciação dos índices e elaboração dos indicadores é preciso ter em mente que o índice pode ser a menção a um código ou subcategoria no texto. Pode-se considerar que maior será sua importância quanto maior for sua frequência no texto. O indicador pode ser entendido como a frequência deste tema. Os códigos utilizados na fase de pré-análise foram as palavras e sua frequência foi contabilizada por meio do software IRaMuTeQ, explicado posteriormente.
A segunda etapa, a exploração do material, trata-se da aplicação do que foi decidido na etapa de pré-análise. É nesta fase que ocorrem as operações de codificação e decomposição, sendo por isso uma fase longa e cansativa para o analista. Porém, o uso de softwares adequados facilita essa fase. Ao codificar um texto, seja em uma análise quantitativa ou qualitativa, três escolhas devem ser consideradas: como o texto será recortado (escolha das unidades de registro e de contexto); como será realizada a enumeração (escolha das regras de contagem); como será realizada a classificação e a agregação (escolha das categorias)? (BARDIN, 2011).
Para esta tese, o Quadro 11 resume as escolhas realizadas e as devidas justificativas.
Quadro 11 – Codificação dos dados
Elementos de
codificação Escolhas Justificativa
Unidade de registro
(recorte do texto) Palavra
Devido à quantidade de dados resultantes de entrevistas, optou-se pela codificação por palavras já que ela pode ser realizada de forma automática e precisa pelo software IRaMuTeQ. O software também permite que o analista selecione a categoria de palavra que deverá ser codificada: substantivos, adjetivos, verbos, advérbios etc.
Unidade de contexto (recorte de sentido)
Segmentos de texto
Ao fazer a codificação por palavra, o software seleciona automaticamente os segmentos de texto onde os códigos se encontram. Com isso, o analista pode compreender aquele código em seu contexto. Regra de contagem Índices
frequenciais
As saídas do IRaMuTeQ possibilitam comparar os códigos entre os
corpora, pois apresenta suas frequências e se são estatisticamente
significantes. Classificação Categorias
temáticas
As classes apresentadas pelo software serão comparadas às categorias teóricas que emanaram do referencial.
Importante esclarecer que tais códigos são também chamados de unidades de registro. As unidades de registro podem ser acopladas em categorias, sendo este tipo de técnica de análise de conteúdo conhecido como análise categorial. Neste tipo de análise, as unidades de registro são classificadas nas diversas “gavetas”, ou seja, categorias, segundo critérios que estabeleçam uma ordem na confusão inicial dos dados. Isso também é realizado pelo software. Sobre os elementos codificados e as unidades de contexto, Bardin (2011, p. 42) explica:
Quando existe ambiguidade na referenciação do sentido dos elementos codificados, é necessário que se definam unidades de contexto, superiores à unidade de codificação, as quais, não tendo sido tomadas em consideração no recenseamento das frequências, permitem, contudo, compreender a significação dos itens obtidos, repondo-os no seu contexto.
Na etapa de tratamento dos resultados e interpretações é onde o analista faz as inferências para atender aos objetivos previstos. A análise de conteúdo precisa do processo de inferência, pois trata-se de um instrumento de indução que possibilita investigar as causas a partir dos efeitos, como bem explica o trecho a seguir:
Se a descrição (a enumeração das características do texto, resumida após tratamento) é a primeira etapa necessária e se a interpretação (a significação concedida a estas características) é a última fase, a inferência é o procedimento intermediário, que vem permitir a passagem, explícita e controlada, de uma à outra (BARDIN, 2011, p. 45, grifo do autor).
No caso desta tese, deseja-se inferir os elementos que influenciam a adoção de políticas inovadoras pelo setor público. Assim, as categorias de análise e seus respectivos elementos foram organizados na próxima seção para atingir cada objetivo específico proposto.