• Aucun résultat trouvé

OUTIL N° 8 – MESURER LES RISQUES

Dans le document tableau de bord (Page 86-90)

Quelques principes fondamentaux

OUTIL N° 8 – MESURER LES RISQUES

Sobre as percepções a respeito da atuação das influenciadoras, as seguidoras disseram considerar interessante que haja alguém que fale de moda dessa maneira, que defenda e vivencie uma moda acessível (financeiramente) e uma moda consciente, que leva ao consumo consciente. Segundo elas, por meio das informações passadas, é possível

articular e flexibilizar as informações que recebem com o que se busca, e adaptar as suas realidades socioeconômicas.

O comportamento das seguidoras, em geral, aponta para uma conformidade (Hogg, 2010) das normas sociais relacionadas aos temas em questão. A seguidora 3 contou que naquele mesmo dia da entrevista estava verificando as dicas da influenciadora para a vestimenta apropriada para determinada festa que iria acontecer na cidade; ela queria saber o que as outras pessoas estavam utilizando para ela também poder usar. A conformidade com as normas produz internalização e independe de vigilância para constatar sua efetividade. Isso acontece porque as seguidoras acreditam e confiam nas ações e indicações das influenciadoras como sendo apropriadas e socialmente desejáveis (Hogg, 2010), entre outras coisas. Essa lógica também tem a finalidade de afiliação. De acordo a teoria de normas sociais, afirmamos que ao seguir as normas prescritas pelas influenciadoras, as seguidoras alcançam um sentimento de pertencimento, amparo social. Elas regulam o comportamento para construir relacionamentos satisfatórios e, possivelmente, elevar a autoestima expressando suas individualidades.

Sobre a apresentação de si da influenciadora, as seguidoras declararam perceber verdade e coerência e também avaliaram positivamente os comportamentos relacionados ao gerenciamento de impressões. E, conforme desenvolveram o acompanhamento da carreira da influenciadora e as interações, as seguidoras relatam que hoje elas possuem uma relação próxima, praticamente como se fossem amigas.

Eu me sinto meio amiga dela, não que eu seja, mas eu me sinto próxima (Seguidora 1).

Porque eu acabei criando uma relação intima com ela (...) não sei explicar, gosto muito dela mesmo, como se fosse uma amigona pra mim (Seguidora 3).

A seguidora 1 fez um apontamento de uma questão interessante: sobre a efetividade da influência sendo dependente da faixa etária da audiência. Segundo ela, quando é algo relacionado a compras de itens de moda, isso varia de acordo a maturidade e o entendimento. As circunstâncias e os mecanismos envolvidos na interação determinam a escolha das estratégias escolhidas e influem na efetividade do processo. Como foi visto na fundamentação teórica, o uso de heurísticas mentais para o processamento de informações facilita a efetividade da influência (Guadagno, 2017; Richardson, 2017). As heurísticas podem ser de diversos tipos, e quando não há um processamento considerando todas as possíveis implicações da informação, escolhemos as características mais próximas do que já conhecemos, as que têm alguma familiaridade ou semelhança. Outros fatores que contribuem para a efetividade da influência são explicados por Poeschl (2013), dentre eles, os que parecem caber para o entendimento da questão proposta são a pressão (interna ou externa) para o pertencimento a um grupo, a valorização de traços de personalidade, tais como autoestima e automonitorização, e fatores contextuais, como a qualidade do argumento e o enquadramento da interação.

Carisma e inteligência foram ressaltadas pela seguidora 3 como características necessárias para ser uma influenciadora digital de moda, tanto para saber sobre o assunto que se deseja falar, quanto para elaborar as estratégias de publicações para mobilizar a audiência. A seguidora 1 disse que ter um estilo de vida próximo ao dela (socioeconomicamente falando) é um dos fatores para considerar a pessoa como influenciadora digital de moda. Duas das seguidoras (1 e 2) aparentaram saber o que procuram e o que gostam, e afirmam seguir essas influenciadoras pois elas possuem características semelhantes ou o estilo de vida próximos aos delas; esses achados estão também em consonância com os de Navarro e Lopez-Rúa (2016). Segundo Richardson

(2017) e Cialdini (2009), é preferível interagir com pessoas semelhantes que possam oferecer maior troca social, ajuda e benefícios. No entanto, as pessoas podem se recusar a seguir a norma quando a mensagem não está coerente com seus valores e crenças.

A seguidora 2 argumenta que acha o termo influenciadora inadequado. Ela prefere “incentivadora”, por entender que aquelas pessoas são mais como uma inspiração, que incentivam determinadas coisas. As influenciadoras ainda deveriam, de acordo com essa seguidora, apresentar novidades ou mesmo um olhar diferente para coisas já conhecidas. O que está associado a lógica da moda de renovação constante e apresentação de algo novo, ou pelo menos que dê a ideia disso, de um olhar que reinventa e é diferente.

As seguidoras podem não concordar ou se recusar a seguir as normas praticadas nos perfis. Aparentemente, a seguidora 2 não se identifica com alguma norma, e/ou seus valores e crenças são diferentes dos defendidos pela influenciadora, pelo menos sobre alguns assuntos.

O fato de a influenciadora responder quando a seguidora inicia uma interação, seja comentário ou mensagem direta, faz com que esta perceba aquela como alguém dita “real”, que se aproxima do “mundo” dela (Seguidora 2). Esse sentimento também se encaixa na teoria de Thompson (1998) sobre formação identitária em interações mediadas e semi mediadas com ídolos. As influenciadoras digitais de moda são admiradas e consideradas como referenciais simbólicos de comportamento, entretanto elas, geralmente, não estão no mesmo espaço-temporal das seguidoras, ou mesmo compartilham a mesma realidade socioeconômica. O processo de tornar-se um admirador, fã, de alguém, é, para Thompson (1998, p. 194) uma “estratégia do self”, pois isso auxilia no desenvolvimento da identidade do sujeito, dá a possibilidade de tornar-se parte de um grupo e de interagir com outras pessoas que tem os mesmos interesses, sendo que, segundo o autor, o self é construído ativamente. A proximidade – ou intimidade – que é

gerada nessa interação, dá liberdade para os indivíduos definirem como será o engajamento que desejam ter com os outros (Thompson, 1998).

É legal quando a gente troca. Porque assim, acho que não fica só naquele mundinho e a gente só acompanhando. Quando você troca, eu acho que você traz um pouquinho pra perto de você e até mesmo pro seu mundo (Seguidora 2).

A seguidora 3 considera que alguns comportamentos, como aparecer chorando e desabafando nos stories, aproxima influenciadora e seguidores e possibilita e estes demonstrem apoio e ofereçam suporte emocional para ela. Essa é a percepção de mais um tipo de performance que aponta para uma finalidade de criar e fortificar laços sociais, suscitar empatia, afeição.

De maneira geral, as seguidoras percebem as influenciadoras como “dedicada ao trabalho” (Seguidora 1) e “antenadas” (Seguidora 3). As influenciadoras são, portanto, percebidas como competentes, confiáveis, autênticas (Kelman & Hovland, 1953), denotando, assim, credibilidade (Kelman, 1958) e legitimando seus papéis sociais.

Dans le document tableau de bord (Page 86-90)