• Aucun résultat trouvé

Open parameters

Dans le document 7.0 (Page 122-125)

Nas últimas gerações a humanidade fez progressos extraordinários nas ciências naturais e em sua aplicação técnica, consolidando o domínio sobre a natureza de um modo antes inimaginável. Os pormenores desses progressos são conhecidos; Os homens estão orgulhosos dessas realizações, e têm direito a isso. Mas eles parecem haver notado que esta recém-adquirida disposição de espaço e de tempo, esta submissão das forças naturais, concretização de um anseio milenar, não elevou o grau de satisfação prazerosa que esperam da vida, não os fez sentirem mais felizes. (FREUD, 2010, pp.45,46)

Sigmund Freud anuncia pelo viés da Psicanálise a ciência que insurge como uma prática necessária ao indivíduo para tratar a psique como resolução dos seus problemas de auto-conhecimento, a civilização traz sensações complexas ao sujeito moderno, e evidencia que nem todo o resultado do progresso é positivo. Para Freud, diante de toda a evolução industrial, tecnológica, de transporte e das ciências, o homem ainda se encontra com a sensação de mal-estar, ou seja, todas essas rápidas mudanças geram no sujeito a sensação de instabilidade. Logo, apesar de todo o crescimento de uma sociedade e modernização de seus contextos isso tudo não é capaz de propiciar a sensação de plenitude, de felicidade.

O indivíduo bombardeado por uma imensidão de informações não consegue assimilar e agir guiando-se por um único comportamento, a identidade com os contextos e espaços entra em questão, a identificação do sujeito e a capacidade de autodefinir-se nos novos contextos, não se apresentam, de acordo com Stuart Hall, como certezas,

Hall apresenta seu entendimento sobre o que é identidade, e em sua obra nos apresenta três concepções sendo a) sujeito do Iluminismo, b) sujeito sociológico e c)

sujeito pós-moderno a que mais nos identificamos para propor nossa análise. Para ele o sujeito pós-moderno vivencia uma crise de identidade,

A questão da identidade está sendo extensamente discutida na teoria social. Em essência, o argumento é o seguinte: as velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno, até aqui visto como um sujeito unificado. A assim chamada "'crise de identidade" é vista como parte de um processo mais amplo de mudança, que está deslocando as estruturas e processos centrais das sociedades modernas e abalando os quadros de referência que davam aos indivíduos uma ancoragem estável no mundo social. (HALL, 2006, p.7, grifo nosso)

As certezas entram em declínio, as velhas identidades estabilizadoras de uma sociedade abrem espaço para a emergência de novas identidades, o sujeito entra em processo de transição de um sujeito unívoco e estável, para um sujeito moderno fragmentado, esse processo não pode acontecer sem gerar no sujeito uma crise, que Hall aponta como “crise de identidade”. A crise de identidade acontece abalando e deslocando as estruturas, antes sólidas, de uma sociedade, as referências que ancoravam a existência e consciência do sujeito também ruem, sem referências, certezas e diante dessa crise identitária, o sujeito assume a abertura de várias identidades de acordo com o contexto que estará inserido, o sujeito se torna um ser fragmentado.

Um tipo diferente de mudança estrutural está transformando as sociedades modernas no final do século XX. Isso está fragmentando as paisagens culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, que, no passado, nos tinham fornecido sólidas localizações como indivíduos sociais. Estas transformações estão também mudando nossas identidades pessoais, abalando a idéia que temos de nós próprios como sujeitos integrados. Esta perda de um "sentido de si" estável é chamada, algumas vezes, de deslocamento ou descentração do sujeito. Esse duplo deslocamento-descentração dos indivíduos tanto de seu lugar no mundo social e cultural quanto de si mesmos - constitui uma "crise de identidade" para o indivíduo. (HALL, 2006, p.9)

Em conjunto à crise de identidade, o sujeito moderno experimenta também o descentramento, que Hall explica como um processo de movimento e deslocamento entre os espaços sociais, os âmbitos de gênero, etnia, raça e nacionalidade que apontavam para referências fixas nos sujeitos, tornam-se variáveis. Com a mudança de identidade social, isto é, como o próprio sujeito se vê e se localiza na sociedade surge a

perca da sensação de integração social, que sugere que estar inserido entre os espaços sociais não significa que o sujeito se sinta parte do todo, que esteja integrado. Ele se vê como um indivíduo deslocado, isso é chamado por Hall como “sentido de si”, para o autor, esse deslocamento social é consequência das constantes mudanças e modernização do contexto sócio-histórico.

A sociedade passa a naturalizar então a identidade como uma “celebração móvel", capaz de se moldar aos contextos vigentes, de acordo com Hall. Assim como a modernidade líquida apontada por Bauman, essa identidade assume fluidez e flexibilidade para se moldar aos espaços em que está inserida rapidamente, mas estará em constante mudança, não se tem mais a certeza de uma identidade fixa e invariável, pois, compreendeu-se que diante da sociedade contemporânea isto é apenas uma ilusão,

O sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um ''eu" coerente. Dentro de nós há identidades contraditórias, empurrando em diferentes direções, de tal modo que nossas identificações estão sendo continuamente deslocadas. Se sentimos que temos uma identidade unificada desde o nascimento até a morte é apenas porque construímos uma cômoda estória sobre nós mesmos ou uma confortadora "narrativa do eu". A identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia. Ao invés disso, à medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar - ao menos temporariamente. (HALL, 2006, p.13)

Para Hall a identificação do sujeito com os contextos que habita se torna mais importante do que a definição e certeza de uma identidade. Para ele, a identificação deve ser vista como um processo em andamento, sempre em modificação, nunca finalizado. Hall afirma não existir a plenitude na questão da identidade, e que o sujeito deve buscar conviver com os seus eus, adaptando-se ao contexto.

Assim, em vez de falar de identidade como uma coisa acabada, deveríamos falar de identificação, e vê-la como um processo em andamento. A identidade surge não tanto plenitude da identidade que já está dentro de nós como indivíduos, mas de uma falta de inteireza é "preenchida" a partir de nosso exterior, pelas formas através das quais nós imaginamos ser vistos por outros. Psicanaliticamente, nós continuamos buscando a "identidade'' e construindo biografias que tecem as diferentes partes de nossos eus divididos numa unidade porque procuramos recapturar essa plenitude não passa de uma fantasia. (HALL, 2006, p.39)

Na sociedade contemporânea o sujeito passa a ser compreendido como um ser plural, múltiplo de identidades, é possível se identificar com vários aspectos da vida social, um homem não é apenas um homem, é um profissional de sua carreira, atleta, artista, pai, poeta, comunga de alguma religião, etnia, consome diferentes culturas de arte, etc. E assim essas múltiplas identidades convivem, e devem conviver em harmonia dentro desse mesmo sujeito, logo, identificá-lo por apenas uma de suas identidades seria limitá-lo, e não enxergar as suas demais capacidades, além de não incluir ainda as mudanças provocadas pelas suas vivências, a conquista da maturidade e mudança de ideologia, carreira, cidade, ter ou não família, todas essas mudanças transformam o sujeito, e nesse sentido a identidade estará sempre em transformação.

Dans le document 7.0 (Page 122-125)

Documents relatifs