Roper (1999 p.14) da escola americana e Gómez & Merelo (2000 p.39) da escola espanhola. (Apud Caudas 2003 p.10) definem avaliação de risco como:
“Processo de avaliar as ameaças e vulnerabilidades de um ativo, de modo a formalizar uma opinião sobre a probabilidade de ocorrência de um dano ou perda, e seu conseqüente impacto, que servirá como referencial para uma tomada de decisão positiva.”
“É o processo pelo qual se faz uma valoração quantitativa e qualitativa dos fatores de risco, que incidem sobre uma determinada atividade”.
A vulnerabilidade, segundo Leone et al. (1995) Apud HADLICH (1997), compreende um grau de perdas potenciais decorrentes de um fenômeno suscetível de ocasionar danificações materiais, prejuízos corporais e disfuncionamento. As ações externas influenciam as condições iniciais de um sistema. A proporção dessa influência depende das características intrínsecas e extrínsecas do próprio sistema. Assim, a vulnerabilidade de um solo, por exemplo, depende das características desse solo e do modo como as ações externas atingem o solo.
A vulnerabilidade dos solos à contaminação envolve tanto fatores ambientais quanto parâmetros do solo, e essa vulnerabilidade de contaminação deve ser estabelecida com base na consideração da capacidade do solo para armazenar ou permitir a mobilização dos contaminantes. Assim, a vulnerabilidade tem por base um sistema, articulado em torno de um grande número de variáveis naturais e sociais, cuja dinâmica no tempo e no espaço pode implicar situações mais ou menos perigosas para uma sociedade exposta (HADLICH, 1997).
Considerando essa concepção de vulnerabilidade, pode-se falar também em risco. Este é definido com base na possibilidade de manifestação de um fenômeno danoso no qual existem elementos suscetíveis a serem danificados.
Segundo Castro (2005), “risco pode ser tomado como uma categoria de análise associada a priori às noções de incerteza, exposição ao perigo, perda e prejuízos materiais, econômicos e humanos”.
Ainda segundo Castro (2005), pode-se dizer que risco “refere-se, à probabilidade de ocorrência de processos no tempo e no espaço”.
O risco acompanha, via de regra, um adjetivo que o qualifica de: risco ambiental, risco social, risco tecnológico, risco biológico, risco financeiro e tantos outros.
Para os riscos naturais, Deyle et al. (1998), citado por Castro et al. (2005), consideram três níveis de avaliação: a identificação dos perigos, a avaliação da vulnerabilidade e a análise de risco.
Portanto, os estudos ligados à identificação de riscos ambientais devem considerar variáveis que tratem tanto dessa possibilidade da exposição quanto da gravidade dos efeitos segundo os elementos expostos. Isso significa que o risco depende da vulnerabilidade e dos elementos expostos. Todavia, conforme explica Velásquez (1995) Apud HADLICH, (1997), sua avaliação não é simplificada, em virtude da diversidade destes elementos e da complexidade das inter-relações entre os fenômenos.
O meio físico, que compreende a água, diversos tipos de solo, relevo, vegetação e hidrografia, é significativamente vulnerável à poluição quando se exerce a atividade da suinocultura. A poluição por meio de dejetos no meio físico ocorre, sobretudo, em virtude das adições de dejetos (fertilizantes naturais) serem muito superiores às quantidades necessárias para plantas e solos.
Os principais processos de poluição envolvem a lixiviação (contaminação dos lençóis freáticos), o escoamento superficial e a erosão para contaminação das águas superficiais, sendo esta última forma de poluição o objeto deste estudo.
Para Gustavo & Jean (2002) essa poluição pode ser causada de forma pontual ou difusa. A poluição pontual ocorre por exemplo, onde grandes quantidades de dejetos são produzidos e lançados diretamente no ambiente ou aplicados nas lavouras. Já a poluição difusa é aquela causada principalmente pelo deflúvio superficial, a lixiviação e o fluxo de macroporos relacionados com as propriedades do solo.
De acordo com Araújo e Ferreira (2003), a aplicação de efluentes de suinocultura no solo contendo concentrações elevadas de certos metais pesados pode apresentar três conseqüências negativas: a interferência no desenvolvimento das plantas em virtude da presença de cobre, zinco e níquel; a intoxicação de animais que ingerem as plantas contaminadas com metais como o chumbo, o cobre, o molibdênio, o cádmio e o mercúrio; e a contaminação das águas subterrâneas por meio da lixiviação.
Os micronutrientes geralmente presentes no efluente compreendem o cobre e o zinco. Esses são adicionados comumente nas rações dos porcos de engorda sob a forma de sais com a finalidade de elevar a eficiência alimentar presente nas dietas e controlar a disenteria dos animais. A maior parte desses metais pesados é excretada, registrando-se concentrações situadas entre 45 e 60 mg/l de zinco e cobre.
A introdução de cobre e zinco no solo resulta em riscos de toxidade que dependem dos volumes de efluente de suinocultura aplicados e da concentração dos metais da maior ou menor tolerância da cultura a níveis elevados desses metais, bem como das características do solo (ARAÚJO & FERREIRA, 2003).
Os principais impactos sobre o solo, conforme Araújo e Ferreira (2003), são os seguintes:
a. Degradação da estrutura do solo - ocorre quando são aplicados efluentes com altos teores de sódio, que geram a desfloculação e dispersão das argilas.
b. Colmatação - processo que ocorre nos espaços intersticiais do solo, sobretudo na camada superficial devido à aplicação continuada e excessiva de águas residuais, em particular se forem ricas em sólidos em suspensão. Os níveis da colmatação manifestam-se por meio do desequilíbrio entre a quantidade de matéria orgânica aplicada ao solo e a capacidade deste em garantir a sua decomposição por via biológica,
c. Aplicação e doses elevadas de matéria orgânica – conduzem a um agravamento de certas condições ambientais, visto que, quanto maior a quantidade de matéria orgânica, maior a liberação de CO2, podendo também
d. Alagamento do solo - ocorre quando se excede a sua capacidade de drenagem interna ao serem aplicadas quantidades excessivas de águas residuais ou efluentes.
Diante do exposto, observa-se que: Os fatores de risco ligados à suinocultura são diversos, e que o risco não depende unicamente da vulnerabilidade do meio e da presença de elementos susceptíveis. A possibilidade de ocorrência do fenômeno está subordinada à ação antrópica, pelo uso do solo, aplicação de dejetos nos diferentes tipos de solos, declividade e da proximidade das instalações suinícolas em relação à rede de drenagem, entre outros. Esses fatores são potencializados quando não são respeitadas as determinações legais nas propriedades suinocultoras, ou seja, a vulnerabilidade do meio ambiente aumenta significativamente quando as instalações da propriedade e o tratamento dado aos dejetos suínos não respeitam a legislação vigente e a capacidade do meio em reciclá-los.
Uma vez que existe o risco, cedo ou tarde ele torna-se evidente devido a uma má gestão dos recursos hídricos e má gestão financeira, bem como à falta de local adequado para a disposição dos dejetos. Portanto, medidas precisam ser tomadas para que os prejuízos sejam minimizados ou evitados. Não diferente desta situação encontra-se a Sub- Bacia do Rio Coruja/Bonito, no qual a água, que é um bem de todos, apresenta em vários pontos, riscos de poluição, que vão de muito baixo a muito alto, e comprometem a qualidade ambiental e a saúde da população.