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Official national income and wealth series, 1991-2011

B United States

D.1 Official national income and wealth series, 1991-2011

Com a publicação de The silent revolution, Inglehart (1977) deu um impulso inicial para quase trinta anos de estudos que seguiram. Porém manteve a base fundamental que defendia (Ribeiro, 2008). Partindo da Teoria das Necessidades de Maslow (1954), ele pensou ser possível apreender a orientação das sociedades, observando mudanças geracionais, tomando em conta as prioridades que se dão a dois grupos de valores:

materialistas e pós-materialistas. Porém, vale ressaltar que, diferentemente de Rokeach

133 nacionais. Seu foco não foi a orientação que cada pessoa assumia, mas a direção axiológica mostrada pelas culturas nacionais.

O interesse nos valores baseado em culturas nacionais, isto é, nas pontuações agregadas das pessoas que conformam determinadas culturas, tem ido além do trabalho desse autor (Bond, 1988; Hofstede, 1984). Porém, apesar de não ser o único a abordar o tema teoricamente, pois, já no Século XIX, discutia-se sobre as orientações de culturas ou sociedades (Durkheim, 1893/1982; Tönnies, 1887/1979), Inglehart (1977), ele foi o primeiro a operacionalizá-la em termos de um conjunto específico de valores, com origem motivacional específica. A propósito, classificou-os, inicialmente, em dois polos de uma mesma dimensão, nomeada de materialismo - pós-materialismo, que, posteriormente, assumiu como independentes. Nesse caso, o materialismo foi pensado para representar as necessidades mais básicas, como segurança, por exemplo, enquanto o pós-materialismo foi concebido para representar as necessidades mais elevadas, como a estética.

A partir dessas duas dimensões, Inglehart (1977) procurou estudar a mudança de valores nas sociedades e estimou uma passagem ou mudança geracional de um modelo mais tradicional e pré-industrial para outro mais moderno ou industrialmente avançado. Concretamente, sugere a mudança na ênfase de valores materialistas para aqueles pós- materialistas. A esse respeito, procura explicar esse processo com base em duas hipóteses principais: (1) a Hipótese da escassez, que considera que as necessidades de um indivíduo refletem seu meio socioeconômico, de modo que se atribui mais importância subjetiva às coisas que são relativamente escassas; e (2) a Hipótese da socialização, segundo a qual não é de ajuste imediato a relação entre o meio econômico e as prioridades valorativas.

Considerando esse marco teórico, Inglehart (1989) sugere que as sociedades caminham em direção ao pós-materialismo, principalmente quando se tornam mais econômica e socialmente desenvolvidas, isto é, quando têm satisfeitas suas necessidades mais básicas. Entretanto, reconhece que, mesmo em sociedades industriais avançadas, devido ao processo de socialização, alguns continuam priorizando valores materialistas. Por exemplo, se as pessoas de uma geração conviveram com um período de guerra, mesmo que a paz seja reinante, elas seguirão dando importância à segurança, e isso se reflete na maior pontuação presumível em valores materialistas. Nessa perspectiva, se tivessem sido socializados, os valores encontrariam alguma resistência à mudança.

134 Por fim, a despeito das diferenças culturais existentes entre as nações, estima-se que uma mudança de valores estaria ocorrendo associada ao desenvolvimento econômico experimentado a partir da segunda metade do Século XX, principalmente pelas sociedades industriais avançadas ou pós-industriais. Essa mudança, por sua vez, estaria provocando alterações profundas no campo religioso, no mundo do trabalho, nas relações de gênero, nas normas sexuais e na atividade política (Inglehart, 1977, 2001).

Em resumo, o modelo proposto por Ronald Inglehart supõe um avanço teórico substancial, com respeito àquele previamente descrito. Por exemplo, considerando a natureza motivacional dos valores, parte da teoria específica maslowniana, ao procurar também encarar os valores como dimensões de orientação, construtos latentes. Ademais, propõe duas hipóteses complementares para explicar a mudança de valores, estimando uma direção presumível de desenvolvimento das sociedades. Não obstante essas contribuições, não há que perder de vista que seu modelo foca as culturas nacionais, e não, os indivíduos, e se apresenta como simples, formado por uma única dimensão com dois polos ou, mais recentemente, compreendida como fatores independentes. Nesse sentido, o modelo que se discute a seguir é uma contribuição adicional e propõe mais dimensões valorativas.

4.2.3. Teoria dos Tipos Motivacionais de Valores

Shalom H. Schwartz, assim como Rokeach (1973), entende que os valores representam necessidades intrínsecas dos indivíduos e propõe seu modelo teórico que, em muito, compartilha as ideias desse autor e pode ser compreendido como sua extensão. De fato, não existe correspondência entre os instrumentos desses autores (Schwartz & Bilsky, 1987, 1990). Também foram introduzidas concepções novas, como a de conteúdo e de estrutura dos valores. Esta última, principalmente, diferencia seu modelo ao propor a noção de compatibilidade e de conflito entre tipos motivacionais de valores.

Em termos conceituais, esse autor caracteriza um valor como um conceito ou uma crença do indivíduo sobre uma meta (terminal ou instrumental), que transcende situações específicas e expressam interesses (individualistas, coletivistas ou mistos), e corresponde a um domínio motivacional (hedonismo, poder, tradição, universalismo, etc.). Esses valores são avaliados em escala de importância (nada importante, muito importante), como princípios-guia na vida das pessoas (Schwartz & Bilsky, 1987). Ele reconhece que tais

135 características definem os aspectos formais que diferenciam os valores de outros conceitos correlatos, como as atitudes, que, contrariamente aos valores, são restritas ou dirigidas a cada objeto e situação específicos. Portanto, os valores são entendidos como metas desejáveis e transituacionais, que variam de importância relativa, servindo como princípios na vida de uma pessoa ou entidade social (Schwartz, 2006).

Rokeach (1973) identificou um conjunto de valores terminais e classificou-os como pessoais e sociais. Schwartz (1992) reconheceu esses mesmos valores e mapeou-os como tipos de interesses a que servem (individualista e coletivista, respectivamente). Entretanto, identificou, em seus estudos, um terceiro grupo de valores e os denominou de tipos motivacionais mistos (Schwartz & Bilsky, 1987, 1990), uma vez que reuniam valores específicos pessoais e sociais.

Inicialmente, com base em análise de um conjunto de valores específicos ministrados a alemães e a israelenses (Schwartz & Bilsky, 1987), esse autor identificou sete tipos motivacionais de valores, apesar de a versão mais conhecida de sua teoria sugerir dez tipos (Schwartz, 2005), como seguem: autodireção, benevolência, conformidade,

estimulação, hedonismo, poder, realização, segurança, tradição e universalismo. Cada um

desses reúne um grupo de valores, que formariam regiões em uma representação espacial bidimensional, evidenciando compatibilidades e conflitos de acordo com sua maior proximidade ou afastamento espacial, respectivamente.

Rokeach propõe duas hipóteses principais do seu modelo, enfocando o conteúdo e a estrutura dos valores. Especificamente, os 56 itens que conformam o Schwartz Value

Survey (SVS) são, presumivelmente, distribuídos nesses tipos de valores e correspondem à hipótese de conteúdo. A hipótese de estrutura considera as compatibilidades e os conflitos

entre os tipos motivacionais, que se organizam em círculo. Os tipos mais compatíveis estão em pontos adjacentes (poder-realização, realização-hedonismo), enquanto aqueles conflitantes ou incompatíveis estão em lados antagônicos (conformidade-hedonismo, hedonismo-benevolência) (Schwartz, 2005, 2006).

Os tipos motivacionais de valores derivam de três requerimentos humanos universais: as necessidades básicas (organismo), os motivos sociais (interação) e as demandas institucionais para o bem-estar e a sobrevivência dos grupos (Schwartz & Bilsky, 1987, 1990). Entende-se que diferentes interesses podem ser alcançados tendo em

136 vista quem se beneficia quando a pessoa se orienta por determinado tipo motivacional, como seguem: individualista (poder, realização, hedonismo, estimulação e autodireção),

coletivista (tradição, conformidade e benevolência) ou misto (segurança e universalismo).

Além dos dez tipos motivacionais, Schwartz (2005) propõe que se considerem os valores segundo duas dimensões de ordem superior, a saber: autopromoção (poder e realização) -

autotranscendência (benevolência e universalismo) e abertura à mudança (autodireção,

estimulação, hedonismo) - conservação (conformidade, segurança e tradição).

Em resumo, Schwartz (2005) reuniu, em torno de sua teoria dos valores, pesquisadores dos cinco continentes, em mais de 50 países. Certamente, esse é um dos maiores empreendimentos de pesquisa, na Psicologia Social, que se manteve coerente, desde sua proposição (Schwartz & Bilsky, 1987, 1990), com a ideia de que existe um conjunto de motivações universais, as quais dão origem aos diversos valores, nas diferentes culturas, e os organizam. Seu modelo sugere hipóteses específicas sobre o conteúdo e a estrutura dos valores. Nesse caso, é crucial a concepção de compatibilidade e de conflito entre os tipos motivacionais de valores. Contudo, há quem afirme que ele não propõe uma teoria em si, mas apresenta um recorte da literatura, pautando-se em observações empíricas para chegar a um conjunto de valores (Molpeceres, 1994) que, como se sabe, foram herdados de Rokeach (1973) que, admitidamente, derivou-os de forma intuitiva. Quanto a esse aspecto de seu modelo, mais recentemente, tem sido proposta uma teoria que procura partir de bases mais axiomatizadas e que difere dos modelos prévios, porém sem negá-los ou conflitar com eles, a qual será descrita a seguir.