B United States
D.4 National income and wealth, 1870-1950
Para avaliar a qualidade dos dados a serem analisados, decidiu-se, inicialmente, comprovar a matriz de correlações entre os itens dessa medida. Para isso, dois critérios foram levados em conta (Tabachnick & Fidell, 2007): o KMO (Kaiser-Mayer-Olkin), que avalia a amostra de itens e indica em que medida a correlação entre cada par deles pode ser explicada pelos demais que compõem o instrumento, que varia de 0 a 1, admitindo-se valores a partir de 0,60; e o Teste de Esfericidade de Bartlett, que testa a hipótese de que a matriz de correlação interitens é de identidade, isto é, que as variáveis não se correlacionam substancialmente entre si e formam uma esfera. O primeiro critério não apresenta qualquer teste de significância, porém o segundo o faz; ele assume uma distribuição qui-quadrado (χ²) e aceita probabilidade inferior a 5% de que a matriz de correlações compreende uma matriz de identidade (p < 0,05). Os resultados a respeito apoiaram a adequação de fatorabilidade: KMO = 0,74 e Teste de Esfericidade de Bartlett, χ² (861) = 2.679,60, p < 0,001.
Sabendo que a versão brasileira dessa medida reúne seis fatores, decidiu-se testar essa estrutura. Concretamente, procedeu-se à análise fatorial confirmatória, admitindo-se o
152 estimador ML (Maximum Likelihood). Os resultados dessa análise não foram bem adequados, devido aos valores de corte dos indicadores de ajuste que são descritos na literatura: χ² (804) = 1.787,83, p < 0,001, χ² / gl = 2,22, GFI = 0,70, AGFI = 0,66, CFI = 0,52, RMSEA = 0,078 (IC90% = 0,074-0,083). Observando as saturações (lambdas, λ) dos itens nos respectivos fatores, constatou-se que dois deles, correspondentes ao fator não ser
um fardo, não diferiram estatisticamente de zero (z < 1,96, p> 0,05): Item 5 (Não ter pesar em relação à morte) e Item 25 (Não ter preocupações financeiras). Portanto, considerando
o propósito de reduzir o número de itens dessa medida, analisaram-se aqueles que representam cada fator, escolhendo os quatro mais adequados semântica e, principalmente, estatisticamente, conforme a Tabela 1.
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Tabela 1. Saturações brutas e padronizadas dos itens da EPMD
Fator Abreviação do conteúdo do item λ λpadronizado
I
37. Ter a sensação de que vale a pena viver 1,57 0,56* 28. Viver positivamente 1,21 0,54* 02. Viver em circunstâncias tranquilas 1,14 0,46* 21. Viver como se estivesse em casa 1,92 0,46* 41. Viver tanto tempo quanto seja possível 1,00 0,41 40. Viver com esperança 0,71 0,29 04. Viver normalmente, sem pensar na morte 1,00 0,23
II
27. Ser capaz de estar no lugar preferido 1,36 0,54* 39. Ter enfermeira com quem se sinta confortável 1,31 0,52* 30. Ter médico com quem conversar sobre morte 1,50 0,50* 34. Reconciliar-se com as pessoas 0,95 0,48* 12. Sentir que a vida está se completando 1,29 0,48 16. Sentir-se protegido por um Ser Superior 1,06 0,45 20. Receber cuidados do mesmo médico 1,00 0,38 42. Sentir que pode contribuir com os outros 0,62 0,37 29. Sentir gratidão pelas pessoas 0,76 0,35 11. Saber o que esperar da sua condição no futuro 0,88 0,32
III
06. Ser independente em atividades diárias 0,80 0,55* 33. Não demonstrar à família sua fraqueza 1,00 0,54* 31. Não mudar sua aparência 0,93 0,54* 01. Ser mentalmente capaz de tomar decisões 0,54 0,39* 24. Ser capaz de se alimentar sozinho 0,49 0,34 32. Ser respeitado por seus próprios valores 0,32 0,25
IV
18. Não ser um fardo para membros da família 4,79 0,79* 19. Não ser tratado como objeto ou criança 4,49 0,72* 23. Não ser dependente de equipamentos médicos 2,41 0,38* 36. Não trazer problemas para os demais 1,72 0,35* 05. Não ter pesar em relação à morte 1,49 0,29 25. Não ter preocupações financeiras 1,27 0,23 14. Inexistência de pesar da família 1,00 0,17
V
38. Contar com pessoas que possam ouvi-lo 1,01 0,59* 07. Desfrutar tempo suficiente com a família 0,95 0,56* 15. Estar calmo, relaxado 1,21 0,47* 17. Foram utilizados os tratamentos disponíveis 1,11 0,45* 35. Estar livre de dores e desconfortos físicos 1,00 0,44 08. Contar com apoio familiar 0,82 0,42 26. A família estar preparada para a morte 1,10 0,41 03. A família seguirá bem após a morte da pessoa 0,66 0,28
VI
13. Dizer adeus às pessoas queridas 2,34 0,70* 22. Saber quanto tempo de vida restará 1,85 0,50* 10. Controlar tempo de vida (eutanásia) 1,07 0,32* 09. Estar preparado para morrer 1,00 0,30*
154 Como se pode observar, na Tabela 1, foram selecionados 24 itens, quatro por fator. Todos apresentaram saturações estatisticamente diferentes de zero (λ ≠ 0; z > 1,96, p < 0,05). Considerando esse modelo post hoc, decidiu-se por calcular novamente os indicadores de ajuste para a estrutura com seis fatores. Foram obtidos os seguintes valores: χ² (237) = 540,59, p < 0,001, χ² / gl = 2,28, GFI = 0,81, AGFI = 0,76, CFI = 0,70, RMSEA = 0,080 (IC90% = 0,071-0,089). As saturações dos itens em seus fatores são mostradas na Tabela 2.
Tabela 2. Estrutura fatorial da escala de percepção de morte digna
Fator Abreviação do conteúdo do item λ λpadronizado
I
37. Ter a sensação de que vale a pena viver 1,00 0,56* 28. Viver positivamente 0,69 0,48* 21. Viver como se estivesse em casa 1,21 0,46* 02. Viver em circunstâncias tranquilas 1,14 0,46*
II
27. Ser capaz de estar no lugar preferido 1,75 0,58* 39. Ter enfermeira com quem se sinta confortável 1,71 0,58* 30. Ter médico com quem conversar sobre morte 1,96 0,54* 34. Reconciliar-se com as pessoas 1,00 0,43*
III
06. Ser independente em atividades diárias 1,49 0,57* 33. Não demonstrar à família sua fraqueza 1,73 0,52* 31. Não mudar sua aparência 1,75 0,50* 01. Ser mentalmente capaz de tomar decisões 1,00 0,40*
IV
18. Não ser um fardo para membros da família 2,70 0,89* 19. Não ser tratado como objeto ou criança 2,17 0,70* 23. Não ser dependente de equipamentos médicos 1,00 0,31* 36. Não trazer problemas para os demais 0,76 0,30*
V
38. Contar com pessoas que possam ouvi-lo 1,00 0,58* 07. Desfrutar tempo suficiente com a família 0,89 0,51* 15. Estar calmo, relaxado 1,19 0,46* 17. Foram utilizados os tratamentos disponíveis 1,15 0,46*
VI
13. Dizer adeus às pessoas queridas 2,39 0,73* 22. Saber quanto tempo de vida restará 1,74 0,48* 10. Controlar tempo de vida (eutanásia) 1,02 0,31* 09. Estar preparado para morrer 1,00 0,31*
Nota: * Saturação estatisticamente diferente de zero
De acordo com essa tabela, todos os itens apresentaram saturações estatisticamente diferentes de zero (λ ≠ 0; z > 1,96, p < 0,05). Isso justifica sua retenção para compor a versão reduzida da escala de percepção de morte digna. O conjunto desses resultados parece dar suporte para a Hipótese 1, que previa uma estrutura multifatorial, formada pelos seis fatores previamente listados, embora cada um seja composto por um menor número de itens.
155 Procurou-se, também, contrastar a estrutura subjacente com um modelo alternativo, admitindo um único fator em que todos os itens devem saturar. Os indicadores de ajuste desse modelo foram como se descrevem: χ² (252) = 709,11, p < 0,001, χ² / gl = 2,81, GFI = 0,76, AGFI = 0,72, CFI = 0,55, RMSEA = 0,095 (IC90% = 0,087-0,104). Portanto, parecem indicar um modelo menos ajustado aos dados, o que corrobora a Hipótese 2. Para testar formalmente essa possibilidade, compararam-se os respectivos qui-quadrados (χ²) e graus de liberdade (gl) desses modelos, confirmando o ajuste superior do primeiro [Δχ² (15) = 168,52, p < 0,001], que apresentou menor χ². Além disso, os valores de CAIC e
ECVI para o modelo multifatorial (seis fatores; 973,38 e 3,35, respectivamente) foram
menores do que os observados para o modelo unifatorial (admitindo-se um único fator; 1.011,43 e 4,05, respectivamente).
Em resumo, no que se refere à validade fatorial da Escala de Percepção de Morte
Digna, a versão brasileira reduzida, como apresentada no presente estudo, parece oferecer
evidências empíricas que a asseguram. Esse instrumento representa adequadamente seis fatores de percepção de morte digna. Essa estrutura é mais plausível do que a unifatorial. Resta, então, checar evidências de validade convergente-discriminante dos seus fatores.