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2. SEDIMENT–WATER DISTRIBUTION COEFFICIENTS

2.3. Ocean margin K d s (Table II)

Para chegarmos ao entendimento da importância dos gêneros textuais nos dias de hoje, primeiramente todos nós precisamos ter ciência, como diz Marcuschi (2008, p.154) de que “é impossível se comunicar verbalmente a não ser por algum texto”.

É sabido que a comunicação linguística não se dá por frases isoladas, mas através de unidades maiores que são os textos. O texto é o resultado de uma ação linguística e suas fronteiras são determinadas pelo mundo em que ele está inserido – trata-se de um tecido estruturado, uma entidade significativa, uma entidade de comunicação e um artefato sócio- histórico (MARCUSCHI, 2008). O texto é uma (re)construção do mundo, na medida em que o ordena.

27 Para Geraldi, os baixos salários dos professores e a necessidade de democratização da escola estão entre os

fatores que contribuem para o status quo em que se encontra a escola brasileira.

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Marcuschi (2008, p. 148) aponta que Aristóteles sistematizou as primeiras noções de gênero, a partir da natureza de sua construção retórica, a qual associava “forma, funções e tempo.” Mas, segundo Paviani et al (2008, p. 174), Platão foi o primeiro que falou em gênero.” Para Aristóteles, as manifestações literárias se estabeleciam a partir de um conjunto de características temáticas e formais que recebiam a denominação de determinado gênero.

De fato, o texto é um evento comunicativo em que convergem ações linguísticas, sociais e cognitivas. Segundo Beaugrande (1997), um texto é um ato de comunicação unificado num complexo de ações humanas e colaborativas, nunca um ato solitário29. Sendo assim, tendo em vista que todos os textos se manifestam sempre num ou noutro contexto social, sob a forma de gênero, pode-se concluir, também, que é impossível se comunicar verbalmente a não ser por algum gênero.

O conceito de gênero textual tem sido amplamente desenvolvido ao longo da história – desde a antiga Grécia de Platão até os dias atuais. Esse conceito adquiriu uma importante significação na História da Arte e na Literatura, uma vez que o termo se restringia, inicialmente, ao campo das manifestações artísticas. Ao longo da história Ocidental, os gêneros textuais receberam diversas definições:

Na Antiguidade Clássica, os gêneros eram definidos de acordo com os elementos: forma (prosa ou verso), composição (expositiva, representativa ou mista) e conteúdo (subjetivo ou objetivo). Havia, então, três gêneros, o lírico, o épico e o dramático. Na Idade Média, a distinção referia-se à teoria dos três estilos: elevado, médio e humilde, distinção baseada no aspecto literário e no aspecto social, já que considerava o papel social ocupado pelos personagens na obra para poder classificá-la. Já no século 18, o modelo clássico proposto pelos gregos e assumido pelos renascentistas entra em decadência, frente às revoluções que ocorreram nesse século (BORGES, 2012).

O estudo dos gêneros textuais ultrapassou, portanto, todas essas épocas e avançou em direção a diversas frentes de investigação. É a partir do século 19 que ele assume novas e importantes perspectivas, especialmente com o surgimento da Linguística30. Pesquisas desenvolvidas sobre a linguagem se tornaram interesse de inúmeras áreas da ciência, da tecnologia e da vida social – o que estabeleceu novas tendências para os estudos dos gêneros a

29 Não é interessante distinguir rigidamente texto e discurso, uma vez que a tendência atual é ver um contínuo

entre ambos, uma espécie de condicionamento mútuo. Segundo Coutinho (apud Marcuschi, 2008), texto e discurso são considerados aspectos complementares da atividade enunciativa. O discurso seria o “objeto do dizer”, isto é, uma prática linguística codificada e associada a uma prática social, e o texto o “objeto de figura”, uma esquematização que conduz a uma figura observável, apresentando todos os elementos que dão acesso aos aspectos de análise, e o gênero seria aquele que regula toda a atividade de enunciação.

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Os gêneros textuais também se expandiram com grande intensidade por meio da cultura impressa, especialmente na modernidade. Hoje em dia, eles ganharam ainda mais expansão com o florescimento da tecnologia eletrônica, por exemplo. A partir do rádio, da televisão e recentemente do computador pessoal, que tem na internet um lugar especialmente novo para a criação de novas formas de comunicação, tanto oral quanto escrita, eles avançaram ainda mais. Não é de interesse desta pesquisa se aprofundar na abordagem de gêneros emergentes na mídia virtual, especialmente porque a comunicação mediada por computador abrange um número diverso de formatos de comunicação e fluidez do meio e rapidez do tempo não contribuem para uma análise mais pontual do tema.

partir de práticas que passaram a privilegiar a interação verbal e as várias situações de interlocução.

Se o gênero tinha uma função restrita no campo das manifestações artísticas, hoje o conceito de gênero abarca um domínio maior, pois, com ele, podemos descrever e analisar, além dos textos e dos discursos, os processos sociais e educativos. Atingem-se assim, com sua investigação, aspectos básicos da aprendizagem (PAVIANI et al., 2008, p. 174).

Para Meurer, Bonini e Motta-Roth (2005, p. 8):

O gênero passou a ser uma noção central na definição da própria linguagem. È um fenômeno que se localiza entre a língua, o discurso e as estruturas sociais, possibilitando diálogos entre teóricos e pesquisadores de diferentes campos.

Na verdade, o termo gênero textual, ou discursivo31, apesar de aparentemente restrito, permite um grande alargamento nos estudos. Para Marcuschi (2008, p. 154),

A apropriação dos gêneros é um mecanismo fundamental de socialização e inserção práticas nas atividades comunicativas humanas, o que permite dizer que os gêneros textuais operam em certos contextos como formas de legitimação discursiva, já que se situam numa relação sócio-histórica com fontes de produção que lhes dão sustentação, além de justificativa individual”.

Os gêneros textuais passaram a ser amplamente estudados na Linguística a partir de trabalhos como os de Bakhtin (2003)32, Dolz e Schneuwly (1999), Bronckart (2009), Miller (2008), Bathia (2009), Swales (2009) e Bazerman (2005, 2007, 2011), entre outros. Todos esses estudos tratam da natureza do gênero textual com diferentes enfoques teóricos e metodológicos, por sua conceituação e vinculação a uma prática social, sociorretórica, discursiva e/ou escolar, além de focalizar seu interesse no texto, na materialidade linguística e no sujeito vivente dessa prática de linguagem.

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Seguindo os conselhos de Marcuschi (2008), não vamos discutir se é mais pertinente a expressão gênero textual ou gênero discursivo – ou gênero do discurso. Vamos adotar a posição de que todas essas expressões podem ser usadas intercambiavelmente.

32 Essa versão corresponde ao que foi produzido entre os anos de 1920 e 1929, no círuclo de Bakhtin. Mais

Marcuschi (2008) reúne diversas perspectivas teóricas de estudos como base sobre os gêneros que estão em curso no Brasil. Segundo ele, (1) uma linha bakhtiniana alimentada pela perspectiva de orientação vygotskyana socioconstrutivista da Escola de Genebra representada por Schneuwly e Dolz e pelo interacionismo sociodiscursivo de Bronckart, de caráter essencialmente aplicativo ao ensino de língua materna33 é desenvolvida pela PUC de São Paulo; (2) uma perspectiva swalesiana na linha da escola norte-americana mais formal e influenciada pelos estudos de John Swales (1990), muito presente nos estudos da UFC, UFSC E UFSM; (3) uma linha marcada pela perspectiva sistêmico-funcional é da Escola de Sydney – alimentada pela perspectiva sistêmico funcional de Martin e Rose – também muito presente na UFSC e; (4) uma perspectiva menos marcada por essas linhas e de caráter mais geral, com influência de Bakhtin e Bronckart, além de Charles Bazerman e Carolyn Miller entre outros ingleses como Günter Kress e Norman Fairclough, que tem se desenvolvido na UFPE e na UFPB.

Do mesmo modo como acontece no Brasil, outras perspectivas teóricas estão em curso em outros países. Segundo Marcuschi (2008), perspectivas como a comunicativa, a sociorretórica e a da análise crítica, entre outras, têm sido desenvolvidas internacionalmente. Ainda, segundo Paviani (2008, p. 177-176), “existem atualmente teorizações diversas sobre gêneros textuais/discursivos, que podem, grosso modo, ser reunidas em três grandes correntes: a sociorretórica, a sociodiscursiva e a sociossemiótica”. Segundo os estudiosos, essas abordagens têm em comum a concentração nos aspectos sociais da linguagem.

Com efeito, tendências com base no movimento interacionista filiado à tradição teórica de Spinoza e Marx – com posicionamento epistemológico e político bem definidos e que, entre outras teses, defendem o papel central da linguagem no agir humano, em seu funcionamento psíquico e em seu desenvolvimento –, ganharam grande visibilidade.

Dentre essas tendências é possível citar aquela com foco na análise de elementos sistêmicos – a da Escola de Sydney –, a que se volta para o ensino de língua materna e para a formação docente – a de Genebra –; a que se preocupa em compreender a organização social e as relações de poder que os gêneros estabelecem – a norte-americana – e aquela que, numa via à parte da Escola norte-americana é destinada ao ensino de gêneros acadêmicos – a Swalesiana (MARCUSCHI, 2008).

33 Nesse sentido, apesar de lidarmos com o ensino de língua estrangeira – e não de língua materna –, buscamos

as referências nos autores citados exatamente porque lidam com gêneros textuais e transposição didática para o contexto de uma sala de aula.

Segundo Nogueira (2014), nas pesquisas de Linguística Aplicada, sobretudo no campo da análise descritiva e interpretativa, por exemplo, estudiosos têm se dedicado a examinar a função social, interativa, discursiva e ideológica dos gêneros em diversas práticas sociais, considerando pelo menos duas frentes: os gêneros como reguladores dessas práticas e os aspectos linguístico-textuais – investigando a organização textual, além dos parâmetros de textualização que certificam os gêneros.

A partir do final da década de 90, no Brasil, os gêneros textuais ganharam um lugar de especial destaque a partir da publicação e do processo de implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, especialmente porque traziam em sua base as teorias sobre a linguagem, o aprendizado e o desenvolvimento do sujeito – a partir de Vygotsky e de Bakhtin.

De fato, o documento aponta que a linguagem é uma atividade discursiva que tem o texto como unidade de ensino (BRASIL, 1998, p. 27). Ainda segundo esse documento, as práticas de linguagem são atividades que produzem um sujeito ativo, participativo de seu processo de construção de conhecimento e que utiliza a linguagem com um propósito comunicativo eficiente. Também está presente no documento a ideia de texto como uma construção social, que se organiza em determinado gênero, para determinados contextos e fins, isto é, que “todo texto se organiza dentro de determinado gênero em função de intenções comunicativas, como parte das condições de produção dos discursos, as quase geram usos sociais que os determinam” (BRASIL, 2000, p. 21).

Como entendida na atualidade, a noção de gênero estabelece uma relação entre língua, linguagem e sociedade como um fenômeno histórico e tem sido muito influenciada pelo pensamento do Bakhtiniano. E é a partir do pensamento do estudioso russo que se concebe, de uma maneira quase que uníssona, o percurso de como ele foi pensado para os dias atuais34.

Segundo Bakhtin (2003, p. 268), “os gêneros discursivos são correias de transmissão entre a história da sociedade e história da linguagem.” Nenhum fenômeno novo, seja ele fonético ou lexical ou gramatical, pode integrar o sistema da língua sem ter percorrido um complexo e longo caminho de experimentação e elaboração de gêneros e estilos. O gênero corresponde à forma padrão assumida pelas produções verbais, cristalizada pelo uso e pela

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Bakhtin é considerado como um autor que fornece subsídios teóricos de ordem macroanalítica e que desenvolve o conceito de gênero servindo de base, de onde partem outros estudos mais aprofundados sobre o assunto. Segundo Borges (2012, p. 134), a maioria dos trabalhos publicados sobre as diversas perspectivas de estudos de gêneros no país têm como fundamento as orientações da perspectiva do interacionismo sociodiscursivo, centralizadas diretamente nos estudos da linguagem a partir de Bakhtin.

aceitação da comunidade de falantes, por atenderem aos propósitos comunicativos dos interagentes. Ainda que sejam particulares, os enunciados guardam certos traços em comum, o que os torna reconhecíveis e passíveis de utilização recorrente.

Para Bakhtin (2003), todos os campos da atividade humana produzem enunciados concretos e únicos que atendem aos propósitos comunicativos dos interagentes. Esses enunciados se constituem pela indissociável inter-relação de três fatores: o conteúdo temático, o estilo e a construção composicional35. São esses fatores que tornam certos traços entre esses enunciados comuns e que os fazem ser relativamente estáveis – esses tipos são exatamente os gêneros textuais – discursivos36 -, conforme nos sugere Bakhtin.

Os gêneros textuais, portanto, podem ser entendidos como mecanismos estruturadores das produções verbais, tanto orais e quanto escritos. Como exemplos de gêneros, podemos citar: notícia, reportagem, anúncio, cardápio, entrevista, outdoor, romance, poema, charge, história em quadrinhos, carta, e-mail, relatório, telefonema, entre outros. Segundo Bakhtin, a distribuição da produção em gêneros tem como correlato a própria organização da sociedade. Os gêneros, portanto, contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia-a-dia.

Para Marcuschi (2008) os gêneros textuais são esses fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida cultural e social e fruto de trabalhos coletivos. Para Bazerman (2011, p. 26) os gêneros “são historicamente construídos e estão em evolução como parte das expectativas sociais em processo de mudança”. Segundo Martin e Rose (2008), os gêneros são produzidos para objetivos específicos nas práticas sociais da vida diária37.

Nesse quadro teórico, o conceito de gênero também está associado aos conceitos de

atividade, ação e agir.

Enquanto o conceito de atividade é de ordem sociológica (implicando as dimensões motivacionais e intencionais mobilizadas no âmbito coletivo), e o conceito de ação é de ordem psicológica (implicando as dimensões motivacionais e intencionais mobilizadas no âmbito individual), o conceito

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Essas características estão dispostas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2000, p. 21), o que reforça o grau de associação desse documento com os ensinamentos de Bakhtin, associada especialmente à perspectiva do interacionismo sociodiscursivo.

36 Em sua essência o conceito de gênero é de ordem discursiva. Entende-se por discursivo aquilo que diz respeito

à língua em funcionamento na sociedade, ou seja, a língua funcionando como mediadora das interações entre os humanos que se envolvem em atividades de linguagem e intervêm no mundo através de ações de linguagem (PAVIANI et al., 2008).

37 Segundo os autores, a cultura envolve um grande conjunto de gêneros potencialmente caracterizáveis, os quais

de agir é interpretativo e designa toda forma de intervenção orientada de um ou mais seres humanos no mundo (PAVIANI et al., 2008, p. 179).

A ação de linguagem representa, ao mesmo tempo, uma dimensão comportamental ou física e uma dimensão social – sendo a primeira um ato de tomada da fala ou da escrita de um agente inscrito num espaço-tempo eventualmente na presença de, e com, outros agentes e a segunda inscrita em uma forma de interação que predetermina os objetivos que podem ser almejados e que consagra os agentes emissores e receptores do papel social específico (PAVIANI et al., 2008).

Ora, os lugares ou instituições em que se organizam diferentes formas de produção com as respectivas estratégias de compreensão em que ocorrem as atividades e as ações de linguagem são denominados de ambientes discursivos. Com efeito, a noção de texto que é retirada desse meio é uma unidade comunicativa verbal – oral ou escrita –, gerada por uma ação de linguagem, que se acumula historicamente no mundo das obras humanas e que os indivíduos utilizam para interagir uns com os outros nos diferentes ambientes discursivos da sociedade. É importante registrar que os gêneros textuais não são fruto de invenções individuais, mas de formas socialmente maturadas em práticas comunicativas na ação linguageira38. Segundo Bronckart (2006), a apropriação dos gêneros é um mecanismo fundamental de socialização, de inserção prática nas atividades comunicativas humanas.

Marchuschi (2008) também desenvolve a ideia de que os gêneros textuais operam como formas de legitimação discursiva, já que se situam numa relação sócio-histórica com fontes de produção que lhes dão sustentação. Segundo ele, o domínio discursivo em que o gênero atua abrange uma esfera de comunicação que não se restringe a um único gênero, podendo resultar no surgimento de vários deles em dada rotina comunicativa. Para ele, “o domínio discursivo é uma esfera da vida social ou institucional” – religiosa, jurídica, pedagógica, política, industrial, militar, familiar, lúdica, por exemplo – na qual se dão práticas que organizam formas de comunicação e respectivas estratégias de compreensão.

Como prática social e prática textual-discursiva, os gêneros textuais, de acordo com (KLEIMAN, 2001), são modelos correspondentes a formas sociais reconhecíveis nas situações comunicacionais em que ocorrem. Para ela, a estabilidade dos gêneros é relativa ao momento histórico-social em que surge e circula. Com efeito, o gênero prefigura o texto e se ancora no contexto situacional, o que os fazem surgir, então, em determinadas esferas sociais

38 E, como eles não só refletem, mas constituem as práticas sociais, supõe-se que também haja variações

de circulação – sejam elas de origem científica, política, literária, artística, publicitária, cotidiana, escolar ou midiática, por exemplo. Repercutindo Bakhtin (2003, p. 280), “cada esfera dessa atividade comporta um repertório de gêneros do discurso que vai diferenciando- se e ampliando-se à medida que a própria esfera se desenvolve e fica mais complexa”39.

De certa maneira, essas esferas funcionam como formas de organização e distribuição dos diferentes papéis e lugares sociais nas instituições e nas situações em que se produzem os discursos. As condições comunicativas das esferas sociais produzem seus “tipos relativamente estáveis de enunciados” (BAKHTIN apud DIAS, 2012, p.2) – os próprios gêneros discursivos. Ocorre que, como esses gêneros estão presentes em todos os atos de comunicação feitos por meio da fala ou da escrita na sociedade e esses atos estão inseridos em esferas da atividade humana, para cada uma delas existem condições comunicativas particulares para atender a necessidade do ser humano de expressar-se – e atingir metas.

Como exemplo, o objeto de nosso estudo pertence às esferas de circulação literária e pedagógica (escolar), uma vez que se trata de uma narrativa de ficção e que pode ser lida e aplicada em ambiente escolar. Sobre esse assunto, Marcuschi (2008), aponta que todo livro é um suporte – e não um gênero. Segundo ele, o livro é maleável e tem um formato definido pela própria condição em que se apresenta (capa, páginas, encadernação etc.) – e que pode comportar os mais diversos gêneros40. Para Marcuschi, um suporte não é um objeto neutro e o gênero não fica indiferente a ele. O suporte é imprescindível para que o gênero circule na sociedade e deve ter alguma influência na natureza do gênero suportado41. Neste ponto, destacamos a importância dos readers como um locus físico e especifico que serve de base para a materialização do gênero narrativa de ficção presente no texto42.

39 Bakhtin (2003) distingue os gêneros textuais, que ele chama de discursivos, como primários (da comunicação

cotidiana) e secundários (da comunicação produzida a partir de códigos culturais elaborados, como a escrita). Trata-se de uma distinção que dimensiona as esferas da utilização da linguagem em processo dialógico- interativo. Os gêneros secundários tais como romances, contos, ensaios filosóficos, são elaborações da comunicação cultural organizada em sistemas específicos como a arte, a ciência e a política. Isso não quer dizer que eles sejam refratários aos gêneros pertencentes à esfera do cotidiano. Nada impede, entretanto, que uma forma do mundo cotidiano possa entrar pela esfera da arte, da literatura e da ciência. As esferas se modificam e se completam na atividade comunicativa.

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Se for um livro didático, por exemplo, pode-se encontrar nele os mais variados textos, desde poemas a diários, a agendas e a cartas pessoais, sem contar com sumário, ficha catalográfica, exercícios, bibliografia, entre outros. Um livro é sempre um suporte, sendo que alguns casos contem um só gênero (um livro de poemas), em outros casos contem muito gêneros discursivos (uma obra com publicações de um determinado jornal) ou então em um único gênero (romance). É possível afirmar que Bakhtin classificaria o livro didático, por exemplo, como um conjunto de gêneros - secundários.

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Por vezes o objeto se confunde com o próprio gênero, ainda que estejam por ser discutidos a natureza e o alcance dessa interferência.

42 Essa ideia comporta três noções claras: (1) que o suporte é um lugar; (2) que o suporte tem formato especifico

De acordo com Miller (2008), o estudo dos gêneros textuais é uma área fértil, interdisciplinar, com atenção especial para linguagem em funcionamento e para atividades culturais e sociais. Desde que concebemos os gêneros textuais como formas culturais e

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