3. CONCENTRATION FACTORS FOR
3.3. Tabulated values: general remarks
3.3.9. Mammals (Tables X–XII)
Lidar com o ambiente de sala de aula é lidar com o didatismo. Para efeito de execução e desenvolvimento desta pesquisa, aplicamos uma Sequência Didática (doravante SD) a partir de um reader, nosso modelo didático e eixo principal que nos serviu como objeto de estudo e mediador para o processo de ensino e aprendizagem em sala. Com efeito, utilizamos as bases do interacionismo sociodiscursivo em sua vertente didática.
Nas palavras de Bronckart (2006), o Interacionismo Sociodiscursivo (doravante ISD) tem como uma das propostas de didatização do ensino o procedimento de organizá-lo em sequências didáticas. Segundo Cristóvão (2008, p. 18), uma SD pode ser considerada como “um conjunto de atividades progressivas, planificadas em torno de uma situação de comunicação clara, guiadas por um objetivo geral, voltadas para um projeto de classe e orientadas por gênero(s)”. Esse artefato, segundo o autor, quando planificado conforme necessidades particulares favorece o desenvolvimento de capacidades de linguagem nos alunos.
Para Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004, p. 51), “as sequências didáticas instauram uma primeira relação entre um projeto de apropriação de uma prática de linguagem e os
instrumentos que facilitam essa apropriação”. Nesse sentido, pretendemos seguir nessa linha
em nossa pesquisa.
O ISD surgiu em 1980, juntamente com a constituição do grupo de pesquisadores da Unidade Didática das Línguas da Universidade de Psicologia e Ciências da Educação de Genebra, sob a coordenação de Jean-Paul Bronckart (BARROS; RIOS-REGISTRO, 2014). O referido grupo tem como fonte maior de referência os trabalhos de Vygotsky, no que concerne ao desenvolvimento e, Bakhtin, no campo da linguagem.
Com o objetivo de ganhar maior desenvolvimento nas pesquisas, o grupo de pesquisadores começou a considerar além das ciências Humanas, as contribuições das Ciências do Trabalho – particularmente da Ergonomia da Atividade e da Psicologia do Trabalho. Essa abordagem transdisciplinar justifica-se, segundo o grupo, pela possibilidade de compreender o agir humano por meio da análise de textos e também do seu contexto.
No Brasil, a entrada das ideias do ISD se deu por meio do encontro de duas pesquisadoras, a professora Roxane Rojo e Maria Cecília C. Magalhães, a partir de uma tese do interacionismo sociodiscursivo proferida pelo professor Bronckart em Madrid (BARROS; RIOS-REGISTRO, 2014). De acordo com o grupo, com a integração das ideias vygotskyanas e de aportes da linguística do texto/discurso, emerge a construção de um todo teórico coerente, ao mesmo tempo em que se apresenta uma proposta de integração dialética entre as pesquisas científicas e as intervenções didáticas (MACHADO; GUIMARÃES, 2009).
A proposta didática do ISD considera que os “gêneros se constituem como verdadeiras ferramentas semióticas complexas que mediatizam a ação de linguagem, permitindo a produção e a compreensão de textos” (Ibid., p. 128). Por isso, é por meio de apropriação do gênero que os indivíduos agem com a linguagem – continuam os autores. Nesse sentido, é a partir dos conceitos de Bronckart (2009), no que se refere à análise do texto; de Cristovão (2008), para o modelo didático; e de Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), no que tange à transposição didática, que faremos a nossa intervenção didática.
Segundo Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), os gêneros, tanto orais quanto escritos, precisam ser aprendidos na escola. Para esses autores, os gêneros devem ser utilizados como meio de articulação entre práticas sociais e objetos escolares, ou seja, como objetos de ensino e aprendizagem. A introdução de um gênero na escola é resultante de uma decisão didática com o objetivo preciso de aprendizagem. Num primeiro momento – continuam os autores –
deve-se conhecer melhor o gênero, para depois desenvolver capacidades que ultrapassem esse gênero.
Devido ao grande número de saberes envolvidos na elaboração de um modelo didático, Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004, p. 81-82) recomendam a teorização de um processo didático compreendido por três momentos interligados por uma forte interação, os quais são: (1) o princípio de legitimidade – considerando os saberes teóricos dos especialistas –; (2) de pertinência – respeitando as capacidades dos alunos e os objetivos da escola –; e (3) de solidarização – que diz respeito à coerência entre os saberes a partir dos objetivos visados.
Dolz, Noverraz e Schneuwly ainda indicam também que capacidades de linguagem também devem ser levadas em consideração na planificação de uma sequência didática. Segundo os autores, elas são 03 (três), a saber: (1) a capacidade de ação – o reconhecimento da situação de comunicação; (2) a capacidade discursiva – ao identificar a organização geral do texto e; (3) a capacidade linguístico-discursiva – ao considerar as operações linguísticas e discursivas. Para efeito da estruturação de uma SD, Dolz e Schneuwly (2004) afirmam que ela deve levar em conta: a apresentação da situação, a produção inicial, módulos constituídos por diversas atividades – e divididos em etapas – e uma produção final.
Para Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), uma SD é um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual. Embora, tal conceito tenha sido em princípio apresentado para o ensino de escrita, pode tranquilamente, segundo os autores, ser empregada para o ensino de leitura.
Seguindo a orientação dos estudiosos acima, buscamos organizar as atividades de ensino em função de núcleos temáticos e procedimentais articulados. A ideia em torno da aplicação dessa metodologia é favorecer a mudança e a promoção dos alunos ao domínio de situações de comunicação tais, que possam fazê-los tanger a realidade.
Como o nosso eixo teórico para aplicação da SD parte do ISD, adotamos o modelo didático defendido por essa tradição – um gênero –, como objeto unificador sobre o qual os envolvidos realizarão todas as ações43. Desse modo, a narrativa de ficção Frankenstein foi o modelo didático escolhido para o processo de ensino e aprendizagem de Línguas Inglesa para alunos do Ensino Médio da Escola Pública – o processo de escolha aconteceu
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A decisão para tomarmos como base os fundamentos epistemológicos do interacionismo sociodiscursivo deve- se não somente ao construto teórico-metodológico estar voltado para à investigação de linguagem e desenvolvimento, mas por sua preocupação com a transposição de modelos teóricos para a prática em sala de aula.
democraticamente em sala, a partir de uma votação efetuada pelos alunos, conforme descrita no capítulo 3.
Ainda, para entender os elementos da narrativa de ficção presentes no reader, tomaremos como base Gancho (1998)44. Segundo ele, chama-se gênero narrativo ao conjunto de obras em que há narrador, personagens e uma sequência de fatos, sendo uma variante do gênero épico. Segundo o autor, o gênero “narrativa de ficção” aplica-se a todos os textos produzidos pelos prosadores, podendo ser considerado como narrativas as narrações de todos os acontecimentos passados, presentes e futuros.
O gênero “narrativa de ficção” pode abranger várias modalidades de texto em que aparecem os seguintes elementos: um foco narrativo com a presença de um elemento que relata a história como participante, em 1º pessoa ou como observador, no caso da 3º pessoa. Em geral apresenta um narrado onisciente; um enredo, isto é, a sequência de fatos, podendo seguir a ordem cronológica em que eles ocorrem (sucessão temporal dos fatos), ou a ordem psicológica (sucessão dos fatos, seguindo as lembranças ou evocações das personagens, apresentando, muitas vezes flashbacks ou voltas ao passado; personagens, que são seres criados pelo autor da obra com características físicas e psicológicas determinadas; o campo e espaço que definem o momento e o local em que os fatores são narrados e onde se desenrolam; o conflito, que é a situação de tensão entre os elementos da narrativa; um clímax que descreve a situação criada pelo narrador que progride em tom de dramaticidade até o seu ápice, ou seja, ao seu ponto máximo e um desfecho, que é o momento após o clímax, no qual se finaliza a história e cada personagem se encaminha para seu “destino”. No caso de uma narrativa longa, como em um romance, há vários conflitos entre os personagens e o tempo e o espaço são ampliados. O caráter de verossimilidade é uma marca das narrativas de ficção, especialmente pelo grau de coerência que mantém com o universo real em que se espelha.
Desse modo, a análise de todo o enredo do reader que nos propomos a ler considerou o tempo e o espaço da história, assim como o narrador e as personagens do texto, além das relações de causa e de efeito, reveladas nos episódios do enredo. Os outros elementos –
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De acordo com os padrões literários pertencentes à Antiguidade Clássica – greco-romanos especialmente, o gênero narrativo era representado pelas epopeias, histórias constituídas por personagens, ação, tempo e espaço, compostas em forma de versos. Tais narrativas retratavam a grandiosidade ligada aos feitos heroicos de um povo com a participação de entes sobrenaturais relacionados à Mitologia Pagã, como as musas e deuses, agindo contra ou a favor de um determinado acontecimento ao longo de todo o relato. As principais epopeias foram: a Ilíada e
a Odisseia, atribuídas ao poeta grego Homero, séc. VII a.C., ambas tinham como relato as lendárias histórias da
Guerra de Troia. Os heróis homéricos são agressivos e ferozes nas batalhas, mas pacíficos e justos na vida normal.
espaços e personagens secundários, por exemplo, pequenos conflitos, entre outros – também são elementos potenciais de nossa abordagem. Desnecessário dizer que a exploração de estruturas linguísticas surgiu na execução das atividades e na leitura da obra, assim como os elementos pré-textuais e pós-textuais, contidos no suporte didático, uma vez que são fontes de ajuda na compreensão do conjunto da obra.
A seguir, buscaremos partilhar o nosso entendimento sobre os readers, passando a defini-los e classificá-los, além de expor algumas razões que ao longo de nossa prática temos encontrado para utilizá-los como referenciais didáticos em salas de aulas de Língua Inglesa na escola pública.