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A entrevista às mães das crianças foi realizada no final do ano lectivo. A informação é analisada tendo em conta as categorias a seguir indicadas.

Percepções sobre a importância da educação pré-escolar

As duas mães inquiridas foram da opinião que a frequência da educação pré-escolar traz muitos e variados benefícios para as crianças, nomeadamente para o seu desenvolvimento geral, para a aprendizagem de conceitos diversos e para a convivência com outras crianças.

Como refere a mãe da criança (D) “ para mim os benefícios que traz o jardim-de- infância para uma criança é que convivem com outras crianças, começam a ter as principais noções e aprendem coisas que eu não posso ensinar”.

Por sua vez, a mãe da criança (L) sublinha que “ são muitos os benefícios, em primeiro lugar para o desenvolvimento dela e depois para a aprendizagem e a ligação com outras crianças”. Estas ideias podem entender-se como indo de encontro aos objectivos da educação pré-escolar (Lei nº5/97, de 10 de Fevereiro) e também expressos nas Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar.

Percepções acerca do que se entende por aprender em idade pré-escolar

A mãe da criança (D) relevou a importância de aprender a dominar competências consideradas essenciais para uma boa integração na vida escolar, afirmando: “ para o meu filho que já tem seis anos e já vai para a escola primária aprender significa saber estar sentado, partilhar, saber ouvir e aprender as noções básicas principais para levar para o 1º ciclo, como por exemplo fazer grafismos, pede para fazer números e letras e interessa- se muito pela escrita”.

9 A solicitação de colaboração para a realização da entrevista foi feita aos pais (pai ou mãe), mas foram as

62 Por sua vez a mãe da criança (L) relevou o aprender no sentido de uma aprendizagem ao longo da vida, referindo: “ significa muito, nós aprendemos desde que nascemos até que morremos, estamos sempre a aprender nunca sabemos tudo. Por isso desde cedo se deve aprender a pintar, desenhar, falar, fazer as perguntas da maneira certa”.

Percepções sobre a natureza das competências a desenvolver pelas crianças No que se refere às aprendizagens a realizar pelas crianças a mãe da criança (D) mencionou que “ é importante que o meu filho aprenda a saber estar sentado direito, aprenda as primeiras regras, as cores, saber partilhar e lidar com os colegas”. A mãe da criança (L) sublinha, por sua vez, a importância do lúdico e de dominar alguns saberes- fazer que se prendem com manipulação de materiais e com a sua independência “ tudo é importante, o brincar, o aprender a fazer os trabalhos, o nome dela, a higiene e a segurança, a pegar numa tesoura, num lápis. Aprender várias coisas para a autonomia delas no futuro”. As respostas das mães inclinam-se para as aprendizagens que permitam à criança ser autónomas e que lhes desenvolvam competências para mais tarde lhes serem úteis enquanto cidadãos responsáveis. Não podemos deixar de anotar algumas proximidades com algumas das respostas dos filhos, o que pode entender-se, como alerta Bronfenbrenner, não pode deixar de se considerar a influência contextual no processo de aprendizagem e desenvolvimento da criança

Percepções sobre envolvimento da família no processo de aprendizagem pré- escolar

A mãe da criança (D) revela que conhece o que o filho aprende no jardim-de- infância através da própria criança, referindo: “ ele conta o que faz e muitas vezes em casa quer fazer o mesmo que aprendeu no jardim”. E continua, dizendo: “este ano fizeram algumas experiências e ele em casa também quis fazer e eu deixei e até gostei de ajudar”. Esta ideia releva que a criança conversa com os pais sobre o que aprende na escola e as actividades que para ela são mais significativas têm uma continuidade em casa. Por sua vez a mãe da criança (L) revela alguma preocupação com o pouco tempo que dedica à filha ao afirmar “ muitas poucas vezes estou com a minha filha, estou com ela duas vezes por semana por causa do meu trabalho, mas converso com ela e ela diz-me o que fez na escolinha”.

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Percepções sobre o meio enquanto recurso de aprendizagem

Relativamente a esta questão as mães vêem o meio como um bom recurso para a aprendizagem dos filhos, reconhecendo a sua importância. A mãe da criança (D) afirma: “ as visitas às fábricas são muito importantes porque assim as crianças ficam com uma ideia do que se produz na aldeia”. Depois fez referência a uma das visitas que realizamos: “por exemplo, na fábrica das lãs, o meu filho explicou-me que as lãs estavam muito sujas e depois puseram numas máquinas e que havia bidões de líquido para as lavar. Acho isto tudo muito importante”.

Por sua vez a mãe da criança (L) sublinha: “ as visitas são importantes porque elas ficam a saber o que há na nossa aldeia, como funcionam as coisas, porque funcionam e o que produzem. E como as crianças são curiosas gostam de saber…”

Perguntamos-lhe às mães se têm o costume de levar os filhos a fazer esse tipo de visitas, obtendo respostas diferentes. A mãe da criança (D) referiu que o filho conhece algumas das fábricas da localidade, porque alguns dos familiares trabalham lá. A mãe da criança (L) disse: “ não, porque infelizmente o meu trabalho não me permite e sempre que estou com ela tento aproveitar o tempo de outra forma”.

As duas mães parecem de acordo em relação à importância de as crianças destas idades se envolverem em pesquisas sobre o que se faz e existe no meio local.

Ao serem inquiridas sobre a pertinência de envolver as crianças, na pesquisa dessas e de outras situações, a mãe da criança (D), anotou: “sim é importante, as crianças pesquisarem, ele até me pede muitas vezes para ir à internet ver coisas e eu como mãe disponibilizo tempo para isso”.

A mãe da criança (L) acentuou: “ tudo o que existe na vida é uma experiência, por isso não acho descabido, crianças com três anos fazerem este tipo de actividades, estando a viver num mundo cada vez mais modernizado cheio de novas tecnologias”.

Percepções acerca do funcionamento da instituição com um número reduzido de crianças

As entrevistadas tiveram opiniões diferentes relativamente ao assunto abordado. Enquanto a mãe da criança (L) vê algumas vantagens na frequência apenas de duas crianças no jardim-de-infância porque “a educadora tem mais tempo para elas, mais tempo para as ensinar, mais tempo para as actividades, para fazer passeios e actividades que se fossem mais meninos não podiam, há mais cuidado, mais atenção”, a mãe da criança (D), não aponta nenhuma vantagem visto que “o meu filho em casa queixava-se

64 muitas vezes que só tinha uma colega e que era mais pequena do que ele e não brincavam juntos. O meu filho andava muito desmotivado, a outra criança às vezes faltava e ele ficava sozinho e para ele isso é muito prejudicial porque com duas crianças não dá para desenvolver muito os temas que a educadora quer ensinar”.

A mãe da criança (L) reconhece também algumas desvantagens nesta situação, isto porque “as crianças sentem-se sozinhas, não têm mais ninguém com quem interagirem, com quem comunicarem, com quem brincarem”.

No que se refere ao encerramento legalmente previsto, das escolas com menos de 21 alunos, as mães apresentam uma opinião semelhante. A mãe da criança (D) referiu:

“Acho que com menos de 21 crianças não deviam fechar, pois com 10 ou 12 é um grupo razoável, já que a educadora consegue fazer muitos trabalhos em grupo com elas, já há mais actividades que se conseguem fazer do que tendo só duas crianças. Com apenas duas crianças devia fechar porque sei o que o meu filho sofreu durante este ano lectivo estando só ele e a colega e muitas vezes só ele. Se o meu filho continuasse no jardim no próximo ano lectivo e se a situação se mantivesse optaria por inscrevê-lo noutro que tivesse mais crianças para trabalhar e conviver”.

A mãe da criança (L) diz: “até 10 crianças. Acho que é uma injustiça as escolas fecharem porque dá para trabalhar. Aqui na aldeia já tivemos 3 escolas, creche, jardim e escola primária e no próximo ano lectivo só vai funcionar uma, e nós olhamos para isto e vemos tudo a desmoronar as fábricas já deram emprego a tanta gente e agora estão a fechar”.

A opinião desta mãe vai ao encontro da ideia de Azevedo (1996), quando refere que “ fechar a escola é agir negativamente ao nível simbólico, no modo como a colectividade olha o seu futuro” (p. 109).