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A recolha de dados através da entrevista às crianças integrou dois momentos, que correspondem ao momento inicial e ao momento final do desenvolvimento do projecto. Num primeiro momento, procurámos encontrar indicadores que nos ajudassem a compreender as percepções que as crianças possuíam sobre o processo e contextos de aprendizagem, no sentido de melhor poder apoiar e facilitar a sua progressão. A repetição da entrevista teve como fim procurar identificar possíveis mudanças nos modos de as crianças verem esse processo.

Considerando os objectivos do estudo e o conteúdo das respostas às entrevistas realizadas às crianças, foram delimitadas quatro categorias de análise, que a seguir se apresentam.

1º Momento: 20/01/2010

Percepções sobre o que se entende por aprender

As crianças manifestam diferentes entendimentos sobre o que significa aprender, apontando a criança mais velha (D), para um processo associado mais a actividades de aprender de tipo formal afirmando que “ aprender é escrever, ler, falar, olhar para imagens”. Por sua vez, a criança mais nova (L) associa o processo de aprender, mais ligado a actividades lúdicas, referindo que “aprender é brincar, ir para a casinha das bonecas”.

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Percepções sobre as fontes/recursos de aprendizagem

As crianças mencionaram vários recursos para efectuar as suas aprendizagens. A criança (D) faz referência a recursos que tendem a associar-se mais a contexto e recursos “formais” de aprendizagem, referindo “posso aprender na escola, nos livros, no computador”. Explicita ainda o que pode aprender através desses recursos: “ na escola aprendo a trabalhar, a fazer os números, a recortar, pintar, contar e brincar com os colegas sem bater. Nos livros aprendo a ler as letras e a ver as imagens. No computador aprendo a mexer nas teclas para jogar e para fazer letras”.

Por sua vez, a criança mais nova (L) associa esses recursos ao contexto familiar alargado, indicando: “posso aprender em casa com a avó e as tias e na escola”.

Percepções sobre os saberes a desenvolver

No que se refere ao que gostariam de aprender, as crianças manifestam diferentes opiniões. Enquanto (D) releva a ideia do muito que pode e gostaria de aprender e a importância que nesse processo assumem as tecnologias da informação e o meio local, como pode ver-se na sua afirmação: “muitas coisas. Gostava de aprender a trabalhar com o computador e queria ir à fábrica das lãs, nunca estive lá”.

As razões invocadas para justificar as suas opiniões prendem-se com interesses e curiosidade próprias, referindo: “porque queria saber o que fazem lá, quando passo ali cheira mal e também no computador eu queria aprender a escrever palavras nas teclas”.

Por sua vez, a outra criança (L) situa as suas preferências em aprendizagens que lhe permitam ganhar independência e recreação, dizendo: “ gostava de aprender a apertar os cordões e também a brincar”. A justificação das suas opiniões acentua essa ideia, referindo: “porque eu tenho que pedir sempre que me apertem os sapatos, eu quero aprender sozinha”. Mostra ainda vontade em se relacionar com outras crianças, demonstrando desta forma a necessidade de desenvolver a socialização “ eu quero brincar com muitos meninos”.

2º Momento: 21/06/2010

Percepções sobre o que se entende por aprender

A criança (D) acentua a ideia de que aprender pressupõe o domínio de linguagens gráficas e matemáticas, mas também o realizar de actividades práticas no domínio das ciências, referindo: “aprender é fazer grafismos para depois eu escrever e números e

60 contar e fazer experiências”. A transição para o primeiro ciclo e as experiências realizadas podem, de alguma forma, influenciar as suas concepções sobre o que é aprender. A criança (L) associa também a actividade investigativa à ideia de aprender, referindo: “ aprender é passear e ir ver coisas”.

Percepções sobre as fontes/recursos de aprendizagem

A criança (D) referiu alguns meios aos quais pode recorrer para efectuar aprendizagens, enunciados no momento 1, mas acrescentou outros, alguns deles utilizados ao longo do ano no jardim-de-infância, como seja a internet, mas ainda outros como a televisão; referindo “na internet, no computador, na televisão, nos passeios”. Sublinhou, ainda alguns meios que lhe permitiram aprender:

“Quando fomos a Bragança ver os bichos-da-seda aprendi que eles gostam de comer folhas daquela árvore como se chama? Ah já sei, amoreira! E também quando fomos às fábricas daqui ver aprendi muitas coisas. Aprendi a fazer tintas, a lavar as lãs, a fazer azeite, queijo. Depois na sala também fizemos muitas experiências e aprendi também outras coisas. Aprendi a separar misturas e a fazer experiências com água”.

A criança (L) apresenta uma opinião próxima, referindo “eu aprendi no computador, na escola e quando fui a Bragança ver aquelas coisas todas”.

Percepções sobre os saberes a desenvolver

A criança (D) centra-se mais nas aprendizagens realizadas, e não sobre o que gostaria de aprender, evidenciando o prazer e descobertas que as mesmas lhe proporcionaram: “gostei de aprender a fazer experiências e fazer as visitas às fábricas”. Acrescenta: “A experiência que eu mais gostei foi daquela que tinha que misturar água com café e açúcar e outras coisas”. Na sua resposta a criança também deu a entender que as famílias foram envolvidas nas actividades do jardim, numa linha de continuidade educativa: “depois em casa pedi à mãe para fazer e ensinei-a”. A criança manifesta ainda ter encontrado resposta para algumas questões que se lhe colocavam, como: “descobri que a fábrica das lãs cheira mal quando passo lá porque a lã está suja e depois lavam para ficar fofinha e branca”.

A criança (L) realçou o que para ela teve mais interesse em termos de aprendizagens efectuadas “ eu aprendi a fazer queijo na escola e a fazer cores com a plasticina”.

61 Para justificação dos seus interesses sobre o que aprender a criança (D) salientou a importância de alargar conhecimentos “gostei porque aprendi muitas coisas que não sabia”. Por outro lado, a criança (L) justifica em função do prazer e novidade com que se lhe apresentaram as actividades, afirmando: “eu gostei de aprender essas coisas porque sim, nunca tinha feito, foi giro”.