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4.2 Observations qualitatives du déplacement d’un ganglion en micromodèle

O COPSOQ II, desenvolvido por Pejtersen, Kristensen, Borg e Bjorner (2010) e adaptado para a população portuguesa por Silva et al. (2014), constitui uma versão revista do instrumento original, desenvolvida por Kristensen, Hannerz, Høgh e Borg (2005). Consiste num questionário de autopreenchimento que permite avaliar os factores de risco psicossociais no local de trabalho. Compreende uma metodologia tripartida, assente em três versões (curta, média e longa), sendo a média – a versão utilizada neste estudo – adequada para utilização por profissionais da área da saúde ocupacional, em contexto de diagnóstico e intervenção organizacional (Kristensen et al., 2005; descrição detalhada em anexos-parte I, pp. I-179).

A enumeração das subescalas e respectiva distribuição do número de itens, valores médios e do alfa de Cronbach (fiabilidade) encontram-se na tabela 8 (Pejtersen et al., 2010), cuja análise permite aferir que os valores de consistência interna são bons e se encontram entre 0,29 e 0,90 (superior ao valor máximo na versão original; Silva et al., 2014).

No que respeita à cotação, uma vez que cada item é pontuado pelo respondente entre 1 e 5, para o cálculo do valor de cada subescala deverá efectuar-se a média dos valores dos itens que lhe correspondem (Silva et al., 2014). A este respeito, salienta-se que todos os itens estão formuladas de modo concordante com o sentido do domínio da subescala a que pertencem. Contudo, uma análise dos itens da subescala confiança horizontal (posterior à inversão do item 42) permite verificar que o que é solicitado ao respondente é que avalie a existência de falta de confiança nos colegas/pares (e.g., “os funcionários ocultam informação uns dos outros?” – item 40). Este é um aspecto relevante a ter em mente, quer na leitura dos resultados, quer para compreensão do enquadramento deste factor psicossocial na categoria positivo (como descrito da revisão de literatura). Verifica-se uma situação idêntica com o item 61-saúde geral, já que as categorias da escala de resposta se encontram em sentido inverso às da escala de resposta dos restantes itens (i.e., 1-Nunca/quase nunca vs. 1-

Excelente; 5-Sempre vs. 5-Deficitária). Por este motivo optou-se por inverter o item 61, de modo a

trabalhar com a variável percepção de saúde geral em sentido idêntico ao dos restantes itens, facilitando assim a leitura dos resultados.

Tabela 8

Distribuição dos itens da versão média portuguesa do COPSOQII pelas respectivas subescalas, valores do alfa de Cronbach (α), média (e desvio-padrão; n= 4162; adaptado de Silva et al., 2014)

Domínio Subescalas k α M (SD) Exigências laborais 1- Exigências quantitativas 1; 2; 3 0,63 2,48 (0,86) 2 - Ritmo de trabalho 4 - 3,18 (1,00) 3 - Exigências cognitivas 5; 6; 7 0,60 3,79 (0,71) 4 - Exigências emocionais 8 - 3,42 (1,15) Organização do trabalho e conteúdo 5 - Influência no trabalho 9; 10; 11; 12 0,70 2,83 (0,89) 6 - Possibilidades de desenvolvimento 13; 14; 15 0,76 3,85 (0,81) 7 - Significado do trabalho 51; 52; 53 0,82 4,03 (0,72) 8 - Compromisso com o local de trabalho 54; 55 0,61 3,40 (0,90)

Relações sociais e de liderança

9 - Previsibilidade 16; 17 0,72 3,23 (0,92)

10 - Reconhecimento 21; 22; 23 0,82 3,71 (0,87)

11 - Transparência do papel laboral

desempenhado 18; 19; 20 0,76 4,19 (0,72)

12 - Conflitos de papéis laborais 24; 25; 26 0,67 2,94 (0,69) 13 - Qualidade da liderança 36; 37; 38; 39 0,90 3,49 (0,93) 14 - Apoio social de superiores 30; 31; 32 0,87 3,13 (0,97) 15 - Apoio social de colegas 27; 28; 29 0,71 3,44 (0,77) Interface trabalho- indivíduo 16 - Insegurança laboral 60 - 3,13 (1,47) 17 - Satisfação laboral 56; 57; 58; 59 0,82 3,37 (0,75) 18 - Conflito trabalho-família 62; 63; 64 0,86 2,67 (1,05) Valores no local de trabalho 19 - Confiança vertical 43; 44; 45* 0,20+ 3,60 (0,60) 20 - Confiança horizontal 40; 41; 42* 0,29+ 2,79 (0,64) 21 - Justiça e respeito 46; 47; 48 0,79 3,37 (0,81)

22 - Comunidade social no trabalho 33; 34; 35 0,85 3,97 (0,81)

Personalidade 23 - Auto-eficácia 49; 50 0,67 3,90 (0,67) Saúde e bem-estar 24 - Saúde geral 61 - 3,44 (0,91) 25 - Stress 69; 70 0,73 2,70 (0,97) 26 - Burnout 67; 68 0,83 2,70 (0,97) 27 - Problemas em dormir 65; 66 0,84 2,46 (1,05) 28 - Sintomas depressivos 71; 72 0,80 2,35 (0,91) 29 - Comportamentos ofensivos 73; 74; 75; 76 0,78 1,23 (0,48) N.º total de subescalas 29 N.º total de itens 76

Nota. *Itens a inverter por indicação dos autores.

A interpretação dos resultados deverá ser feita por subescala, dada a multiplicidade de constructos que o instrumento apresenta, não sendo por isso adequada a criação de um score global (Ramos, 2016; Silva et al., 2014).

A média obtida em cada subescala pode ser situada em tercis (considerando os pontes de corte 2,33 e 3,66), o que permite uma interpretação comparativa das subescalas e determinação do nível de risco para a saúde (verde – aspecto favorável à saúde, amarelo – aspecto a ter em atenção, vermelho – risco para a saúde (Kristensen, 2000; Moncada, Serrano, Corominas, Camps & Giné, 2008; Pejtersen et al., 2010).

III.3.1.1. COPSOQ II: Análise psicométrica no presente estudo

Relativamente à sensibilidade dos itens aferiu-se não existirem desvios grosseiros à

distribuição normal, excepto para os itens 74 a 76 (subescala comportamentos ofensivos), em que os valores dos índices de assimetria e achatamento variaram entre |1,791| e |7,479 |, e entre |2,564| e |66,672|, respectivamente.

Para avaliar a validade de constructo recorreu-se à validade de constructo por grupos contrastantes, seguindo-se a opção metodológica utilizada pelos autores da versão original do COPSOQ II. Como grupo contrastante foi considerada a variável sexo, uma vez que existem valores de referência para a população portuguesa – versão média. Utilizou-se o teste paramétrico t-Student para amostras independentes, tendo-se verificado previamente os pressupostos de normalidade (com base nos índices de assimetria e achatamento) e homogeneidade de variâncias para todas as

dimensões, excepto para a subescala comportamentos ofensivos, que foi incluída nesta análise a título exploratório. Verificaram-se diferenças estatisticamente significativas em 13 (48%) subescalas relativamente à variável sexo, designadamente: (i) colaboradores do sexo feminino, apresentaram médias superiores nas subescalas exigências, ritmo de trabalho, confiança horizontal, stress e sintomas depressivos; (ii) colaboradores do sexo masculino apresentaram médias superiores para as subescalas exigências cognitivas, influência no trabalho, significado do trabalho, compromisso com o local de trabalho, previsibilidade do trabalho a desempenhar, insegurança laboral e confiança vertical. Pelo exposto, considerou-se que o COPSOQ II apresenta uma boa validade de constructo.

No que respeita à fiabilidade, os valores de consistência interna da maioria das dimensões e do instrumento na sua globalidade foram superiores ao mínimo aceitável (α=0,7) excepto para as dimensões exigências cognitivas, compromisso com o local de trabalho e auto-eficácia, cujos valores foram inferiores (tabela 9). Os valores de consistência interna foram semelhantes aos do estudo de adaptação para a população portuguesa, excepto para as subescalas compromisso com o local de trabalho e auto-eficácia, com valores inferiores; e exigências quantitativas, confiança vertical e confiança horizontal, com valores superiores. No caso de eliminação de itens optou-se por não eliminar nenhum item relativamente às subescalas: reconhecimento e transparência do papel laboral desempenhado porque as mesmas já apresentavam bons índices de consistência interna; e exigências cognitivas porque a eliminação do item 5 não iria alterar a classificação da fiabilidade da dimensão e, desta forma, preservou-se a validade de conteúdo da subescala. Em contrapartida, eliminou-se o item 24 da dimensão conflito de papéis laborais, uma vez que desta forma o valor de consistência interna atingia o valor mínimo considerado aceitável.

Tabela 9

Consistência interna das subescalas, e na globalidade, da versão média portuguesa do Copenhagen Psychosocial Questionnaire II, no presente estudo (n=624)

Subescalas k α Classificação

Exigências quantitativas 3 0,82 Bom

Ritmo de trabalho 1 - -

Exigências cognitivas 3 0,63 Inferior ao aceitável

Exigências emocionais 1 - -

Influência no trabalho 4 0,72 Bom

Possibilidades de desenvolvimento 3 0,74 Bom

Significado do trabalho 3 0,85 Bom

Compromisso com o local de trabalho 2 0,56 Inferior ao aceitável

Previsibilidade 2 0,73 Aceitável

Reconhecimento 3 0,84 Bom

Transparência do papel laboral

desempenhado 3 0,83 Bom

Conflitos de papéis laborais 2 0,74 Aceitável

Apoio social de superiores 3 0,88 Bom

Apoio social de colegas 3 0,75 Aceitável

Insegurança laboral 1 - -

Conflito trabalho-família 3 0,87 Bom

Confiança vertical 3 0,78 Aceitável

Confiança horizontal 3 0,82 Bom

Justiça e respeito 3 0,81 Bom

Comunidade social no trabalho 3 0,86 Bom

Auto-eficácia 2 0,63 Inferior ao aceitável

Saúde geral 1 - -

Stress 2 0,79 Aceitável

Burnout 2 0,83 Bom

Problemas em dormir 2 0,85 Bom

Sintomas depressivos 2 0,83 Bom

COPSOQ II global 67 0,87 Bom

Por último, relativamente à sensibilidade das dimensões, não se verificaram desvios grosseiros à distribuição normal (valores dos índices de assimetria e achatamento variaram entre |0,011| e |0,874|, e entre |0,034| e |0,952|, respectivamente), excepto no que respeita à subescala comportamentos ofensivos, que por este motivo não será considerada na análise de resultados (outputs em anexos-parte II, pp. II-7 a II-20).