• Aucun résultat trouvé

Imbibition Flux  d’huile  ?

3.4 Dispersion du traceur passif à saturation en huile résiduelle

Enquadrada no âmbito das perturbações do humor, a depressão é uma das doenças mentais mais comuns (Sanderson & Andrews, 2006) e que se tem tornado mais frequente na população. Segundo a OMS, mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofrem de depressão (cerca de 4,4% da população mundial), sendo as mulheres mais afectadas do que os homens (5,1% vs. 3,6%; DGS, 2017; WHO, 2018).

No contexto da depressão podem verificar-se dois subtipos: (i) perturbação depressiva major ou episódio depressivo, cujo grau, podendo variar entre ligeiro a grave, inclui como sintomas humor deprimido, perda de interesse pelas actividades diárias, prostração, apatia; (ii) distimia, uma forma de depressão crónica ligeira, em que os sintomas sendo iguais aos da depressão major se mantêm por mais tempo (DGS, 2017). Note-se, porém, que a psicopatologia da depressão é mais complexa do que a mera reunião de um conjunto de sintomas.

Em 2015, a depressão foi o factor que mais contribuiu para a incapacidade durante o período de vida activa, equivalendo a 7,5% de todos os anos vividos com incapacidade; sendo ainda o factor responsável pelo maior número de mortes por suicídio, cerca de 800 mil/ano (DGS, 2017). Verificou- se ainda que, entre 2005 e 2015, o número estimado de pessoas com depressão aumentou para 18,4% (DGS, 2017). Adicionalmente, Santos et al. (2017) aferiram que, em 2015, 1 em cada 5 portugueses tinha problemas de saúde psicológica e que a prevalência de distress psicológico4 na população portuguesa (25-74 anos) era de 22,5%, sendo mais elevada em mulheres (22,5%) e desempregados (28,6%) – grupos de risco no desenvolvimento de problemas de saúde mental.

Tendo em consideração as estatísticas e o impacto negativo que a depressão tem na saúde mental (Prince et al., 2007), a comunidade científica tem-se dedicado a estudar esta temática com diferentes abordagens, por exemplo, hereditariedade genética, histórico familiar, condições socioeconómicas, empregabilidade, entre outras. A verdade é que entre os factores de risco para a depressão encontram-se a história familiar e pessoal, stress crónico, isolamento social, dependência de substâncias, personalidade pré-melancólica, reduzido suporte social, exposição a violência ou outros comportamentos ofensivos e desemprego (Belloch et al., 2008a; Bruce, 2002; Teixeira, 2005).

4 Definido como “(…) estado de sofrimento emocional caracterizado por sintomas de depressão e

ansiedade, por vezes associados a queixas somáticas” (Drapeau, Marchand & Beaulieu-Prévost cit por Santos et al.,

Em contrapartida, entre os factores protectores encontram-se o elevado suporte social, resistência ao

stress, vinculação afectiva e criatividade na resolução de problemas (Belloch et al., 2008a; Teixeira,

2005). No presente estudo é analisada a relação entre o ambiente psicossocial do trabalho e a prevalência de sintomas depressivos. Não obstante, é importante salientar que a identificação de sintomas, por si só, não permite o diagnóstico de qualquer perturbação mental. É sempre necessário que o utente passe por uma avaliação psicológica, de modo a poder confirmar-se a presença da patologia. Ainda assim, na impossibilidade de proceder a uma avaliação psicológica a todos os colaboradores de uma organização (pelos recursos que implica, e.g., financeiros, humanos, de tempo, etc.), a identificação de sintomatologia depressiva constitui o primeiro passo no diagnóstico e permite detectar se será, ou não, necessário reencaminhar os colaboradores para uma consulta com um

profissional de saúde.

Estudos transversais e longitudinais têm demonstrado que factores psicossociais como

elevadas exigências psicológicas (e.g., elevado ritmo de trabalho e conflito na natureza da tarefas) são preditores, em grau ligeiro a moderado, de perturbações mentais, como a ansiedade generalizada e a depressão. Em contrapartida, factores como o apoio social de colegas e superiores (Broadbent, 1985; Bromet, Dew, Parkinson, Cohen & Schwartz, 1992; Kawakami, Haratani & Araki, 1992 citados por Stansfeld & Candy, 2006) e um elevado controlo no trabalho desenvolvido demonstram ter um efeito protector na saúde mental (Hesketh & Shouksmith, 1986; Niedhammer, Chastang, David, Barouhiel & Barrandon, 2006; Warr, 1990 citados por Stansfeld & Candy, 2006). Verifica-se, por isso, que o seu inverso (i.e., baixo controlo e elevadas exigências) constitui um factor de risco para a depressão (Madsen et al., 2017; Mausner-Dorsch & Eaton, 2000; Netteserström et al., 2008; Rugulies, Aust, Madsen, Burr, Siegrist & Bültmann, 2012; Rugulies, Bültmann, Aust & Burr, 2006; Siegrist, 2008) sendo este superior para colaboradores do sexo masculino (Bonde, 2008; Niedhammer et al., 2006).

A partir de uma revisão sistemática e meta-análise, Theorell et al. (2015) encontraram: (i) evidência moderadamente forte que suporta que, a existência de elevadas exigências psicológicas (como o stress no trabalho), baixa latitude decisional e comportamentos agressivos (como o bullying), têm um impacto significativo no desenvolvimento de sintomas depressivos; (ii) evidência, ainda que limitada, de que a existência de factores como desequilíbrio esforço-recompensas, baixo suporte social e clima social de trabalho desfavorável, reduzida justiça nos processos, conflitos, fracos critérios de aplicação de competências, insegurança laboral e longas horas de trabalho têm um

impacto significativo no desenvolvimento de sintomas depressivos; (iii) evidência de que não existem diferenças do efeito de condições adversas no trabalho na sintomatologia depressiva, relativamente à variável género.

Outros estudos também têm suportado a existência de uma associação positiva entre a

sintomatologia depressiva e diversos factores psicossociais, como desequilíbrio esforço-recompensas, injustiça organizacional, conflitos interpessoais e bullying (Godin, Kittel, Coppieters & Siegrist, 2005; Hanson et al., 2009; Kivimäki, Virtanen, Vartia, Elovainio, Vahtera & Keltikangas-Järvinen, 2003; Ylipaavalniemi, Kivimäki, Elovainio, Virtanen, Keltikangas-Järvinen, & Vahtera, 2005) e, ainda, entre estes factores e uma saúde mental deficitária (Ferrie, Head, Shipley, Vahtera, Marmot & Kivimäki, 2006; Romanov, Appelberg, Honkasalo & Koskenvuo, 1996; Stansfeld & Candy, 2006). Para além dos factores mencionados, também os comportamentos ofensivos (e.g., violência física, verbal, assédio) demonstram estar relacionados com aumento do risco de uma saúde mental

deficitária (Hogh, Henriksson & Burr, 2005; Wieclaw, Agerbo, Mortensen, Burr, Tüchsen & Bonde, 2006).

Pelo exposto, verifica-se que a literatura suporta a premissa de que os factores psicossociais são preditores dos sintomas depressivos e de que estes têm um impacto negativo na saúde.