Chapitre 2 – Transport d’un tensioactif en milieu poreux naturel
2.3 Etude du transport d’un traceur passif en milieu poreux .1 Mesure de la dispersivité des échantillons de grès de Clashach
2.3.2 Modélisation du transport d’un traceur dans un milieu poreux
Alguns estudos indicam que a prevalência do burnout na população laboral dos países ocidentais varia entre 13 a 27% (e.g., Aromaa & Koskinen, 2004; Houtman et al., 2000; Kant et al., 2004 citado por Adriaenssens et al., 2015; Lindblom, Linton, Fedeli & Bryngelsson, 2006; Norlund, Reuterwall, Höög, Lindahl, Janlert & Birgander, 2010).
O modelo de burnout – definido como “síndrome psicológica que emerge como resposta à
exposição prolongada a agentes interpessoais stressores no contexto de trabalho” (Maslach & Leiter,
2016, p. 103) – mais difundido e conceptualmente aceite na literatura (Schaufeli & Peeters, 2000), derivou dos estudos de Maslach e Jackson (1986) que propuseram uma definição baseada em três dimensões, que traduzem o desgaste sentido pelo indivíduo decorrente da exposição por longos períodos de tempo a circunstâncias emocionalmente desgastantes (Maslach, 1999 cit por Gonçalves, 2014b; Schaufeli & Peeters, 2000): (i) exaustão emocional (fadiga e esgotamento dos recursos emocionais); (ii) despersonalização (adopção pelo colaborador de atitudes e comportamentos negativos e frios, que expressam o seu desinteresse e distanciamento do trabalho); e (iii) falta de
realização pessoal (sentimentos de incompetência e falta de eficácia profissional). Das três
dimensões, a exaustão emocional compreende o elemento central ao constructo de burnout (Maslach, Schaufeli & Leiter, 2001) motivo pelo qual algumas abordagens optam por integrar apenas esta dimensão (e.g., Mauno, 2010). Outros modelos sobre o constructo podem ser consultados em Leiter (2017).
Não obstante, Gil-Monte e Peiró (1997 cit por Gonçalves, 2014b) chamam a atenção para o facto deste conceito ser definido, ora como estado, numa perspectiva próxima da psicologia clínica e da definição original de Maslach e Jasckson (1981 cit por Gonçalves, 2014b, p. 14; Maslach & Leiter, 2016) – “(…) conjunto de sentimentos e comportamentos normalmente associado ao stress laboral (…)”, ora como processo, numa perspectiva mais próxima da psicologia social e das organizações – “(…) assume uma sequência de etapas ou fases diferentes com sintomatologia, por sua vez,
diferenciada”. Os estudos mais recentes sobre burnout têm incidido numa abordagem processual
(mediante a qual, e.g., na origem da despersonalização e falta de realização profissional está a exaustão emocional provocada pela sobrecarga de trabalho e conflitos interpessoais; Leiter, 2017), muito embora seja difícil determinar a ordem sequencial pela qual os sintomas inerentes às três
dimensões surgem. Ainda assim, um aspecto relativamente consensual a este respeito, é o facto de o
burnout ser uma consequência da experiência de fadiga e stress laboral crónico, derivados da
exposição a exigências ambientais e da percepção de desajustamento entre as exigências do contexto de trabalho e os recursos do indivíduo (Adriaenssens, De Gucht & Maes, 2016; Carlotto, 2011; Cherniss cit por Schaufeli & Peeters, 2000; Gonçalves, 2014b; Leka et al., 2010; Rahman, Abdul- Mumin & Naing, 2016). Neste sentido, o aparecimento da síndrome de burnout compreende um processo gradual e cumulativo (Delgado et al., 1993; Doménech, 1995; Guimarães, 2000 cit por Carlotto, 2011; Leiter, 1993 cit. por Schaufeli & Peeters, 2000; Rudow, 1999; Schaufeli & Enzimann, 1998 cit. por Schaufeli & Peeters, 2000).
No que respeita aos preditores do burnout, ao longo das duas últimas décadas foram
identificados múltiplos factores de riscos organizacionais em diversos contextos profissionais (Chong & Monroe, 2015; Maslach et al., 2001; Rodríguez, Meza, Baltazar, Estrada & Aldrete, 2015;
Schaufeli & Enzimann, 1998 cit por Maslach & Leiter, 2016; Seidler et al., 2014) podendo destacar- se seis domínios recorrentes e congruentes com os factores psicossociais abordados: sobrecarga de trabalho, recompensas, controlo do trabalho, comunidade no local de trabalho (i.e., relações
interpessoais, suporte social e confiança), justiça e valores (Karasek & Theorell, 1990). Ilustram-se alguns exemplos concretos: (i) ambiente físico, por exemplo, nível de ruído (Topf & Dillon, 1988) e percepção de conforto físico (Savicki & Cooley, 1987); (ii) conteúdo do trabalho, por exemplo, características da tarefa, como a variedade, identidade e feedback constituem preditores negativos do
burnout (Elloy, Everett & Flynn, 1991); (iii) má qualidade das relações interpessoais, falta de coesão
grupal (Gaines & Jermier, 1983; Savick & Cooley, 1987; Wade, Cooley & Savick, 1986) e conflito trabalho-família (Smith, Hughes, DeJoy & Dyal, 2018) como preditores positivos; (iv) progressão na carreira, por exemplo, as oportunidades de desenvolvimento estão associadas à diminuição de exaustão emocional (Gaines & Jermier, 1983), enquanto a insegurança laboral está associada ao seu aumento (Anderson & Iwanicki, 1984); (v) autonomia, participação em tomadas de decisão e apoio social constituem preditores negativos de burnout (Gil-Monte & Peiró, 1997 cit por Gonçalves, 2014b). A importância dos aspectos relacionados com o contexto de trabalho na prevalência de
burnout foi igualmente evidenciada por um estudo realizado pela DECO proteste sobre a prevalência
de burnout na população activa portuguesa (Ramos, 2018).
Relativamente ao impacto do burnout na saúde dos trabalhadores, para além do sofrimento físico e psicológico, tem-se verificado que estes apresentam uma saúde deficitária (Ahola & Hakanen, 2014 cit por Maslach & Leiter, 2016), com aumento da propensão para distúrbios por abuso de substâncias (Burke, Shearer & Deszca, 1984), aparecimento de problemas cardiovasculares
(Belcastro, 1982; Toker, Shirom, Shapira, Berliner & Melamed, 2005; Toppinen-Tanner, Ahola, Koskinen & Väänänen, 2009) e psicossomáticos (Izqueiro, 1991), lesões músculo-esqueléticas, depressão, obesidade, insónia, consumo de álcool e drogas (Gholami, Pahlavian, Akbarzadeh, Motamedzade & Moghaddam, 2016; Iacovides, Fountoulakis, Moysidou & Ierodiakonou, 1999; Moustaka & Constantinidis, 2010; Quintas, Queirós, Marques & Orvalho, 2017; Poghosyan, Clarke, Finlayson & Aiken, 2010; Sorour & El-Maksoud, 2012). Para além disso, verifica-se que o impacto do burnout também afecta negativamente: (i) a percepção de satisfação em diferentes domínios da vida do indivíduo (Bakker, LeBlanc & Schaufeli, 2005; González-Morales, Peiró, Rodríguez & Bliese, 2012) por exemplo, com o seu trabalho (Wolpin, Burke & Greenglass, 1991; Schaudeli & Enzmann, 1998 cit por Maslach & Leiter, 2016) e com os seus relacionamentos (e.g., amorosos; Jayaratne, Chess & Kinkel, 1986; Maslach & Jackson, 1981); (ii) aumentando as intenções de saída e a taxa de absentismo, bem como o número de erros e acidentes de trabalho; e diminuindo a qualidade do serviço prestado (Borritz, Rugulies, Christensen, Villadsen & Kristensen, 2006; Firth & Britton, 1989; Jones, 1981; Koeske & Koeske, 1989; Korczak, Huber & Kister, 2010 cit por Penz et al., 2018; Laschinger, Wong & Grau, 2012; Leiter & Maslach, 2009; Maslach, 1982 cit por Gonçalves, 2014b).
Face à evidência apresentada compreende-se a importância do estudo do burnout (reiterado também pelo número crescente de publicações; Maslach & Schaufeli, 2017; Schaufeli, Leiter &, Maslach, 2009) e do conhecimento aprofundado sobre os preditores que podem estar na origem desta síndrome, sobretudo se se considerar o impacto que poderá ter no rendimento/desempenho dos colaboradores de uma organização, já que se verifica uma associação positiva entre burnout e o declínio do funcionamento cognitivo, especificamente, das funções executivas, atenção e memória, como reportado nas revisões apresentadas por Deligkaris, Panagopoulou, Montgomery e Masoura (2014) e Grossi, Perski, Osika e Savic (2015).