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Objectifs stratégiques et programme 2014-2018

Em 1962 o sociólogo Everett Rogers publicou sua tese de doutorado (PhD), onde havia feito uma extensa revisão de estudos relativos à difusão de inovações, notadamente de inovações tecnológicas no meio agrícola e que também incluía estudos em diferentes áreas, dentre elas marketing. Podemos dizer, sem medo de

errar, que o campo de estudos sobre adoção de inovações e mudanças, em geral, pode ser entendido antes e depois de Everett Rogers.

Ele foi, sem dúvida, um pesquisador acadêmico com uma rara combinação de gosto pelo trabalho de campo com uma capacidade impar para analisar dados e identificar padrões emergentes.

O estudo inicial de Rogers foi ampliado continuamente por novas e diferentes adições, o que foi dando à sua teoria cada vez mais densidade. O livro "Diffusion of Innovations" tornou-se um best-seller desde o início e nas edições subseqüentes (1962, 1971, 1983, 1995 e 2003) o fato mostrou-se inconteste. Atualmente, a teoria de Rogers já é um clássico entre todos aqueles que se dedicam a estudar o fenômeno da difusão de inovações, sua adoção ou rejeição.

A opção pelos estudos de Everett Roger sobre a teoria da difusão da inovação interlocutando com a teoria de Schumpeter (1934) é pertinente, visto que nos interessa saber como se dá a difusão de políticas públicas para a economia criativa na Bahia e sob quais condições, a partir da teoria da difusão, do referido autor. Segundo Rogers (2003) as inovações não se difundem de modo linear em diferentes segmentos ou grupos sociais, identificando cinco etapas para a adoção de uma determinada inovação:

• Inovadores, que são um pequeno grupo que tendem a adotar novas tecnologias;

• Primeiros a adotar, que constituem um grupo maior que o anterior;

• Maioria inicial, que representa um público mais amplo alvo da inovação e sinaliza que a difusão está em processo e ganhou massa crítica;

• Maioria tardia, que é um segmento amplo, porem, com resistência à inovação; e

Retardatários, que é acatar a inovação quando a mesma está em fase madura.

A partir dessas etapas, Rogers conclui que o perfil da adoção de diferentes processos inovadores obedece a distribuição de uma curva normal, conforme a figura 08 a seguir.

Figura 08 - Processo de difusão da inovação

Fonte: Roger, 2003

Rogers, baseado na distribuição da curva normal e de forma pragmática, identificou alguns ruídos que dificultam a difusão de inovações em qualquer segmento: vantagem relativa; compatibilidade com sistema de valores; complexidade; possibilidade de testar e viabilidade da mudança e seus benefícios. Ainda segundo esse autor, existem três categorias de mecanismos de difusão: direta, quando as culturas são próximas uma das outras; forçada, que ocorre quando uma cultura subjuga a outra e impõe seus valores. Outro estudo de fundamental importância à realização dos objetivos deste projeto são os estudos de Everett Rogers sobre a teoria da difusão, visto que nos interessa indireta que é caracterizada pela presença de um intermediário para promover a passagem de uma cultura.

Desse modo, Rogers contextualiza quatro teorias da difusão que são: O hiperdifusionismo que parte do pressuposto de que todas as culturas se originam de uma única cultura; os círculos de cultura difusionismo, fundamentados no fato da cultura originar-se de um pequeno número de culturas; O difusionismo referenciado na teoria evolucionista, onde a sociedade é influenciada por seres humanos em constante evolução; e a bala de cultura (Mallory) que defende que o contato cultural ou migração leva a mudanças. Para que seja aceita, a inovação pode depender das seguintes características: a) vantagem relativa: o grau com que a inovação é percebida como melhor que a ideia antecedente; b) compatibilidade: o grau com que a inovação é percebida como compatível com os valores existentes, experiências passadas e necessidades dos adotantes potenciais; c) complexidade: diz respeito à dificuldade de entender e usar a inovação; d) possibilidade de ser testada: chance

de o usuário provar a inovação antes de adquirir; e) observabilidade: grau com que os benefícios da inovação sejam visíveis a outras pessoas. Com base nestas características, Rogers afirma que aquela inovação percebida como tendo vantagem relativa em relação àquilo que substitui, compatibilidade com o ambiente em que opera, possibilidade de ser testada, boa visibilidade por parte dos interessados e seja de fácil utilização, será adotada mais rapidamente que outras inovações.

Outra característica importante, citada por Rogers, é a possibilidade de uma inovação ser reinventada, durante os processos de adoção e difusão. Há muitos exemplos de produtos e serviços que passaram a ter novos usos ao longo de sua vida útil: a esponja de aço Bombril que acabou tendo mil e uma utilidades, a internet, criada inicialmente para troca de informações militares, nos EUA, e que se transformou em base para atividades acadêmicas, comércio eletrônico, entretenimento, imprensa, bancos, principalmente após a criação da interface gráfica World Wide Web, esta também considerada uma reinvenção radical.

Em relação aos canais de comunicação, Rogers tem as seguintes ideias: (a) canais de mídia de massa costumam ser mais rápidos e eficientes para informar potenciais adotantes sobre a existência da inovação; (b) canais interpessoais, principalmente a comunicação boca-a-boca, são mais eficientes em persuadir o indivíduo a aceitar a nova ideia; atualizando para o século XXI, fala-se na comunicação ―micro-a-micro‖ que se propaga exponencialmente nas diversas redes sociais via internet; (c) a difusão de ideias ocorre mais frequentemente entre indivíduos provenientes de um mesmo sistema social, ou seja, entre indivíduos de uma mesma ―tribo‖ linguísticas, sem afetar a cultura original.

Assim, refletimos sobre as políticas públicas, em especial o Decreto n.7.743/12, voltadas para a ―Economia Criativa‖ e suas implicações, considerando a eficácia, a eficiência e a efetividade da gestão das políticas públicas criativas (PPC). Essas políticas são oriundas da Lei 12.243 de 02.12. 2012 que institui o Plano Nacional de Cultura – PNC, culminando no decreto 7.743 de 01.07.2012 que evidencia uma nova estrutura regimental do Ministério da Cultura (MinC.) com a criação de duas novas Secretarias: a da Economia Criativa (SEC) e a da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC), originando, também, o Decreto 14.529/13 que institui o grupo de trabalho Bahia Criativa.

Para enriquecimento da discussão dessa análise, é preciso compreender as definições acerca da eficiência, eficácia e efetividade, elaboradas por estudiosos da área, uma vez que essa compreensão é condição necessária à análise da gestão, uma vez que a concepção é norteadora das práticas e efetividade das Políticas Públicas Para a Economia Criativa na Bahia – POPEC-Ba. Essa discussão será aprofundada no capítulo 5.

3.6. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A DESTRUIÇÃO CRIATIVA E A

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