Zhu, Kara e Zhu (2019), destacam em uma pesquisa com mulheres empreendedoras da China, que a burocracia tem sido uma barreira para o empreendedorismo. De acordo com Ahlstrom e Ding (2014), levam em média 33 dias e 13 procedimentos para iniciar um novo negócio na China, em comparação com 12 dias e 5 procedimentos em para países que apresentam apoio ao desenvolvimento econômico.
Em um estudo realizado na Itália a maioria das empresas de propriedades de mulheres apontaram a lentidão administrativa e dificuldades burocráticas como principais barreiras no empreendedorismo e 5,3% da amostra estudada relatou dificuldades em obter financiamentos (BIANCHI; PARISI; SALVATORE, 2016).
De acordo com os estudos apresentados no presente tópico, foi possível identificar as principais barreiras que permeiam o universo do empreendedorismo feminino, conforme o Quadro 1.
61 Barreiras do Empreendedorismo Feminino Autores Dificuldades financiamento. Acesso a capital.
RAMADANI (2015), WU, LI e ZHANG (2019), YACUS, SPOSITO e YANG (2019), EDDLESTON et al. (2016), WELSH, KACIAK e SHAMAH (2018), HENRY, FOSS e AHL (2016), GREENBERG e MOLLICK (2017), RAMADANI, HISRICH e GËRGURI-RASHITI (2015), KIRSCHENMANN (2016), GHOSH e VINOD (2017), JOHNSON, STEVENSON e LETWIN (2018), XHENETI, MADDEN e THAPA (2019), SOLESVIK, IAKOVLEVA e TRIFILOVA (2019), ZHU, KARA e ZHU (2019), BUI et al. (2019), GOEL e MADAN (2019), MATHEW (2019), MERSHA e SRIRAM (2019), STROBBE e ALIBHAI (2015), GUPTA e MIRCHANDANI (2018), UKANWA, XIONG e ANDERSON (2018), KUSCHEL et al. (2017), PRASHAR, VIJAY e PARSAD (2018), PINKOVETSKAIA et al. (2017);
RAGHUVANSHI, AGRAWAL E GHOSH (2017).
Equilíbrio entre a família/vida e trabalho. Maternidade. Demanda familiar.
RAMADANI (2015), WU, LI e ZHANG (2019), CHATTERJEE e RAMU (2018), BYRNE, FATTOUM e DIAZ GARCIA (2019), REY- MARTÍ, PORCAR e MAS (2015), CARRIJO e FERREIRA (2017), PATRICK, STEPHENS e WEINSTEIN (2016), DUTTA e BANERJEE (2018), WELSH, KACIAK e SHAMAH (2018), CARTER et al. (2015), RAMADANI, HISRICH, E GËRGURI-RASHITI (2015), DY, MARLOW e MARTIN (2017), WINKLER (2018), XHENETI, KARKI e MADDEN (2019), TSAI, CHANG e PENG (2016), SOLESVIK, IAKOVLEVA e TRIFILOVA (2019), HSU et al. (2016), WANG e LIN (2019), MATHEW (2019), BERGER e KUCKERTZ (2016), MORO, WISNIEWSKI e MANTOVANI (2017), PALALIC,
RAMADANI e DANA (2017), JOONA (2018).
Preconceito por gênero, Desigualdade de gênero
AHL e NELSON (2015), KUSCHEL et al., (2017), PHAM e TALAVERA (2018), EDDLESTON et al. (2016), PANDA (2018), RUBIO-BAÑÓN e ESTEBAN-LLORET (2016), DY, MARLOW e MARTIN (2017), HYTTI et al. (2017), GIAZITZOGLU, DOWN (2017), XHENETI, MADDEN e THAPA (2019), MONTEITH, CAMFIELD (2019), JURIK et al. (2019), MATHEW (2019), MERSHA e SRIRAM (2019), NAIDU e CHAND (2017), PETTERSSON et al. (2017), NGOASONG e KIMBU (2019), AHL et
al. (2014).
Falta de Autoconfiança.
RAMADANI (2015), CAMARGO, LOURENÇO e FERREIRA (2018), CACCIOTTI e HAYTON (2015), CACCIOTTI et al. (2016), POGGESI, MARI e VITA (2016), STEAD (2017), TSAI, CHANG e PENG (2016), WIELAND et al. (2019), CAMELO, DIÁNEZ e RUIZ (2016), KWAPISZ e HECHAVARRÍA (2018).
Falta de acesso a Redes
RAMADANI (2015), WU, LI e ZHANG (2019) XHENETI, KARKI e MADDEN (2019), PERGELOVA et al. (2019), MATHEW (2019), GUPTA e MIRCHANDANI (2018), OZKAZANC e CLARK (2018),
RAGHUVANSHI, AGRAWAL e GHOSH (2017). Baixa escolaridade / Falta de
treinamento e
desenvolvimento
RAMADANI (2015), ZHU, KARA e ZHU (2019), MATHEW (2019), PRASHAR, VIJAY e PARSAD (2018), RAGHUVANSHI, AGRAWAL E GHOSH (2017), RAMADANI, HISRICH e GËRGURI-RASHITI (2015)
Encargos trabalhistas altos impossibilitando a contratação de funcionários
YOUSAFZAI, SAEED e MUFFATTO (2015), PERGELOVA et al. (2019), GUPTA e MIRCHANDANI (2018). GEM (2016)
Falta de reconhecimento do pequeno empreendedor, preconceito
YOUSAFZAI, SAEED e MUFFATTO (2015), PERGELOVA et al. (2019), GUPTA e MIRCHANDANI (2018), PINKOVETSKAIA et al. (2017).
Excesso de Normas,
legislação, burocracia WU; LI e ZHANG (2019), ZHU, KARA e ZHU (2019), BIANCHI, PARISI e SALVATORE (2016). Falta de Apoio do governo YOUSAFZAI, SAEED e MUFFATTO (2015), PERGELOVA et al.
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(2019), GUPTA e MIRCHANDANI (2018).
Falta de apoio familiar WELSH, MEMILI e KACIAK, (2016), GUPTA e MIRCHANDANI (2018), RAGHUVANSHI, AGRAWAL e GHOSH (2017). Carga tributária elevada de
impostos e taxas YOUSAFZAI, SAEED e MUFFATTO (2015), PERGELOVA et al. (2019), GUPTA e MIRCHANDANI (2018). Estrutura tributária
complexa e insegura WU; LI e ZHANG (2019), ZHU, KARA e ZHU (2019), BIANCHI, PARISI e SALVATORE (2016). Economia não favorável ZHU, KARA e ZHU (2019), PINKOVETSKAIA et al. (2017). Falta de acesso a inovações
tecnológicas para seu
negócio PINKOVETSKAIA et al. (2017); ZHU, KARA e ZHU (2019). Falta de registros
financeiros/contábeis RAGHUVANSHI, AGRAWAL E GHOSH (2017); ZHU, KARA e ZHU (2019). Retenção de bons
colaboradores ZHU, KARA e ZHU (2019). Concorrência ZHU, KARA e ZHU (2019).
Fonte: Autoria própria (2020)
Mesmo diante de tais barreiras identificadas no Quadro 6 o Empreendedorismo Feminino vem crescendo conforme apontam os dados do GEM (2016), e é uma alternativa para as mulheres que buscam flexibilidade de horários para conciliar as demandas de trabalho e família, evitar o desemprego e adquirir autonomia. Nota-se que as barreiras estão relacionadas entre si, quando analisamos por exemplo, a falta de acesso a financiamentos pode estar relacionada com baixa autoconfiança, sendo que as mulheres apresentam dificuldades com a confiança devido aos aspectos culturais e preconceito por gênero. Outras barreiras relacionadas são, a falta de treinamento e desenvolvimento e a participação e acesso a redes, que podem estar relacionadas com a falta de tempo devido a demanda familiar.
Além destas contribuições provenientes da proposta do presente capítulo, o estudo traz informações atualizadas acerca do tema, com as leituras de artigos publicados recentemente, em sua maioria dos anos de 2017 e 2019, em periódicos de relevância mundial.
A contribuição deste levantamento apresenta importância tanto para esfera política, pois poderá servir como base para criação de políticas públicas voltadas para o empreendedorismo, facilitando por exemplo, o acesso a empréstimos e financiamentos do governo, acesso a redes de empreendedorismo, desburocratização de processos e ações que promovam o Empreendedorismo Feminino; quanto para nortear futuras empreendedoras, no sentido de prepará-las diante de tais barreiras identificadas, visando uma melhor QV.
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As 12 barreiras identificadas no presente estudo corroboram em parte com o estudo de Raghuvanshi, Agrawal e Ghosh (2017), os quais identificaram 14 barreiras ao Empreendedorismo Feminino que são: menos interessadas em atividades empreendedoras, problemas na aquisição de recursos financeiros, adoção de diferentes práticas estratégicas, crescimento lento, menos benefícios monetários, altas taxas de desligamento, falta de apoio institucional, mobilidade e falta de apoio familiar, falta de habilidades comerciais, falta de conectividade social, falta de gestão empreendedora, ausência de conhecimento tecnológico, falta de propensão a assumir riscos e falta de experiência em educação, experiência e treinamento. Cabe ressaltar que o presente estudo complementa a pesquisa de Raghuvanshi, Agrawal e Ghosh (2017), devido a identificação de barreiras como a discriminação por gênero que está atrelado a um contexto cultural, maternidade e demanda familiar, concorrência, retenção de colaboradores, entre outras. É pertinente destacar que dentre as barreiras identificadas por Raghuvanshi, Agrawal e Ghosh (2017), está “crescimento lento” que pode estar relacionada as demandas familiares e conflito entre a demanda de trabalho e família, não mencionado pelos autores.
O presente estudo ainda corrobora com Wu, Yaokuang e Zhang (2019), os quais identificaram quatro barreiras voltadas a desigualdade de gênero: maternidade, cognições empreendedoras, normas e finanças. Os autores destacam que más cognições empreendedoras femininas, juntamente com uma alta exigência de financiamento inicial, levam ao baixo nível de empreendedorismo feminino.
Neste âmbito, com base no levantamento realizado por meio da análise sistemática da literatura, pode-se observar que as mulheres enfrentam várias barreiras no exercício do empreendedorismo, dentre as quais que merecem destaque, estão: Maternidade e equilíbrio entre a demanda familiar e trabalho, Preconceito por gênero, Dificuldades de financiamento e a Falta de autoconfiança.