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Vers une nouvelle exception à la loi du pavillon en haute mer ?

Maître de conférences à l’Université de Nantes Centre de Droit Maritime et Océanique, EA n°

A) Vers une nouvelle exception à la loi du pavillon en haute mer ?

A escolha do método de análise dos dados para este trabalho resultou de diversas leituras que empreendemos sobre pesquisas que objetivaram analisar representações sociais sobre diferentes objetos sociais. Dessa forma, centramo-nos na busca de um instrumento de investigação que nos permitisse responder aos objetivos de pesquisa propostos, quais sejam: 1. Analisar a forma como professores se posicionam acerca da avaliação no contexto de ensino de formação de professores de língua estrangeira. 2. Reconhecer a representação social que emerge no discurso dos professores ao se

posicionarem sobre o tema. 3. Identificar e examinar os itens lexicais mais recorrentes, nas manifestações discursivas dos sujeitos, que dão mostras, isto é, constituem-se em vetores da representação social compartilhada sobre a avaliação.

Nossa opção teórico-metodológica para o processo de análise dos dados foi pelo método da Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2010), cujas bases epistemológicas explicitamos a seguir.

3.4.1 A PROPOSTA TEÓRICO-METODOLÓGICA DA ANÁLISE DE CONTEÚDO

Precisaremos nesse tópico o que é a Análise de Conteúdo, doravante AC, e como ela se aplica a nossa pesquisa. Iniciamos pontuando os aspectos mais relevantes do seu surgimento e história, para, em seguida, detalharmos as partes do método.

O percurso da Análise de Conteúdo desvela o processo de desenvolvimento de um instrumento de análise das comunicações. É o resultado de pesquisas que visam a responder uma necessidade antiga de estudiosos da linguagem sobre como interpretar textos, ou ainda, em identificar o que é passível de interpretação nos textos.

Antes do surgimento da AC, empregavam-se, na análise dos textos, técnicas advindas da hermenêutica, da retórica e da lógica. A primeira interessava-se pela interpretação dos textos sagrados ou misteriosos; a retórica, por sua vez, estudava as modalidades de expressão que obtinham maior êxito na declamação persuasiva; já a lógica dedicava-se à análise dos enunciados de um discurso e do seu encadeamento, a fim de depreender quais as regras formais do raciocínio lógico. Bardin (2010) ressalta que a “atitude interpretativa” presente nessas maneiras de abordar os textos continua também na AC, embora estas façam uso constante de processos técnicos de validação.

Vale lembrar que algumas análises de conteúdo incipientes já podiam ser observadas em 1640, em estudos isolados, como, por exemplo, a pesquisa realizada na Suécia acerca do surgimento e influência de determinados hinos religiosos, cujo objetivo consistia em saber se estes podiam surtir efeitos negativos sobre os Luteranos. Buscou-se fazer uma análise dos temas religiosos presentes nos hinos, dos seus valores e da sua complexidade estilística. Outro exemplo dos primeiros trabalhos em que se empregou a AC foi a pesquisa realizada, entre 1908 – 1918, por um professor em Chicago e um antropólogo Polaco, em um estudo sociolinguístico profundo a respeito da integração dos imigrantes polacos na Europa e na América. Os pesquisadores

analisaram materiais diversificados como cartas, diários íntimos, relatórios oficiais e artigos de jornais.

Será, entretanto, nas primeiras décadas do século XX, nos Estados Unidos, que a AC irá desenvolver-se. O principal nome, nessa fase é o de H. Lasswel devido às análises que o investigador realizou sobre a imprensa e as propagandas do período. Segundo Bardin (2010), a AC expandiu-se em meio a uma época em que o rigor científico era constantemente invocado. Durante esse período, nos Estados Unidos, o

behaviorismo ditava a sua lei fazendo valer o máximo de rigor como prova de

cientificidade e rejeitando a introspecção intuitiva em favor de uma psicologia comportamental objetiva. Por essa razão, segundo a autora, a AC experimentou as mesmas pressões de ciências como a Linguística, durante a consolidação do seu objeto de estudo.

Bardin (2010, p. 20) destaca a definição de AC proposta, já no final dos anos 40- 50, por E. Berelson e P. Lazarsfeld: “A análise de conteúdo é uma técnica de investigação que tem por finalidade a descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação”. Depois desse período, segundo a autora, a AC foi outra vez fortemente afetada nos anos 60-70, dessa vez, pela ação de três importantes fenômenos: 1. O uso do computador - que ofereceu novas possibilidades de aprimoramento das análises; 2. O interesse pelos estudos respeitantes à comunicação não verbal; e 3. A inviabilidade de precisão dos trabalhos linguísticos. Os pesquisadores do período dedicaram-se a tratar desses temas, tendo em vista propor alternativas viáveis de análises. Assim é que, após a década de 70, a AC alargou seu campo de aplicação, fornecendo subsídios para diferentes campos de estudos como, por exemplo, lexicometria, enunciação, linguística, análise da conversação, documentação e bases de dados, entre outros.

De forma resumida, vimos que no seu percurso histórico, a AC encontrou um fértil campo de atuação nos Estados Unidos, no contexto behaviorista das ciências humanas, atendendo, inicialmente, a um interesse dos governos em descobrir as orientações políticas e estratégicas dos países estrangeiros por meio da análise de documentos coletados na imprensa, rádio e outras formas de captação de dados. Inserida nesse contexto, a AC possuía duas claras funções: 1. Uma função heurística - voltada para a exploração e para a descoberta e 2. Uma função de administração da prova – cujo objetivo consistia em confirmar ou negar as hipóteses firmadas.

Da forma como descrita, a Análise de Conteúdo, ou como sustenta Bardin (2010), seria melhor falar de “análises de conteúdo”, é um método empírico, dependente do tipo de “fala” que se quer analisar e do tipo de interpretação que se pretende tomar como objetivo. Quanto a sua definição e campo de aplicação, conforme a autora,

A análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise das comunicações. Não se trata de um instrumento, mas de um leque de apetrechos; ou, com mais rigor, será um único instrumento, mas marcado por uma grande disparidade de formas e adaptável a um campo de aplicação muito vasto: as comunicações. (BARDIN, 2010, p. 33)

Trata-se, em suma, de um “conjunto de técnicas de análise” não totalmente formatado à priori, sendo dependente do tipo de análise que se pretenda realizar. Bardin (2010, p. 34) cita, ainda, Henry e Moscovici (1968) para quem “tudo que é dito ou escrito é susceptível de ser submetido a uma análise de conteúdo”.

Considerando-se o exposto, nossa opção por empregar os pressupostos da AC, no presente trabalho, deveu-se, principalmente, aos seguintes fatores: 1. por se tratar de um método amplamente empregado em pesquisas sobre representação, veja-se, a título de exemplificação, os trabalhos de Souza Filho (1995) e Souto (1995) e 2. pelo rigor científico preconizado nas diferentes etapas da análise, o que nos possibilitou um olhar mais crítico e reflexivo acerca dos dados coletados.

No tópico, a seguir, apresentaremos uma exposição acerca das etapas que constituem o método da Análise de Conteúdo e de como estamos desenvolvendo essas etapas em nossa pesquisa.

3.4.2 AS FASES DA ANÁLISE DE CONTEÚDO (AC)

A AC constitui-se de três fases que se organizam em torno de três pólos cronológicos, quais sejam: 1. a pré-análise; 2. a exploração do material; e 3. o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação. Passemos a apresentação de cada uma dessas fases, vale ressaltar que, conforme dissemos anteriormente, tomaremos como base o trabalho de Bardin (2010). Inicialmente, faremos uma exposição da teoria, e, na sequência de cada tópico, descreveremos a forma como cada etapa da AC está sendo observada em nosso trabalho.