3.2 Extraction statique de la sym´ etrie dans les visages
3.2.3 Nouvel algorithme de d´ etection de la sym´ etrie bilat´ erale du visage
A partir do que afirmamos até o momento, o que nos parece bastante óbvio é a necessidade que temos em reconhecer as capacidades do bebê cego, a fim de auxiliarmos a família a reconhecê-las também e, através deste reconhecimento, fortalecer os laços afetivos com seu bebê.
Nosso ponto de partida será a afirmação de Leonhardt (1992), a qual indica que no período neonatal de toda criança observam-se quatro subsistemas de funcionamento:
a) o sistema fisiológico, observável na respiração, mudanças da cor de pele, tremores, sobressaltos;
b) o sistema motor, observável no grau de suavidade e diferenciação dos movimentos de braços e pernas em diversos estados em que a criança se apresenta;
c) o sistema regulador, ou seja, o grau de suavidade ou diferenciação dos estados, através do sono profundo e ligeiro, sonolência ou semi-vigília, alerta, atividade motora e inquietude e estado de pranto desconsolado; d) o sistema interativo, que representa a capacidade da criança de prestar
atenção aos estímulos do entorno, regular sua atenção de acordo com os estímulos que recebe do outro.
A autora afirma que a cada novo nível de desenvolvimento uma capacidade emerge e é trabalhada pelo organismo. Uma vez alcançada, passa a ser integrada em uma crescente estrutura de competência. Os pais também experimentam sensações de domínio, êxito e também de competência. Esta sensação ajuda a identificar as conquistas desta criança e faz com que os pais valorizem e estejam a sua disposição a fim de favorecer a utilização das habilidades conquistadas.
Neste processo de desenvolvimento se destacam dois sistemas potencializadores essenciais, os quais entendemos que se constituem como base das relações de apego:
a) um sistema procedente da criança, que o impulsiona as novas realizações, mediante a prática adequada para consegui-lo;
b) um segundo sistema potencializador, procedente dos pais.
Em vista destes dois sistemas, aprendizagem se realiza, então, através de uma troca gratificante para ambos, pais e bebê. O complicador ocorre devido às reações dos pais frente à deficiência visual, que muitas vezes podem bloquear estes sistemas potencializadores, o que veremos na seção seguinte. O importante para o profissional é saber que o bebê deficiente visual nasce com o potencial para estabelecer estas relações com sua família, restando-lhe muitas vezes o trabalho de ativar estas conexões familiares. Os pais devem então ser ajudados a perceber que sua criança é perceptiva, tem habilidades de aprendizado, e que precisa de retorno e de estimulação desde seus primeiros momentos.
Antes, porém, precisamos de atenção para perceber algumas condutas do bebê cego na criação de vínculos com sua mãe e com outras pessoas do entorno.
Leonhardt (1992), em sua pesquisa com estes bebês, utilizou como base para seu trabalho estudos sobre as fases de desenvolvimento da relação. Bowlby (apud LEONHARDT, 1992) defende que a relação do bebê com a figura de apego se desenvolve a partir de 4 fases distintas:
1ª fase: Discriminação limitada da figura humana; orientação e sinais;
2ª fase: Discriminação de figuras humanas. Orientação e sinais dirigidos para uma pessoa (ou várias);
3ª fase: Manutenção da proximidade com uma figura discriminada, tanto por meio de sinais como de movimento;
4ª fase: Formação de uma verdadeira relação entre o bebê e sua mãe.
Durante a primeira fase, o bebê começa a perceber a pessoa e atua utilizando diversos sinais. Dessa forma, o bebê que enxerga segue a pessoa com o movimento dos olhos, sorri, balbucia e “agarra” a pessoa em questão quando esta localiza-se muito próxima a ele. Podemos notar que o bebê deixa de chorar quando vê um rosto ou ouve uma voz. Após a 12ª semana, há um aumento da intensidade destas respostas relacionais.
Ao observar o bebê cego durante esta primeira fase, Leonhardt (1992) afirma que este percebe a pessoa que lhe pega no colo, porém, necessita que ao mesmo tempo esta pessoa utilize o toque a fala para comunicar-se com ele. Sua habilidade será preferencialmente auditiva. As respostas de satisfação do bebê cego nesta fase serão muito sutis, exigindo maior atenção por parte da mãe a fim de captá-las. Nesta fase, dificilmente o bebê cego emprega o sorriso, balbucia pouco e obviamente não seguirá as pessoas com os olhos. Porém, a resposta observada poderá ser sua capacidade de aconchego ao corpo da mãe, utilizando a totalidade de seu corpo. Após as 15 semanas, normalmente observa-se um aumento da intensidade de respostas relacionais, caso a mãe tenha conseguido estabelecer um bom vínculo com o bebê através da leitura dos sinais emitidos por ele. Caso não haja uma boa receptividade destes sinais por parte da mãe, a autora afirma que poderá ocorrer uma diminuição das respostas relacionais observadas no bebê.
Durante a segunda fase, na qual há uma discriminação da figura humana, o bebê vidente começa a distinguir a figura da mãe. Observa-se que nesta fase o bebê cego discrimina sua mãe de forma peculiar. Sua mãe consegue consolá-lo quando se apresenta inquieto ou chora, sendo a pessoa escolhida para a qual ele sorri, podendo responder com gargalhadas através de jogos corporais (cócegas). No início
desta segunda fase, também é possível perceber as primeiras explorações realizadas no rosto da mãe, centradas primeiramente na boca, ao ouvir sons produzidos por sua mãe. Estas explorações faciais em busca da fonte de um som podem ser indícios da primeira coordenação ouvido-mão.
Na terceira fase, nota-se um crescimento significativo nas relações. O bebê discrimina as pessoas de suas relações e aumenta o repertório de respostas dirigidas. Entre as figuras preferenciais, a mãe toma posição de destaque, havendo no bebê uma reação à separação desta figura, alegria em seu retorno e utilização da mãe como ponto de partida de suas explorações. Observa-se também que, na presença da mãe, decrescem suas respostas amistosas e indiscriminadas com os demais. O bebê começa então a selecionar certas pessoas, favorecidas por suas preferências. Os estranhos são tratados com precaução e, cedo ou tarde, mostrará em relação a eles sinais de alarme e desorientação. Leonhardt (1992) destaca que esta fase inicia-se entre os seis e sete meses de idade, estendendo-se até o segundo ou mesmo terceiro ano de vida.
O bebê cego nesta fase demonstra claramente sua preferência pela mãe. Observa-se uma exploração crescente do rosto da mãe, bem como uma atenção concentrada ao ouvir sua voz e mostras de ternura espontâneas. Se o bebê recebeu inúmeras manifestações amorosas de sua mãe, tendo estabelecido numerosas e freqüentes interações comunicativas com ela, será uma criança alegre, expressiva, com uma curiosidade básica e um interesse crescente pelo entorno, ampliando progressivamente suas relações com outros membros da família. Leonhardt (1992) destaca que no último trimestre do primeiro ano, pode-se observar no bebê cego duas condutas importantes.
A primeira consiste em dirigir os braços para que a mãe lhe pegue no colo. Normalmente esta conduta surge quando o bebê está nos braços de outra pessoa, seja familiar ou estranho, e é precedida por uma inclinação do corpo, anterior a orientação da direção dos braços. A segunda caracteriza-se pela reação frente a pessoas estranhas. Em geral, quando o bebê ouve uma voz desconhecida ou um estranho segura-lhe no colo, sua conduta caracteriza-se pela seriedade, acompanhada por uma conduta tensa e alerta.
A quarta fase caracteriza-se pelo estabelecimento de uma verdadeira relação entre o bebê e sua mãe. Ao final da terceira fase, o bebê configura a mãe como um ser único, como objeto independente, que persiste no tempo e no espaço e que tem
uma continuidade. Cedo ou tarde, percebe que sua conduta influencia a mãe, adquirindo uma visão dos sentimentos.
Na quarta fase, se estabelece uma relação mais complexa, tanto com a mãe quanto com os demais familiares. Leonhardt (1992) afirma que o bebê cego também formará progressivamente esta relação única com sua mãe, porém de forma mais lenta que os bebês videntes. A autora ressalta que o bebê cego se sentirá muito mais dependente de sua mãe, durante um maior tempo que o bebê com visão normal, o que implica um tempo suplementar para a aquisição de êxito na consecução desta fase.
Percebemos, a partir do exposto, que o desenvolvimento afetivo do bebê constitui-se em um ponto primordial para o desenvolvimento de outras áreas e que para o bebê cego é muito importante a percepção dos seus sinais comunicativos por parte de sua mãe ou outra pessoa capaz de estabelecer um vínculo satisfatório com ele. Veremos a seguir algumas relações entre o desenvolvimento afetivo e o desenvolvimento psicomotor.
3.3 DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR: ASPECTOS DIFERENCIAIS NA