1000 e 2000 metros
Podemos observar (Quadro 5.3.1.), que para a força relativa do agachamento nas distâncias acima referidas, não existe uma correlação, sendo o r=-0,109; 0,024 e -0,020 e Sig. 0,302; 0,455 e 0,463, para os 500, 1000 e 2000 m, respectivamente.
fabsRM tempo500 tempo1000 tempo2000
Spearman's rho fabsRM Coeficiente Correlação 1,000 -,685 ** -,600** -,582** Sig. (1-tailed) . ,000 ,001 ,001
45
Esta ausência de correlação entre a força relativa de agachamento e os tempos para as distâncias de 500, 1000 e 2000 m poderá ser justificada com duas variáveis que não foram consideradas no presente estudo, nomeadamente o facto de sujeitos mais altos terem uma diferente bio-fisiologia, apresentando assim uma força de agachamento mais baixa, facto de o estudo ter sido realizado indoor e não na água, onde a dinâmica barco-remo é diferente.
Quadro 5.3.1. Correlação entre força relativa do agachamento e os 500, 1000 e 2000 metros.
5.4. Correlação do tempo aos 500, 1000 e 2000 metros com a
força relativa na remada deitada.
Existe uma forte correlação entre os valores de força relativa de remada deitada e as distâncias (Quadro 5.4.1.), para um nível de significância de 0,05. Tal como se havia constatado para a força máxima de remada deitada, a correlação é total para distâncias menores e um pouco menor para 1000 e 2000 m, sendo ainda assim bastante significativa (sig. = 0,009 e 0,008 respectivamente).
Quadro 5.4.1. Correlação entre a força relativa da remada deitada as distâncias de 500, 1000 e 2000 metros.
FrelatiAG tempo500 tempo1000 tempo2000
Spearman's rho FrelatiAG Coeficiente Correlação 1,000 -,109 ,024 -,020 Sig. (1-tailed) . ,302 ,455 ,463
*. A correlação é significativa para um nível de significância de 0.05 (1-tailed).
FrelatRM tempo500 tempo1000 tempo2000 Spearman's rho FrelatRM Correlation Coefficient 1,000 ,643 ** ,467** ,477** Sig. (1- tailed) . ,000 ,009 ,008
46
5.5. Relação entre a força absoluta e a relativa do agachamento
e força máxima e relativa da remada deitada.
Existe correlação uma muito forte entre estas variáveis, o que já era de esperar, visto que a fórmula usada para obtenção da força relativa é igual à força absoluta a dividir pela força relativa, ou seja, existe um r=1 apresentando-se com valores directamente proporcionais.
47
6. Conclusão
Mediante as hipóteses formuladas no início do estudo, nomeadamente: H1 – Correlação entre a força absoluta do agachamento, e a obtenção de um bom resultado nos testes de remo ergómetro de 500, 1000 e 2000 metros, H2 - Correlação entre força absoluta da remada deitada e os testes de 500, 1000 e 2000 metros, H3 - Correlação entre a força relativa do agachamento e os testes de 500, 1000 e 2000 metros e H4 - Correlação do tempo aos 500, 1000 e 2000 metros com a força relativa na remada deitada, e após a realização do teste de Correlação de Spearman 1-tailed, para um nível de significância de 95% (0,05), é possível aceitar como verdadeiras a primeira, segunda e quarta hipóteses colocadas, uma vez que existe uma correlação evidente entre as respectivas variáves.
Relativamente à terceira hipótese, não é possível aceitá-la, para um nível de significância de 0.05, uma vez que não se verificou uma correlação significativa entre as variáveis em estudo.
Por forma a melhorar os estudos existentes nesta área, faria sentido realizar um estudo semelhante, mas com utilização de outros equipamentos/testes, por exemplo testes isocinéticos, bem como a introdução de novas variáveis, nomeadamente, a análise da potência das remadas no remo ergómetro, fazer o teste não com a análise das forças da remada deitada e agachamento, mas sim com a remada total (mais semelhante com a “remada real” do remo) estatura dos atletas, e no final comparar os valores absolutos e relativos obtidos com os testes realizados neste nosso estudo.
O esforço de uma prova de 2000m, no remo, é constituída por cerca de 70% de capacidade aeróbia, restando o resto para técnica e força. Sendo assim a força, ainda é uma capacidade decisiva e preponderante na realização de um aprova de remo, dai o nosso estudo se incidir nessa questão.
Um dos problemas dos efeitos do treino, são a complexidade dos objectivos, pelas diferentes capacidades, aeróbia, anaeróbia e força de um
48
atleta, que têm de ser desenvolvidas e melhoradas. Sendo um desporto tipicamente de força de resistência, é necessário ter uma remada bastante forte e de um grande poder de produção de tenção por cada remada para suster um ritmo elevado aos 2000 m.
Pode-se, concluir que a performance no remo está relacionada com o VO2max e com a massa muscular, estando estas variáveis interligadas entre si.
Nolte (2005), refere que os valores relativos, principalmente os de força relativa, são os mais importantes para a obtenção de uma melhor performance, pois para este autor, os valores relativos de força significam um decréscimo no peso total da embarcação o que faz com que a força de arrasto seja menor facilitando assim a obtenção de uma melhor performance.
Ao nível do estudo da força relativa, não é muito decisivo, pois no remo valores absolutos parecem estar melhor correlacionados, pois o atleta desloca-se em cima de um barco o que faz com que todo o seu peso seja distribuído pelo conjunto remador-remo-barco-água, fazendo assim uma grande distribuição do peso pelo conjunto, estando assim associado um maior volume de massa muscular a uma melhor performance.
Segundo o nosso estudo, os valores de força relativa da remada deitada apresentam uma grande correlação com a obtenção de um bom tempo nas distâncias estudadas, em contraposição com os valores relativos ao agachamento, o que pode ser justificado pelo que foi referido anteriormente na análise dos resultados. Estes valores poderão ter mais importância, tal como Nolte (2005) afirma, se os testes feitos fossem realizados na água. Verifica-se assim que os valores absolutos se correlacionam mais do que valores relativos. O facto dos testes serem indoor não compreendem as forças exercidas se estes tivessem sido realizados na água.
As características neuromusculares dos atletas de endurance, relacionadas com activações voluntárias neurais reflexas, com a biomecânica da remada, com o papel das características anaeróbias do atleta e com a força muscular e elasticidade, é realçado pelo facto desses atletas terem necessidade e consequentemente a capacidade de manter uma velocidade alta
49
na embarcação durante quase todo o percurso da prova, ou seja, uma capacidade de aplicar uma força elevada e constante durante 5 a 8 minutos. Deste modo podemos inferir que os atletas da modalidade de remo possuem uma variedade dos dois tipos de fibras, de contracção rápida e de contracção lenta, com maior incidência na segunda referida, não deixando de ser extremamente importante o desenvolvimento da primeira como vimos no nosso estudo.
51
7. Bibliografia
Blasco, M. V. (2000). Novedades en el Entrenamiento de la Fuerza. III sesiones de estudio E.N.E. - Madrid´2000.
Bompa, T. O. (1999). Periodization: Theory and Methology of Training. 4th edition, York University.
Bourdon, P. (2000) Blood Lactate Transition Thresholds: Concepts and
controversies. In: Gore, C. (eds), Physiological tests for elite athletes. Huma n
Kinetics. Champaign.
Bunc, V., Heller J., Nowak J. e Leso J. (1982) Determination of the
individual anaerobic threshold. Proceedings of XXIInd World Congress on
Sports Med. Viena.
Cometti, G. (2001). Los Métodos Modernos de Musculación. 3ª Edición, Editorial Paidotribo, Barcelona 1 (9): 19.
Cosgrove, M. J.; Wilson, J.; Watt, D.; Grant, S. F. (1999). The
relationship between selected physiological variables of rowers and rowing performance as determined by a 2000m ergometer test. Journal of Sports and
Medicine. 17 (11): 845-852.
Ekblom B. (1986): Factors determining maximal aerobic power. Acta Physiol Scand 556:S15-S19.
Goldspink, G. (1992). Cellular and Molecular aspects of adaptation in
skeletal muscle. In: Strength and power in sport. Ed. Por P.Komi. London:
Blackwell Scientific Publication, 211- 229.
Hagerman, F. C.; Staron, R. S. (1983). Seasonal variations among
physiological variables in elite oarsmen. Journal Sport Sciences, (8), 3, S.
143 - 148.
Hagerman, F.; Mahler, D.; Nelson, W. (1984). Mechanical and
Physiological Evaluation of Exercise Performance in Elite National Rowers
52
Hagerman, H. (1990). A comparison of energy output and input among
elite rowers. Canadian Journal of Applied Physiology. 21 (3): 197-208.
Harman, E. (1993). Strength and Power: a definition of terms. N.
Strength Cond. A.J. 15 (6): 18-20.
Hartmann, U.; Mader, A. (1995). Comparative classification of rowing
ergometry findings. FISACoach. 6 (1): 1- 6.
Hartmann, U.; Mader, A. (1995). Comparative classification of rowing
ergometry findings. FISACoach. 6 (1): 1- 6.
Hill, G. (2002). Dynamics of coordination within elite rowing cews:
evidence from force pattern analysis. Journal of Sports Science, 20: 101 – 117.
Hollman, W. (2001). Development of the concepts of ventilatory and
lactate threshold. Sports Med., 31: 315 – 20.
Howley, E.; Brasset, D.; Welch, H. (1995). Criteria for maximal oxygen
uptake: review and commentary. Medicine and Science in Sports and Exercise.
27 (9): 1292-1301.
Kinderman, W.; Simon, G.; Keul, J. (1979). The significance of the
aerobic-anaerobic transition for the determination of work load intensities during endurance training. European Journal of Applied Physiology and Occupational
Physiology. 42: 25-34.
Lakomy, H.; Lakomy, J. (1993). Estimation of maximum oxygen uptake
from submaximal exercise on a Concept II rowing ergometer. Journal of Sports
Sciences. 11 (3): 227 – 232.
Mader, A. (1991). Evaluation of the endurance performance of marathon
runners and theoretical analysis of test results. Journal of sports medicine and
physical fitness 31(1):1-19.
Madera, A.; Liesen, H.; Heck, H.; Philippi, H.; Rost, R.; Schhurch, P.
e Hollman, W. (1976). Zur Beurteilung der sportartspezifischen
Ausdauerleistungsfähigkeit. Im Labor. Sportarzt. Spormed. 24(4), 80(5),
53
Mäestu, J.: Jürimäe, J.: Jürimäe T.: (2005). Monitoring of
performance and training in rowing. Institute of Sport Pedagogy and Coaching
Sciences, University of Tartu, Tartu, Estonia; 35 (7)' 597- 617.
Mahler, D.; Nelson, W.; Hagerman, F. (1984). Mechanical and
physiological evaluation of exercise performance in elite national rowers. JAMA.
252 (4): 496 – 499.
Manso, J. M. G. (1999). La Fuerza Fundamentación, Valoración y
Entrenamiento. E. Gymnos.
Mazzone, T. M.D. (1988). Kinesiology of the rowing stroke, NSCA Journal, Volume 10, Number 2. Wyoming County Community Hospital, Warsaw, New York.
McDougall, J. D. (1986). Morphological changes in human skeletal
muscle following strength training and immobilization. In N. L. Jones, N.
McCartney, & A. McComas (Ed.), Human Muscle Power (pp. 43-58) Champaign: Human Kinetics Publishers, Inc.
Mil-Homens, P. (2000). Os factores de treino desportivo: estudo do
factor físico desportivo- estudo sobre força muscular. In Castelo,J. Barreto, H.;
Alves, F.; Mil-homes, P; Carvalho, J.; Vieira, J. (2000). Metodologia do treino
desportivo; M.H. edições; 3.ª edição.
Nevill, A.; Lakomy, H. e Lakomy, J. (1992). Rowing ergometer
performance and maximal oxygen uptake of the 1992 Cambridge University boat crews. Journal of Sports Sciences 10: 574 – 575.
Nolte, V. (2005). Rowing Faster. Human Kinetics, Inc.
Oliveira, E. (2002). Avaliação da Potência Máxima Aeróbica e da
Lactatémia em Remadores Pesos Ligeiros. Tese de monografia. FCDEF – UP.
Patterson, P. (1989). Terminology: Classification of strength qualities
Poliquin, Charles C.S.C.S. - Volume 11 - Issue 6 - pp 48-52.
Powers, K. S. e Howley, T. E. (2000). Fisiologia do Exercício – Teoria e
54
Riechman, E.; Robert, F.; Zoeller, G.; Balasekeran, G. ; Fredric, L.; Robert, J. (2002). Prediction of 2000 m indoor rowing performance using a 30s
sprint and maximal oxygen uptake. Journal of Sports Sciences, 20, 681 – 687.
Santo, P. (sd). Sebenta de Apoio à cadeira de Fisiologia Geral. Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Porto.
Santos, J. (1995). Estudo comparativo, fisiológico, antropométrico e
motor entre futebolistas de diferente nível competitivo e velocistas, meio fundistas e fundistas de atletismo. Tese de Doutoramento, FCDEF - UP.
Santos, J. M. eSantos, A. R. (2002). Investigação aplicada ao atletismo.
Um contributo da FCDEF-UP para o desenvolvimento do meio-fundo e fundo.
Universidade do Porto. Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física. Schmidtbleicher, D. D. (1985b). Strenght training: parte 2. Structure,
analysis of motor strength qualities and its applications to training.
Sports-science periodical on research and technology in sports: strength, (w4), 1- 10.
Secher, N. H. (1990). Rowing. In Physiology of Sports (edited by T. Reilly, N. Secher, P. Snell and C. Williams), pp. 259-286. London: E&F Spon.
Secher, N. H. (1992). Rowing. In Endurance in Sport (edited by R. J. Shephard and P. O. Astrand), pp 563-569. Oxford: Blackwell Scientific.
Secher, N. H. (1993). Physiological and biomechanical aspects of
rowing: Implications for training. Sports Medicine, 15, 25-42.
Secher, N.H. (1992). Rowing. In Endurance in Sport. Oxford: Blackwell Scientific, pp, 563-569.
Shephard, R. (1992). Maximal Oxygen Consumption. In SHEPHARD, R. e Astrand, P.-O. (eds.), Endurance in Sport. Blackwell Scientific Publications. London.
Shephard, R. (1998). Science and medicine of rowing: a review. Journal of Sports Sciences. 16: 603-620.
55
Stegmann H. e Kinderman W. (1981). Model zur Bestimmung der
individuellen anaeroben Schwelle. In: Sportmedizin für Breiten – und Leitstungssport. Ed. Kindermann W. e Hort W. (Hrsg.): Demeter: Gräfelfing.
Steinacker, J. (1993). Physiological aspects of training in rowing. Int. J. sports Med. Vol. 14, (Suppl. 1): S3 – S10.1.
Steinacker, J. M. (1994). Physiological aspects of training in rowing. FISACoach. 5 (3): 1 – 6.
Steinacker, J. M.; Laske, R.; Hetzel, W. D.; Lormes, W.; Liu Y.; Stauch, M. (1993). Metabolic and Hormonal reactions during training in junior
oarsmen. International Journal Of Sports Medicine. 14 (Suppl 1): S24-S28.
Steinacker, J.; Lormes, W.; Kellmann, M.; Liu, Y.; Reibnecker, S.; Opiz-Gress, A.; Baller, B.; Gunther, K.;Petersen, K.; Kallus, K.; Lehmann, M.; Altenburg, D. (2000). Training junior rowers before world championships.
Effects on performance, mood State and selected hormonal and metabolic responses. Journal of Sports Medicine and Physical Fitness. 40 (4): 327 – 335.
Verkhoshanski, I. V. (1998). Treinamento da Potência Muscular. 2ª Edição, Londrina – Centro de Informações Desportivas.
Verkhoshanski, Y. (1986). Fundaments of special strength training in
sport. Litvonia, Michigan. Sportivny Press.
Wasserman, K.; Whipp, B.; Koyal, S.; Beaver, W. (1973). Anaerobic
threshold and respiratory gas exchange during exercise. Journal of Applied
Physiology, 42: 25-34.
Wiener, S.; Garber, C.; Manfredi, T. (1995). A comparison of exercise
performance on bicycle and rowing Ergometers in female master recreational rowers. Journal of Sports Medicine and Physical Fitness. 35: 176 – 180.
Wilmore, J. & Costill, D. (2001). Fisiologia do Esporte e do Exercício (Br.) Human Kinetics.
56
Wilmore, J.; Costill, D, (1993). Training for Sport and activity, the
physiological basis of the conditioning process. Human Kinetics Publishers,