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Nidification des oiseaux d’eau à Sebkhat de Bazer Sakhera 1. Résultats

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4 . Approche bioécologique de la faune Vertébrée

65Goéland railleur

4.2.6. Nidification des oiseaux d’eau à Sebkhat de Bazer Sakhera 1. Résultats

Capítulo VI

[...] [–] Estudamos, investigamos e experimentamos para que aqueles que virão depois de nós sejam mais felizes do que nós. Todos os dias a Ciência nos revela algum conhecimento novo que tornará a vida futura ainda mais fácil do que agora.

— Não consigo conceber — disse eu —, como podem melhorar mais ainda.

— Quando fabricamos fruta e legumes a partir dos elementos, não consegue entender o quanto se tem a ganhar? A velhice e a morte virão mais tarde, e o trabalho agrícola desaparecerá. Um benefício destes não será gozado durante a minha vida. Mas trabalhamos para que seja realidade nas gerações vindouras. [...]

E Se...? Narrativas Especulativas Sobre Alimentação e Sociedade – Uma Antologia Série Alimentopia

CAPÍTULO III

O albergue e o seu pequeno almoço

[...] Uma ou duas palavras de Robert, o tecelão, e elas imediatamente acorreram em nossa ajuda e vieram até nós, pegaram-nos pela mão e levaram-nos para uma mesa no canto mais agradável da sala, onde o pequeno almoço estava posto para nós; e, quando nos sentámos, uma delas saiu a correr para as divisões que já descrevemos e voltou daí a instantes com um grande ramo de rosas, muito diferentes em tamanho e qualidade daquelas que Hammersmith cultivava habitualmente, mas com todo o ar de produto de um velho jardim campestre. Voltou a correr para a copa, regres- sando mais uma vez com uma jarra de vidro muito delicada onde pôs as flores, pousando-as no meio da nossa mesa. Outra, que também tinha corrido lá para fora, voltou com uma grande folha de couve cheia de morangos, alguns ainda mal maduros e disse ao pousá-los na mesa:

— Ora aí estão. Pensei neles hoje antes de me levantar, mas por causa do estranho a entrar no seu barco, Dick, passou-me completamente, de modo que não cheguei antes dos melros. Contudo, têm aí alguns que são tão bons quanto os melhores que esta manhã se podem encon- trar em Hammersmith.

Robert deu-lhe uma pancadinha amistosa na cabeça e atacámos o nosso pequeno almoço que era bastante simples, mas cozinhado com a maior das delicadezas e disposto na mesa com muita elegância. O pão era particularmente bom e de espécies variadas, desde a grande broa caseira, escura, pesada e adocicada, muito a meu gosto, até aos palitos finos e estaladiços como eu tinha comido em Turim. [...]

CAPÍTULO VI

Umas compritas

[...] — Sim — disse ele. — Este é um mercado muito bom para coisas bonitas e é normalmente reservado para os artigos mais especiais, já que o mercado das Câmaras-do-Parlamento, onde vendem as couves e os nabos e coisas do género, juntamente com cerveja e com o vinho mais acre, fica tão perto.

[...] — Vizinhos — disse a rapariga (que fazia todas as despesas da conversa, porque o irmão era claramente muito tímido) —, façam-nos o gosto de beber um copo à nossa saúde antes de parti- rem, pois não é todos os dias que temos hóspedes assim.

Com isto o rapaz pousou o tabuleiro no balcão e solenemente verteu um vinho cor de palha nas taças altas. Sem qualquer relutância, bebi, porque o dia quente tinha-me feito sede; e, pensei eu, ainda estou neste mundo e as uvas do Reno ainda não perderam o sabor, porque se alguma vez bebi um bom Steinberg, foi esta manhã que o bebi e mentalmente tomei nota para perguntar a Dick como conseguiam fazer um bom vinho quando já não havia trabalhadores obrigados a artística; e os restaurantes comunitários afirmam-se pela abundância e qualidade dos produtos

que servem. A aplicação das “perguntas utópicas” a esta utopia – “Quem produz? Quem consome? Quem prepara? Quem serve? Quem limpa?” – revelará, contudo, que por trás da felicidade cele- brada por Guest está uma sociedade que, ainda que liberte as mulheres do contrato matrimonial, continua a reservar-lhes um lugar na área da confeção alimentar – são elas que preparam as refei- ções e servem à mesa. Já a resposta às perguntas “Como se prepara? Onde se prepara?” evidencia- rá o forte espírito cooperativo que anima esta sociedade, o estado de felicidade exagerada – que Morris sublinha para manter o leitor consciente do caráter onírico da descrição – e o seu gosto pela Idade Média. Quanto à comida, Morris, cujas qualidades como cozinheiro eram reconheci- das pelos amigos, não deixa margem para dúvidas: simples, mas de grande qualidade, fresca e ca- seira – assim deveria ser a comida da sociedade ideal, sempre acompanhada dos melhores vinhos.

CAPÍTULO XXII

Hampton Court e um apreciador dos tempos passados

[...] Fomos até ao palácio e diretos ao salão grande de que tão bem nos lembrávamos, onde se en- contravam mesas dispostas para o jantar e tudo preparado como em Hammersmith Guest-Hall. Acabado o jantar, dispersámo-nos pelos antigos quartos [...].

Todas as comidas e bebidas, apesar de diferentes daquilo que tínhamos tido em Londres, eram melhores do que boas, mas o velho pôs-se a olhar com um ar bastante amuado para a travessa principal, que estava na mesa, sobre a qual se encontrava um trio de belas percas, e disse:

— Hmmm! Perca! Lamento não poder fazer melhor por vós, hóspedes. Já foi tempo em que podíamos ter um belo salmão vindo de Londres para vos servir; mas os tempos são outros agora, vis e mesquinhos.

— Sim, mas podia ter cá o salmão — disse a rapariga com um risinho —, se tivesse sabido que eles vinham.

— A culpa é nossa por não o termos trazido connosco, vizinhos — disse Dick, bem humorado. — Mas se os tempos se tornaram mesquinhos, o mesmo não aconteceu com a perca: a nossa ami- ga ali no meio deve ter pesado um bom quilo quando mostrava as suas riscas pretas e as barbata- nas vermelhas ali às mais pequenitas. Quanto ao salmão, ora, vizinho, ali o meu amigo que vem de fora ficou muito espantado, ontem de manhã, quando lhe disse que tínhamos imenso salmão em Hammersmith. Não me lembro de ter ouvido dizer que os tempos tivessem piorado. [...]

Tradução de Luísa Feijó. Revisão da tradução de Iolanda Ramos.

beber zurrapas em vez do vinho fino que eles próprios faziam. — Não bebem um copo à nossa, queridos vizinhos? — disse eu.

— Não bebo vinho – disse a rapariga. — Gosto mais de limonada, mas desejo-vos saúde. — E eu gosto mais de cerveja de gengibre — disse o rapazinho.

Pois é, pensei eu, os gostos das crianças também não mudaram muito. E com isto disse-lhes bom dia e saí do reservado. [...]

CAPÍTULO XVI

Jantar no salão do mercado de Bloomsbury

[...] [A]s bonitas empregadas vieram ter connosco a sorrir e a palrar como rouxinóis-dos-caniços na margem do rio e começaram a dar-nos o jantar. Quanto a este, tal como acontecera com o pequeno almoço, tudo estava cozinhado e servido com uma elegância que mostrava que aque- les que o tinham preparado se interessavam pelo que faziam; mas não havia excessos, nem em quantidade nem em gulodice; tudo era simples, embora excelente no seu género; e foi claramente dito que não se tratava de uma festa, mas sim de uma refeição normal. Os copos, talheres e pratos eram muito belos aos meus olhos, habituados como estes estavam ao estudo da arte medieval; mas atrevo-me a dizer que um frequentador de clubes do século XIX os acharia grosseiros e mal-acabados; a loiça era de barro vidrado a chumbo, embora lindamente ornamentada; a única porcelana era aqui e ali uma peça antiga oriental. Também os copos, se bem que elegantes e de- licados e de formas muito variadas, apresentavam bolhas e uma textura mais áspera do que os artigos comerciais do século XIX. Os móveis e, em geral, as decorações do baile eram muito do mesmo estilo do arranjo da mesa, bonitos na forma e altamente decorados, mas sem o “acaba- mento” comercial dos carpinteiros e marceneiros dos nossos dias. Em regra, havia uma ausência total daquilo a que o século XIX chama “conforto” – ou seja, incomodidade acolchoada; por isso, mesmo descontando a deliciosa excitação do dia, nunca tinha jantado de forma tão agradável.

Quando acabámos de comer e estávamos ainda sentados com uma garrafa de um muito bom vinho de Bordéus à nossa frente, Clara voltou à questão dos temas dos quadros [...].

Ele suspirou, depois sorriu e disse:

E Se...? Narrativas Especulativas Sobre Alimentação e Sociedade – Uma Antologia

Lisboa no Ano Três Mil(1892)

António Cândido de Figueiredo

(1846-1925)

Escritor e filólogo, consagrado autor do Novo Dicionário da Língua Portuguesa – que foi publicado em 1899 e conheceu 25 reedições até 1996 – Cândido de Figueiredo foi um dos fundadores da So- ciedade de Geografia de Lisboa e tradutor de inúmeras obras de filologia e linguística, tendo-se dedicado também à ficção e à crítica social. Através de Terramarique, um viajante australiano que percorre o mundo ocidental, sendo que a Austrália do futuro constituía a nação mais civili- zada do mundo, Cândido de Figueiredo oferece ao público-leitor a perspetiva de uma Lisboa em ruínas no ano 3000, recuperando as memórias da sua existência.

O título evoca O Que Há de Ser o Mundo no Ano Três Mil, a tradução/versão de Sebastião José Ribeiro de Sá da obra de Souvestre, mas revela-se bastante diferente no seu teor. Trata-se de uma obra epistolar, constituída por dez cartas, nas quais o narrador autodiegético, o viajante Terramarique, regista as peripécias por que passou na sua viagem – tendo como recetor o mestre e amigo Policosmo, um sábio da Universidade Central da Austrália – e às quais o autor/persona- gem Cândido de Figueiredo teve acesso durante o seu sono hipnótico. Como explica no prefácio, este português nascido entre as serranias da Beira, para cumprir a ambição de viver no futuro e tomar conhecimento dos progressos humanos, solicitou a um hipnotizador, o doutor Ângelo Das, que o transportasse durante umas horas para o local mais civilizado do mundo de então, com o propósito de saber se havia memória do seu próprio país, ou seja, de Portugal. Por conse- guinte, adormeceu num sono hipnótico e, por ordem do hipnotizador, sentou-se a uma mesa e, tomando uma pena, descreveu tudo o que viu. Graças a um grande veículo aéreo, um balão do ano 3000, viu-se na companhia de muitos milhares de passageiros que falavam a mesma língua, o volapuque, a descer na Austrália, um pouco acima do lago Torrens. O mundo tinha sido muito transformado por cataclismos geológicos e grandes convulsões sociais, sendo na época governa- do por Sua Omnipotência Russa, que se intitulava Ivan LIV e residia guardado por ursos brancos, nas ruínas do Kremlin. Da Carpentária à Tasmânia, numa extensão de mais de sete milhões de quilómetros quadrados, existia uma cidade enorme, repleta de gente laboriosa, sadia e alegre. Por intermédio das missivas que encontrou na Biblioteca Universal, o edifício mais extraordinário da Austrália, o autor reproduziu as histórias que Terramarique ouviu e registou, no território dos Açores e por meio do monge Reliquiano, sobre uma Lisboa desaparecida.

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