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AUX OPERATIONS DE COUPE DISCONTINUE

4.2. I NFLUENCE DU MODE DE PREPARATION DES OUTILS EN COUPE DISCONTINUE

4.2.4. I NFLUENCE DU MICRO SABLAGE SUR L ’ ETAT DES OUTILS

Poucos estudos têm avaliado comparativamente as características cinéticas e cinemáticas do padrão de andar no solo e na esteira em hemiplégicos com suspensão de peso (HESSE; KONRAD; UHLENBROCK, 1999) e com suporte total de peso (HARRIS-LOVE; FORRESTER; MACKO; SILVER; SMITH, 2001). No entanto, a maior parte dos estudos determina o efeito isolado do treinamento na esteira ou compara o treinamento na esteira com os métodos de tratamento citados anteriormente.

Hesse, Konrad e Uhlenbrock (1999) avaliaram a marcha de 18 pacientes hemiplégicos no solo e na esteira com todo o peso corporal e com suspensão de 15% e 30% de peso corporal. Os resultados das variáveis descritivas mostraram que estes pacientes caminharam mais lentamente na esteira com apoio total do peso corporal em relação, quando comparado

com o andar com suspensão parcial de peso (0,27 m/s e 0,32 m/s respectivamente). Estas mudanças na esteira são atribuídas à redução na freqüência da passada (53 passadas/minuto) e aumento na duração da fase de suporte da perna parética. Mas ainda, estes autores sugerem que as mudanças no comportamento das passadas estaria influenciando a melhora nos índices de simetria de 0,82 no solo para 0,89 na esteira. Estes resultados não concordam com os reportados por Harris-Love, Forrester, Macko, Silver e Smith (2001) durante a avaliação do andar na esteira com apoio de 100% do peso corporal. Neste estudo não foram encontradas diferenças nas variáveis descritivas nas duas superfícies e as variações na organização temporal foram atribuídas às mudanças na proporção do ciclo da marcha e não às mudanças na duração do ciclo. No entanto, em outro estudo com participantes sãos, comparando a marcha nas duas superfícies foram verificadas mudanças na organização temporal com aumento na duração da fase de suporte, no primeiro e segundo duplo suporte e diminuição na duração da fase de balanço (ALTON; BALDEY; CAPLAN; MORRISEY,1998).

De forma geral, os pacientes hemiplégicos, durante a marcha na esteira, apresentaram aumento significativo na duração da fase de suporte e suporte simples do lado parético e diminuição no lado não parético. Mesmo assim, a marcha na esteira apresentou diminuição na duração do duplo suporte sobre o lado parético (HESSE; KONRAD; UHLENBROCK, 1999), sendo evidenciada uma melhora na simetria temporal e na coordenação intermembros, com um padrão 55% fora de fase na esteira e de 59% no solo (HARRIS-LOVE; FORRESTER; MACKO; SILVER; SMITH, 2001).

Mas ainda, Chen, Patten, Kothari e Zajac (2004) compararam o andar na esteira sem suspensão de peso em pacientes hemiplégicos e indivíduos sadios, encontrando aumento na largura do passo e na duração da fase de balanço no membro inferior parético. Além disso, foram verificadas diferenças na extensão do quadril e na flexão do joelho, sendo em todos os casos menores os ângulos dos pacientes hemiplégicos. Estes autores sugerem que as

principais diferenças encontradas no andar na esteira são decorrentes da alteração na propulsão da perna parética, do aumento na duração do balanço e da diminuição no ângulo de flexão do joelho.

O comportamento dos ângulos articulares na esteira, também tem sido avaliada em adultos jovens saudáveis, porém não existem dados destas variáveis em hemiplégicos. Os estudos verificaram diferenças estatisticamente significativas na esteira, para os ângulos articulares da cabeça, quadril e tornozelo no plano sagital, em três velocidades diferentes: baixa, média e alta, quando comparados com os dados no solo (MURRAY; SPURR; SEPIC; GARDNER; MOLLINGER, 1985). No entanto, Alton, Baldey, Caplan e Morrisey (1998) mostraram diferenças apenas nos ângulos articulares de flexão de quadril. Em outro estudo foram comparados os movimentos de joelho nos planos sagital, frontal e transversal em adultos jovens saudáveis, mostrando diferenças significativas no movimento do joelho na esteira, no plano sagital, tanto na fase de suporte como no balanço, com diminuição no ângulo de extensão durante o toque de calcanhar, porém não foram encontradas diferenças significativas nos outros planos de movimento (STRATHY; CHAO; LAUGHMAN, 1983). Estes dados são consistentes com os resultados obtidos por (MATSAS; TAYLOR; McBURNEY, 2000) que avaliaram os ângulos do joelho no solo e na esteira, durante o tempo inicial de execução da marcha (sem adaptação à esteira). Estes autores reportaram na esteira, diminuição no ângulo máximo de flexão durante a fase de balanço e diminuição na extensão durante o toque de calcanhar e na fase de suportes simples. Porém, depois de 4 minutos de adaptação ao movimento da superfície, o comportamento da cinemática do joelho foi semelhante nas duas superfícies. Esta tendência à diminuição dos ângulos articulares na esteira indica possivelmente um ajuste nos parâmetros de controle, em resposta a um fluxo de informação proprioceptiva diferente, proporcionada pela esteira ou pelo ajuste do sistema para equilibrar o gasto de energia.

Outro aspecto avaliado nas duas superfícies é a atividade elétrica muscular. Hesse, Konrad e Uhlenbrock (1999) avaliaram as respostas eletromiográficas, em hemiplégicos no solo e na esteira, com carga total de peso e suspensão de 15% e 30% de peso corporal. Durante a marcha na esteira, estes autores reportaram uma coativação muscular menor dos músculos hipertônicos, um padrão de ativação fisiológica dos extensores de tronco e diminuição na atividade patológica dos músculos antigravitacionais no membro inferior parético.

Finch, Barbeau e Arsenault (1991) compararam a cinemática e as respostas eletromiográficas em 10 adultos sãos durante a marcha na esteira com suporte total e com suspensão de 30%, 50% e 70% do peso corporal, encontrando as maiores mudanças no padrão com descarga de 70% do peso. A comparação entre tentativas com velocidades semelhantes mostrou uma diminuição na porcentagem do apoio, no tempo total do duplo suporte e nos ângulos articulares de quadril e joelho. Com a suspensão de peso, foi observada uma redução na atividade elétrica em todos os músculos durante a fase de apoio, exceto no tibial anterior que apresentou aumento na média da atividade elétrica ao diminuir o suporte de peso. Os resultados cinemáticos concordam de forma geral, com os encontrados por Threlkeld, Cooper, Monger, Craven e Haupt (2003) em sujeitos jovens saudáveis com suspensão de peso mínima dada pelo colete (entre 3% e 6% de peso), de 10%, 30%, 50% e 70% de peso corporal. Estes autores encontraram as maiores mudanças nas variáveis descritivas para a suspensão de 50% e de 70%, com diminuição na cadência e aumento no comprimento da passada. Comparativamente com o estudo de Finch, Barbeau e Arsenault (1991), as pequenas variações nas porcentagens das variáveis temporais podem ser atribuídas à velocidade fixa da esteira utilizada durante os testes, assim como às propriedades mecânicas do sistema de suspensão.

Frente aos estudos revisados e discutidos na presente revisão de literatura, há a necessidade de melhor entender as alterações das variáveis do andar de pacientes hemiplégicos na situação de esteira motorizada, descarga parcial de peso corporal e na combinação dessas duas condições. Assim, este estudo procura contribuir para preencher algumas das lacunas relacionadas a esses aspectos.