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A Sala de Integração deriva de uma sala de apoios criada em 1990, para onde os alunos com dificuldades, indicados pelos DT ou por iniciativa própria, iam: estudar, fazer os trabalhos de casa, organizar o caderno diário, e mesmo, receber apoios em termos disciplinares. Era, portanto, uma sala aberta.

Entretanto a escola depara-se com uma nova realidade: muitos alunos com problemas disciplinares que iam para o pátio, quando eram colocados fora da sala de aula. Em alguns casos, essa saída era provocada por eles para poderem sair da aula. Constatou-se, também, que havia um elevado número de alunos reincidentes, pelo que era necessário agir para evitar o consequente abandono.

Com o elevado número de alunos colocados fora da sala de aula, por indisciplina, e com um pátio de grandes dimensões, era difícil manter a ordem e o absentismo aumentava.

Confrontada com esta situação, uma técnica do SPO, recém colocada na altura, propôs que se criasse um projecto de integração disciplinar.

“(…) é completamente a tentativa de responder aos alunos que eram colocados fora da sala de aula, portanto para atenuar e para evitar os tais comportamentos que causavam distúrbios no espaço da escola (…)” E2

Esse projecto foi proposto ao Conselho Pedagógico e constava de uma sala para onde seriam encaminhados os alunos colocados fora da sala de aula. Estariam presentes

professores e a psicóloga que faria uma avaliação desses mesmos alunos para que fossem despistadas as razões dos comportamentos sistemáticos de indisciplina.

O projecto foi largamente discutido e desse debate surge o Projecto Sala de Integração com uma vertente disciplinar e educativa. Como afirma a Coordenadora dos Projectos:

“Desse debate surgiu realmente, penso que a ideia correcta, que era uma sala de integração na perspectiva mais lata que era a educativa, porque teria realmente de ser dada uma resposta a esses alunos.” E1

Esta última foi ganhando expressão com a tentativa de soluções pedagógicas para este perfil de alunos.

O aluno que saía da sala de aula, por questões comportamentais, era obrigatoriamente, conduzido por um funcionário até à S.I. com prescrição do trabalho que devia desenvolver. O primeiro trabalho a ser feito com o aluno era no sentido da auto-critica, levando-o a descrever as razões das suas acções. E, posteriormente, realizaria o trabalho prescrito pelo professor. Resumindo, a evolução do projecto passou pelas seguintes fases:

“Teve várias vertentes: teve a vertente dos apoios disciplinares, a vertente dos apoios transdisciplinares (…) o objectivo principal era modificar e atenuar determinados comportamentos disruptivos e atitudes de conflito, e então para esses criaram-se também apoios que nós chamámos os apoios do “apoiar, recuperar, integrar”, em que eles saíam de algumas disciplinas em que o comportamento era altamente negativo e iam ter ali, normalmente… muitas vezes tinham uma hora ainda para continuarem na ligação à turma dentro da sala de aula e depois iam ter ali com outros professores algumas de disciplinas, as tais onde o comportamento deles era muito complicado.” E2

Posteriormente, para os casos mais complicados, foi criada uma sala de Atelier de Artes Visuais, de cariz mais prático e que serviria para estabilizar o aluno antes de realizar o trabalho proposto pelo professor. Neste atelier realizavam, normalmente, trabalho em torno de um tema que era proposto e que esses alunos desenvolviam ao longo do ano. O produto final destes trabalhos era apresentado, normalmente, dentro do atelier sob a forma de exposição e em alguns anos, complementada por uma visita de estudo com base no tema desenvolvido.

As regras de funcionamento da SI foram construídas por todas as pessoas que desenvolviam projecto e melhoradas e aperfeiçoadas sempre que necessário.

Neste momento o projecto funciona da mesma forma, no entanto, não conta com o Atelier de Artes por falta de professor. Tem duas Coordenadoras responsáveis: uma pela área pedagógica, outra pela área disciplinar e um grupo de professores que em parte está fixo ao projecto e, em alguns casos, se altera ao ritmo dos concursos de docentes, consoante a bolsa de professores disponíveis. São vários os veículos de divulgação do projecto, como é referido pela coordenadora da área disciplinar:

“(…) no início do ano. Na reunião geral de professores é dito, são enumerados os projectos, quais são os objectivos dos projectos. Na reunião dos directores de turma diz-se aos directores de turma qual é o fim a que se destinam as fichas da sala de integração, como é que eles as podem utilizar, como é que eles podem dinamizar os conselhos de turma através das informações da sala de integração educativa (…)” E2

A SI faz, de forma sistemática, estatísticas dos alunos que são colocados fora da sala de aula e a razão pela qual tal acontece. Este instrumento proporciona informação relativamente ao tipo de ocorrências e à identificação dos alunos, as quais são importantes nos vários momentos em que se realizam avaliações do projecto, como se pode verificar no quadro 11.

A articulação com outros projectos é também uma constatação da dinâmica conseguida em torno do projecto. Para além do trabalho directo com professores e DT que fazem ligação aos Enc. de Educação, o projecto articula com o Projecto GAAF e com o Projecto PAA.

As dinâmicas de avaliação são frequentes e diversificados os instrumentos de recolhas de dados; o debate de ideias resultante desses momentos é muito produtivo, de acordo com o testemunho dos inquiridos neste estudo.

No quadro 11 resumimos os objectivos, estratégias, descrição e formas de avaliação; como nele se vê não estão definidas metas a atingir.

Tabela 11. Quadro de Caracterização do Projecto - SI

Designação do Projecto

Justificação / Estratégias Objectivos / Finalidade Descrição do Projecto Resultados Esperados (metas) Indicadores de Avaliação Projecto “Sala de Integra- ção” - Apoiar, Recuperar e Encaminhar os alunos problemáticos (expulsos de sala de aula e absentistas mas frequentadores do pátio). - Melhorar comportamentos. - Diversificar estratégias conducentes à aplicação de pedagogias diferenciadas e adaptadas ás necessidades educativas dos alunos, colmatando dificuldades e procurando respostas de forma a diminuir o insucesso.

- melhoria dos comportamentos dos alunos ao nível do saber- estar;

- trabalhar a auto-estima do aluno para alcançar o “querer fazer” e o “gostar de fazer”; - transversalidade de saberes associados ao PCT do aluno usando como recurso: as artes plástica, dramática, musical, motora e ainda a comunicação verbal e escrita.

Acolhe alunos expulsos de sala de aula onde o aluno continua o trabalho iniciado na aula. É feito um trabalho paralelo em torno do saber-estar e do valor individual do aluno onde podem ser utilizados recursos diversificados (como as expressões). O processo é articulado com os vários agentes educativos que estabelecem contacto com o aluno. Estatísticas e avaliações intercalares e finais. São realizadas reuniões frequentemente para estudo de situações mais complicadas.

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