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I MPACTS SUR LES ESPÈCES ANIMALES

Dans le document Dossier de demande de dérogation (Page 109-112)

1 C ONTEXTE ÉCOLOGIQUE LOCAL

2.2 I MPACTS SUR LES ESPÈCES ANIMALES

185 KRETZEN, João. As grandes potências econômicas no Estado do Paraná. 2 ed. Curitiba: Escritório Sul-Brasil, 1951.

186 Ibid. p.146, 181, 221.

187 LAGO, Paulo F. Santa Catarina: a terra, o homem e a economia. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 1968. p.302.

matéria-prima do que o necessário nas serrarias tradicionais (madeira serrada).188

Ao mesmo tempo, os novos processos técnicos, que demandavam maiores investimentos, se adaptavam bem à realidade desses grupos empresarias, que podiam assim reunir uma maior quantidade de capital do que o antigo madeireiro isolado na floresta. Enquanto muitos madeireiros tradicionais entravam em declínio pelo esgotamento dos pinhais em muitos locais da região da araucária nas décadas de 1960 e 1970, novos grupos empresariais emergiam em fábricas de papel, papelão, celulose e móveis. Como exemplos desses novos grupos empresariais madeireiros surgidos ou em ascensão econômica a partir da década de 1950, podemos citar a Celulose Irani, a Olinkraft, Celulose e Papel S.A., a Klabin e a Rigesa S.A.189

Paulo Lago fez considerações sobre a dinâmica espacial desse novo tipo de empreendimento madeireiro em relação às tradicionais serrarias:

Enquanto a economia florestal se restringe ao corte de árvores para que as toras sejam levadas às serrarias, que as processam em tábuas, barrotes, caibros, é inevitável que procurem se localizar nas proximidades dos recursos existentes, reduzindo custos de transporte de massas pesadas que serão apenas parcialmente aproveitadas. [...] As serrarias são unidades relativamente simples, podendo ser desmontadas e transferidas para outros locais de maior densidade de recursos arbóreos industrializáveis. Desse modo, o caráter ambulatório é resultante habitual. Uma indústria de celulose e papel é, no entanto, exigente quanto à diversidade de equipamento e instalações. A remoção acarreta problemas consideráveis, mesmo quando se poderá contar com infraestruturas de energia e de circulação.190

Em que pese toda essa racionalização e modernização da produção, isso não significa que o ritmo da devastação passou a diminuir. Os dados de produção e exportação, como já vimos, mostram

188 Na verdade, muitos desses “novos” produtos já eram fabricados no país há bastante tempo, mas apenas em algumas indústrias isoladas, de produção diminuta e baixa capacidade técnica. 189 A Rigesa foi praticamente a empresa sucessora da Lumber em Três Barras, pois se instalou naquela região logo após o fim da Lumber.

190 LAGO, Paulo F. Gente da terra catarinense: desenvolvimento e educação ambiental. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 1988. p.273, 274.

que a exploração do ecossistema estava mais intensa do que nunca nas décadas de 1950 e 1960.

O desperdício de madeira no corte das árvores também continuava muito alto. Segundo um estudo citado em 1956 pelo engenheiro agrônomo silvicultor Eudoro H. Lins de Barros, apenas 23,62% do volume do pinheiro era aproveitado, sendo o restante perdido no toco, galhos, ponta do fuste, na serragem e nas aparas.

Portanto, só nas operações realizadas dentro do mato, são perdidos 57,83% em cada pinheiro, e em cada tora enviada para a serraria mais 18,50%, restando, apenas, como parte comerciável 23,62%, o que aliás demonstra o quanto são precárias as nossas condições de exploração e primitivas as serrarias do Sul ou melhor, de todo o Brasil.191

Além disso, Eudoro Barros comenta o problema da exploração de pinheiros muito jovens, de até 15 cm de diâmetro, pelas fábricas de pasta mecânica e celulose, e que interferia na regeneração das florestas.192

A intensificação desses processos de evolução das técnicas madeireiras, dos transportes, aliada à concentração de capital, assim como a chegada da colonização até os locais mais isolados, levou aos índices impressionantes de produção e desmatamento nas décadas de 1950, 60 e 70, quando se percebeu de forma geral, o esgotamento eminente das florestas com araucária. Em muitos locais, como no primeiro planalto, e em muitas regiões do segundo planalto paranaense, assim como no Rio Grande do Sul, esse esgotamento foi sentido mais cedo. Apesar disso, como observou Rosemari E. Griggs, os índices de produção se mantiveram elevados, pois muitos madeireiros migravam dos locais já desmatados para as regiões onde ainda existiam florestas com araucária primárias:

O Estado do Rio Grande do Sul apresentou razoável produção até os anos 1950-51, passando porém a registrar queda, cada vez mais acentuada, o que se justifica, uma vez que as reservas riograndenses, sendo menores, depois de sofrerem intensa exploração, acabaram por esgotar-se. Isto provocou a transferência de madeireiros com suas serrarias para os Estados de Santa Catarina e do Paraná, cujas reservas lhes pareciam intermináveis. Assim,

191 BARROS, op. cit. p.37. 192 Ibid. p.39.

enquanto a produção do Rio Grande do Sul caía, a dos outros Estados sulinos aumentava. Sabe-se que as regiões do centro-oeste catarinense e do sudoeste do Paraná foram invadidas nos anos seguintes pelos madeireiros provenientes do Rio Grande do Sul. Note-se que, em sua maioria, são descendentes dos imigrantes italianos localizados no final do século XIX no planalto do Rio Grande do Sul e que desde o começo da colonização eram serradores, passando esta atividade de pai para filho.193

Assim, não é de se estranhar que a madeira da araucária tenha representado tanto no Paraná quanto em Santa Catarina, durante vários anos, um dos principais produtos de exportação. No Paraná a madeira da araucária representou o segundo produto das exportações no período entre as guerras mundiais. Em Santa Catarina, as madeiras em geral representaram por muitos anos entre as décadas de 1930 e 1970 o principal produto de exportação da economia.194 Em nível nacional a araucária também representou por muito tempo (desde o início do século XX até a década de 1970) a principal madeira exportada pelo país, superando em muito outras madeiras, fazendo dessa floresta uma fonte de riqueza estratégica. No valor total das exportações do país, as madeiras (com a liderança absoluta da araucária) representavam apenas 0,57% em 1928, mas em 1946 saltaram para 4,4 %, ficando atrás apenas do café em grão e do algodão em rama.195 Assim se referiu nos anos 1960 o botânico alemão Kurt Hueck, que estudou todos os tipos florestais da América do Sul, analisando os dados de exportação de madeira pelo Brasil:

Em 1963 foram 1.224.000 m³. Deste total, 1.121.000 m³ foram de araucária, isto é, 92%. Nos outros anos a porcentagem da araucária no total exportado estava entre 85 e 90%. Estes números mostram a importância das matas de araucária do Sul do Brasil para a economia do país. Comparada a ela, a exportação de madeiras amazônicas é insignificante.196

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