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mouvements : un globule cheminant dans un capillaire, aboutissant à une

Dans le document L AGRÉGATION EN MÉDECINE. (Page 45-48)

Após algumas caminhadas em busca de portas e janelas que se abrissem para nossa pesquisa, voltamos ao ponto de partida para pensarmos sobre a turma que seria colaboradora, refletimos sobre nossa decisão inicial de pesquisar em uma turma do 5º ano, a dificuldade de encontrarmos a turma nos fez pensar na mudança do campo e procuramos uma amiga, professora da Rede Municipal do Recife que desenvolve anualmente projetos com literatura infanto juvenil afro-brasileira e que neste ano de 2018 tem realizado esse projeto desde o mês de fevereiro, falamos do nosso interesse e ela aceitou participar da pesquisa.

A justificativa para não termos à procurado antes, está relacionada ao fato da turma dessa professora ser de correção de fluxo do Programa Acelera Brasil, ou seja, uma turma

bem heterogênea e nosso foco era por uma turma do 5º ano pois consideramos a fase final do Ensino Fundamental I e buscávamos identificar as memórias e discursos dos/as estudantes sobre suas experiências étnico-raciais e com literaturas infanto juvenil afro-brasileira que tiveram contato na turma. Além disso, queríamos um olhar mais crítico das crianças com 10 anos de idade sobre as práticas pedagógicas com literatura infanto juvenil afro-brasileira e de suas experiências étnico-raciais na escola.

No entanto, quando refletirmos sobre a possibilidade da turma ser de um Programa de correção de fluxo e consequentemente heterogênea, consideramos que, a turma que essa professora estava naquele momento, os/as estudantes tinham idade mínima de 10 anos e nesse sentido poderia desenvolver a criticidade que buscávamos para a pesquisa. A professora aceitou imediatamente e disponibilizou o projeto criado para que a pesquisadora pudesse compreender como foi pensado o processo das práticas pedagógicas com literatura infantil juvenil afro-brasileira.

Foi disponibilizado o espaço escolar para a pesquisa e todas as atividades que foram guardadas e/ou expostas desenvolvidas pelos alunos desde fevereiro até o final do semestre 2018.2 para que a pesquisadora pudesse ampliar o olhar sobre as práticas desenvolvidas e assim, realizar a pesquisa. A turma colaboradora contou com 10 crianças, com idades diferentes, 1 com 10 anos, 2 com 11 anos, 5 com 12 anos, 1 com 13 anos e 1 com 14 anos. Dessa forma, alcançamos o desejo de realizar a pesquisa com crianças com idade igual, a esperada inicialmente e idade inclusive mais avançada. Os colaboradores da pesquisa foram 10 alunos/as e 1 professora.

Como já informamos anteriormente, o estudo foi desenvolvido em uma Escola Municipal da cidade do Recife. A escola campo de pesquisa está localizada na Zona Norte do Recife. A escola tem turmas da educação infantil (Grupo IV e V), Anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), Turmas do Projeto de Correção de Fluxo e Turmas da Educação de Jovens e Adultos, anos iniciais e finais do ensino fundamental. Nosso primeiro contato com a gestora, de acordo com nosso diário de campo, foi no dia 30 de agosto de 2018, nos apresentamos e apresentamos a pesquisa a partir da mediação da professora. A gestora aceitou a pesquisa, assinou e datou a Carta de Anuência.

Dando continuidade a construção do nosso campo de pesquisa “chão da escola”, nesta etapa e, de acordo com os objetivos geral e específicos, escolhemos essa escola com a qual fomos bem recebidas pela professora e toda a equipe. A cultura do lócus da pesquisa é de extrema importância para a aproximação da pesquisadora com o campo, principalmente, com

as crianças, e assim, iniciamos a observação participante do espaço físico da escola. A professora nos levou para conhecer todas as salas de aula, cozinha, sala dos/as professores/as, sala de coordenação e direção, biblioteca e almoxarifado, conhecemos os dois portões de acesso para a escola.

Observamos o momento da chegada dos/as estudantes no pátio da escola, circulamos no pátio e observamos as brincadeiras, o lanche que as crianças estavam comendo os grupos que se formavam, a forma como as pessoas “crianças x crianças e crianças x adultos se relacionavam” e, observamos o momento da saída dos/as estudantes.

Ainda nesse momento da pesquisa a professora sabendo da nossa chegada à escola separou materiais já trabalhados com os/as estudantes da turma do Acelera Brasil (textos, imagens, vídeos e produções dos/as estudantes), os livros didáticos, calendário anual, livros de literatura infanto-juvenil afro-brasileira, livros escritos pelos estudantes e falou sobre o projeto “Pérolas Negras conta suas histórias” que ela estava desenvolvendo desde o mês de fevereiro de 2018. Para nós pesquisadoras, uma verdadeira acolhida cheia de compromisso e afeto.

Nesta etapa da pesquisa, desenvolvemos com a mediação da professora a apresentação do nosso projeto de pesquisa para os/as responsáveis pelas crianças esse momento ocorreu nos corredores e portão da escola no momento que os/as responsáveis levavam ou buscavam as crianças na escola. Consideramos importante destacar que, antes de iniciarmos a observação das práticas pedagógicas na sala de aula, realizamos uma roda de diálogo para apresentação do projeto para as crianças. A pesquisadora falou sobre a pesquisa e respondeu algumas perguntas das crianças.

Algumas das crianças tinham autorização para ir e voltar sozinhas para escola, dessa forma, enviamos uma carta de apresentação da pesquisa e somente após leitura os/as responsáveis marcavam no lugar indicado de tinham interesse ou não e, só depois enviamos o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para ser assinado. Não recebemos nenhuma recusa referente a participação das crianças pelos/as responsáveis e nem posteriormente pelas crianças.

A observação das práticas pedagógicas com literaturas infantil juvenil afro-brasileira foi importante para o contato mais aproximado com as crianças colaboradoras da pesquisa. Nosso objetivo em relação a essas observações foi identificar como as crianças interagiam na sala de aula, como expressavam suas ideias acerca das práticas pedagógicas que estavam sendo desenvolvidas, como se relacionavam entre si e com a professora.

Assim, em relação a nossa entrada na sala de aula para a observação participante, conversamos antecipadamente com a professora para saber o perfil e rotina da turma, sobre a relação, afetividade e como geralmente reagem a mudanças na rotina escolar. Esse momento, consideramos importante, pois estar no campo realizando a observação com adultos exige um rigor metodológico.

Nesse sentido, a pesquisa com crianças é, e deve ser, ainda mais rigorosa teórico- metodologicamente, principalmente à questão do respeito ao espaço que é delas e compreensão de que a criança vive em mundo com níveis de realidade diferentes dos adultos, mas, que essas são autônomas e afetam e são afetadas pelo mundo do adulto.

Para além da sala de aula, participamos de três rodas de diálogos organizadas pela professora da pesquisa, a primeira intitulada “Roda de diálogo com os alunos escritores”, esse momento foi na sala de aula, das 10 crianças participantes da pesquisa 05 já eram escritoras e apresentaram seus textos e livro para os/as colegas.

Figura 5 - Roda de diálogo com os alunos escritores

Fonte: acervo da autora

Segunda roda de diálogo foi sobre a identidade negra a partir da discussão sobre o racismo contra o cabelo crespo “Roda de diálogo raízes: do preconceito à libertação”.

Figura 6 - Imagem da roda de diálogo raízes: do preconceito à libertação

Fonte: acervo da autora

A última roda foi com as escritoras negras “Pérolas Negras contam suas histórias”.

Figura 7 - Momento da roda de diálogo: “Pérolas Negras contam suas Histórias.

Figura 8 - Momento em que a professora Dandara apresenta as turmas para as escritoras

Fonte: acervo da autora

Outro momento dessa etapa que consideramos importante destacar é que, participamos das aulas campo junto com a turma. A primeira delas foi a visita ao Museu do Homem do Nordeste.

Figura 9 - As crianças ouvindo as orientações sobre a visita ao Museu do Homem do

Nordeste

Fonte: acervo da autora

Participamos ainda do Circuito dos Baobás e outro momento de muita emoção e novos achados da pesquisa foi o lançamento do livro das crianças colaboradoras da pesquisa no Centro de Formação Paulo Freire realizado pela Prefeitura da Cidade do Recife-PE.

Figura 10 - Turma do Acelera Brasil com as escritoras e organizadora do “Circuito dos Baobás”: Odailta Alves e Inaldete Pinheiro

Fonte: acervo da autora

Finalizamos a observação participante em uma vivência de culminância “Piquenique”entre a professora e as crianças, a pesquisadora foi convidada para participar, foi um momento muito emocionante e cheio de surpresas que mais na frente iremos compartilhar com todas e todos.

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