Chapitre 2 : LA CONSTRUCTION D’UNE NOUVELLE APPROCHE DU METIER
1. L’élaboration d’une méthodologie d’intervention du consultant
1.4 La mouvance de l’intervention : une construction méthodologique dans l’ajustement
Para a determinação da biodistribuição do antimônio em um sistema in vivo é necessária a utilização de métodos de determinação de antimônio em sistemas biológicos. A metodologia analítica descrita na literatura para a determinação de antimônio baseia-se, principalmente, nas técnicas físicas associadas ou hifenadas e em métodos volumétricos e/ou potenciométricos. As técnicas hifenadas permitem simultaneamente separar e quantificar as espécies de Sb(V), Sb(III) e organoantimoniais, diminuindo assim a introdução de erros provenientes da determinação indireta. Entre as técnicas hifenadas destacam-se a eletroforese capilar com espectrometria de massa com fonte de plasma acoplado indutivamente (CE-ICP-MS), cromatografia líquida de alta eficiência com espectrometria de fluorescência atômica com geração de hidretos (HPLC-HG-AFS) e a cromatografia líquida de alta eficiência com espectrometria de absorção atômica e geração de hidretos (HPLC-HG-AAS). Embora esses métodos sejam promissores, são inviáveis para o estudo de um grande número de amostras, são demorados e de elevado custo. Além disso, os métodos analíticos utilizados para determinação da concentração de antimônio em sistemas biológicos são complexos e de baixa sensibilidade (Rath et al., 2003).
Para melhorar as propriedades físico-químicas dos lipossomas é imperativo conhecer a concentração do fármaco encapsulada. Como o antimoniato de meglumina é um composto obtido sinteticamente a partir do ácido antimônico e da N-metilglucamina, uma mistura complexa de polímeros de carboidratos-antimônio, uma metodologia precisa para determinar a quantidade de antimônio se faz necessária. Vários métodos espectrométricos têm sido utilizados para a determinação de antimônio. A maioria destes é caracterizada por elevada eficiência, reduzido volume de amostra, baixo consumo de reagente e maior tolerância das interferências. No entanto, todos estes métodos apresentam elevado custo, exigência de pessoal treinado e não são aplicáveis para a detecção rápida de analito (Rath et al., 2003).
A espectrofotometria é uma técnica simples, rápida e versátil para a determinação de substâncias. Reagentes como, leucocristal de violeta (Tiwari et al., 2006) e vermelho de bromopirogalol (Rath et al., 1997) foram relatados para a determinação de
quantidades traço de antimônio. Os métodos são sensíveis, mas têm baixa seletividade, reprodutibilidade e são aplicáveis apenas a amostras específicas (Tiwari et al., 2006).
Muitos métodos permitem apenas a determinação do elemento em um dos estados de oxidação, sendo outros determinados indiretamente. Embora esses métodos sejam promissores para a especiação de antimônio, eles não são viáveis para aplicação no controle de qualidade dos medicamentos, visando a determinação do teor de Sb(V) e possíveis contaminantes tóxicos, sendo necessários métodos simples, baratos e com aplicação em larga escala.
A determinação de antimônio pentavalente no estibogluconato de sódio (Pentostam), segundo a monografia contida na Farmacopéia Britânica, é realizada mediante titulação potenciométrica do antimônio com sulfato ferroso amoniacal. No entanto, essa metodologia, além de ser lenta, carece de precisão (Rath et al., 2003). A farmacopéia brasileira recomenda a análise por meio de espectrofotometria de absorção atômica com geração de hidretos, sistema em batelada.
A Análise por Ativação Neutrônica Instrumental (AAN) é amplamente conhecida por sua sensibilidade para detecção e determinação de um grande número de elementos químicos. Este método consiste basicamente da produção de radionuclídeos artificiais a partir de elementos estáveis por meio da irradiação com um fluxo de nêutrons e medida das radiações emitidas pelos radionuclídeos formados. A reação nuclear (FIG. 07) mais comum utilizada em AAN é a reação de captura de nêutrons térmicos, ou a reação tipo (n, γ), por ativação nuclear (1):
X
)
,
n
(
X
A Z1 A Zγ
+Onde: X = elemento químico
Z = número atômico do elemento A = número de massa do elemento
O núcleo produto é radioativo e decai, em geral, pela emissão de partículas β- e pela emissão de radiação gama, formando por fim um núcleo estável. Por meio da energia da radiação gama de decaimento e da respectiva meia-vida, o radioisótopo formado (núcleo produto) na reação nuclear pode ser identificado, permitindo assim realizar análises qualitativas e quantitativas do elemento contido na amostra.
FIGURA 07 – Representação esquemática da interação do nêutron com um núcleo alvo, reação tipo (n, γ).
A AAN apresenta boa sensibilidade e seletividade para medir o antimônio em níveis traços e, apresenta a vantagem de ser independente da matriz de amostra e do processo de digestão ou extração. Além disso, na disponibilidade de um reator nuclear, esta análise se torna mais fácil, rápida e com custo reduzido comparado a um método analítico convencional (Osso et al., 2009). Dorea e colaboradores (1987) determinaram antimônio em amostras de cabelo de indivíduos portadores de Leishmaniose e tratados com antimoniato de meglumina por AAN. Posteriormente, o mesmo grupo (1990) estudou a retenção de antimônio na pele de indivíduos com Leishmaniose e tratados com antimoniato de meglumina utilizando a AAN.
Este método apresenta vantagens em relação aos métodos químicos de análise por eliminar o ataque químico às amostras, pela ausência de branco analítico, independência em relação à forma química dos elementos, necessidade de pequena quantidade de amostra, além da precisão, exatidão e sensibilidade, permitindo a determinação dos elementos em concentrações da ordem de parte por bilhão (ppb) até porcentagens do elemento na amostra. Uma desvantagem desta metodologia é a impossibilidade de realizar a especiação de antimônio, uma vez que somente é avaliada a relação de antimônio total na amostra. Dentre os diversos materiais que podem ser analisados utilizando a AAN, seguem alguns exemplos: amostras geológicas: solos, rochas, carvão, minérios, concentrados minerais, plásticos, resinas e outros produtos industriais, catalisadores, petróleo, amostras arqueológicas, metais e ligas: aços, silício metálico, ligas nióbio-tântalo, amostras agropecuárias: pêlos de animais, solos, subprodutos agro- industriais, tecidos animais e humanos, cabelos, ossos, unhas, plantas e vegetais, alimentos e dietas, amostras ambientais (IPEN, 2010). Apenas alguns materiais compostos por
radioisótopos com tempo de meia vida física muito curta não são possíveis de ser quantificados pela AAN.
O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), órgão da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), apresenta destacada atuação em vários setores da atividade nuclear entre elas, nas aplicações das radiações e radioisótopos, em reatores nucleares, em materiais e no ciclo do combustível, em radioproteção e dosimetria, cujos resultados vêm proporcionando avanços significativos no domínio de tecnologias, na produção de materiais e na prestação de serviços de valor econômico e estratégico para o país, possibilitando estender os benefícios da energia nuclear a segmentos maiores da população (IPEN, 2010).
Além disso, o IPEN-CNEN/SP, possui um reator nuclear de pesquisa, que hoje opera em 3,5 MW por 64 horas continuamente, que permite a produção de radioisótopos utilizados na produção de radiofármacos e na pesquisa, o que cumpre com as necessidades fundamentais para a realização da metodologia (Osso et al., 2009).