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Partie II. Ajustement des propriétés des suspensions via leur composition

I. Comment modifier la viscosité ?

São considerados estudos paradigmáticos aqueles que contemplam uma constelação de crenças, valores e técnicas partilhadas pelos membros de uma comunidade científica, cumprindo as instâncias e operações metodológicas colocadas por este. Avançam nas instâncias teórica e epistemológica, frequentemente, desconsideradas na produção do conhecimento do Turismo.

Os componentes paradigmáticos para a construção de um campo científico caracterizam-se por instâncias metodológicas e suas correspondentes operações, sendo formado pelas instâncias técnica, metódica, teórica e epistemológica, segundo Bruyne (1977).

O modelo metodológico de um campo paradigmático, ou, de uma disciplina, tem o objetivo de construção metodológica que fundamenta a separação entre o conhecimento científico e o conhecimento do senso comum; de natureza processual, baseia-se em dois momentos fundamentais – a construção e reconstrução do objeto e do corpo de conhecimento de uma disciplina. Isso implica no movimento constante de validação diante as mudanças demandas pelo objeto, colocando em xeque as “verdades” concebidas, pela prática.

A construção metodológica dos estudos paradigmáticos do Turismo vai além da metodologia empírica.

As pesquisas de abordagem empírica e pré-paradigmática, respectivamente, se limitavam a construção dos dados por meio da observação, seleção, operacionalização da realidade posta e, a utilização de quadros de análise para a exposição e causação do objeto turístico, inadequados para a apreensão da complexidade do Turismo como fenômeno sociocultural. Os autores que se inscrevem na abordagem paradigmática, Moesch (1998) sob a concepção do método da complexidade e numa perspectiva interdisciplinar do objeto, e Nacher (2006) sob a concepção do método hipotético-dedutivo e numa concepção do objeto

sob a "hibridização", trabalham com a formulação teórica do objeto e a sua explicação conceitual que conduz a construção do Turismo como objeto científico.

No processo adequado do modelo metodológico, as etapas são ordenadas e interelacionadas; tendo, em primeiro lugar, a instância epistemológica que necessita romper com a concepção teórico-metodológica explicativa acerca do objeto, favorecendo assim, a construção do objeto científico pelo movimento de construção e reconstrução contínua, em segundo lugar a formulação teórica e conceitual, guiadas pelos quadros de referências teóricos, e em terceiro e quarto lugar; as instâncias metódicas e técnicas construídas pela exposição, causação e, por fim, a observação, seleção e operacionalização.

Observa-se nas análises feitas sobre a produção do conhecimento do Turismo a inversão desta ordem, preocupados apenas com a construção dos dados, e no máximo, com a utilização de quadros de análises, muitas vezes inadequados ao objeto de estudo. O movimento de construção metodológica do Turismo como campo do conhecimento não chega a configurar-se como processo científico, mas sim, como algo dado, ou seja, natural. As teorias do Turismo, fragmentada, ahistórica e especializada, focada na definição “indústria e atividade econômica” prejudica a construção teórica e metodológica como um todo, frente sua importância na reflexão critica a respeito da natureza teórica do conhecimento. A ruptura epistemológica necessária ao Turismo, no caso, tem o potencial de mudar a realidade dessa produção e contribuir para adoção de uma postura reflexiva quanto à concepção mercadológica.

Os equívocos presentes nas tentativas de construções teórico-metodológicas do Turismo, entretanto, podem ser atribuídos, em parte, a validação dada à concepção positivista do saber científico. O norteamento, a partir do modelo racionalista dominante, pauta as investigações por princípios epistemológicos e regras metodológicas pretensamente universais, ou seja – independente do objeto de estudo existem critérios de cientificidade a serem seguidos, assim como um método único: o hipotético-dedutivo.

A parte que cabe ao método hipotético-dedutivo se justifica por sua limitação como modo de investigação das ciências sociais, não alcançando questões centrais para a compreensão dos fenômenos sociais; resume o processo de investigação a um caminho a ser seguido preestabelecidamente, foca na explicação de questões levantadas por fatos empíricos da experiência imediata e controla os resultados como fundamento básico para validade das hipóteses trabalhadas.

Em comparação, o método dialético requer uma postura crítica a respeito dos procedimentos e do objeto estudado, assim como do seu contexto; enquanto, o hipotético- dedutivo envolvem deduções rigorosas, comprovação por meio da verificação observável, generalizações baseadas no controle empírico para garantir a objetivação da problemática

científica, porém, dessa maneira, também promove reduções, limitações e extrapolações do objeto.

Forjado no seio das ciências naturais, com a intenção de objetivar os fenômenos sociais ocasionam problemas de variadas ordens quando se atribui para os fatos físicos, biológicos e sociais a mesma natureza material e, consequentemente, os mesmos critérios e concepções de investigação.

A separação entre o caráter objetivo e subjetivo, a falta de comprovação de hipóteses metodologicamente controladas, a dificuldade em produzir leis universais, assim como, previsões confiáveis acerca do objeto e a impossibilidade de anulação do sujeito frente o objeto de estudo formam o conjunto de problemas colocados pelas ciências sociais em busca do seu desenvolvimento.

O domínio do caráter objetivo ocorre pela dificuldade em adequar, ou mesmo criar um método próprio que apreenda as especificidades dos fenômenos sociais, desconsiderando a subjetividade inerente aos fenômenos sociais – significações, intencionalidades, finalidades e valores. Conforme as experiências acumuladas pelas ciências naturais atribuem ao caráter subjetivo propriedades de objeto físico, dando objetividade à análise dos fenômenos humanos e, por isso, objetiva-o, mesmo deixando de lado o essencial.

Na área em discussão, a separação entre objetividade e subjetividade privilegiou os aspectos materiais ou perceptíveis, focando no que primeiro lhes ocorre: os números gerados, o perfil dos turistas, a gestão e os impactos ocasionados. A teorização empírica destaca a explicação causa e efeito na prática, desconsiderado o caráter subjetivo inerente ao Turismo, empobrecendo suas análises e formulações desligadas do real.

As teorias explicativas não esgotam as possibilidades de interação do fenômeno, ou ainda, não existem maneiras de controlá-lo a partir de métodos, por isso, faltam meios de comprovação de hipóteses metodologicamente controladas. Da mesma maneira, não tem como estabelecer leis universais para fenômenos que são condicionados pela história e cultura, ou seja, variam de acordo com o contexto em que ocorrem, influenciando ou sendo influenciado.

Quando se trata de um fenômeno sociocultural como o Turismo, ambas as limitações, provocam distorções variadas, passando por tentativas de comprovação irrefutável de hipóteses insustentáveis, como por exemplo, a homogeneização das culturas locais devido exclusivamente à prática turística; até as tentativas de padronização da gestão de empreendimentos ou territórios pautados em estudo de casos bem sucedidos.

Outro ponto polêmico é a necessidade de prever situações ou cenários que de alguma maneira assegure intervenções do pesquisador, porém, ao contrário dos objetos materiais, a natureza humana não permite a previsão de ações devido à modificação comportamental. No caso do Turismo, são inúmeras as investigações acerca do turista que tentam apreender

e esgotar seu perfil socioeconômico prevendo um comportamento futuro de consumo, apesar de importante para o desenvolvimento do Turismo, não justifica a redução em seu tratamento, entendido como um fazer-saber.

Em relação à impossibilidade de separação do sujeito pesquisador do objeto pesquisado, condiciona todo o trabalho de pesquisa em relação à objetividade pretendida pelo paradigma dominante, pois, ao observar ele não se encontra livre dos valores sociais que lhe guiam, assim como o objeto. Dessa maneira, a relação sujeito/objeto nas análises dos fenômenos sociais não deve desconsiderar a subjetividade inerente, presente tanto no objeto quanto no sujeito pesquisador, configurando-se como um risco aos estudos.

Considerando a problemática dos critérios de cientificidade aplicados aos estudos dos fenômenos sociais, somados aos demais limites da concepção racionalista positivista, condicionam a uma apreensão reduzida e limitada do Turismo como fenômeno sociocultural, como exemplo, as tentativas de construção de uma base teórica que não alcançam aspectos essenciais de ordem imaterial, porém elementar à sua compreensão.

Diante a fragilidade teórica dos estudos, o necessário aporte teórico-metodológico requer uma ruptura epistemológica que avance na construção de conteúdos, bem como dos critérios que permitam autoavaliação e a constante evolução do saber científico. Entretanto, não existe uma preocupação com a ausência notada, nos estudos analisados, de uma condição normativa interna que oriente a análise a partir de formulações de conteúdos e critérios ao longo do seu estabelecimento científico.

A instância epistemológica, além de desempenhar o papel de vigilância em torno do conhecimento, tem a função de delimitação do fenômeno, conferindo a desejada “objetividade” científica ou – a construção do objeto científico. As duas funções, seja para estabelecer condições de objetividade cientifica ou para refletir internamente em torno dos seus resultados e procedimentos, destacam a importância da ciência como um processo e não como um produto, logo o caráter provisório dos seus resultados.

Pensando na transitoriedade epistemológica e nela como suporte para o progresso teórico- metodológico, a qualidade da produção do conhecimento acerca do Turismo incide diretamente na continuidade do processo de consolidação, devido ao papel da teoria no progresso científico.

O movimento iniciado pelo poló epistemológico conduz ao aporte teórico com formulações teóricas e conceituais, configurando um quadro de referências comum ao objeto em questão. No Turismo, o quadro teórico configura-se como um conjunto de variados campos, norteados por concepções reduzidas e limitantes, elaboram formulações em torno do objetivo, com conceitos equivocados e inexatos do Turismo como fenômeno sociocultural complexo.

Como exemplo, as apropriações da sustentabilidade como forma de preservação e destruição da natureza no Turismo, ao incorporar conceitos sem a devida apreensão resultam em estudos que replicam os ideais sustentáveis como maneira de potencializar os benefícios e mitigar os malefícios da atividade turística nas localidades. No entanto, apesar dos louváveis esforços para responder aos apelos ambientais, continuam reforçando a fragilidade teórica da área quando se limitam a adoção de princípios da sustentabilidade como garantia para a solução dos problemas ocasionados pela exploração da atividade turística.

A construção teórica calcada no “fato turístico” se confunde com a ideia da simples transposição da realidade, direta e mecânica, para a abstração do pensamento e, da mesma maneira, refletindo em teorias elaboradas com pretensão de desvelar a verdade totalitária acerca do fenômeno, no entanto, revela sempre uma realidade limitada e parcial. Sobre a influência da compreensão do Turismo, Moesch (1998) coloca que, “hoje só como ciência humana poderá entender-se em sua complexidade humanizante, portanto histórica e dinâmica. O que equivale a dizer que, nela, o ser humano é simultaneamente sujeito e objeto de conhecimento” (MOESCH, 1998, p.337).

Como proposta de aporte teórico, Moesch (1998), defende a utilização de categorias analíticas além das usadas frequentemente na literatura da área: Tempo, Espaço e Volume. São baseadas em análises empíricas da realidade, onde o aparente constitui a estrutura do objeto, ou seja, o tráfego de turistas, o produto turístico e os valores financeiros envolvidos reduzem a percepção do todo complexo do Turismo como fenômeno.

A autora defende a transposição dos aspectos objetivos do Turismo como objeto de estudo, religando a subjetividade com a objetividade, avançando na construção de novas categorias de análises e, dessa maneira, colaborando com a construção de uma epistemologia do Turismo. As categorias contrapõem o isolamento disciplinar cartesiano valendo-se da análise dialético-histórico-estrutural (DHE), sem reduzir uma ciência à outra defende a compreensão do fenômeno por meio das categorias Tempo, Espaço, Diversão, Economia, Tecnologia, Imaginário, Comunicação, Diversão e Ideologia, Sujeito e Pós-modernidade. Discorre acerca de cada uma das categorias analíticas, ressignificando algumas devido à necessidade de mudança na abordagem epistemológica da área: volume (economia), tecnologia, tempo e espaço; e esclarecendo as contribuições das novas propostas, a partir das construções teóricas interdisciplinares de Morin e Maffessoli: sujeito, diversão, ideologia, imaginário, comunicação e pós-modernidade. Argumenta ainda, que as partes não podem ser compreendidas separadamente, somente quando integradas ao todo como um conjunto. Diferentemente da visão disciplinar normatizada, com a soma das partes resultando em um todo, a análise por categorias prescinde de uma articulação interna entre as partes e as múltiplas relações do fenômeno estudado, ampliando e permitindo uma nova concepção

interdisciplinar do objeto de estudo. Da mesma maneira, em complementaridade, a utilização da dialética como metodologia, garante a captação do movimento concreto, natural e sócio-histórico com o movimento subjetivo, religando-os, e aumentando o escopo de estudo do fenômeno.

Frente ao mesmo problema teórico do Turismo, análises disciplinarizantes com a justificativa de apreender a sua complexidade, Nacher (2004), apresenta sua proposta sob a concepção teórico-metodológica da hibridização em que defende a recombinação do saber em novos campos especializados, buscando reconhecer um sentido e significados novos para as relações dinâmicas de objetos emergentes.

Baseado na difícil tarefa de fazer convergir temas e abordagens divergentes e/ou diferentes, às vezes, até dentro de um mesmo campo do conhecimento, a hibridização propõe o abandono da ideia do esforço interdisciplinar, pois suas possibilidades são limitadas devido às dificuldades que ficam maiores, quando se percebem que as fronteiras disciplinares não são nítidas, cada vez mais se confunde entre uma e outra disciplina.

Em sua tese, Nacher (2004), acredita em espaços inexplorados pelas disciplinas tradicionais, principalmente diante da complexidade atual que envolve os temas investigados, devido à ausência de vínculos com outras disciplinas e a rigidez disciplinaria estagnadora. Propõe o estabelecimento de pontes entre disciplinas e entre as especialidades, aproveitando as lacunas existentes em ambas para elaborar as novas interpretações, teorias, metodologias e, consequentemente, avanços científicos.

Em seu argumento a existência nas ciências sociais de dez a quinze disciplinas acadêmicas e centenas de especialidades, setores, campos, subcampos e nichos favorecem o alcance dos espaços vazios a partir da interação entre especialidades e campos de investigação por meio do processo hibridização do saber que se vale do empréstimo de conceitos, métodos e teorias entre os envolvidos.

Devido à dificuldade da interdisciplinaridade em adaptar conhecimentos de variados campos e a limitação de algumas disciplinas, o autor coloca que ao buscar formular novas perspectivas, a hibridização se mostra como caminho favorável para o desenvolvimento de ideias procedentes de outras especialidades ou disciplinas que remetem a algo comum, desconsiderando as fronteiras que se opõe.

Para Nacher (2004), a operacionalização da hibridização ocorre por meio da especialização que permite o empréstimo de conceitos pela fluidez e tamanho dessas frente às disciplinas institucionalizadas, arraigadas nas estruturas das universidades. O movimento ocasionado pela especialização fundamenta a hibridização devido ao amadurecimento que leva a fragmentação do conhecimento como processo resultante do acúmulo de saber, próprio das disciplinas, tornando-se subcampos e/ou passando a integrar outras disciplinas acadêmicas.

Para ele, a maioria dos especialistas não se assenta no núcleo das disciplinas, mas sim em anéis exteriores em contato com outros especialistas, como exemplo, argumenta que um sociólogo especializado em urbanização tem mais em comum com um geógrafo que estuda o planejamento das cidades do que com outro sociólogo que investiga a formação das elites. E decreta ainda, que os campos que não interatuam fora das suas disciplinas estagnam-se, e somente a troca abre perspectivas e possibilidades de desenvolvimento. A vantagem da hibridização encontra-se justamente no intercâmbio e na reelaboração de significados dos conceitos emprestados em um novo contexto, sem limitar-se a uma questão semântica. Trata-se de uma recombinação que dá sentidos e significados novos as relações dinâmicas dos chamados objetos emergentes nas ciências, possibilitando a fertilização de ideias.

Segundo o autor, a história das ciências contemporâneas aponta para a especialização híbrida como caminho inevitável para o progresso científico, ao invés da interdisciplinaridade, no entanto, ele informa que as publicações voltadas para a hibridização do saber são de circulação restrita e dedicadas a subcampos altamente especializados que se conectam com as disciplinas das ciências sócias clássicas.

Ressalta-se que o presente estudo se baseia na perspectiva epistemológica de Moesch (2004) por acreditar na interdisciplinaridade como caminho fundamental para o estudo do fenômeno do Turismo, apesar do desafio que representa tal escolha no trato científico, e ainda, por constatar que mesmo com o desenvolvimento de variadas especializações em uma considerável parcela de trabalhos dessa área, o conhecimento do turismo não tem conseguindo avançar e nem construir uma base teórica sólida, e consequentemente, epistemológica, indispensável para a consolidação do Turismo como campo das ciências.