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Modifications post-traductionnelles des histones 64!

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1. Avant-Propos 7 !

2.3. Nucléosome et transcription 56 !

2.3.2. Remodelage de la chromatine 57!

2.3.2.5. Modifications post-traductionnelles des histones 64!

O Museu de Etnografia e História do Douro Litoral,78 instituído em 1945 pela Junta de

Província do Douro Litoral, no palácio de S. João Novo no Porto, manteve-se em atividade até 1959, data em que foi reformulado devido à extinção das autarquias provinciais. Presidido por Augusto César Pires de Lima, contou com a Comissão de Etnografia e História79 para o levantamento e estudo da província, com o boletim Douro Litoral e uma

linha editorial como espaços de debate e divulgação das suas atividades e de mobilização de uma comunidade de leitores em torno dos interesses provinciais. Apesar da curta duração, reuniu uma vasta coleção de artefactos etnográficos, fragmentos arqueológicos e documentos históricos, criou uma biblioteca especializada em etnografia, fomentou o estudo do seu fundo arqueológico, histórico e etnográfico, promoveu a realização de conferências e “sessões culturais”, reformulou e patrocinou grupos performativos como o coro Pequenas Cantoras do Postigo do Sol e o Rancho do Douro Litoral, e criou o primeiro arquivo musical português com documentação escrita e sonora.

Esta ação articulada só foi possível graças à militância no projeto do Museu de um conjunto de figuras (Pires de Lima, Fernando Magalhães e Meneses, Pedro Vitorino, Armando Leça, Armando Matos, António dos Santos Graça, juntando-se de seguida o conde de Aurora, Luís Pina e Joaquim Rodrigues dos Santos Júnior e mais tarde Bertino Daciano Guimarães, Vergílio Pereira, Rebelo Bonito, e o antropólogo Jorge Dias, entre tantos outros), herdeiras de uma dinâmica associativa artística, literária e intelectual, gerada na cidade do Porto nas últimas décadas do século XIX, que conduziu à criação de diversas instituições de cariz predominantemente científico-técnico, como refere o sociólogo Augusto Santos Silva, numa clara adesão ao espírito de progresso (positivismo) e a uma “doutrinação pela ciência” (Silva 1997, 148-154).

O modelo de cultura proposto no Museu teve uma base territorial e foi equacionado segundo as coordenadas espacial (área administrativa da província do Douro Litoral) e temporal (ancestralidade ligada à suposta etnogénese nacional, representada na frase “aqui nasceu Portugal!”80). De facto, a sustentação de uma cultura portuguesa comum foi uma plataforma,

uma base consensual sobre a qual se teceram em simultâneo diferenças e especificidades de uma outra cultura que, neste caso, correspondeu à identidade provincial. Aliás, as ações desenvolvidas pela Comissão de Etnografia e História e Museu de Etnografia e História deram resposta a solicitações superiores emanadas através do Código Administrativo de 1936 e,

78 Para um conhecimento mais detalhado desta instituição, consultar o artigo “O Museu de Etnografia e História do Douro Litoral : etnografia e museologia na construção do Douro Litoral” (Pestana 2009).

79 Uma das onze comissões criadas pela Junta de Província do Douro Litoral. A Comissão de Etnografia e História, uma instituição sem paralelo nas outras autarquias provinciais, foi consagrada ao domínio da cultura. Cabia-lhe o cumprimento dos artigos 258 e 260 do Código Administrativo: “No uso das atribuições de cultura, pertence às juntas de província deliberar: 1º. Sobre a criação e manutenção de museus de arte regional e arquivos provinciais; 2º Sobre a recolha inventariação e publicação das tradições populares regionais e mais folclore da província; 3º Sobre o inventário das relíquias arqueológicas e históricas, dos monumentos artísticos e das belezas naturais existentes na província; 4º Sobre a conservação e divulgação dos trajes e costumes regionais; 5º Sobre o auxílio a conceder a associações ou institutos culturais da província; 6º Sobre o estudo das formas dialectais existentes na província ou em parte dela” (Diário do Governo 1936, 1801). 80 Expressão retirada de Matos, Armando (1940) Exposição Etnográfica do Douro Litoral e II Feira das Colheitas. Livro Oficial. Porto: Hernâni Carregal.

nessa medida, podem considerar-se devedoras às políticas culturais do Estado Novo. Mas, como discuti e documentei noutro lugar, tal não invalidou que as ações desenvolvidas em vez de reforçarem uma visão hegemónica da cultura, servissem de meios de desenvolvimento de exercícios de autonomia (cf. Pestana 2008). Apesar de a delimitação territorial do Douro Litoral ser uma medida administrativa (decorrente do referido Código de 1936), isso não impediu todo um processo de construção e vivência (ao longo do percurso expositivo do museu ou das performances musicais que aí se realizaram) de uma narrativa da suposta linhagem duriense. A Comissão e o Museu estabeleceram laços com a comunidade científica peninsular e da América do sul.

Logo após a abertura ao público, em 1945, o Museu integrou a Comissão de Etnografia e História e acionou a estratégia cultural e política designada “plano artístico e científico”. Aliás, a articulação entre estes dois organismos – Museu e Comissão - esteve desde a primeira hora assegurada por um mesmo diretor: Augusto César Pires de Lima. A concepção e implementação do “plano artístico e científico”, apesar de estar correlacionada com a ação de Bertino Daciano (que dera já início à coleção de espólios de músicos que tinham desenvolvido atividade na cidade do Porto), só foi possível graças à admissão de três novos membros, em 1947: o antropólogo Jorge Dias, recentemente chegado de Munique, o professor de ensino primário e regente de coros Vergílio Pereira e o engenheiro Rebelo Bonito.

O Museu permitiu levar a cabo um dos desígnios da Comissão expresso desde as primeiras reuniões: a organização de uma biblioteca81 especializada em etnografia que reuniria, entre outros, “[...] todos os trabalhos relativos aos concelhos da Província (monografias, recolhas etnográficas, etc.” (JPDL-R s.d. [1938], 125). A Biblioteca foi instalada numa das salas do Museu e recebeu dotações orçamentais específicas para a aquisição de livros. Ao mesmo tempo, junto de particulares os seus mentores apelaram à doação de exemplares. Em 1947, foramestabelecidas relações com especialistas estrangeiros, com o objetivo de trazer para a biblioteca, por meio de permuta, diversas publicações no âmbito da etnografia e etnologia (JPDL em 1947 [s.d.], 100). A Biblioteca reuniu um conjunto de publicações estrangeiras especializadas em musicologia e etnologia (sobretudo da Europa e América Latina), que integrou referências como o Zeitschrift für Ethnologie, a Técnica de investigação folclórica (experiencias del Paraguay), a Revista de Estudios Musicales (Argentina), ou os Archives d’études orientales, entre muitas outras. Constituiu, assim, uma base documental essencial a um centro de pesquisa em etnografia e em música. Estas monografias e periódicos da especialidade serviram de fundamentação teórica e metodológica para os trabalhos aqui desenvolvidos (substituindo a inexistência de uma escola).

O arquivo musical foi instalado nas dependências desta biblioteca.

O arquivo musical do Museu de Etnografia e História: um centro

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