3.4 Dispositif optique
3.4.4 Modification du modèle optique pour des gouttes rapides
Ao descrever o que é uma vogal, Cagliari (2007, p.51) afirma que:
As vogais se distinguem das consoantes pelo fato de terem uma qualidade acústica específica, pelo modo como são articuladas e pela maneira como participam na forma da sílaba. [...] as vogais são produzidas com uma aproximação dos articuladores de modo que o estreitamento do canal fonatório bucal não produza fricção local.
À descrição apresentada pelo autor, adicionam-se as contribuições de Crystal (1984, p. 269), em seu Dicionário de lingüística e fonética, em que as vogais são definidas da seguinte forma:
Foneticamente, são os sons articulados sem um fechamento completo da boca ou um grau de estreitamento que produza uma FRICÇÃO observável, o ar flui de maneira regular pelo centro da língua. Se o ar passar apenas pela boca, as vogais são orais, se o ar passar pela boca e também pelo nariz, as vogais são nasais. [...] do ponto de vista fonológico, as vogais são as unidades que funcionam no CENTRO das sílabas.
Câmara Jr. (1979 [1970], p 42-43) afirma que há, no PB, 7 fonemas vocálicos, que podem ser multiplicados em muitos alofones, de acordo com sua realização fonética.
(3.1)
arredondadas Não arredondadas
Altas // //
Médias // // 2º grau
Médias // // 1º grau
baixa /а/
posterior central anterior
Fonte: Câmara Jr. (1979 [1970], p 43)
O quadro em (3.1) corresponde ao triângulo das vogais, proposto por Câmara Jr. (1979[1970]), em posição tônica. Porém, é importante ressaltar que, quando a vogal se encontra nas posições pretônica e átona final, as oposições propostas pelo triângulo acima não se realizam plenamente, uma vez que há neutralização de algumas das oposições existentes na posição tônica.
Massini-Cagliari e Cagliari (2004, p. 129) expõem didaticamente esses fonemas vocálicos, quando demonstram como as vogais podem ser encontradas na posição tônica no PB: “[] – abacaxi; [] – beleza; [] – belo; [а] – batata; [] – bola; [] – bolo; [] – urubu.”. Nessa mesma linha de raciocínio, mas enfatizando a variação na realização fonética, Assis (2007, p.70) utiliza-se da seguinte exemplificação: “saco [‘а], seco [‘], seco [‘], soco [‘],
soco [‘s], silo [‘], suco [‘]”. Isso significa dizer que, no contexto da sílaba tônica, os sons vocálicos estão em oposição. Porém, se a sílaba tônica for seguida de uma consoante nasal, desaparece a oposição entre as vogais médias de 1º e 2º graus, ocorrendo apenas as médias de 2º grau, como nas palavras renda [], conto[], lenda [], ponto [] - fato esse ilustrado por Câmara Jr. (1979[1970], p. 43), como exemplificado a seguir:
(3.2) altas // // Médias // // 2º grau baixa /а/ []
posterior central anterior
Fonte: Câmara Jr. (1979 [1970], p 43)
Conforme Câmara Jr. (1979[1970], p.43), nas vogais médias, antes da vogal tônica em posição pretônica, desaparece a oposição entre o 1º e o 2º grau, ocorrendo apenas 5 vogais com função distintiva, como pode ser observado no exemplo a seguir:
(3.3)
belo [] - beleza [e]; bola [] – embolar [o] (3.4)
Altas // //
Médias // // 2º
grau
Baixa /а/
posterior central anterior
De acordo com Battisti e Vieira (2005 [1996], p. 173), o que pode ser constatado na posição pretônica é que, além da neutralização das vogais médias de 1º e 2º graus; a vogal média pretônica passa a assumir traços de um segmento vizinho como nas variantes citadas pelas autoras: p[]pino ~ p[]pino, c[]ruja ~ c[]ruja.
Câmara Jr. (1979[1970], p. 44) enfatiza que, em posição postônica não final, a neutralização ocorre entre as vogais posteriores // e //. Para tal caso, tomemos os exemplos de Battisti e Vieira (2005[1996], p. 173): com[]do,
abób[]ra por cômodo e abóbora.
(3.5)
altas // //
Médias ___ // 2º
grau
baixa /а/
posterior central anterior
Vogais do PB em posição postônica dos proparoxítonos ou penúltimas átonas. Fonte: Câmara Jr. (1979 [1970], p 43)
Cabe ressaltar que, embora Câmara Jr. (1979[1970], p 44) enfatize a neutralização entre as vogais posteriores /o/ e /u/, existem variedades do PB em que a vogal /o/ nessa posição não incide na ocorrência deste fenômeno. Nesse caso, citemos duas variedades, o dialeto de São Caetano do Sul28, interior de São Paulo, em palavras como pérola – per[o]la, pérgola – pérg[o]la e abóbora – abób[o]ra. As mesmas palavras pronunciadas por falantes de São Luís – Maranhão, realizam-se pérola – per[o]la, pérgola – pérg[o]la, variando com pérg[u]la e abóbora – abób[u]ra. Dessa forma, cabe uma reflexão acerca da possibilidade de variação lingüística, lembrando que falantes de uma mesma língua podem produzir formatos fonéticos distintos, de acordo com sua variedade, uma vez que podem manipular os formatos fonéticos de seus enunciados a partir de seu conhecimento fonológico.
Em posição postônica final, ocorrem apenas três vogais em oposição no PB, uma vez que há neutralização entre as médias e as altas, em consonância com as altas que, ao lado de /а/, ocorrem em posição átona final.
(3.6)
film[], ded[], com[], pat[], bic[], tet[] bic[a] x bic[]
mat[] x mat[] x mat[a] (3.7)
altas // //
baixa /а/
posterior central anterior
Vogais átonas finais, diante ou não de s - Fonte: Câmara Jr. (1979[1970], p 43)
Batisti e Vieira (2005 [1996], p. 174) afirmam que:
Nas sílabas átonas finais, as de maior grau de atonicidade, as vogais, seguidas ou não de //, ficam reduzidas a três, ocorrendo a neutralização entre as médias e as altas. Ex: mat[], mat[], mat[]. Nesse caso, o traço que distingue // e // de um lado, e // e // de outro, em termos de média versus alta, é neutralizado.
Outra questão levantada por Câmara Jr. (1979[1970], p.46) diz respeito às vogais nasais. De acordo com o autor, “a língua portuguesa se caracteriza, entre as línguas românicas, por uma emissão nasal das vogais muitas vezes”.
O autor cita que uma nasalidade como de junta oposto a juta, cinto oposto a cito e lenda oposto a leda não pode se confundir com a pronúncia levemente nasal da primeira vogal de amo/cimo/uma/tema, em que, segundo ele, o falante tende a antecipar o abaixamento do véu palatino, necessário à
emissão da consoante na sílaba seguinte, e emite já nasalada a vogal precedente (CAMARA Jr., 1979[1970], p. 47) não havendo, desta forma, oposição entre a vogal sem qualquer nasalação e a vogal nasalada.
O autor destaca a leve “nasalização” de uma vogal em contato com a consoante nasal da sílaba seguinte de um mesmo vocábulo, enfatizando que, no Português Brasileiro, o quadro das vogais tônicas sofre redução, inclusive na posição tônica. Desta forma, afirma que:
nessa posição as vogais portuguesas, no Brasil, sofrem uma redução, mesmo do seu quadro tônico, com [] abafado levemente posterior) e a neutralização das oposições //: // e //: //29 em proveito das médias de 2º grau. Vemos agora que, como nas demais línguas românicas, também podem ficar nasaladas. Mas não há equivalência entre as duas emissões nasais. O segundo tipo de nasalidade não funciona para distinguir formas, e não é, portanto, de natureza fonológica. [...] A ressalva tem muita importância, porque o português, ao lado da nasalidade fonológica, também pode ter essa nasalidade, ocorrente por assimilação à vogal nasal de uma sílaba seguinte. (CÂMARA Jr. 1979[1970], p.46).
Defende, então, que, a partir de uma nasalação meramente mecânica e fonética (sem efeito para distinguir formas da língua) e uma nasalação que se opõe distintivamente à não-nasalação, é necessário encontrar um traço que caracterize as vogais que são nasais do ponto de vista fonêmico. Dando seqüência ao raciocínio do autor, ele compreende que não existem vogais intrinsecamente nasais em português, defendendo a hipótese de que haja um segmento nasal não completamente especificado após algumas vogais (daí sua representação como arquifonema nasal /N/), tornando-as nasalizadas em sua realização fonética.
Câmara Jr.(1979[1970], p. 47) enfatiza sua colocação afirmando que:
O meu ponto de vista, já antigo [...], é que se deve procurar esse traço distintivo na constituição da sílaba. Em outros termos a vogal nasal fica estendida como um grupo de dois fonemas, que se combinam na sílaba – vogal e elemento nasal.
29 Os simbolos //: // e //: // utilizados por Câmara Jr. correspondem a //:// e //://, no
Esses elementos vocálicos nasais portugueses são citados em sua transcrição fonêmica como: “/