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Modernisation des institutions de l’État (Fonction publique, Assemblée Nationale, Justice) : trois (03) sous-programmes;

Dans le document MATRICE DE SUIVI DES STARTEGIES SECTORIELLE (Page 93-107)

Ces programmes sont les suivants :

4. Modernisation des institutions de l’État (Fonction publique, Assemblée Nationale, Justice) : trois (03) sous-programmes;

contextos de formação, como nos indicam os resultados obtidos em estudos realizados junto de estudantes de Medicina (Alford, Miles, Palmer, e Espino, 2001; Pacala, Boult, e Hepburn, 2006), Enfermagem (Fagerberg, Ekman, e Ericsson, 1997; McLafferty, 2005), Serviço Social (Cummings, Adler, e DeCos- ter, 2005; Kane, 2004), Psicologia (Neri e Jorge, 2006; Snyder, 2005), Edu- cação (Heyman, Gutheil, Candela, Phipps, Guishard, e Moore, 2005) e So- ciologia (Kimuna, Konx, e Zusman, 2005). De igual modo, a ausência de interesse em trabalhar com pessoas idosas é paralela a diversos países. Num estudo transnacional realizado em 10 países (Austrália, Brasil, Canadá, Ingla- terra, Alemanha, Hong Kong, Hungria, Israel, Estados Unidos da América e Zimbabué), junto de uma amostra de 679 estudantes de Serviço Social, Weiss (2005) encontrou que, com excepção dos alunos australianos, todos os outros cotaram a população idosa como aquela que lhes suscitava menor interesse para trabalhar.

Num estudo realizado junto de 382 alunos de Serviço Social, Cummings e colaboradores (2005) verificaram que apenas um quinto dos alunos mani- festava interesse em trabalhar com pessoas idosas. Os estudantes destacaram a baixa gratificação pessoal, a desvalorização social e a ausência de recom- pensa económica como os principais factores para a falta de interesse mani- festada (Cummings et al., 2005). Numa linha de investigação similar, Alford e colaboradores (2001) avaliaram as atitudes de 203 estudantes de Medicina face ao envelhecimento, bem como o seu interesse em trabalhar com pessoas idosas, submetendo igualmente os alunos a uma intervenção com o intuito de incrementar conhecimentos, modificar atitudes e aumentar o interesse em de- senvolver uma carreira neste âmbito. Após a intervenção, apesar de uma li- geira oscilação nas atitudes, o interesse em trabalhar com pessoas idosas manteve-se baixo, valores explicados pelos alunos fundamentalmente por cau- sa do pouco prestígio associado à tarefa.

No trabalho de Martín e colaboradores (2007), foram inquiridos 403 alu- nos do Ensino Superior português (126 alunos da licenciatura em Enferma- gem, 87 alunos da licenciatura em Psicologia, e 190 alunos da licenciatura

em Serviço Social), em relação ao interesse em desenvolver uma carreira pro- fissional junto de pessoas idosas. Os resultados indicam que os três conjuntos de alunos são bastante díspares entre si. Aproximadamente 60% dos alunos de Serviço Social afirmou ter bastante ou muito interesse em trabalhar com pessoas idosas, o que contrasta de modo acentuado com as respostas dos alu- nos de Psicologia, onde apenas 9% considerou ter interesse em trabalhar com a população referida. As respostas dos alunos de Enfermagem alcançaram um nível intermédio, com cerca de 30% dos alunos a registar interesse mode- rado ou elevado. Porém, analisando o interesse manifestado pela perspectiva inversa, isto é, contabilizando os alunos que afirmaram não ter nenhum inte- resse em trabalhar com pessoas idosas, verificamos que os três grupos pon- tuaram de maneira similar, sendo que cerca de 33% dos alunos das três licen- ciaturas afirmaram não ter interesse algum em assumir tarefas profissionais com população idosa.

Os estereótipos mais comuns associados ao trabalho com pessoas idosas são (i) a escassez de desafio presente na realização das tarefas, a que se as- socia também a ausência de aprendizagem de conteúdos específicos ou de conhecimentos essenciais para este âmbito; (ii) a desvalorização social, a par com a ideia inerente de reduzida recompensa económica; e (iii) o sentimento de baixa auto-estima, por parte dos profissionais que trabalham de modo di- recto com pessoas idosas. São analisados em seguida estes estereótipos, tal como apresentados na literatura sobre o tema.

A noção de que trabalhar com idosos é pouco exigente e as tarefas são intelectualmente pouco estimulantes, assenta na ideia mais lata de perdas fun- cionais com o aumento da idade e pressupõe de imediato a existência de pou- cas competências por parte desse grupo populacional. Os mitos de deteriora- ção contemplam as características (i) fisiológicas, como saúde reduzida e dependência funcional, (ii) cognitivas, com destaque para a memória, (iii) so- ciais, como o isolamento, (iv) sexuais, sublinhando a falta de interesse na ma- nutenção de interacção sexual, e (v) psicológicas, onde a depressão e a infle- xibilidade são os mais comuns (Cohen, Sandel, Thomas, e Barton, 2004). Numa linha de investigação similar, Klein, Council e McGuire (2005) encon- traram que os 194 participantes do seu estudo consideravam que o desenvol- vimento de uma carreira potencial junto de pessoas idosas não exigia apren- dizagem adicional, sendo suficientes os conhecimentos adquiridos âmbito de formações genéricas.

Os estereótipos em torno dos processos de envelhecimento e das pes- soas idosas podem, por vezes, assumir um revestimento aparentemente posi- tivo, tal como nos indica uma investigação desenvolvida por Roff, Klem-

mack, Jaskyte, Kundrotaite, Kimbriene e Macijauskiene (2002). Estes autores constataram que uma parte significativa dos prestadores de cuidados for- mais a pessoas idosas na Lituânia as avaliava como “excelentes contadores de histórias” e “desejosos de carinho”. Apesar de estes serem, na óptica dos prestadores, aspectos positivos, relegam na prática as pessoas idosas a um papel secundário e prescindível. Deste modo, mesmo as características apa- rentemente positivas associadas ao envelhecimento estão conotadas com au- sência de desafio, por parte dos técnicos, ou competências valorizadas, por parte das pessoas idosas.

A desvalorização social das carreiras profissionais no âmbito do envelhe- cimento parece também ser um tema recorrente nos estudantes (Alford et al., 2001; Cummings, et al., 2005; Varkey, Chutka, e Lesnick, 2006). Investir nu- ma carreira profissional no âmbito do envelhecimento representa, na percep- ção enviesada dos estereótipos, romper com o paradigma de produtividade vigente na sociedade actual (Rozario, Morrow-Howell, e Hinterlong, 2004). Por outro lado, uma vez que frequentemente não é possível reverter estados patológicos em que se encontra parte da população idosa, pressupõe-se en- tão que o trabalho desempenhado por profissionais é inócuo, quase mesmo inútil. Kane (2004) apelida este argumento de nihilismo terapêutico, posição defendida por muitos elementos que, directa ou indirectamente, estão ligados à prestação de cuidados. Este argumento postula que os recursos devem ser predominantemente canalizados para outras populações que não a idosa; a esta devem ser prestados cuidados humanizados, mas consumindo poucos re- cursos e com custos reduzidos (Kane, 2004).

Trabalhar com pessoas idosas surge também associado a uma baixa au- to-estima por parte dos profissionais (McLafferty, 2005), em parte pela desva- lorização social referida. Por outro lado, como muitos dos estados patológicos que direccionam as pessoas idosas a procurar ajuda em âmbitos de saúde não são reversíveis, os estudantes avaliam que, a médio prazo, este pode ser um factor que contribui para o sentimento de desânimo dos profissionais (Aday e Campbell, 1995).

A existência destes estereótipos, muitas vezes tácitos, pressupõe um con- junto de consequências que condicionam incontornavelmente o desempenho dos profissionais que trabalham junto de pessoas idosas. Assim, e antes de to- mar qualquer decisão, a percepção da dificuldade em trabalhar com pessoas idosas influencia a escolha dos estudantes quanto ao investimento numa car- reira neste âmbito. Na verdade, existe um interesse predominantemente baixo por parte dos estudantes em trabalhar com pessoas idosas, sendo esta popu- lação cotada como a última opção de entre um rol de outras faixas etárias

(Aday e Campbell, 1995). Ao desvalorizar a possibilidade de desenvolver uma carreira junto de pessoas idosas, o estudante não terá então oportunida- de de, através do contacto directo, desmistificar as ideias enviesadas que as- socia ao envelhecimento. Na verdade, o contacto com pessoas idosas, em am- biente informal (como a família), ou formal (como a realização de tarefas de voluntariado), condiciona o interesse futuro em desenvolver uma carreira neste âmbito, aumentando a probabilidade do aluno manifestar interesse positivo (Alford et al., 2001; Fagerberg, et al., 1997; Kite e Johnson, 1988). Este pon- to será novamente abordado, ao considerar-se as variáveis envolvidas no de- senvolvimento de uma carreira profissional com pessoas idosas.

Importa ainda ressaltar o papel de modelagem providenciado pelos pro- fessores. A ausência de interesse por este âmbito de investigação em contexto académico (Paton, Sar, Barber, e Holland, 2001), a par com a veiculação de teorias que enfatizam a deterioração e a vulnerabilidade (McLafferty, 2005), fazem com que também os docentes se tornem, para os estudantes, uma fonte de confirmação e agravamento dos seus estereótipos.

Por fim, consideramos que a mais grave das consequências dos estereóti- pos vigentes sobre a pessoa idosa ocorre quando o anterior estudante, agora já profissional, se depara com a imposição de trabalhar com pessoas idosas. Na verdade, a actual situação demográfica criou um cenário em que uma parte significativa e progressivamente maior de profissionais acaba por de- sempenhar tarefas junto de pessoas idosas. Verifica-se em alguns destes pro- fissionais a existência dos mesmos estereótipos prévios. Porém, uma vez inseri- dos no campo e perante o contacto directo com pessoas idosas, os estereótipos que anteriormente funcionavam no abstracto são agora concreti- zados, reificando-se na metodologia de trabalho e nas baixas expectativas as- sociadas (Kane, 2004). Deste modo, o profissional que possua uma visão pouco realista do envelhecimento e dos seus processos, estabelece planos de acção com objectivos mínimos e com estratégias subsequentes pouco estimu- lantes, condicionando o investimento que os profissionais fazem nesta popula- ção.

Para confirmar a hipótese de tratamento diferenciado em função da ida- de, Kane (2004) colocou a 173 alunos de Serviço Social um caso clínico simi- lar, sobre uma senhora com uma doença crónica terminal e ideação suicida, variando apenas a sua idade (38 anos ou 72 anos). Grande parte dos alunos inquiridos aceitava melhor o direito a morrer e apresentavam menos probabi- lidades de recuperação no caso clínico da senhora de 72 anos. As atitudes es- tereotipadas face ao envelhecimento podem, com efeito, conduzir a tratamen- tos estereotipados e com menor qualidade. Por fim, importa acrescentar que,

uma vez que a formação específica em temas de envelhecimento é uma aqui- sição recente, em alguns âmbitos de estudo, muitos profissionais encontram-se pouco actualizados e preparados para lidar com situações concretas (Shenk e Lee, 2005).

Variáveis associadas ao interesse em trabalhar com pessoas

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