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E DUCATION DE BASE - R ESULTATS A L ' HORIZON 2012

Dans le document MATRICE DE SUIVI DES STARTEGIES SECTORIELLE (Page 112-124)

« Gouvernance managériale »

E DUCATION DE BASE - R ESULTATS A L ' HORIZON 2012

A inserção de tópicos de gerontologia e geriatria nos currículos de forma- ção académica não pode ser uma inserção aleatória mas antes intencional, tentando sempre que os alunos comecem por contactar com modelos de enve- lhecimento bem-sucedido para que consigam perceber as potencialidades do trabalho junto desta população e para que se sintam reforçados (Knapp, e Stubblefield, 2005). A não adopção de medidas intencionais pode hipotecar a qualidade do trabalho desenvolvido pelos técnicos que trabalham com pes- soas idosas – sendo que estes são já de si uma população empobrecida, com poucos recursos e conformista a práticas insuficientes (Neri e Jorge, 2006). Porém, estas medidas não devem promover apenas os conhecimentos mas também as atitudes, rebatendo mitos e estereótipos e tornando explícito o viés existente, que é muitas vezes tácito (Vondras, e Lor-Vang, 2004). Num estudo realizado com 55 alunos oriundos de diversas áreas de formação, O`Hanlon e Brookover (2002) encontraram que após frequentar as disciplinas de Psico- logia do desenvolvimento do idoso e Envelhecimento e saúde, cerca de 70% dos estudantes alterou as suas crenças em relação às pessoas idosas, mas apenas metade conseguiu identificar esta mudança.

Torna-se relevante e até mesmo profícuo sublinhar a necessidade de in- troduzir no ensino de conteúdos sobre o envelhecimento estratégias alterna- tivas, às quais estudos recentes atribuem eficácia e potencial. Neste âmbito, destacam-se a utilização de narrativas oriundas da literatura ficcional, com o intuito de promover a empatia para com as pessoas idosas. Gattuso e Saw (1998) utilizaram histórias ficcionadas, cujo contexto de acção era o mesmo onde os alunos se encontravam, requisitando que fosse feita uma re- flexão sobre a história. Os resultados, obtidos através da análise de conteú- do, permitiram aos autores concluir que se registaram ganhos cognitivos e emocionais, por parte dos alunos. Cohen e colaboradores (2004) propõem

a utilização de focus groups, entre profissionais e estudantes de Serviço So- cial para alterar as perspectivas negativas dos alunos face ao envelhecimen- to. Esta abordagem permitiu descodificar os mitos sobre pessoas idosas, confrontar os estereótipos sobre o papel dos profissionais e explorar novas oportunidades de carreira.

A mudança de atitudes e a promoção do interesse em trabalhar com pes- soas idosas passa também por fomentar o contacto entre estudantes e pessoas idosas, com destaque para modelos de envelhecimento bem-sucedido (Aday e Campbell, 1995; Schwartz e Simmons, 2001). A obtenção de conhecimento teórico deve assim ser acompanhada pelo contacto directo com pessoas ido- sas, sendo necessário estar alerta para evitar o contacto reiterado com pes- soas idosas fragilizadas. No entanto, deve evitar-se o outro extremo, pois é também necessária a exposição a contextos em que o declínio e mesmo a de- terioração estejam presentes. Caso contrário, os alunos podem processar a ideia de que o declínio apenas se verifica em quadros patológicos (O’Hanlon e Brookover, 2002). Varkey e colaboradores (2006) implementaram junto de alunos de Medicina o denominado Aging Game, que coloca durante uma tar- de um conjunto de alunos a simular os efeitos fisiológicos (e.g., colocar peso extra nos pés), sensoriais (e.g., colocar uma fita opaca nos óculos) e sociais (e.g., lidar com atitudes condescendentes por parte dos pares) do envelheci- mento. Na reflexão final, todos os alunos sublinharam a vulnerabilidade senti- da e o consequente aumento de empatia com as pessoas idosas. Pacala e co- laboradores (2006) avaliam como claramente positiva a implementação ao longo de dez anos do Aging Game, pela possibilidade de aprendizagem par- ticipativa, pelo ganho de consciência sobre os processos de envelhecimento e pelo seu valor educativo.

O contacto com factos sobre o envelhecimento deve ser feito em ambiente educacional e com rigor científico, como, por exemplo, através de programas de ensino-aprendizagem (Dorfman, Murty, Evans, Ingram, e Power, 2004; Le- wis, 2002) ou programas intergeracionais (Dellmann-Jenkins, Fowler, Lambert, Fruit, e Richardson, 1994; O´Quin, Bulot, e Johnson, 2005). Deste modo, os alunos podem identificar-se com idosos, personalizar a sua experiência e mo- delar as suas atitudes face ao envelhecimento (Heyman et al., 2005; Snyder, 2005). Cummings e colaboradores (2005) defendem que a aquisição de co- nhecimentos sobre o envelhecimento, desfasada do contacto directo com pes- soas idosas, não surtirá qualquer efeito na promoção de atitudes positivas. Po- rém, o contacto directo com pessoas idosas deve ser antecipado pela veiculação de conceitos teóricos, para que os alunos estejam preparados para lidar com determinados tipos de situações (Fagerberg et al., 1997).

Conclusão

Sem dúvida que o aproveitamento de estratégias comummente ausentes do contexto de sala de aula acarreta riscos, como a falta de rigor científico dos conteúdos ou a banalização dos materiais de ensino. Porém, uma vez controlados estes factores, a riqueza e diversidade permitidas podem indubi- tavelmente promover a veiculação de tópicos complexos, como são os do en- velhecimento. Assim, embora subscrevendo parcialmente a posição de Gorelik e colaboradores (2000) – que defendem que o treino e a educação podem ci- mentar interesses preexistentes, mas não provocar alterações fundamentais em valores –, defende-se também que o professor deve constituir-se como um mo- delo para os seus alunos, no sentido de veicular de forma positiva, mas realis- ta, as potencialidades das carreiras profissionais junto de pessoas idosas.

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