Ces programmes, qui sont repris dans les matrices ci-après, sont les suivants :
R ESULTATS A L ' HORIZON 2012
Catarina Pinheiro Mota2, Paula Mena Matos3
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, Portugal
Resumo
De acordo com a qualidade das relações de vinculação estabelecidas com as figuras significativas e à luz de uma perspectiva ecológica do desenvolvimento humano, o presen- te estudo tem como objectivo perceber a contribuição das variáveis relacionais (nomeada- mente, a vinculação aos pais, os pares, a relação com professores e funcionários da escola) para a predição das competências sociais (empatia, assertividade e auto-controlo), em 403 adolescentes portugueses, com idades entre os 14 e os 19 anos (M=16,81; DP = 1,10), de ambos os géneros e vindos de famílias intactas e divorciadas. Mediante análise de modelos de equações estruturais concluiu-se que a qualidade da vinculação parental constitui um bom indicador de desenvolvimento de auto-controlo, contribuindo para o desenvolvimento das relações com a escola e os pares. O suporte dos pares representa uma variável impor- tante na adolescência aumentando a empatia e a assertividade nas relações, o que se verifi- ca também na relação com a escola, que tal como na relação com os pais parece fomentar o desenvolvimento do auto-controlo.
PALAVRAS-CHAVE: Vinculação, adolescência, variáveis relacionais, assertividade, empa-
tia, auto-controlo.
Introdução
As competências sociais constituem factores relevantes para o desenvolvi- mento pessoal e social dos jovens. Desde cedo existe uma necessidade de inte- ragir e de ser aceite nesta interacção com os demais. De acordo com autores que se destacaram nesta temática, como Gresham e Elliott (1984), as compe-
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Responsável pelo Manuscrito: Catarina Pinheiro Mota. E-mail:[email protected] 1Trabalho realizado no âmbito do projecto do FCT- PTDC/PSI/65416/2006
2Licenciada em Psicologia Clínica; Aluna de Doutoramento na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. Bolseira FCT: SFRH/BD/16698/2004
tências sociais traduzem uma aprendizagem de comportamentos socialmente aceites que permitem experimentar relações positivas com os adultos e o gru- po de pares. A dificuldade na aquisição das competências sociais está asso- ciada, em muitos casos, embora não de forma causal, a um pobre desempe- nho académico, problemas na adaptação social e inclusive a índices de psicopatologia (e.g. Buhrmester, 1990; Gresham & Evans, 1987).
A análise dos comportamentos sociais nos jovens atribui ênfase ao efeito que as competências têm nos próprios jovens, ao seu valor enquanto estímulo social, às sequências das dinâmicas dos comportamentos sociais e o quanto eles satisfazem as necessidades de interacção social (Phillips, 1985).
Peterson e Leigh (1990) sublinham a ideia de que a competência social implica a soma de vários componentes, onde se incluem interacções estreitas com a auto-estima. Neste sentido, um nível saudável de auto-estima propor- ciona a confiança necessária para o adolescente desenvolver e expandir de forma bem sucedida a sua rede social. Esta atitude tem sido descrita como uma característica positivamente desejável e de extrema relevância na relação com a escola e no desenvolvimento da empatia com os professores e colegas permitindo o desenvolvimento de competências de resolução de problemas efectivos (Fletcher, Darling, Seinberg, & Dornbusch, 1995).
Importância da qualidade das relações na adolescência
De acordo com a teoria da vinculação, a relação com as figuras cuidado- ras primordiais mostra-se relevante para o desenvolvimento dos jovens; nesta medida, muito embora os estudos apontem para o facto desta relação não ser determinista, ela parece acarretar um impacto relevante no funcionamento so- cial do adolescente (e.g. Laible, Carlo & Roesch, 2004; Parke & Ladd, 1992). As competências interpessoais fundamentais para manter uma amizade na adolescência parecem estar associadas às competências desenvolvidas na in- fância, nomeadamente nas interacções com os cuidadores (Buhrmester, 1990). As práticas parentais e os estilos de socialização exercem um efeito sobre as competências sociais do adolescente que, por sua vez, afectam o ajustamento emocional (e.g. Rice, 1990; Rice, Cunningham & Young, 1997). Outras inves- tigações apontam para os benefícios das atitudes parentais positivas (respon- sivos, aceitantes e carinhosos) para o desenvolvimento das competências so- ciais e na interacção com os pares (e.g. Putallaz, 1987).
Todavia sabemos que na fase da adolescência é fundamental o aumento do tempo dispendido na relação com os pares sem que haja supervisão direc- ta de uma figura adulta, como as figuras parentais ou um professor, permitin-
do o estreitamento dos laços emocionais e dando espaço para o jovem reflec- tir sobre as opiniões próprias, ideias e emoções (Brown, 1990). Adolescentes que experienciam dificuldades nestas competências apresentam maiores difi- culdades em estabelecer amizades, assim como no envolvimento, na intimida- de ou mesmo na vinculação com os amigos já estabelecidos. Da mesma forma que os pais, o grupo de pares parece assumir especial relevância na investi- gação sobre o ajustamento sócio-emocional dos adolescentes.
Estudos longitudinais realizados ao longo dos anos 90 corroboram a ideia de que a rejeição sentida face ao grupo de pares representa um preditor de interiorização e exteriorização de problemas dificultando a integração so- cial (e.g. DeRosier et al, 1994; Hymel et al, 1990). O estabelecimento e a qualidade das relações criadas pelos jovens têm vindo a ser descritos na lite- ratura como grandes indicadores de bem-estar e ajustamento psicossocial (e.g. Parker & Asher, 1993). Mais recentemente vários estudos apontam para um paralelismo entre a relação com os pais e a relação com os pares enquan- to fontes de segurança para os adolescentes. Neste sentido, a procura de pro- ximidade com os pares parece representar uma procura paralela de suporte que assume um carácter extremamente importante no desenvolvimento emo- cional dos jovens, proporcionando-lhes sentimentos de segurança a partir da qual podem explorar o mundo (e.g. Paterson, Field & Pryor, 1994; Markie- wicz, Doyle & Brendgen, 2001).
Para além desta primazia da relação com as figuras parentais, as evidên- cias empíricas e um recente corpo literário sublinham ainda a ideia que uma relação satisfatória com os pais facilita a qualidade nas relações com os pro- fessores. Por sua vez, jovens que apresentam uma elevada qualidade nas rela- ções com os professores evidenciam um maior desenvolvimento de competên- cias sociais e cognitivas comparativamente aos que manifestam uma baixa qualidade nestas relações (Birch & Ladd, 1997; Hamre & Pianta, 2001; Ho- wes, Matheson, & Hamilton, 1994; Pianta, Steinberg, & Rollins, 1995). Alguns estudos indicam que jovens com vinculações inseguras que manifestam uma elevada qualidade nas relações com os professores denotam um significativo desenvolvimento das suas competências sociais (O´Connor & McCartney, 2005).
O contexto da relação criada com os professores permite o desenvolvi- mento e aprendizagem, privilegiando a dimensão afectiva que facilita aos jo- vens explorar o mundo com segurança. Deste modo, a confiança aportada na relação com os professores para além do potencial de aprendizagem, permite o desenvolvimento das representações de si próprio e dos outros potenciando a adaptação psicossocial dos jovens (Matos 2003). Dubois e colaboradores,
(1992) assumem a importância das relações estabelecidas entre os professo- res e os jovens, especialmente em contextos de risco (como o baixos recursos sócio-económicos e a exposição a situações traumáticas), pelo que a seguran- ça aportada nas relações parecem permitir contornar a vulnerabilidade exis- tente e ultrapassar as adversidades.
Estudos recentes realizados por Al-Yagon e Mikulincer (2006) reforçam a importância dos professores enquanto base segura para o ajustamento acadé- mico e sócio-emocional. Numa amostra israelita composta por 507 pré-ado- lescentes, os autores concluíram, por um lado, que estilos de vinculação segu- ra tornavam a relação com os professores mais aceitante, com níveis de rejeição baixos quando comparados com os jovens de estilo vinculativo ansio- so; e por outro lado, uma elevada correlação entre os estilos de vinculação em geral e a consideração dos professores enquanto bases seguras formando re- lações seguras no contexto escolar, promovendo melhorias no desempenho académico e no ajustamento emocional.
Em suma, reforçando a importância das ligações para além da família, algumas evidências empíricas ressaltam que uma elevada qualidade nas rela- ções com os professores parece assumir contornos importantes enquanto su- porte, especialmente no caso de jovens com vinculações inseguras face aos seus cuidadores primários, prevendo níveis de ajustamento na qualidade das relações futuras (Howes & Hamilton, 1992; Howes & Matheson, 1992; Kien- baum, Volland, & Ulich, 2001; Mitchell-Copeland, et al., 1997).
Desenvolvimento das competências sociais
A literatura apoia o facto da qualidade das relações estabelecidas pelos jovens facilitar amplamente o desenvolvimento de competências pessoais e so- ciais, adquirindo o jovem maior facilidade em cooperar, negociar, ouvir ou manter regras e comportamentos adequados (e.g. Kochanka, 1997; Maccoby & Martin, 1983). Apesar das competências sociais se inserirem num conceito lato, optámos por analisar algumas variáveis que contribuem para este desen- volvimento, assumindo que uma abordagem mais aprofundada de todas as variáveis implícitas ultrapassaria largamente os objectivos a que nos propo- mos. A empatia, a assertividade e o auto-controlo constituíram por isso variá- veis representativas para esta caracterização, dizendo respeito ao comporta- mento social, à compreensão e aceitação social (Haager & Vaughn, 1995). São descritas na literatura como variáveis multidimensionais, incluindo facto- res sociais/interpessoais, cognitivos e emocionais que nos permitem satisfazer a noção de competências sociais pretendida neste estudo. A sua relação com
a qualidade das ligações estabelecidas pelos jovens será discutida no segui- mento desta abordagem.
A eemmppaattiiaa representa uma dimensão das competências sociais estreita- mente ligada ao desenvolvimento de emoções que potenciam a aceitação e compreensão na relação com os outros, levando ao desenvolvimento de com- portamentos sociais positivos, reduzindo o stress interna e externamente (e.g. Batson, 1991; Murphy, Shepard, Einsenbeg, Fabes, & Guthrie, 1999).
A investigação sugere que as competências sociais se encontram estreita- mente relacionadas com o suporte parental, pelo que as relações de seguran- ça entre os pais e o adolescente podem potenciar um clima afectivo propício ao desenvolvimento da empatia e da reciprocidade (e.g. Garber, Robinson & Valentiner, 1997; Laible, Carlo & Roesch, 2004; Zahn-Waxler & Radke-Yar- row, 1990). Reti e colaboradores (2002) apresentam estudos relacionados com a variância das relações da vinculação nos pais e o desenvolvimento das componentes da empatia em jovens adultos, verificando que o facto de que a representação de um baixo nível de cuidados parentais se associavam a com- portamentos anti-sociais, desencadeando elevado stress psicossocial que inter- feriam no desenvolvimento da empatia. Ainda neste estudo, os autores suge- rem a desvantagem que a superprotecção dos jovens pode exercer no desenvolvimento das competências, sugerindo maiores dificuldades na gestão de situações ansiogénicas. Por sua vez, a qualidade da relação com os pares surge na literatura associada a uma oportunidade única para o desenvolvi- mento da empatia, facilitando a mutualidade, a reciprocidade e o desenvolvi- mento de segurança emocional nos jovens (Laible, Carlo, & Raffaelli, 2002; Laible, Carlo & Roesch, 2004; Youniss, 1985).
Note-se que a empatia interage necessariamente com outros aspectos va- lorizados por autores como Peterson e Leigh (1990), nomeadamente com a assertividade e o auto-controlo, atributos igualmente relevantes na competên- cia social do adolescente que é capaz de agir de forma autónoma e atenden- do às suas necessidades sem subestimar a relação com os demais.
No que respeita à aasssseerrttiivviiddaaddee, ela constitui uma classe particular das habilidades sociais, que implica a capacidade do indivíduo em afirmar-se em interacções sociais, defender os seus direitos, expressar as suas opiniões, sen- timentos, necessidades, insatisfações e solicitar mudanças de comportamento das outras pessoas, sem desrespeitar os direitos dos outros (Del Prette & Del Prette, 1999; Kenny, 1994). O comportamento assertivo é importante em di- versas interacções sociais e contribui para o desenvolvimento das relações in- terpessoais, para a capacidade de enfrentamento e resolução de problemas interpessoais, melhorando o funcionamento social e a qualidade de vida.
Nos seus estudos, Kenny (1994) verifica que a qualidade das relações es- tabelecidas com as figuras parentais joga um papel relevante para o desen- volvimento da assertividade. Nesta medida, jovens adultos que descreviam a sua relação com os pais com um elevado nível de suporte e autonomia, apre- sentaram resultados mais significativos nos questionários de auto-relato de as- sertividade.
Fagot (1997) aponta para o facto de uma relação pouco securizante com as figuras parentais potenciar respostas pouco assertivas, com comportamen- tos agressivos, evitantes e anti-sociais na relação com os pares. Cassidy e co- laboradores (1996), por sua vez, sublinham que jovens que percebem os pais como figuras rejeitantes manifestarem maior dificuldade no seio das relações familiares, assim como no contexto exterior. A percepção de suporte parental e o incentivo à autonomia para além da presença de uma afectividade positi- va mostra-se por isso, importante no desenvolvimento de comportamentos as- sertivos, especialmente em jovens de comunidades cujo nível sociocultural era mais reduzido, existindo um ambivalência entre o papel do género feminino e o comportamento assertivo (Kohn, 1977).
Alguns estudos indicam ainda que as competências sociais são um im- portante atributo para os adolescentes no que respeita ao aauuttoo--ccoonnttrroolloo e à gestão de conflitos, tendo sido negativamente correlacionadas com diversos problemas comportamentais e desajustamentos afectivos (como a internali- zação e externalização de comportamentos, envolvimento em drogas ou de- linquência) (Leme, 2004; Fletcher, Darling, Seinberg, & Dornbusch, 1995). A literatura assume que as práticas parentais potenciadoras de insegurança, assim como o desenvolvimento de sintomatologias depressivas ou ansiosas nas figuras parentais constituem um risco para o ajustamento comportamen- tal dos jovens, dificultando o desenvolvimento de competências de auto-con- trolo (e.g. Cummings & Davies, 1994, 1999; Downey & Coyne, 1990; Fin- cham & Osborn, 1993). Autores como Marchand, Schedler e Wagstaff (2004) observaram estreitas ligações entre a orientação da vinculação pa- rental e sintomatologia depressiva, ressaltando o facto da sintomatologia depressiva, em ambas figuras parentais, mediar a relação de vinculação e a internalização e externalização de comportamentos nos jovens. Neste senti- do, competências de auto-controlo encontram-se em certa medida limitadas pela percepção de inconsistência nas relações e na aquisição de bases se- guras, aparecendo na literatura frequentemente associadas a uma baixa au- to-estima e a uma susceptibilidade no estabelecimento da relação com os pares (Sim, 2000). Desta forma, as práticas coercivas ou agressivas encora- jam os jovens para um desenvolvimento maladaptativo, oscilando entre a
pressão da disciplina e os comportamentos anti-sociais de isolamento e re- jeição. De forma similar, Mize e Pettit (1997) sublinham que a falta de res- ponsividade na relação da mãe e filho se associa ao desenvolvimento de agressividade na relação com os pares. Parke e Buriel (1998) salientam que a expressão emocional e o suporte parental estimulam a aquisição de com- petências de interacção, moderando os comportamentos, desenvolvendo o estabelecimento de amizades e a aceitação dos pares.
De acordo com a teoria da vinculação (Bowlby, 1969), a consistência das atitudes positivas com que os pais respondem às necessidades dos filhos in- fluencia de forma marcada o desenvolvimento dos modelos internos dinâmi- cos. Nesta medida, atendendo a que uma percepção de baixo suporte paren- tal pode traduzir uma vinculação insegura, adolescentes que se mostram inseguros apresentam dificuldades na interacção social, estando mais limita- dos no que respeita à procura de suporte dos amigos, resolução satisfatória de conflitos interpessoais, necessidades de comunicação ou regulação efectiva de afecto (Mallinckrodt, 2000, 2001).
Engels, Dekovic e Meeus (2002) sublinham a importância das competên- cias sociais enquanto mediadoras das práticas parentais e as relações inter- pessoais com os pares. Os autores salientam que adolescentes cujos pais se interessam mais pelas suas actividades, expressam os sentimentos de afecto e estimulam os filhos para a autonomia estão mais disponíveis para se adapta- rem em situações sociais distintas. Por outra parte, adolescentes que frequente- mente estimulam e desenvolvem as suas competências sociais parecem envol- ver-se mais nas actividades com os pares, estando mais ligados com o grupo de amigos experimentando também um maior suporte da parte destes. Note- se que pais que mostram maior facilidade de integração valorizam mais este tipo de interacções, desenvolvendo estratégias que podem ser importantes no desenvolvimento social (Mize, Pettit, & Brown, 1995).