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5. CONCEPTION D’UN BiIDS

5.5. MODELE D’UN BiIDS

O xintoísmo (inicialmente denominado xintô) é a principal e mais antiga religião do Japão, sendo originário de um conjunto de mitos, crenças e ritos que narram a criação do mundo, do país e da família imperial japonesa. Em seu início, o xintoísmo não era identificado por um nome, era apenas um apanhado de lendas protagonizadas por divindades, chamadas kamis, que habitavam todas as coisas desde a criação do mundo. Por volta do século XII, para diferenciar-se do budismo e do confucionismo, recebeu o nome de xintoísmo, proveniente do termo de origem chinesa xin-tao que significa "caminho dos deuses". Mais que um conjunto de crenças e práticas expressas em manifestações sociais e atitudes individuais - diferente do budismo, que tem origem indiana e influência chinesa - o xintoísmo é uma religião étnica, ou seja, é a religião de um único povo, no caso, o japonês, se formando e se desenvolvendo no interior deste. Isso faz com que o xintoísmo não seja proselitista, ou seja, não envia

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O kung-an [jap. kôan] consiste numa frase ou estória que é paradoxal e não tem aparentemente uma resposta lógica. Há milhares de kung-ans. O método não consiste apenas em tomar uma frase paradoxal e tentar resolvê- la. Mas é exercido dentro de um contexto, muito controlado, entre discípulo e mestre, onde este último dá ao aluno um kung-an específico que o leva para meditar o resto do dia, semana, mês ou ano.

missionários para difundi-la entre outros povos. O xintoísmo não possui um código moral, reduzindo-se a alguns conceitos fundamentais como não prestar atenção às coisas falsas e não falar falsamente. O fato de não haver reconhecidamente um fundador, profetas, escrituras sagradas oficiais, filosofia textualmente definida ou dogmas, se tornou motivo para que alguns estudiosos desconsiderassem o xintoísmo como uma religião. O xintoísmo foi se formando com a espontaneidade do povo e reelaborado, mais tarde, pela vontade da classe imperial japonesa. Avalia-se a vida de maneira positiva, assim como os instintos e tudo o que serve para conservá-la e torná-la mais bela. Ao contrário, avalia-se negativamente a morte e tudo o que a ela conduz como doença, falta de sorte e infelicidade. Uma virtude particularmente cultivada no xintoísmo é o senso de honra, considerado até mesmo como um valor com fim em si mesmo. Depois vem a fidelidade, especialmente ao imperador e, em seguida, ao grupo a que se pertence, a obediência aos superiores, o sucesso nos estudos e na vida, o autocontrole e o não prejuízo ao próprio grupo e à sociedade. Alzugaray (1995:145) relata o desenvolvimento do xintoísmo a partir dos últimos séculos:

O xintoísmo coexistiu pacificamente com outras religiões no Japão até a década de 1870, quando o governo modernizador passou a reprimir todas as outras religiões e adaptou os ensinamentos xintoístas para fazer propaganda política do governo. Até a derrota dos japoneses ao final da II Guerra Mundial, o Xintoísmo de Estado pregava que a obediência ao imperador divino era um dever religioso dos cidadãos. Em 1946, o Imperador Hiroito renunciou a todas as suas atribuições de divindade e a Constituição escrita no pós-guerra garante a liberdade religiosa e proíbe qualquer associação entre religião e governo.

3.4.5 Bushido

À época do Japão feudal a combinação dessas doutrinas e religiões formou o código de honra (não escrito) usado pelos guerreiros samurais37. Em acesso ao sítio <http://www.bushido- online.com.br>, foi encontrada a conceituação do termo bushido:

Bushido, significa literalmente, "caminho do guerreiro" - era um código de honra não-escrito e um modo de vida para os samurais (a classe guerreira do Japão feudal ou bushi), que fornecia parâmetros para esse guerreiro viver e morrer com honra. "Seguir o bushido, é dar ênfase à lealdade, fidelidade, autosacrifício, justiça, modos refinados, humildade, espírito marcial e honra acima de tudo, morrer com dignidade". Bushido é formado e influenciado pelos conceitos do budismo, xintoísmo e confucionismo.

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Os samurais (em sua origem significa “aquele que serve”) eram guerreiros japoneses, e suas atuações se notabilizaram de meados do século 10 até a era Meiji no século 19. Sua maior função era servir, com total lealdade e empenho, os daimyo (senhores feudais) que os contratavam. Em troca disso recebiam privilégios terras e/ou pagamentos. Tal relação de suserania e vassalagem era muito semelhante à da Europa medieval, entre os senhores feudais e os seus cavaleiros. Entretanto, o que mais difere o samurai de quaisquer outros guerreiros da antiguidade é o seu modo de encarar a vida e seu peculiar código de honra e ética.

Do budismo, o bushido resgatou o destemor do perigo e da morte. Um samurai não temia a morte, pois acreditava nos ensinamentos budistas que pregavam a vida após a morte. Dessa forma ele poderia ter uma possível reencarnação como guerreiro. Como os samurais não temiam o perigo, eles faziam uso de técnicas de meditação do zen para limitar tal temor. Através dos ensinamentos zen, os samurais buscavam a harmonia com seu Eu interior e com o mundo à sua volta. A prática incessante do desapego possibilitou aos samurais se tornarem a maior casta de guerreiros que já existiu.

Citados por Alarid e Wang (1997:602), Hayashi e Sours fazem uma analogia da classe samurai com o ambiente existente dentro das organizações japonesas, afirmando que o samurai acreditava que o grupo era supremo e que o bem estar individual era relativamente sem importância. Os valores de dever, benevolência e tolerância criados na classe samurai foram transformados em respeito dos funcionários japoneses para com seus gerentes e no conceito de sacrificar as necessidades do indivíduo para a causa da corporação.

O xintoísmo influenciou o bushido através da lealdade, do patriotismo, e da reverência aos antepassados. Cultuavam tal lealdade e reverência para como o imperador e seu daimyo ou senhor feudal.

O bushido resgatou do confucionismo a crença em relação às pessoas e suas famílias, ressaltando o dever filial e as relações entre senhor e servo, pai e filho, marido e mulher, irmão mais velho e mais novo e entre amigos.

À época do Japão feudal existiu um guerreiro considerado o maior samurai. Seu nome era Miyamoto Musashi. Entre seus feitos estavam o fato de ter vencido dezenas de adversários e jamais ter sido superado em combate. Além de dedicar toda a sua vida à prática e estudo do "Caminho do Guerreiro", também o fez pela escultura, poesia e caligrafia. Aos trinta anos de idade, quando ele já havia derrotado em combate dezenas dos mais valorosos samurais e guerreiros de sua época, Musashi se confrontou com a seguinte questão: Que padrões poderiam ser encontrados nas atitudes que nos conduzem à vitória? Musashi passa então os próximos vinte anos a investigar tal fato, e depois ainda mais dez anos para se considerar preparado a escalar a montanha Iwato. Lá, em completo isolamento, deveria produzir a síntese do seu Caminho. Em 1645, aos sessenta anos de idade e poucas semanas antes de sua morte, Musashi escalou a montanhas Iwato, para meditar sobre as experiências e conclusões de sua

vida. Nesta oportunidade ele escreveu o Livro dos Cinco Anéis (Go Rin No Sho), obra de referência sobre estratégia que apresenta instigante conjunto de ensinamentos sobre como se posicionar e agir para superar adversidades de qualquer origem. A essência desta obra pode ser verificada em <http://www.bushido-online.com.br>:

No seu "Livro dos cinco anéis", Musashi ressalta a importância de discernimento perceptivo, não apenas no caminho do guerreiro, mas em todas as posições sociais para adquirir uma compreensão objetiva dos mecanismos do senso de oportunidade e de sucesso. Musashi tentou estabelecer uma base teórica e prática para completar a personalidade do guerreiro, sob a influência do zen-budismo e confucionismo. Na introdução do seu tratado sobre a estratégia e artes marciais, Musashi descreve um plano detalhado geral para evolução da mente do guerreiro como um todo: não pense desonestamente, pense no que é correto e verdadeiro; coloque a ciência em prática, o caminho está no treinamento; familiarize-se com todas as artes; familiarize-se com todos os ofícios, conheça o caminho de todas as profissões; perceba as qualidades positivas e negativas de tudo, distinguindo entre ganho e perda nas questões mundanas; desenvolva julgamento intuitivo e compreensão de todas as coisas, aprenda a ver tudo com cuidado; note aquelas coisas que não podem ser vistas tomando consciência daquilo que não é óbvio; preste atenção a tudo, mesmo aparentes baboseiras, sendo cuidadoso até mesmo nas pequenas questões; não faça nada que não tenha utilidade.

A favor da sociedade japonesa, verificam-se ensinamentos a partir da imitação e do hábito. As normas de respeito são observadas e aprendidas no seio da família, atentando-se para a ética da piedade filial.

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