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MODEL PRACTICAL EXAMINATION II Learning Resources

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UNIT II: OBJECT ORIENTED PROGRAMMING CONCEPTS

MODEL PRACTICAL EXAMINATION II Learning Resources

Mesmo nas chamadas abordagens clássicas das Ciências Sociais, encontra-se dificuldade na delimitação, seja, no que diz respeito a aspectos epistemológicos, bem como à compreensão em si da conceituação e lugar da natureza/meio ambiente/ecologia no escopo de suas abordagens teóricas (FERREIRA,1996; GONÇALVES,2004 b; 2004 c ).

No âmbito do Materialismo Histórico, Foster (2005,p.13) chama atenção para esta questão, assinalando a necessidade de desenvolver e associar–se uma “visão ecológica” que correlacione a transformação social às transformações da relação humana com a natureza.

O referido autor focaliza e trabalha de maneira seminal o “lugar” da Natureza no âmbito do Materialismo Histórico resgatando a contribuição magistral de Marx no que diz respeito ao tema, em contraposição às criticas de que esta teoria, e especificamente no escopo da sua produção teórica, não teria havido essa problematização. (SCHMIDT, 1976)

Observa-se, que na interface com a questão ambiental, a performance da ciência, na perspectiva de alguns autores, está focalizada na análise do alcance de sua articulação com os projetos sociais ao longo da história da humanidade e tem sido reconhecida como uma trajetória misteriosa, tutelar e inquietante( FOUREZ,1995; LATOUR,2004; LEFF,2000a; CAPRA,1996; BURKE,2003; HENRY,1998;PASTERNAK, 2001; BARBOSA,1998).

Para outros, estas conquistas e avanços no que diz respeito à vida cotidiana e das sociedades na atualidade, permitem qualificá–las como “exemplar” tendo em vista que: “O período que vivemos não só é herdeiro das conquistas fundamentais, mas também oferece o espetáculo de renovações e de desenvolvimento sem precedentes na história da ciência, pelo número e pela diversidade” (GRANGER,1994.p.12).

Esta performance, como assinala Granger (1994), é tributária dos avanços ocorridos no início do século ou no final do século passado, portanto, registra fatos memoráveis, significativos mas também questionáveis em sua trajetória (a produção de ene rgia por fusão nuclear; as explorações espaciais; a descoberta dos antibióticos; a explicação do mecanismo e estrutura do DNA, etc.).Entretanto, e com base na apresentação de diversos exemplos que materializam esta incursão da ciência na vida cotidiana, chama atenção para uma das mais significativas características da ciência moderna: Os problemas éticos decorrentes da prática científica.

Aprofundando-se nos exemplos supracitados, ressalta que cada um destes impulsionou a idéia de restrição ou de regulamentação tendo em vistas suas conseqüências imprevisíveis e nefastas, e a partir destas questões, sinaliza para a seguinte reflexão: A quem caberá decidir por um procedimento ou outro (restrição ou regulamentação da aplicação destes saberes). Cientistas ou políticos? Considera que:

Os problemas éticos levantados hoje em dia pelo desenvolvimento das aplicações da ciência, só podem ser resolvidos por uma auto – regulação consentida pelos próprios cientistas [...] e caberia ao poder político o papel de consultar sobre esses pontos o conjunto do corpo social, tirar conseqüências jurídicas e de controlar, sem dúvida autoritariamente, se preciso, as aplicações desses saberes.(p.21).

Cabe ressaltar que tal reflexão em contextos históricos distintos já foi realizada por autores clássicos e contemporâneos das Ciências Sociais, particularmente Max Weber (1968) e Trigueiro (2000), focalizando o “bom” ou “mau” uso dos conhecimentos resultantes da ciência.

Para Weber, a discussão deveria ter como prerrogativa duas modalidades éticas de conduta: a da convicção e a da responsabilidade. A primeira contemplaria uma ética absoluta dos valores aceitos e seguidos sem questionamento a um sistema de enunciados morais, religiosos, etc. Já a ética da responsabilidade, configurar-se- ía como um comportamento calculado e previsto em termos de suas conseqüências práticas(WEBER,1968.p.113).

Trigueiro (2000b), ao analisar em período recente o papel do cientista e do político a partir das novas biotecnologias, toma como base esta reflexão e sinaliza para a atualidade do pensamento deste autor considerando que:

Se hoje, por um lado, o mundo não é exatamente o mesmo de Weber, devido a recente revolução científico - tecnológica e os avanços extraordinários verificados no modo de produção ca pitalista [...] seus conceitos e reflexões ainda servem de base e parâmetro norteador para muitas outras investigações sociológicas. É o caso da discussão sobre a ética da convicção e da responsabilidade, tão oportuna para balizar o debate, as análises sob re as novas biotecnologias, sobretudo no que concerne à problemática da legitimação que atinge cientistas e não–cientistas, políticos e não– políticos.(p. 228).

Sendo assim, restrição/regulamentação/ou controle do conhecimento expressariam, para estes autores, as máximas da ciência e ainda hoje constituem novos desafios do presente e do futuro para os indivíduos e a sociedade.

Entretanto, e considerando também estas conseqüências para a reconfiguração deste momento histórico, entende-se a necessidade de um aprofundamento das implicações e questões derivadas do Desenvolvimento tecnológico, em suas distintas clivagens, em interface com a questão da apropriação dos recursos naturais, através de uma reflexão que sinalize para outras dimensões das quais estas implicações sugerem um comprometimento mais agudo, especificamente no que diz respeito às condições das relações sociais de reprodução, em decorrência das novas biotecnologias, especificamente em função dos transgênicos.

Compreendendo–se que tais relações sociais de reprodução, de maneira geral, se desenvolvem e engendram um modo de produção, há de considerar-se, portanto, passíveis de serem cotejadas no âmbito do Materialismo Histórico .

Como assinalado por vários autores pertencentes a este campo de abordagem analítica, a dificuldade em engendrar-se em suas produções acadêmicas, e por resultante no escopo de suas elaborações, a interface ou correlação entre Modo de Produção e Natureza/Recursos Naturais deve–se em parte aos seguintes motivos: “atraso”, “resistência”,etc.(FOSTER,2005;CHESNAIS,2003b;MOREIRA,1999a;FERREIRA,1996a)

Em que pese a relevância da capacidade de autocrítica, em alguns casos na forma de “mea–culpa” destes autores, é possível observar–se, ainda que vagarosamente, a questão ambiental, e entendendo–a enquanto fenômeno que reúne um conjunto de questões correlacionadas aos recursos naturais, aspectos econômicos, sociais, culturais, políticos, etc, tem sido marginalmente abordada e contemplada, ou direcionada ao tratamento de dimensões estritas ao escopo dos principais paradigmas explicativos da realidade.

Por isso, entende-se a necessidade de uma incursão que, de forma propositiva e analítica, contemple a retomada à luz de uma perspectiva dialética da questão ambiental, tendo como ponto de partida as injunções, consensos e utopias expressas e materialializadas na práxis dos novos sujeitos que emergem neste cenário, e que, por extensão, possibilite uma reflexão que visibilize os conflitos organizacionais no escopo epistemológico das teorias sociais contemporâneas, enquanto subsídio para análise e caracterização desta problemática no contexto da sociedade brasileira .

A visibilidade e legitimidade desta temática ganham sentido mais amplo quando se considera que, em uma sociedade dividida e desigual, se permite a aplicação de pareceres técnicos ou científicos permeados e imbricados por implicações e decisões políticas, com reflexos econômicos, sociais e ambientais bastante significativos.

Para Wilkinson e outros (2000:01b), a configuração explicativa que envolve as controvérsias sobre as novas biotecnologias, especificamente no que diz respeito aos OGMs/Transgênicos, polarizam-se em três divisões: a 1a, Política, que envolve a questão da geopolítica de poder entre os EUA e os países da Comunidade Européia; a 2a, Científica, que contemplaria as visões reducionistas e holísticas da ciência; e, por fim, a 3a, Divisão, Institucional, que trata de contemplar não somente os sujeitos envolvidos na

problemática, mas fundamentalmente o cerne do debate: a contraposição entre aqueles que acreditam na correlação privatização do conhecimento x progresso científico e tecnológico e àqueles que defendem o domínio público da produção de conhecimento tendo em vista a construção de uma sociedade, cada vez mais, democrática.

Como assinala Castells (1999,p.35), se referindo ao modo de produção, denominado pelo autor de Informacionalismo: “[...] a tecnologia e as relações técnicas de produção difundem-se por todo o conjunto de relações e estruturas sociais, penetrando no poder e na experiência e modificando-os”.

Segundo o autor, a principal característica deste paradigma é a informação. Aponta também as outras características que o compõe: a informação enquanto matéria–prima, ou seja, são tecnologias para agir sobre a informação; o raio de ação e penetrabilidade dos efeitos das novas tecnologias; a lógica de redes que permite a interação entre as organizações; a flexibilidade que permite a fluidez e reconfiguração organizacional; e por fim, a convergência entre tecnologias especificas integrando microeletrônica, telecomunicações, optoeletrônica, etc.

Há também quem sinalize para a possibilidade de que tal empreendimento tecnológico se constitua em ponto de partida para um novo paradigma (QUINTELA,2002;GUIVANT, 2001).Apesar de desenvolverem abordagens distintas, ambos sinalizam para a importância de investigar–se a utilização dos recursos naturais como “matéria prima” para a constituição de um novo paradigma. Guivant (2001,p.99) especificamente estuda os processos sociais no contexto da biosfera com olhar sobre este processo no âmbito da polêmica agricultura sustentável X agricultura convencional.

Neste sentido Santos,(2000a; 2001b; 2002c) oferece como possibilid ade de reflexão, ao analisar o que intitula de “Globalizações”, a construção de uma alternativa conceitual para este momento que resgate as contradições prementes neste novo contexto, ou melhor, traga para o centro da análise, as injunções e conflitos originados no capitalismo e expressos nas práticas dos principais e “novos” sujeitos nos processos de Globalização.

Para este autor, o novo processo de “mundialização” do capital”, termo que é problematizado também por Chesnais(1996) na dinâmica do capitalismo é constituído por três constelações de práticas coletivas: práticas interestatais; práticas capitalistas globais; práticas sociais e culturais. Ressalta, que mesmo estando inseridas em um mesmo modo ou

momento de produção do sistema mundial, apresentam envolvimentos desiguais e diversos no escopo das globalizações. Sendo as primeiras caracterizadas pela presença de mega - instituições, como, por exemplo, o Estado, as Organizações Internacionais, Sistema Financeiro e os Blocos Regionais. As segundas, por age ntes econômicos, como, por exemplo, as Organizações Empresariais Multinacionais e, por fim, as práticas sociais e culturais desenvolvidas pelas ONGs (Organizações Não-Governamentais) e outras Organizações da Sociedade Civil.

Rattner (1999,p.101) assinala ainda que as mudanças ou impactos provocados por novas tecnologias não podem ser analisados em um cenário separado e destacado de outros processos sociais e culturais, haja vista que as escolhas ou opções tecnológicas são também expressões de interesses, necessidades e relacionamento entre diversos sujeitos em que as tecnologias aplicadas têm em seu cerne resultados econômicos e sociais diferenciados em função desta escolha.

Como ressalta Albagli (1998,p.27) ciência e tecnologia tornam-se variáveis estratégicas, e por extensão, constituem bens mercantis (commodity) que colocados no mercado se tornam passíveis de controle e dominação. Ainda, segundo esta autora, “é, portanto como técnica que a ciência torna-se elemento chave dentro do sistema produtivo e do aparato tecnológico”.

Na compreensão de Massarini (2004,p.01), tal cenário constitui uma trama diversa e intrincada que nem sempre é visível nos debates. Segundo a autora, para visibilizar–se os principais atores e seus respectivos argumentos, tornam-se necessário refletir sobre os interesses que se encontram subjacentes aos discursos e práticas. Particularmente, no que diz respeito aos cientistas, aponta que estes:

Se auto - legitimam no lugar de autoridade em que pretendem situar a ciência, utilizando argumentos enganosos e alheios às suas necessidades tais como a necessidade de resolver o problema da fome no mundo, aumentar a competitividade ou a urgência de encontrar novas variedades para justificar a necessidade da rápida adoção dessas tecnologias e que mascaram a existência de uma disputa pois carregam bandeiras das empresas.

Tal prerrogativa é ricamente ilustrada por Tokar (2004,p.03) e Smith (2003,p.36) ao registrarem a polêmica da empresa multinacional Monsanto, na década de 40, e que evidenciam as nuances de sua performance com o exemplo dos trabalhadores que

começaram a adoecer com erupção na pele, dores nas extremidades, etc em decorrência do contato na fabricação de um herbicida. Contudo, os documentos internos não acusavam o conhecimento de tal quadro e a empresa manteve todas as provas ocultas o que reforça o argumento ressaltado por Massarini (2005,p.40) de que: “São quase inexistentes as linhas de investigação independentes que apontam para uma maior compreensão e avaliação dos riscos, sendo as evidências científicas disponíveis, produtos quase que exclusivo da investigação das próprias empresas biotecnológicas”.

No tocante à fundamentação teórica sobre interesses, a contribuição de Habermas, apesar de pouco referenciada, tem sido significativa e considerada importante para uma investigação deste porte. Como assinala Baumgarten (1998,p.137), na produção teórica do referido autor, é possível identificar 03 blocos analíticos que correspondem aos principais temas debatidos sobre esta temática: a questão do conhecimento, a perspectiva político cultural e os problemas relacionados à razão e à comunicação que fazem parte de sua teoria da ação comunicativa.

Em que pese a ocorrência dos vários redirecionamentos metodológicos realizados por Habermas, ao longo de sua trajetória, observa-se que o fio condutor que permanece constante em suas obras é a idéia de emancipação humana, articulada à comunicação e mediatizada pela razão, sintetizada na Teoria do Agir comunicativo. Milman (1996) ressalta que tem sido comum assinalar que houve ou ocorreu uma ruptura de pensamento de sua obra das questões substantivas que o motivaram, desde o início até a atualidade, relacionadas ao Materialismo histórico.

Em verdade, suas teorias incorporam idéias tomadas de uma diversidade de enfoques a qual é redefinida de acordo com seu marco teórico e não expressa ecletismo ou justaposição como sugerem alguns críticos.

Focalizando algumas destas proposições no âmbito de sua produção, destacamos a sua crítica da teoria materializada com a publicação da obra Conhecimento e Interesse, de 1968, quando propõe uma nova concepção de teoria crítica, baseando–se na constituição do conhecimento através de interesses.

Em sua caracterização, postula a existência de três modalidades de interesses: cognitivos, técnicos e comunicativos. Onde o primeiro caracteriza-se pela “unidade indissociável entre conhecimento e interesse humano, tanto para as ciências da natureza

quanto para as ciências sociais criticas. “[...] procura demonstrar que o conhecimento está ligado a certos interesses que assumem a função de a prioris do conhecimento”. Habermas(1968.apud FREITAG,2001,p.139).

No que diz respeito ao interesse técnico, postula que sua fundamentação encontra-se presa à necessidade de controle e dominação da natureza. Quanto ao interesse comunicativo, este está enraizado nas estruturas de relacionamento entre os seres humanos, fundado no entendimento mútuo entre estes e, portanto, o cerne da ação comunicativa.

Cabe ressaltar que as temáticas Estado, Ciência e Tecnologia e Democracia encontram–se dissolvidas no conjunto de sua obra e resultam em um modelo interpretativo que inclui as relações que se estabelecem entre os sujeitos que se comunicam para referir – se ao mundo. Para Habermas, “as instituições da moderna Democracia só têm razão de ser se tiverem sido elaboradas no interior de processos argumentativos livres de coação, acessíveis a todos os afetados e que obtenham a aceitação de todos com base no entendimento mútuo”(Habermas.1968.apud FREITAG,2001,p.177).

Não poderíamos negligenciar também, no plano epistemológico, a importância de substantivas reflexões sobre técnica e/ou tecnologia e sua correlação com modelos de desenvolvimento que já foram realizadas por autores clássicos (MARX;ENGELS ; MARCUSE ; HEIDEGGER ).

Alguns autores consideram que A Dialética da Natureza de Engels tinha outros propósitos para além da problemática em si, especificamente no que diz respeito à emergência e ao desenvolvimento das Ciências Sociais no séc. XIX que colocava em risco a validade da teoria marxista da sociedade e, por extensão, a classe operária estaria sofrendo as influências das concepções naturalistas. Sendo assim, a proposta de Engels na concepção da autora, foi elaborada a fim de resolver problemas políticos. (HAGUETTE,1990,p.147).

Quanto a contribuição de Marcuse, e a sua visão de que a tecnologia é socialmente determinada, encontra-se em Feenberg (2005) uma crítica bastante interessante que ressalta a contribuição da Escola de Frankfurt à luz desta perspectiva de Marcuse em contraponto a visão essencialista da tecnologia de Habermas.

Por fim, a contribuição de Heidegger que tem sido ressaltada como fundamento de uma filosofia da técnica.( BRUSEKE,2001).

Contudo, no cenário atual, onde as tecnologias de informação e o conhecimento tornam-se peças fundamentais, é necessário pensar os liames característicos deste novo modelo ou paradigma explicativo da realidade, cotejando-as com a problematização atual referida à questão ambiental (ACSELRAD, 2004; BRITO, 1998; LEFF, 2006; DUPAS, 2003).

Ressalta Gonçalves (2004b,p.09),na apresentação de uma das suas obras:“[...] a problemática ambiental não tem gozado de muito prestígio e tem sido invocada, quase sempre, de um modo instrumental, tático, enfim, muito mais como uma acusação aos males do capitalismo”.

Já Crubellate (2003,p.92) reforça, ao se referir à mesma questão no âmbito dos estudos na área de Administração: “[...] o ambiente ecológico como preocupação social e científica é antiga, mas em termos de teoria organizacional é ainda secundário raramente abordado sob a perspectiva que vá além da prescrição de modelos técnicos ou gerenciais”. Neste sentido, Stroh (2002,p.278) ressalta, se referindo à inserção do conceito de Desenvolvimento Sustentável em termo s de planejamento ambiental, que é possível se detectar alguns esforços de superação desta lacuna através de pesquisas e metodologias capazes de oferecer resultados conexos entre as várias áreas de conhecimento.

Entretanto, Gurgel (2003,p.22) aponta, em estudo sobre a gestão contemporânea, que as atuais teorias ou ideologias de gestão presentes nas teorias organizacionais sedimentam práticas de intervenção, que se destinam a adequar o ambiente das relações de produção à introdução de métodos e técnicas, embebidas de valores ideológicos do capitalismo neoliberal.

Em contraponto a estas perspectivas, é Pat Roy (2002,p.02) que chama atenção para a questão ambiental de maneira crítica quando assinala, através da sua hipótese, que: “[...] a atual expansão exponencial de nossa capacidade tecnológica, concentrada nas mãos de empresas oligopolistas, tem promovido a erosão exponencial de nossa biosfera”.

Ao longo da obra supracitada, este autor trata de apresentar quais os elementos deste novo período que têm as biotecnologias como peça central, através de um enfoque sintetizado na sigla E.T. C (Erosão: cultural e ambiental; Tecnologia: o papel transformador da mesma na sociedade; Concentração: do poder empresarial e do domínio de classe) que

Esta proposição tem como princípio a inter–relação de diferentes dimensões contidas no escopo das organizações, e, sobretudo, da prática social com a construção e consolidação de novos regimes e culturas democráticas considerando-se que o conteúdo destas dimensões permeia as relações sociais no âmbito das organizações.

A partir desta configuração, entende-se que a problemática das novas biotecnologias evidenciadas a partir dos impactos derivados dos OGM’s /Transgênicos assume a liderança em termos de desafio teórico /analítico tendo em vista que destas são decorrentes não somente a produção de bens e serviços, mas, sobretudo, de conhecimento e, por resultante, mediados pelo Estado.

Neste sentido, não perderemos de vista o eixo comum da compreensão de tal interface, a saber, o entendimento das organizações como resultante de um conjunto articulado de relações sociais assimétricas, em um determinado contexto político, econômico e social.

Para O’Donnel (1993,p.125), particularmente no que diz respeito ao Estado, é necessário evidenciar as seguintes questões sobre a pertinência dessas relações assimétricas, ao considerar que: “Um conjunto de relações sociais que estabelece uma certa ordem e a sustenta com uma garantia coerciva centralizada sobre um dado território [...] Esta ordem não é igualitária e imparcial, ela sustenta e ajuda a reproduzir as relações de poder assimétricas”.

Considera-se, em decorrência das relações assimétricas gestadas no âmbito e a partir da esfera estatal para o conjunto da sociedade, que a problemática contida nas novas biotecnologias com seus novos sujeitos, tem como princípio, a disputa sobre o controle efetivo, sobre os processos biológicos, que resulta ainda em uma superposição e imbricamento de vários ramos do conhecimento os quais permitirão uma leitura e interpretação da questão ambiental enquanto campo dialético de variadas ações organizacionais.

Os reflexos e impactos provocados pelas novas biotecnologias ganham um significado social ainda de caráter emblemático, tendo em vista que, neste campo, estão imbricadas as dimensões sociais, culturais e políticas que solicitam uma incursão de

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