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Model evaluation

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3.5 Experimental results

3.5.1 Model evaluation

A variável dependente foi o acesso à educação superior no Brasil na modalidade graduação e foram considerados todos os alunos matriculados no ensino superior de graduação identificados nas Pnads de 1995, 1999, 2003, 2007 e 2011. As variáveis explicativas estão divididas em blocos de variáveis, conforme descrito abaixo:

A) Características sociodemográficas

 Idade: anos completos conforme observado nas Pnads selecionadas;

 Cor: utilizar-se-á a autodeclaração, conforme padrão do IBGE, em Brancos, Pardos, Negros, Indígenas e Amarelos. A análise desta variável permite averiguar a inclusão racial (ARANHA; PENA; RIBEIRO, 2012);

 Local de moradia: localização geográfica dos domicílios dos estudantes. Esta variável pretende captar as diferenças regionais em relação ao acesso ao ensino superior, bem como se está ocorrendo a interiorização do ensino superior no país. Foram analisadas se os estudantes moravam nas regiões metropolitanas, na área rural ou urbana e em qual região geográfica do país no momento da pesquisa.

B) Características familiares

 Tipo de família: especificamente é a composição da família. Esta variável é relevante, pois permite caracterizar o perfil das famílias em consonância com os argumentos de Boudon (1979; 1981), e também porque a família representa um recurso diferenciado que afeta a situação dos seus membros (HASENBALG, 2003). Esta variável mostra força quando se analisam as decisões sobre as oportunidades escolares e permite averiguar o número de famílias monoparentais e nucleares;

 Condição na família: pretende-se verificar o alcance educacional entre os componentes das famílias;

Renda familiar per capita: para verificar os recursos econômicos da família. De acordo com Silva e Hasenbalg (2002) e Soares e Collares (2006) este recurso geralmente é denominado „capital econômico‟. Foram averiguadas as rendas familiares por salário mínimo e nominais para cada ano.

Especificamente para os estudantes que tiverem na condição de „filhos‟ nas famílias, serão analisadas também as variáveis a seguir.

C) Características do chefe da família

 Escolaridade do chefe da família: afere o nível de instrução do responsável pela família por representar componente importante da herança cultural de uma família e influencia na tomada de decisão em investir em educação para seus dependentes. Também influencia as transições educacionais e é uma medida importante de capital

cultural (SOARES; COLLARES, 2006), uma vez que “[...] pais mais educados tendem a ter uma renda familiar maior, o que eleva as possibilidades de se obter melhores resultados educacionais” (WING; HONORATO, 2011, p. 105). Esta variável será mensurada através dos anos de escolaridade completos que, de acordo com Hasenbalg (2003), pode ser uma proxy de capital cultural;

 Ocupação do chefe da família: variável mais importante para completar um ciclo educacional, do que para iniciá-lo; procurou-se converter as ocupações dos pais dos estudantes na condição de „filhos‟ nas famílias classificadas pela Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) pelo mesmo esquema de classificação citado.

D) Características sócio-ocupacionais

 Trabalha ou não: verificar se os graduandos só estudam ou também trabalham. Utilizou-se como referência a semana de realização da pesquisa da PNAD;

 Composição sócio-ocupacional: optou-se por converter as ocupações dos estudantes que também trabalhavam classificadas pela Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) pelo esquema de classificação desenvolvido por Erikson, Goldthorpe e Portocarrero (BERTONCELO, 2009; SCALON; SALATA, 2012), conhecido como EGP. O esquema EGP de 12 posições foi convertido em sete posições (Quadro 5).

Quadro 4 - Conversão do Esquema EGP de 12 para sete categorias / posições ocupacionais

EGP 12 EGP 7

I - Higher-grade Profs & Adm I - Profissionais e administradores especializados

II – Lower-grade Prof & Adm II - Profissionais e administradores não especializados

IIIa - Higher-grade Routine non-manual

IIIb -Lower-grade Routine non-manual work III - Trabalhadores não-manuais de rotina IVa - "Small" proprietors, with employees

IVb - "Small" proprietors, without employees IVc2 - Rural Self-employed

IV - Pequenos proprietários V - Technicians and superv. manual work

VI - Skilled manual workers V - Trabalhadores manuais qualificados VIIa -Semi- & unskilled manual workers VI - Trabalhadores manuais não qualificados IVc - Rural employers

VIIb - Agricultural Workers VII – Trabalhadores rurais

E) Esquema de Classes

A classe continua exercendo uma grande influência sobre as vidas dos indivíduos e o pertencimento a uma classe está correlacionado a uma série de desigualdades, que abrangem desde a saúde até o acesso dos indivíduos à educação e às ocupações bem-remuneradas. De acordo com Giddens (2005, p. 251) “[...] a expansão do ensino superior, o maior acesso às qualificações profissionais e o surgimento da internet e da „nova economia‟ estão mostrando novos canais para a mobilidade ascendente”. Esses aspectos podem estar rompendo antigas barreiras de classe e auxiliando a moldar uma sociedade com maior fluidez social.

Nos estudos sociológicos, a estratégia adotada pelos pesquisadores para empregar o conceito de classe é o da sua operacionalização por meio de esquemas utilizados para identificar e descrever a estrutura de classes em uma sociedade. Um aspecto comum destes esquemas de classes é ter como base a estrutura ocupacional. Os esquemas de classe fornecem um mapa onde se pode verificar o posicionamento demográfico dos grupos e permitem acompanhar a movimentação destes na estrutura de classe ao longo do tempo. Scalon e Santos (2010, p. 85) afirmam que há “uma influente vertente de construção de esquemas de classe para a análise de levantamento de dados amostrais” e estes apresentam a possibilidade de adequação ao conceito de classe definido em cada tipo de estudo a ser realizado, além de uma série de vantagens que permitirão ter uma melhor compreensão do fenômeno pesquisado.

Os esquemas de classe podem ser descritivos ou relacionais. São descritivos quando refletem somente a estrutura ocupacional e de classes de uma sociedade, não explicando, porém, os processos que originaram as desigualdades naquelas estruturas. Os relacionais além de mapear estas estruturas, também buscam explicar a relação entre as classes. Exemplos destes esquemas de classe é o de Erick Olin Wright (neomarxista) que demonstra como ocorrem os processos de exploração das classes e o de John Goldthorpe (neoweberiano) que busca mostrar a estrutura de classes de forma relacional nos estudos de mobilidade social.

As divisões de classe, de acordo com Weber, derivam do controle dos meios de produção e das diferenças econômicas existentes e independentes da posse de propriedades. “[...] Tais recursos incluem especialmente as aptidões e as credenciais, ou qualificações, que influenciam no tipo de emprego que as pessoas são capazes de conseguir [...]” (GIDDENS, 2005, p. 236). Weber elaborou sua abordagem sobre a estratificação social através do aperfeiçoamento e modificação da abordagem de Marx. Assim, a „posição de mercado‟ do indivíduo exerce uma forte influência sobre suas „oportunidades de vida‟, ou seja, ao possuir

mais qualificações, os indivíduos terão mais credenciais e se tornam mais valiosos do que os outros indivíduos que não as têm.

Weber levou em consideração os conflitos existentes em relação à posse de recursos e poder, e também considerou que a estratificação era moldada poderia ser moldada pelo status e partido. O status na teoria weberiana corresponde aos estilos de vida nas sociedades modernas, pode sofrer variações que independem das divisões de classe e é expresso na forma como o indivíduo se veste, em seu tipo de moradia, no modo de falar, na ocupação, entre outros, sinais estes que compõem sua posição social. Weber apontou que além da posse dos meios de produção, os indivíduos possuem valores e atitudes que lhes atribuem um sentimento de pertencimento a um grupo, estrato ou classe específica. Assim, a luta entre as classes existe porque os grupos lutam por recursos e vantagens na sociedade. Os contextos de classe influenciam como os recursos ou atributos terão impactos sobre a vida das pessoas como, por exemplo, a educação só poderá ser associada aos ganhos adicionais de renda se as posições de classe possibilitarem (WRIGHT, 2008).

O mercado determina as chances de vida, pois as relações de mercado têm uma forte influência nas interações econômicas e estas determinam as classes, ou seja, as classes referem-se mais especificamente às posições demarcadas por estas interações realizadas entre os diferentes sujeitos e seus grupos e estas, por sua vez, possibilitam a posse de recursos ou habilidades específicas que se convertem em recompensas como renda, segurança no emprego, expectativa de progresso, autoridade, entre outros (SCALON; SANTOS, 2010).

Uma das críticas à teoria marxista tradicional é a não realização da previsão de Marx acerca da proletarização, o dualismo de classes e o consequente esvaziamento dos estratos intermediários. O desenvolvimento do capitalismo não rumou nesta direção. Pelo contrário, ao longo deste desenvolvimento surgiram múltiplas e complexas classes médias devido à especialização, o avanço tecnológico e a crescente divisão do trabalho. A respeito desta crítica, Scalon (1999) chama atenção para o fato de que ao definir as classes por meio de um maior número de aspectos, a perspectiva weberiana obtém uma melhor compreensão sobre a complexa estrutura de classes na atualidade e consegue averiguar que as classes se transformaram, deixando de ser somente agrupamentos econômicos para se tornarem também agrupamentos políticos. Entre os principais teóricos neoweberianos, se destaca John Goldthorpe que, junto com Erickson e Portocarrero, desenvolveu o esquema topológico EGP (Erickson-Goldthorpe-Portocarrero) utilizado em diversos estudos recentes da sociologia. Este esquema se baseia tanto em pressupostos da sociologia clássica como nos da sociologia moderna, considerando todas as características ocupacionais do mercado de trabalho e

relaciona a situação de mercado que corresponde à posição socioeconômica do indivíduo e a situação de trabalho que o indivíduo vivencia em sua ocupação (SCALON; SANTOS, 2010).

4 – CARACTERÍSTICAS DOS GRADUANDOS

Nas sociedades modernas o sucesso pessoal está ligado ao êxito educacional, uma vez que muitos indivíduos consideram este êxito como um meio para possuir uma boa situação financeira e possibilidade de ascensão social. A conquista deste sucesso através da educação é ainda mais importante para os indivíduos pertencentes a camadas economicamente menos favorecidas, uma vez que a educação é vista como a única forma de ascender socialmente: “como forma de compensar as desigualdades de renda e o pouco prestígio social, as famílias mais pobres veem na educação a oportunidade que seus filhos têm de subir na vida” (DEMETERCO, 2009, p. 94). As decisões sobre fazer ou não a matrícula, em qual escola estudar, até qual nível escolar investir, entre outras, são tomadas pelos estudantes e suas famílias mediante o cálculo econômico e/ou normativo dos custos, riscos e benefícios envolvidos (BOUDON, 1981; MARTELETO, 2002). Este cálculo depende do nível de escolaridade dos pais, das condições econômicas e sociais das famílias e do contexto social e econômico de cada época. “A forma de tirar proveito do acesso à educação dependerá das exigências compulsórias do governo [...], além das necessidades individuais e familiares, bem como do capital disponível [...]” (TELLES, 2003, p. 199).

Para verificar se, com a recente expansão do ensino superior, está realmente ocorrendo a democratização do acesso a este nível de ensino, pretende-se neste capítulo identificar as características dos grupos e indivíduos que tiveram acesso, ou seja, que se matricularam na graduação no país nos últimos ciclos políticos presidenciais de Fernando Henrique Cardoso – FHC (1995-1998 / 1999-2002), Luís Inácio Lula da Silva – Lula (2003-2006 / 2007-2010) e do primeiro ano (2011) de Dilma Rousseff. Desta forma, espera-se constatar se essa expansão tem se democratizado e proporcionado a inclusão de grupos tradicional e historicamente excluídos na educação superior, especificamente neste trabalho na graduação.

Para tanto, na primeira seção deste capítulo serão examinados os dados educacionais dos estudantes matriculados na graduação no país a partir das informações das Pnads dos anos de 1995, 1999, 2003, 2007 e 2011. Na segunda seção, serão apresentadas e discutidas as características sociodemográficas, geográficas, familiares e sócio-ocupacionais destes estudantes. As informações serão demonstradas de acordo com os ciclos políticos presidenciais para que as frequências absolutas e relativas apresentadas possibilitem melhor compreensão sobre o objeto de estudo.

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