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CHAPITRE 2 REVUE DE LITT´ ERATURE

2.2 Interaction fluide-structure en grands d´eplacements

2.2.2 Mod´elisation de la structure

removendo sedimento observado na Foto 2.53. Foto:

Miriam Cunha. Julho/2008.

O transporte eólico, é fundamental no balanço sedimentar, refere-se à troca de sedimento transversal a linha de costa, fator fundamental para aumentar a zona de resiliência (Eurosion, 2008). Esta disponibilidade de sedimento para esta área específica está correlacionada com bons anos de precipitação (1985, 2003 e 2007).

Através do acompanhamento visual e de fotografias de pequeno formato vale destacar que no período de 1988 a 2008 o transporte de sedimento eólico mais significativo de aporte de sedimento para o Campo de Serra foi no ano de 2003, podendo ser observado na Foto 2.53. Isto coincide também, com a abertura natural de um Canal de maré a sudoeste da Ilha Ponta do Tubarão, permitindo naquele momento que o canal de maré vazante que carreava sedimento paralelo a linha de costa, tivesse o seu fluxo desaguando a noroeste do Campo de Macau. O campo de Serra, instalado numa estreita barra arenosa, provavelmente, toda a atividade encontra- se comprometida: duas bases encontram-se instaladas em área que está em processo de assoreamento, uma base comprometida ora pela erosão ora pela acresção de sedimento e uma base isolada pela abertura do canal de maré.

Ao longo de 40 anos (Figura 2.16E), 1967 a 2007, observa-se na área dos campos petrolíferos, um volume significativo de transporte de sedimento remobilizando da Ilha do Tubarão, houve uma acresção de 1,49 km2 e erosão de 0,49 km2.

¾ Análise multitemporal quantitativa da subárea III (1977 à 2007).

A Figura 2.17 representa o resultado do monitoramento da área compreendida entre a Ilha barreiras Cambuba e a Ilha barreiras Camapum, ao longo de 30 anos (1977 a 2007). A Ilha Camapum localiza-se à margem esquerda o Rio Açu, à sua margem direita os canais de maré Conceição e Casqueira e, banhada na porção Sul pela Gamboa do Alagamar e Gamboa dos Barcos. Analisando o balanço sedimentar para esta área houve uma acresção de 0,40 km2 e erosão de 0,93 km2 com um déficit de 0,53 km2.

É importante resgatar que o processo erosivo desta região tem como registro histórico de grande significância o desaparecimento da Ilha barreira Manoel Gonçalves, entre 1818 e 1857 (Moura, 2003). Esta Ilha localizava-se entre o Canal de maré das Conchas e o Rio dos Cavalos e com o seu desaparecimento toda a comunidade se transfere para Ilha barreira, atual sede da cidade de Macau. Com este registro, fica identificado o mais antigo processo erosivo da região, demonstrando que estes processos são gerados por causas naturais. A construção do istmo Macau/Salinópolis foi realizada no período de 1870 a 1877 quando a ilha foi interligada ao continente (Moura, 2003). Atualmente, a ponte interligando ilha barreira Macau à Ilha de Santana, encontra-se em fase de construção, proporcionando a cidade de Macau realizar a sua ampliação para esta nova área. A Cidade de Macau, historicamente convive com o processo de erosão costeira desde a sua origem. A construção da Salina União a sul da Gamboa do Alagamar ocorreu em 1960, sendo a primeira intervenção antrópica sobre a ilha Camapum. Em 1984 houve registro de erosão da ilha, após a instalação do acesso urbano, quando a Gamboa Alagamar foi fechada para construir o aterro na praia do Camapum, ficando assim por 17 anos. Em 1988, é instalado o calçadão, porém, o processo de erosão ocorre fortemente desde 1984. Percebe-se que a acresção noroeste-sudeste da Ilha Camapum, tem uma forte contribuição da célula sedimentar dos canais de maré (Foto 2.55).

A Figura 2.17A representa a análise da subárea III ao longo de 12 anos (1977 a 1989), observando-se no período ciclos erosivos mais intensos, destacando-se o processo do estreitamento da Ilha no sentido norte-sul de 137 m, possivelmente a construção do calçadão longitudinal à praia agravou a erosão. Ocorreu acresção na Barra da Ilha de 137 m a leste no sentido noroeste-sudeste, possivelmente da célula sedimentar transportada pelos canais de maré Conceição, contribuindo para as ilhas do Camapum e Casqueira e para a Ilha do Paraíso (Foto 2.56).

Fig ura 2 .17 – An álise mu ltitempo ral d a sub área III, co mp reen di da en tre a Ilh a Barreira da Cambub a no Pon tal do Alagamar e Ilha barreira Camapum n no p er íodo d e 1 977 à 20 07 .

Foto 2.55 – Três níveis de ilhas barreiras: no primeiro plano Corta Cachorro, ao centro ilha do Paraíso e a direita do segundo plano, ilha barreiras Camapum. Percebe-se nesta foto, a contribuição da célula sedimentar costeira do Canal de maré da Conceição contribuindo durante o fluxo de corrente de maré vazante no transporte de sedimento e em conseqüência disso, na construção noroeste-sudeste da ilha do Camapum. Já o Canal do Arrombado, contribuindo para a acresção do Corta Cachorro. Foto: Getúlio Moura. Out/ 2006.

A Ilha Cambuba apresenta erosão de 115 m e acresção de 460 m a oeste, sedimento proveniente da erosão da própria Ilha e transportado por deriva litorânea. O Canal de maré do Alagamar apresenta largura de 94 m. O processo de erosão é tão inteso quanto aquele observado na subárea I no mesmo período. Acredita-se, a construção da barragem Armando Ribeiro combinada com o barramento do Rio dos Cavalos e do Canal de maré das Conchas, possivelmente comprometeram a reserva fluvial de sedimento a oeste da área neste período estudado. Analisando o balanço sedimentar para este período houve uma acresção de 0,15 e erosão de 0,62, com um déficit de 0,52 km2.

A Figura 2.17B representa a análise da subárea III entre 1989 e 1998, podendo ser este trecho considerado o modelo de ciclos de acresção e erosão ao longo de toda a área. A erosão na Ilha do Camapum ocorreu tanto a barlamar, quanto a sotamar do calçadão urbano com variação de 65 m a 140 m. A migração de maior significância ocorreu na Barra da Ilha com migração de 134 m leste e 140 m norte–sul na ilha do Camapum, a sotamar do calçadão. Já na Ilha da Cambuba, o crescimento do spit, de maior significância foi o Pontal da barra do Alagamar com 261 m, sentido noroeste. O domínio da maré enchente é predominantemente observado nos bancos de maré enchente com crescimento de 95 m na Gamboa do Alagamar. Na Ilha Cambuba durante este período ocorreu a acresção de maior significância com acresção variando de 75 m a 150 m norte, ocorrendo uma erosão de 73 m norte. O último evento de La Niña ocorreu em 1985, provavelmente este sedimento estava disponível na reserva fluvial da bacia hidrográfica Piranhas-Açu, sendo retrabalhado pela deriva litorânea, proporcionando o assoreamento do Canal de maré do Alagamar de 94 m (1977-1989) para 73 m (1989 a 1998). Analisando o balanço sedimentar para esta área houve um acrresção de 0,40 e erosão 0,17, com um superávit

A Figura 2.17C, observa-se durante o período de 1998 a 2007 o agravamento da erosão, em comparação com o período de 1989 a 1998. Entre os anos de 2000 e 2004 ocorre à instalação dos gabiões e a instalação de um bueiro com passagem restrita na Gamboa do Alagamar que se encontrava anteriormente fechada. Percebe-se também, o fechamento do Canal de maré dos Barcos para ampliação da atividade Salineira (Foto 2.56). A erosão na Ilha do Camapum ocorreu concentrada em torno dos gabiões e do calçadão urbano, sendo, a zona de maior pressão costeira localizada a sotamar do último gabião com erosão de 190 m norte-sul. Percebe-se sedimento eólico depositado na região lagunar aproximadamente 200 m sul, ficando aprisionado devido o acesso à praia. Já na Ilha da Cambuba ocorreu erosão de 150 m a norte, sendo este sedimento erodido e acrescido a noroeste em torno de 261 m. No canal de maré enchente ocorreu uma abertura significativa de 73 m (1989 a 1998) para 260 m leste, sendo a maior erosão na barra oeste, da Ilha Camapum e uma pequena acresção a nordeste de 122 m (Foto 2.57).

Foto 2.56 – Percebe-se na foto em primeiro plano,

interrupção da Gamboa dos Barcos para ampliação da atividade Salineira. Em segundo plano à nordeste crescimento do spit das Ilhas do Paraíso e do Fernandez, a esquerda a Barra da Ilha e a Gamboa do Alagamar. Foto: Getulio Moura. Dez/2001.