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7.3 Propri´ et´ es radiatives des gouttes Al/Al 2 O 3

7.3.2 Mod´ elisation des propri´ et´ es radiatives des particules

A partir da tradição clássica e medieval, o tratado de Alberti, com uma ambição antropológica, realiza um epistemológico desviar de atenção e reflexivo “corte”; ao leitor apressado o inovador tratado “albertiano oculta a sua estrutura”; mas, na sua organização lógica e rigorosa, a importância da história e do tal passado antigo, é a marca clara “de uma visão prospectiva”. (Choay, 1996: 17 e 78) Já um texto de Alberti sobre arqueologia Descriptio urbis Romae (1432-1434), precedendo o De re aedificatoria, fundamenta e justifica o seu favorecimento de uma conservação, em relação à demolição para nova construção; para ele, a própria beleza suscita a utilização, o que leva à necessidade de preservar. Com a leitura fundamentada de Choay e de Krüger, a singularidade disciplinar do De re aedificatoria adquire a dimensão de momento inaugural e constituinte, com uma inerente exigência de racionalidade da original “ruptura albertiana”, que fundou a “emancipação do acto de edificar”. (Choay, 1996: 289 e 290) De acordo com o que pode ser designado por princípio vice versa, o “tratado de arquitectura exalta a edificação [...] que permita aos homens realizarem-se enquanto constroem o mundo”, abrindo assim a variedade física da edificatória “à imprevisibilidade da imaginação e do desejo dos homens”; e, no edificatório “saber albertiano empírico [...] imbuído de aristotelismo”, reconhece-se então “o problema da complexidade [da] natureza humana [...] do inato e do adquirido, no seio da dialéctica do natural e do cultural”. (Choay, 1996: 291 e 292)

Por intuição anterior à ciência moderna, “Alberti antecipa a abordagem de uma ciência da arte [...] no que respeita ao mundo edificado”. (Choay, 1996: 293) Na realidade foi profícua e prolífica essa “ideia albertiana segundo a qual a edificação foi inventada em prol do serviço da humanidade, devendo obedecer à conveniência e ao prazer tanto quanto à necessidade”; Alberti formula as leis essenciais, regras triádicas consubstanciais ao homem, à medida daquilo que é dialecticamente pois “a sua exigência e o seu desejo, manifeste-se este último no plano da comodidade ou no plano do prazer”. (Choay, 1996: 31 e 271)

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5. Tríade na Antiguidade

Tal como hoje é entendida, na plenitude, a tríade é a albertiana; é uma criação própria e não uma recriação da tríade vitruviana reafirmada a partir dos gregos. Desde a cultura mediterrânica, oliveira, trigo e vinha, a tríade é uma obsessão grega; com um valor independente da arquitectura, a necessidade, a utilidade e a beleza, têm uma orgânica presença viva e constante na Ilíada e na Odisseia; “[d]e forma tripla estão todas as coisas divididas”. (Homero, Il, XV, 189)

Homero, por intuição, refere-se à tríade: “Sobreviera a necessidade [...] que lhe pareceu mais proveitoso [...] mais aproximadamente te assemelho, pela beleza, pelas proporções [...] três vezes bem-aventurados”. (Homero, Od, VI, 136-154) Com consciência das qualidades dos números, Alberti refere que “os filósofos afirmam que a natureza consta de um princípio ternário” (Alberti, 1452: 595); de facto, é sem surpresa que encontramos a inevitável tríade entre os gregos e, já completamente estável, também em quase todos os textos de Aristóteles. Na Poética, Aristóteles afirma que “não seria belo [...] porque faltaria a visão de conjunto, [...] a unidade e a totalidade”, e só o que convém mesmo, é possível, “por liame de necessidade”. (Aristóteles, Poética, I, 7, 1451a, 1 e I, 9, 1451b, 8) Na Política, Aristóteles afirma, no que respeita à disposição das casas na polis, “serão tanto mais agradáveis e cómodas quanto melhor distribuídas [...] para uma maior segurança em caso de guerra”. (Aristóteles, Política, II, 7, p. 70) Na Ética a Nicómaco, Aristóteles afirma “[a]ssim é o bem, o prazer e o útil”; tem então em vista “suprir às necessidades presentes, [...] ao bem necessário, ao longo de toda a vida”. (Aristóteles, EN, VIII, 2, 1155b, 20 e VIII, 9, 1160a, 23) Na Retórica, Aristóteles afirma que, com certo prazer, o homem vai para além “do que o necessário, [...] que o útil é um bem só para nós mesmos, ao passo que o belo é um bem absoluto”. (Aristóteles, Retórica, II, 13, 1389b, p. 196) Na Eneida, Virgílio defende na arte admirável, “que nisso useis as vossas ágeis mãos, é agora necessária toda a vossa perícia de mestres”, para coisas dignas “escolhidas pela sua beleza”. (Virgílio, Eneida, VIII, 434-463, e IX, 265-301)

6. Tríade Vitruviana

A tríade grega foi uma inspiração para Vitrúvio, que realizou uma grata síntese, e uma aspiração para Alberti, que realizou pois um verdadeiro reflorescimento; Vitrúvio conseguiu “sistematizar ideias [...] em que a praxis construtiva romana se ia destacando [...] aos sete livros sobre aedificatio juntou mais três sobre hidráulica, gnomónica e mecânica para completar o número ideal pitagórico de dez”; para ele, a arquitectura “consta da ordenação (ordinatio), da disposição (dispositio), da euritmia (eurythmia), da comensurabilidade (symmetria), da conveniência (decor) e da distribuição (distributio)”. (Maciel, 2006: 12 e 18) Contudo, verifica-se que a própria tríade vitruviana, firmitas, utilitas e venustas, e sendo limitada até pelos conceitos mais redutores dos seus três elementos, é assim, apenas enunciada e objecto de uma abordagem incipiente e inacabada, no Livro I, Capítulo 3, Parágrafo 2, voltando a ser incompleta e incidentalmente referida ora, apenas novamente, em VI, 8, 10. (cf. Maciel, 2006: 41 e 241) Portanto, como vimos, o sistema de Alberti pouco seguiu o modelo de Vitrúvio; e, porque em tudo é preciso conhecer um certo sentido orientador aristotélico, teleologicamente em consonância com certas dimensões da natureza humana, e presumivelmente tratando da estética edificatória e da ética edificatória, no De re aedificatoria é definida a harmonia como efeito da tríade (cf. capítulo II). A tríade é coisa humanamente natural; apesar de não terem conhecimento de Vitrúvio, quer Agostinho quer Boécio, também se referiram à noção triádica. Nas Confissões, Agostinho afirma, entusiasmado, os méritos da aprovação “da vossa firmeza [...] Com grande prazer, meditava no ‘Belo e Conveniente’ [...] admirando-a na minha imaginação”. (Agostinho, Confissões, I, IV, 14, p. 106) Na Consolação da Filosofia, Boécio afirma, “procuram libertar-se de qualquer tipo de necessidade?” e “até nas coisas mais pequenas se procura aquilo que dá gosto ter e usufruir?” (Boécio, De Cons Philos, III, Prosa 2, 14 e 18, p. 81) Naturalmente, uma acomodação cristã da tríade, na Antiguidade Tardia e na Idade Média, foi influente para o aprofundar do próprio pensamento de Alberti.

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7. Tríade Albertiana

A holística tríade albertiana, necessitas, commoditas e voluptas, que parte de uma necessidade, centra-se na comodidade, para atingir o prazer da beleza, permite libertar do “espartilho vitruviano”. (Thoenes; in Evers, 2003: 10)

A complexidade contemporânea permite desenvolver os elementos da tríade, aprofundando as suas valências e atribuindo-lhe novos significados; qualquer afirmação actual relevante em relação à harmoniosa natureza da arquitectura pode ser legitimada hermeneuticamente pelo teste da tríade (cf. capítulo II). Este esquema, organizado como a trilogia da tragédia, encontra-se em outras ciências humanas, uma vez que estão relacionados com a natureza da vida; segundo Philippe Boudon (1971), numa classificação da evolução do conceito, actualmente está estabilizado um esquema trinitário de vectores vitruvianos, sob os termos encontrados em Pier Luigi Nervi, de estrutura, função e forma; para ele, verifica-se a permanência constante da tríade, através de diferentes sociedades da história, e que é explicada por naturais razões de hábito mental; ainda hoje a tríade é muito referida, mesmo que deficientemente citada; com um sentido do todo, esta trindade revela uma tri-unidade (cf. capítulo IV).

A real abordagem de Alberti “tem em conta três variáveis (a realidade das localizações, a exigência dos utilizadores e a sensibilidade estética destes)”; incluindo a acção da tríade, “os operadores albertianos permitem reencontrar os fundamentos e a dinâmica da edificação”. (Choay, 1996: 295 e 299)

Só nos resta profetizar uma segunda vinda da Tríade; a harmonizadora tríade satisfaz simultaneamente todas as prestimosas exigências, é operativa, está em concordância com o seu propósito e “joga um papel dinâmico e determina a ordem das partes solidárias e hierarquizadas do tratado”. (Choay, 2004: 20) Com o espírito pitagórico já confirmado por Aristóteles (cf. Ética a Nicómaco) e por Vitrúvio, o De re aedificatoria está organizado em dez livros; um decálogo que institui os Dez Mandamentos para a arquitectura; “Aristóteles considerava que o número dez era tido pelo mais perfeito de todos”. (Alberti, 1452: 596)

8. De Re Aedificatoria e Harmonia

“Assim, a primeira parte do De re aedificatoria (livros I, II, III) visa a edificação do ponto de vista da necessidade [...] da sua pertença à ordem da natureza [...]. A segunda parte (livros IV e V), consagrada à comodidade, está ligada à diversidade dos homens que [...] diferenciam o espaço terrestre [...]. A terceira parte [...] (livros VI, VII, VIII, IX), é dedicada ao prazer que engendra a beleza, fim supremo da edificação”; o décimo livro “tem por objecto a reparação dos defeitos susceptíveis de afectar o espaço construído”. (Choay, 2004: 20 e 21) Choay refere-se aos justos operadores do texto, como os axiomas (tríade, edifício-corpo, concepção, diversidade dos humanos, beleza/concinidade), os princípios metodológicos (economia, dialógico, tempo) e assim os operadores metamíticos (particularidade do homem, relação com a natureza, suporte da sociedade, beleza artística), que têm um papel dinâmico no desenvolvimento do tratado e no complexo conceito de harmonia. (cf. Choay, 2004: 21)

No livro X é notável o seu fim abrupto, que “revela o inacabamento do De re aedificatoria” (Choay, 2004: 29); contudo, intui-se que, ao tratar da reparação dos defeitos, numa abordagem de prevenção e terapia, própria da purificatória medicina hipocrática, o último livro pode significar uma aproximação simbólica não explícita à função harmonizadora e catártica da edificatória; também, como consequência, a hamartia, o irreparável erro trágico humano, pode ter paralelo com a arquitectura, suscitando a inevitável reparação para um reequilíbrio. A ubíqua tríade albertiana possibilita a pretendida harmonia (cf. capítulo III), de uma expressão arquitectural libertada da rigidez da regra, numa “procura por um todo que apresente concinidade, como na natureza”. (Krüger, 2011: 27) Denotando a perfeição do todo escolástica, uma ideia de harmonia importava aquando do concílio de Florença (1439), que esperava a unificação universal cristã das igrejas ocidental e oriental, separadas desde o cisma de 1054; Alberti confere à união das partes e à sua conjugação harmoniosa, uma intenção de valor programático, para unir o mundo, com consequências arquitectónicas.

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9. Aristóteles e Platão

No primeiro Renascimento italiano, como mero contraponto ao neoaristotelismo medieval, apesar da ideia de uma prevalência do neoplatonismo, foi realizada uma tentativa de concordância dos ditos complementares, entre Aristóteles, já como herói cristão, e Platão, como vilão pagão; esta conciliação está patente no pensamento de diversos humanistas, como Pico Della Mirandola (1486), e com uma subentendida presença incontornável na obra textual de Alberti. Importa aqui referir o constante trânsito entre o aristotelismo e o platonismo, presentes no entendimento quer de Françoise Choay quer de Mário Krüger. No De re aedificatoria, estão presentes evidências de platonismo, como por exemplo entre outras, o que respeita ao delineamento como concepção mental, à ideia de beleza ou à analogia casa-cidade; mas estão presentes evidências de aristotelismo em noções fundamentais, para além da visão da poética, ética, política, retórica e metafísica, no que respeita ao princípio de moderação e de parcimónia, à noção de tríade, à relação entre a matéria e a forma, à relação edifício-corpo, à noção de harmonia, à dialéctica causal da potência e acto. A presente tese problematiza que, se numa certa harmonia há o efeito estético, então há um potencial de catarse; desse modo, ao correlacionar a harmonia e a catarse, no campo do potencial, esses três conceitos de raiz aristotélica, a orientação da tese abre o ideal à realidade e inclina-se a valorizar Aristóteles na teoria arquitectónica de Alberti; a noção de tríade tem relevância aristotélica, mas é o consistente desenvolvimento albertiano, numa conjugação conducente à harmonia, que opera a intencional constituição da disciplina da arquitectura. Aliás, a arquitectura em Alberti tem um sentido muito aristotélico, com índole de realidade cuja existência tem alicerces terrenos e humanos; já uma idealidade platónica tem tendência à transcendência, pelo que o consciente meio-termo aristotélico é a essência do real equilíbrio; duvidando do ideal, com sabedoria prática, entre um vento incerto e estes remos disponíveis, Aristóteles defendia “a segunda melhor maneira de navegar”. (Aristóteles, EN, II, 9, 1109b, 1)