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Caract´ erisation des feux de propergol solide par approches exp´ erimentales . 11

A ferramenta “Nova jornada do usuário” foi utilizada para que os estudantes criassem novos cenários possíveis e novas formas de a UnB provisionar a assistência estudantil para os participantes. Nessa fase, ocorreu a simulação de experiências representativas de um ou mais aspectos dos programas de assistência estudantil, de forma a envolver o usuário para a criação de soluções. A ferramenta foi utilizada para expressão dos aspectos subjetivos dos programas. Foi necessário gerenciar as interações dos usuários a fim de compreender as soluções propostas.

A partir da análise e interpretação conjunta dos dados, os estudantes desenvolveram narrativas das ideias escolhidas. Esse processo ajudou a trazer significado e apelo emocional às ideias. A narrativa de cada tema agrupado foi construída a partir das perspectivas de ação (O que o estudante quer? O que ele está fazendo hoje para conseguir o que quer?), desafio (Quais as barreiras que impedem o estudante de conseguir alcançar seu objetivo?) e solução (Como esse desafio pode ser resolvido usando essa ideia? O que se propõe?).

A fase de prototipação serviu para a categorização e a análise dos discursos e narrativas produzidas pelos estudantes. As ideias e suas ações foram colocadas dentro de fluxos, visando a construção de um plano que apresentasse início, meio e fim, classificados por grupos temáticos, para que se pudesse criar uma jornada futura. A sequência lógica concedida aos post-its deveria justificar as ações concebidas para cada ideia gerada, sugerindo melhorias aos programas de assistência estudantil. Na figura 60 podemos observar o enorme potencial de ideação dos grupos focais, mediados por metodologias do design participativo.

Figura 60. Análise da prototipação das oficinas Fonte: elaborado pelo autor com base na pesquisa realizada

A prototipação foi essencial para o grupo experimentar se as ideias geradas ao longo de todo processo faziam sentido. Esse processo possibilitou, num espaço de tempo de 3 horas, que 5 pessoas produzissem 20 soluções durante a oficina 1 e 3 pessoas produzissem 25 soluções durante a oficina 2. Na oficina 1, foram geradas 110ideias por meio de post-its, enquanto na oficina 2, foram geradas 86 ideias. Essa ideação englobou problemas, sentimentos, experiências, melhorias e soluções tangibilizadas por meio da prototipação.

As oficinas foram importantes porque provocaram a discussão de questões em camadas mais profundas de expressão, relativas ao contexto de vida e de experiências dos estudantes, como questões de raça e gênero, acolhimento, preconceito, empatia, racismo, saúde mental, justiça social, identidade, cultura, política e etc.

Em seguida, aconteceu o fechamento da oficina, com reflexões e apontamentos de cada participante que ajudaram a validar a importância das metodologias do design participativo para a inovação social (ver ANEXOS 9 e 12).

A partir dos dados coletados ao longo das oficinas, sobretudo, na etapa de prototipação, apresentamos, nas figuras 61 a 62, soluções encontradas nos discursos e nas produções visuais dos estudantes, sob a forma gráfica.

Figura 61. Prototipação – Oficina 1

Em relação à permanência, um dos anseios dos estudantes indígenas é tornar a Bolsa Permanência do MEC um direito, aprovado por lei e não mais como decreto. Hoje em dia, os estudantes indígenas participam da avaliação socioeconômica juntamente com todos os estudantes da UnB que pleiteiam as bolsas e auxílios, e esse, segundo os relatos, é um dos grandes desafios para conseguirem acesso aos programas de assistência estudantil.

No ato da matrícula, o estudante precisa encaminhar muitas documentações. Existem estudantes indígenas que não possuem acesso à internet ou que possuem dificuldades de realizar o processo de inscrição, que agora é online. Segundo eles, faltam orientações no edital ou do próprio Cebraspe para realizar o processo.

Pelos relatos, podemos inferir que as carências dos estudantes indígenas, em princípio, se concentram no acesso ao Programa. Nessa questão, é preciso levar em conta que os indígenas possuem documentação diferenciada. Na terra de origem eles não tinham contas de água, luz e IPTU, por isso, na avaliação, alguns deles não conseguem atender a exigências para a avaliação socioeconômica da DDS. A avaliação da documentação é igual para todos os alunos da UnB, porém há documentos que só os indígenas possuem, como a carteirinha indígena ou o RANI (Registro Nacional Indígena). São documentos que, geralmente, precisam de um prazo maior para serem produzidos.

Nesse mesmo caminho, os estudantes relataram que as contas de aluguel, água, luz e IPTU era algo que eles não tinham que se preocupar na aldeia de origem, inclusive em relação aos meios de subsistência, como a disponibilidade de terra para plantio. São características bem específicas desse grupo de estudantes.

Os indígenas buscam uma política de acolhimento diferenciada. Segundo os relatos, a maioria vem de aldeias longínquas, fora do Distrito Federal. Uma demanda recorrente deles é a destinação de alguns apartamentos da Casa do Estudante como alojamentos de trânsito até que eles possam se firmar em Brasília. Isso atenderia uma demanda de acolhimento logo após a matrícula. Da mesma forma, a demanda pela construção de uma casa de trânsito do estudante indígena foi uma demanda recorrente do grupo focal, que visa sanar os problemas não só de acesso, mas de permanência, de forma mais definitiva.

Outro ponto relatado é que a política de permanência precisa ser vista de uma forma mais particular, pois esses indivíduos possuem uma educação escolar

diferenciada, tanto do ponto de vista político, quanto pelo investimento por parte do Estado, muito abaixo dos alunos não indígenas.

Um ponto de destaque é o desejo de reconhecimento da cultura indígena como ciência acadêmica. Segundo eles, isso seria um modo de conseguirem reconhecimento, respeito e valorização nas universidades públicas.

De alguma maneira, a implementação do Laboratório de Linguística Indígena (Lalli) vem ao encontro das demandas e necessidades formuladas no grupo focal com os estudantes indígenas, pois estes sentem falta de algum processo dentro das universidades públicas que provem de forma escrita, e não só pela oralidade característica, que possuem um conhecimento cientifico indígena milenar e assim, poderem, eles mesmos, pela própria ciência, documentar suas culturas e tradições.

Além disso, foi relatada a necessidade, por parte dos estudantes indígenas, da valorização de pesquisas na graduação e pós-graduação, voltadas para a cultura indígena. Em termos de políticas de bolsas de pesquisa específicas para indígenas, a Capes, o MEC ou o CNPQ ainda não possuem editais específicos.

Em relação aos estudantes indígenas, o adoecimento causado, seja pela saudade de casa, incapacidade para estudar ou pela falta de respeito às suas crenças e cultura em geral, por parte de professores e alunos, são obstáculos para a permanência.

Outra demanda recorrente por parte dos estudantes indígenas é a representatividade dos seus pares nos conselhos universitários visando resistência cultural com participação da construção das políticas, seja da UnB ou do Governo Federal.

Abaixo (figura 62) são apresentadas algumas soluções encontradas pelos estudantes negros na oficina 2:

Figura 62. Prototipação – Oficina 2

Fonte: elaborado pelo autor com base na pesquisa realizada

Podemos observar que as reivindicações dos estudantes negros foram centralizadas principalmente nas questões da permanência, como acolhimento, respeito e saúde mental.

Uma demanda recorrente foi a melhor capacitação dos técnicos, professores e terceirizados que lidam com os estudantes vulneráveis. Os estudantes têm a necessidade de uma relação mais humanizada. São soluções levantadas a formação de grupos de trabalho específicos para acompanhar mais de perto esses estudantes, principalmente sobre a situação da saúde mental.

Segundo os relatos, existe dentro da UnB, por parte dos professores, um tratamento diferenciado para os estudantes negros participantes da assistência. Os estudantes negros relataram a necessidade de conscientização da comunidade universitária sobre a questão da assistência estudantil. Para eles, é preciso lembrar que os participantes são indivíduos em situação de vulnerabilidade. Tudo isso deveria ser refletido na forma de tratamento, com respeito, dignidade e empatia. Segundo os relatos, há pessoas dentro da UnB que se incomodam que outros estudantes tenham direito à assistência para acesso e permanência.

Em relação ao acolhimento, os estudantes negros ressaltaram a necessidade de abrir espaços de escuta como, por exemplo, reuniões semanais ou mensais, visando melhorar a comunicação com a DDS a fim de pleitear melhorias no atendimento e no próprio acolhimento realizado.