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Modélisations des problèmes de tournées de véhicules

Economista1

Onde começa verdadeiramente o Desporto e acabam os atos huma- nos e naturais que impliquem esforço, superação, concentração, técnica, seja para correr, saltar, trepar, içar, arremessar, pontapear, atirar, combater ou, até, morrer?

Tal como no estudo do evolucionismo biológico os espaços insulares se constituíram como autênticos laboratórios vivos – consequência do seu isolamento, da insularidade e da resistência às influências externas – tam- bém no estudo do nascimento e evolução do Desporto, as ilhas podem consti- tuir um espaço de observação privilegiado, na medida em que, desde sempre, foram palco de práticas singulares associadas seja à defesa do território e dos bens contra cobiças geográficas e económicas externas, seja pela resis- tência às invasões dos corsários, seja, ainda, por força da prática da guerra, ou do treino para esta, em tempo de paz .

Estas atividades, largamente influenciadas por uma forçada misci- genação cultural, originada pelas raízes dos primeiros povoadores que aí fi- zeram implantar e perdurar hábitos e práticas que, não sendo inicialmente do estrito foro desportivo, antes bélico, religioso ou meramente recreativo, ficaram associadas à cultura física e ao uso e desenvolvimento do corpo e da 1. Francisco Fernandes, (Funchal, 1952), economista, PhD Motricidade Humana, Mestre em Gestão do Desporto, Lic. Finanças. Foi docente de Matemática, Ciências Naturais e Estatística, Chefiou os Serviços Administrativos dos Aeroportos da Madeira, Presidente do IDRAM e membro do G. R. da Madeira, com o cargo de S. R. Educação e Cultura. É assessor do C. A. da ANAM e professor convidado da Universidade da Madeira. Tem uma vasta obra publicada.

mente de forma marcadamente agonística, protagonizadas por rotinas sin- gulares, designadamente as férras, as camisadas ou encamisadas e as cava- lhadas, cujas origens radicam nos dos séculos XV e XVI .

Imaginemo-nos, pois, numa recém-descoberta ilha atlântica e em pleno no século XV .

Na escuridão da noite grupos de homens abandonam as casas junto ao um dos fortes que protegem a costa e dirige-se para a zona do calhau . A escuridão é completa, para além dos reflexos do luar que tornam quase fan- tasmagóricas as vestes claras envergadas pelo grupo para estas atividades que tinham tanto de recreativas como de treinamento bélico, e que ficaram conhecidas como camisadas ou encamisadas .

Estas práticas, tal como as cavalhadas (exercícios equestres muito ao gosto da época, que mais parecia exército de guerra, que folgar de festa2) são

também um condimento indispensável para as celebrações, seja do que for . Em 1761, pelo nascimento de D . José, herdeiro do trono, o historiador insular Sarmento (1952) transcreve um acórdão da Câmara Municipal do Funchal, nestes termos:

«Este faustíçimo nascim.to, que se faça com a brevid. e pocível vista a demora q. tem avido p. a pronta execução deste festejo (trez dias de luminarias publicas com todas as enuençois (invenções) de fogos conduçente e percizos ao mesmo festejo) e nas tardes dos trez dias q. se ande asignar na pr.a: haverá huas cavalladas3 preparandose o curro

com aquele aceio percizo e competente p.a a mesma função4».

Quer as camisadas (ou encamisadas) quer as cavalhadas não são ca- racterísticas únicas da população insular .

De facto, em 1861, Camilo Castelo Branco, em Amor de Perdição5,

põe na boca do Mestre João da Cruz, referindo-se este às andanças de Si- mão Botelho, perdido de amores pela filha de Tadeu de Albuquerque: «Mas 2. SILVA, F e MENESES, C., (1921), Elucidário Madeirense, 4.ª Edição SREC, 1978. 3. A Argolinha é uma variante das cavalhadas, consistindo em o cavaleiro enfiar, a correr, uma argola dependurada a certa altura na sua passagem.

4. SARMENTO, A. (1952), Ensaios históricos da Minha Terra, vol. III, Funchal, CEHA-Biblio- teca Digital, pp. 82/83.

andar nessas encamisadas» .

Já as cavalhadas são celebrações portuguesas tradicionais com ori- gem nos torneios medievais, onde os aristocratas exibiam em espetáculos públicos a sua destreza e valentia . Eram essencialmente torneios que ser- viam como exercício militar nos intervalos das guerras e onde nobres e guer- reiros cultivavam a praxe da galantaria . «Em tempo de paz para que, pelo ócio, os homens não se tornem moles e efeminados6» .

No dizer do historiador Alberto Artur Sarmento, «Já os romanos diziam que era necessário dar ao povo pão e divertimentos . Ninguém pode estar alegre, tendo o estômago vazio, e é preciso distrair o espírito da plebe, para não pensar em coisas tristes7» .

O capitão donatário, o 3 .º da linhagem de Zargo, Simão Gonçalves da Câmara, O Magnífico, conforme refere um cronista da primeira metade do século XX, porque era…

«[…] dado a brincos e folgares, em frente da habitação mandou apla- nar o Largo da Péla e no caminho da Carreira, havia corridas de ca- valos. Touros e “férras” divertiam o povo, com prémios para a audácia dos lutadores.8 O capitão donatário “(…) era inclinado a ter sua casa

em que morava sempre acompanhada, para o que mandou fazer dos muros a dentro um jogo de péla, em que gastou mais de quinhentos cruzados, onde hiam folgar muitos da cidade e de toda a ilha9».

Manuel Constantino, historiador do Século XVI, na versão em latim da História da Madeira (traduzida em 1939 pelo Pde . João Baptista da Afon- 6. ARAGÃO, A. (1981), A Madeira vista por Estrangeiros (1455-1700), p. 94, Funchal, SREC/ DRAC.

7. SARMENTO, A. (1953), Ensaios históricos da Minha Terra, vol. II, p. 34, Funchal, CEHA- Biblioteca Digital, disponível em: http://www.madeira-edu.pt/Portals/31/CEHA/bdi- gital/madeira-geral/1947-AASarmento-Ensaios-2.pdf, data da visita: 25/05/2012 8. SARMENTO, A. (1946), Ensaios históricos da Minha Terra, vol. I, Funchal, CEHA-Biblio- teca Digital, p. 57, disponível em: http://www.madeira-edu.pt/Portals/31/CEHA/bdi- gital/madeira-geral/ 1946-ensaios-1.pdf, data da visita: 25/05/2012

9. FRUTUOSO, G. (1873), Saudades da Terra. História das ilhas do Porto Sancto , Madeira, De-

sertas e Selvagens, Funchal, CEHA-Biblioteca Digital, disponível em: http://www.madeira-

edu.pt/Portals/31/CEHA/bdigital/madeira-geral/1873-SAUDADES DA TERRA E NO- TAS ARA.pdf. Data da visita: 25/05/2012.

seca) refere que «Entre a plebe, porém, nenhum desporto é mais querido do que a “Férra”» .

E prossegue:

«(…) para a qual se treinam com paixão e sacrifício os homens, principal- mente os campónios, já em mira no louvor, já com a esperança nos pré- mios, pois que nos dias festivos são muitos os que vêm a combate, sendo- lhes concedidos prémios. Despidos das roupas exteriores, e até nús salvo as partes, preparam-se para a luta, não sendo mais de dois os que entram no campo da “férra”. Dêles o vencedor, se lhe apraz, uma vez e outras, entra na liça; aliás outros dois depois vêm á baila e lutam, mas o que é vencido não póde lutar mais, sendo, porém, altamente pindarizado aquele que ferrou, singularmente, com vários na arena e que os venceu, pois lhe é outorgada a palma e o premio. Tais atletas, porém, observam duas cousas: a primeira é que agarrem o adversário a geito, e a segunda que o “trompiquem” com os pés, em cujo movimento e jogo dos ditos, há um certo “truc” de enganar, para que o adversário caia direito ao chão, de cabeça obliquamente ou de costas, e como na feira ha muitos modos de enganar e são varias as quedas e deslises, assim tambem tem vários nomes o jogo de pés. Toda a arte da “férra” resume-se no agarrar a geito com as mãos e num certo giro dos pes e em ciladas, mais do que em força e músculos10».

No mesmo sentido vem Aragão (1981), em A Madeira vista por es- trangeiros:

«À plebe pede-se que tenha conhecimento da marinharia, que se entre- gue ao comércio, olhe pela agricultura, venere os nobres e, com o servi- los, lhes conquiste a graça e favor, aprenda a manejar as armas para servir na guerra, saiba música para animar os amores, dance, lute e toureie. Nestes dois últimos exercícios (…), superam de longe todas as outras nações11».

10. CONSTANTINO, M. (1939), História da Ilha da Madeira (Versão Portuguesa do Padre João Batista de Afonseca), pp. 39 e 40, Funchal, Tip. Diário da Madeira.

11. ARAGÃO, A. (1981), A Madeira vista por Estrangeiros (1455-1700), pp.97, Funchal, SREC/DRAC.

«(…) não há todavia para a plebe nenhum jogo mais célebre que a luta na qual os homens põem todo o seu empenho sobretudo os campone- ses, o que fazem não tanto para conquistarem louvores mas pela espe- rança de prémio.(…) Então os lutadores inteiramente nús, com excep- ção das partes pudibundas, se prepara para a luta12».

Pouco antes de 1750, sabe-se que o desporto favorito dos estudantes era uma espécie de tennis ou basketball em que procuravam bater uma bola de modo a que passasse entre um círculo metálico, aberto fixado no chão13 .

Chamavam-lhe ‘tocambocco’14, sendo também praticado outro jogo, parecido

com o nosso jogo das damas e chamavam-lhe “Dammer”15 .

«Muito mais tarde (1838) John Driver fala das corridas de cavalos (…) o principal exercício seria o pedestrianismo (…) e a natação prática corrente. (…) O futebol foi pela primeira vez introduzido em Portugal, no [Largo da Achada]16 Camacha, por um homem nascido na Madeira,

Harry Hinton, filho de ingleses, em 1875, e não como a tradição lisboe- ta reivindica, em 1876 pelos irmãos Pinto Basto17».

O cricket, jogo tipicamente inglês foi introduzido na ilha em 1888 (…) [e] o lawn tennis nos anos 70 ou 80 do século XIX (…) [sendo] o bilhar um dos mais antigos desportos praticados na Madeira .

12. Idem, p. 98

13. PAYNE, J. (1740), An historical Account of the Discovery of Madeira.

14. MARQUES DA SILVA, A. (1994), O quotidiano Madeirense – 1750/1900, Lisboa, Caminho.

15. Idem, p. 191.

16. Cf. SILVA, F. e MENESES, C. (1921), Elucidário Madeirense, 4.ª Edição SREC, 1978. Achada: Pequeno planalto da freguesia da Camacha, nas proximidades da igreja paroquial, em cujo perímetro se encontram uma torre isolada com seu relógio e uma pequena capela dedicada a S. José e construída no ano de 1924. É lugar pitoresco e bastante frequentado pelas pessoas que visitam aquela freguesia. Em outro tempo, era muito conhecido, entre os estrangeiros residentes na Madeira, pelo nome de Jogo da Bola e servia para diversos jogos desportivos. Dá acesso à antiga e aprazível quinta Grabham, em que se acha instalado o hotel da localidade.

Numa singularidade, única no Mundo, temos por volta de 1880, e perdurando até ao início da I Guerra, as extravagantes Esquadras Submari- nas de Navegação Terrestre, que não sendo propriamente uma organização desportiva, eram antes reminiscências das antigas organizações militares . Os elementos que as integravam mais não pretendiam do que divertir-se, e efetuar caminhadas que culminavam geralmente em festejos gastronómicos . Usavam fardamentos da marinha, armas em desuso, praticavam desfiles e exercícios militares . As suas fragatas e corvetas mais não eram do que, con- soante a categoria, as quintas pertencentes aos mais ricos membros da es- quadra18 .

«Estes postos eram as bases de ataque da “Esquadra” que tinha o seu “almirante” e “comodoro”. Cada domingo o chefe determinava onde se concentraria a frota e qual o objectivo do ataque: em regra uma boa adega nos arredores do Funchal. À hora marcada para o “raid”, esses pândegos – os “submarinos” – dirigiam-se, fora de caminhos, através de terras de cultura, agachados e a coberto de canaviais e bananeiras, até ao barco inimigo, isto é, a adega que deviam atacar. O comandante, quer dizer, o proprietário, surpreendido ou não, rendia-se sem abrir fogo, e as pipas ficavam, com o que havia nas despensas, à disposição dos agressores. A ofensiva terminava em lauta festa19».

Desta fase pré-desportiva o estudo mais exaustivo é da autoria de Santos, a História Lúdico-Desportiva da Madeira, no qual vem referido:

«Assim, os homens livres de então e sob formas que hoje quase sem relutância apelidaríamos de desportivas, dedicavam-se à caça, às ca- valhadas, aos jogos com bola (…) ao passeio a pé e/ou equestre (…)20».

No entanto…

«Nenhuma pessoa jogará à bola aos Domingos e Dias Santos antes

18. PESTANA, C. (1968), As Esquadras de Navegação Terrestre, Jornal da Madeira, prefácio 19. PESTANA, C. (1968), As Esquadras de Navegação Terrestre, Jornal da Madeira, p. 16. 20. SANTOS, F. (1989), História Lúdico-Desportiva da Madeira, Funchal, SREJE.

cial mecânico, nem homens trabalhadores, nem pessoas vadias, nem nenhum homem peão será achado, nos outros dias, a jogar, quando forem dias de trabalho (…) e sob a dita pena não consentirão jogar nenhum moço ou escravo21».

Encurtando a viagem e passando o início da fase desportiva, não dei- xa de ser curioso mencionar algumas singularidades do desporto ilhéu . O isolamento a tal obrigava . Em finais de Maio de 1913 o Jornal O Athenista, órgão dos Empregados de Comércio que se associavam numa das mais anti- gas (hoje extinta) agremiações desportivas, o Atheneu Comercial do Funchal, lançava a ideia de uns jogos, através de uma crónica:

«(…) Ao encetarmos estas despretensiosas apreciações desportivas do nosso meio, tivemos em mira somente pretender colaborar, dentro dos nossos limitadíssimos préstimos, com os bem intencionados pela divul- gação dos jogos ao ar livre, incutindo na ideia dos novos o gosto pelo desenvolvimento phisico, que tão depauperado se encontra, e arreigar- lhes no espírito a perseverança nas vissicitudes da vida.

O sport como muitos julgam não é só o desenjuativo da ‘infore niente’, ou um capricho dos momentos de ócio, phrase esta obrigada nos ‘five o’clock teas’ e dita por aquelles que em requintes de snobismo tentam cultiva-lo.

Os jogos de desporto, perante a geração actual, veem realizar uma missão muito mais elevada, não só como principal factor de cultura corpórea, como também, sob a sua guarda, o rejuvenescimento d’uma raça de rachíticos e estropiados22».

Lançada a ideia, a mesma recebeu logo reação de um dos sportsmen mais conceituado da época, Humberto dos Passos Freitas, que veio defender que a falta de ‘certamens desportivos’ se deve à falta de elementos, pois que iniciadores os há [ele próprio] dando como exemplo a organização do 1 .º Team de Football, em 1909, as Festas Sportivas por ocasião da extinção da 21. In Revista das Artes e da História, n.º 36, 1996.

Cholera em 1911, a Marathon Race e as provas para o Campeonato dos Jogos Olympicos .

A ideia pega . Os jogos são aprazados para Outubro de 1913 e do programa constam: Regatas, corridas de natação, mergulhos elegantes e de altura, tempo debaixo de água, corrida de automóveis, corrida de bicycletas (velocidade e slow), corrida terrestre, saltos em altura, saltos de trampolim, jogar o laço a cavalo, jogo da rosa, corrida de trot, velocidade e obstáculos a cavalo, tiro aos pombos, tennis, badmington, boxing, fencing, wrestling e, como provas de consolação, os saltos em extensão, os mergulhos longos e o copo de água a cavalo…

O impacto juntos dos desportistas e da população foi enorme . Ao programa inicial juntaram-se ainda outras modalidades, algumas conside- radas ‘cómicas’: Corrida negativa de bicicletas, saltos em altura com corrida, saltos em extensão sem corrida, corrida de costas (cómica), corrida de velo- cidade, lançamento de peso, salto à vara, corrida de secos (cómica), corrida de barreiras, corrida de pés atados e tracção à corda . A tal ponto que as cró- nicas do mesmo jornal já titulavam pomposamente este s jogos como Jogos Olympicos Madeirenses!

E tudo isto há 100 anos! São desta época e dos anos seguintes as primeiras referências aos Jogos Olímpicos e à participação dos Madeirenses que, diga-se em abono da verdade, passou por uma fase de ‘quase participa- ção’ e de algumas imprecisões históricas, até que a mesma se concretizou de facto em 1988 .

Efetivamente existem registos de uma possibilidade de participação nos Jogos de 1900, 1908 e 1912, sempre na modalidade de Esgrima, e por parte do desportista D . Sebastião Sancho Gil de Borja de Macedo e Menezes Correia Herédia (Porto, 1876; Lisboa, 1958), filho de D . Francisco Correia Herédia (Ribeira Brava, 1852; Lisboa, 1918), que foi o primeiro (e único) Visconde da Ribeira Brava, ele próprio também esgrimista de renome . No entanto a primeira participação portuguesa só se veio a concretizar em 1912 .

«Foi (…) [na] edição [de Estocolmo 1912] que Portugal se estreou nos Jogos Olímpicos, representado por seis atletas. Antes dos Jogos, a cam- panha lançada pela imprensa gerou um clima de euforia entre a popu- lação, que em 1910 assistiu à instauração da república em Portugal.

na Suécia. A comitiva portuguesa debateu-se com a falta de meios fi- nanceiros para se deslocar até Estocolmo, uma vez que o Comité Olím- pico português não atribuiu nenhum subsídio. Por força disso mesmo, tiveram de ser excluídos quatro atletas do grupo inicial de dez que es- tavam selecionados para os Jogos. Correia Leal e Matias de Carvalho, no atletismo, Sebastião Herédia (1876-1958), na esgrima, e César de Melo, na luta, foram os excluídos. (…). A estreia de Portugal nos Jogos olímpicos ficou marcada pela morte do atleta Francisco Lázaro, vítima de uma insolação, em quem os portugueses depositavam grandes espe- ranças para a vitória na prova da maratona23».

É somente nos jogos de 1928 que se verifica a primeira participa- ção de um Herédia nos Jogos Olímpicos, neste caso D . Sebastião de Freitas Branco Herédia (Lisboa, 1903; Carcavelos, 1983), o qual vem erradamente referenciado em alguma literatura como sendo o primeiro madeirense a par- ticipar nos Jogos Olímpicos . De facto era neto de um Madeirense, o já aludido Visconde da Ribeira Brava, mas nasceu em Lisboa em Lisboa, em 1903 . Toda- via, e como curiosidade, registe-se que são ainda hoje conservadas algumas armas e vestes de esgrimista numa vitrina/museu existente no antigo Liceu do Funchal, hoje Escola Secundária de Jaime Moniz, mas não foi possível apu- rar a que geração desta família de esgrimistas terá pertencido, supondo-se que tivesse pertencido ao Olímpico com ascendência madeirense D . Sebas- tião de Freitas Branco Herédia .

Merece aqui referência especial outro desportista de eleição, aluno do Colégio militar, Francisco João de Vasconcelos do Couto Cardoso (1914- 1993), natural da Madeira, conhecido entre os seus contemporâneos como O Príncipe da Camacha, que se sagrou campeão ibérico de natação, nos 100 metros, e que, alguma literatura, erradamente, o refere como tendo integra- do a equipa olímpica portuguesa aos Jogos de Berlim (1936), o que não se confirma pelos registos do Comité Olímpico .

«Entre o final da I República e o advento da Democracia e da Autono-

23. In http://www.infopedia.pt/$jogos-olimpicos-de-estocolmo-1912, data da visita 25/05/2012.

mia, o desporto madeirense ficou praticamente confinado às amarras da insularidade e do isolamento. Enquanto a parte continental do país foi assistindo à organização sistemática das práticas desportivas, a Madeira e o Porto Santo ficaram arredados dessa marcha progressiva. Elucidam bem estas circunstâncias os factos de só em 1957 ter mereci- do a construção de um Estádio de Futebol e só em 1972 ter visto nascer o primeiro pavilhão gimnodesportivo.

A construção do aeroporto e consequente alargamento das possibili- dades de ligação mais rápida e regular com o resto do país veio atiçar a vontade dos madeirenses em marcar presença nas provas desporti- vas nacionais. Era uma vontade tão forte que, praticamente dez anos depois da inauguração do aeroporto, o Club Sport Marítimo aceita condições humilhantes (mas à data incontornáveis) para aceder ao campeonato nacional da II divisão em futebol. Estávamos em 1973. Um ano depois, com a Revolução de Abril, será iniciado o processo de afirmação desportiva madeirense que se consolidou até aos nossos dias24».

Processo que conduziu muitos madeirenses aos Jogos Olímpicos, sendo por isso merecedores de pertencer a um Hall of Fame Olímpico e de que aqui damos conta, mantendo, por um lado, D . Sebastião Herédia, pela sua ascendência madeirense e, por outro, referindo não apenas os atletas, mas também outros agentes desportivos que, acompanhando-os diretamente ou não, marcaram presença nos jogos Olímpicos e Paralímpicos .

Amesterdão 1928

Sebastião Herédia, Esgrima (Florete) .

Los Angeles 1932

Sebastião Herédia, Pentatlo Moderno .

Seul 1988

Paulo Camacho (Clube Naval do Funchal), Natação (Mariposa) .