4.5 Modélisation de la place de parking
4.5.2 Modèle global
O primeiro ímpeto significativo do crescimento industrial brasileiro ocorre na virada para o século vinte, dado especialmente com o desenvolvimento do mercado interno, patrocinado pelo excelente desempenho da economia cafeeira neste período (DEAN, 2001), mas também favorecido pelas transformações sociais e políticas de final do século dezenove (SKIDMORE, 1998; BAER, 1996; DEAN, 2001). Esta fase corresponde à primeira etapa do crescimento industrial mencionada por BAER e VILELLA (1973), e caracteriza-se especificamente por ter sido um crescimento de indústrias leves e de produtos de primeira necessidade, tais como vestuários e alimentos. Como será abordado no subitem seguinte, o grande catalisador deste crescimento foram as significativas transformações econômicas e sociais no país resultantes de medidas impetradas pelo complexo cafeeiro, especialmente na região de São Paulo.
82 Procuramos verificar se houve uma atualização do trabalho de BAER e VILLELA (1973) que
considerasse categorias referentes aos períodos posteriores a 1970, mas não encontramos nenhum estudo com este intento. Apesar disto, para nossa finalidade de retratar o período de industrialização correspondente a introdução do Management, o corte temporal de BAER e VILLELA (1973) já é suficiente.
A segunda e a terceira fase de crescimento industrial no Brasil correspondem aos anos de duração da primeira guerra mundial e a década subseqüente a este conflito, respectivamente. Durante a guerra, o mercado interno se aquece em razão da interrupção das importações, mas isso não provoca um grande aumento na produção industrial, tendo em vista os limites da capacidade produtiva existente, já que ainda não havia indústrias de bens de produção no país (LEFF, 1968). Após a guerra, retoma-se o fluxo de produtos importados, e o crescimento da indústria nacional se retrai. Apesar disso, a terceira fase é marcada pelo aumento da capacidade produtiva, reflexo da chegada dos pedidos de bens de produção feitos durante a guerra. A quarta fase é caracterizada por uma nova retomada do crescimento da produção industrial, causada pela crise na importação de produtos industrializados que se estabeleceu a partir do conturbado cenário econômico mundial durante a depressão a partir de 1929.
Ainda de acordo com a análise de BAER e VILELLA (1973), a quinta fase do desenvolvimento industrial brasileiro corresponde ao período da Segunda Grande Guerra, e tem premissas similares a fase de crescimento industrial durante a Primeira Guerra, ou seja, quando ocorreu certo aumento na produção devido à interrupção no fluxo de produtos importados, porém com pequena expansão da capacidade produtiva. Todavia, é na sexta fase – correspondendo ao período pós- guerra – que ocorre uma definitiva ruptura com o modelo econômico anterior, tendo em vista a posição do governo em adotar um modelo de desenvolvimento econômico baseado na indústria nacional, o chamado modelo de substituição de importações83.
A cartada decisiva em favor dos industriais foi dada a partir das transformações no cenário político na década de 1930. Como indica LEOPOLDI (2000, p. 113):
A idéia de protecionismo nos anos 30 ultrapassou, entretanto, o tema da defesa tarifária, englobando outras áreas da política econômica: crédito industrial, política de transporte, criação de incentivos à
83 BAER e VILELLA (1973) apontam ainda para uma sétima fase de desenvolvimento industrial,
exportação de manufaturados e formulação de uma política de comércio exterior protecionista à indústria nacional. Aos poucos ia amadurecendo um conjunto de propostas para uma política industrial, que os industriais iriam apresentar de forma já articulada nos anos 40, nos conselhos técnicos em que tinham assento como representantes da indústria e também nas conferências empresariais.
Neste processo onde definitivamente se constitui uma verdadeira política industrial por parte do Estado, o principal aspecto para o fomento industrial foi o processo de substituição das importações84. Nesta política, uma medida de grande impacto foi a severa aplicação da chamada lei de similares, uma legislação que, apesar de ter sido decretada no final do século dezenove, foi posta efetivamente em prática enquanto mecanismo balizador da política industrial apenas após a Segunda Guerra Mundial (BAER, 1996). A lei de similares consistia na possibilidade de industriais brasileiros requisitarem o registro de seus bens produzidos para que estes pudessem se beneficiar da classificação de seus artigos em uma categoria de elevada taxa cambial, protegendo-se, assim, da concorrência dos similares importados.
Como indica BAER (1996), a conjunção entre a severa política cambial da década de 1950 e este processo de classificação de similares estimulou a intensa diversificação vertical nas cadeias produtivas, o que impulsionou um aumento significativo da produção interna de insumos essenciais para o desenvolvimento industrial. Da mesma forma, a aplicação efetiva da lei de similares neste período intensificou a presença de empresas multinacionais no país, pois estas se obrigaram a participar mais diretamente na atividade industrial local para não arriscar perder o expressivo mercado nacional brasileiro. Conforme indica um estudo da época sobre o investimento norte-americano no Brasil:
84 Alguns autores sinalizam o início da substituição de importações no Brasil na década de 1890,
nos setores de alimentos e vestuário, a partir do quadro inflacionário gerado com o encilhamento (FISHLOW, 1978). Porém, há um grande número de autores que entendem que o impulso pela substituição de importações somente ocorreu a partir das duas guerras mundiais – devido à interrupção da importação e pela crise econômica mundial provocada pela depressão entre guerras. Ainda assim, a substituição de importações enquanto política de desenvolvimento industrial conscientemente deliberada emerge apenas após a Segunda Guerra pelos esforços de incentivo a produção interna de insumos e a criação de industrias de bens de capital (SUZIGAN, 2000), dada especificamente pelas sucessivas medidas de controle cambial que tiveram efeito durante a década de 1950. (BAER, 1996)
A ação da Lei de Similares foi um incentivo muito poderoso que fez os investidores estrangeiros passarem da importação à montagem ou da montagem a fabricação totalmente desenvolvida. A característica essencial desse incentivo foi o medo da exclusão completa do mercado mais do que a esperança de se obter um tratamento preferencial em relação à concorrência. Em muitos casos, a simples menção de que alguma empresa brasileira ou uma concorrente estrangeira pretendia entrar no ramo da fabricação, com a implicação de que as importações de bens similares seriam futuramente excluídas, foi o fator crítico que impeliu companhias americanas a preservar sua posição no mercado através da construção de fábricas locais. (GORDON e GROMMERS, apud BAER, 1996, p. 74)
5.1.2 A importância da economia cafeeira de final do século dezenove para a