4.5 Comparaisons quantitatives
5.1.4 Modèle de la saturation de l’amplitude de pression
Na página do Facebook do Coletivo Uttopia 21 a imersão entre os corpos e as ferramentas virtuais apresenta de forma diferenciada da apresentada no Moodle. O fluxo do conteúdo disponibilizado é mais rápido, a interação indivíduo/ferramenta virtual acontece de acordo com o interesse no conteúdo compartilhado, podendo curtir, apenas visualizar, compartilhar ou reproduzir o assunto utilizando uma nova linguagem.
Assim, a rede social Facebook, além de servir de apoio para divulgação dos cursos do Coletivo Uttopia 21, termina por proporcionar um nível mais profundo e rápido entre o conteúdo e os corpos dos(as) internautas que seguem o perfil. Isso proporciona uma interação corpo/ferramenta por meio do compartilhamento, comentários e aprendizagem de fatos cotidianos e relacionados às mais variadas temáticas. Podemos, portanto, considerar que houve uma necessidade de mudança de acordo com as necessidades de interação entre os indivíduos/máquinas ao longo desses cinco anos de existência do coletivo, podendo ser assim conceituado e comparado às transformações que ocorrem em uma TAZ.
No perfil do Coletivo no Facebook são postados vídeos, músicas, imagens, sempre com o intuito de trabalhar temáticas de direitos humanos, gênero, etnia, educação, fatos políticos cotidianos. O perfil procura informar a respeito de acontecimentos no Brasil, muitas vezes são ignorados e/ou silenciados na mídia tradicional.
Algumas postagens a respeito de fatos cotidianos e políticos do ano de 2013 já geraram mais de 2050 compartilhamentos, 183 comentários e 830 curtidas, apresentadas neste estudo através da figura 16. Percebe-se também algumas interações mais profundas entre os(as) seguidores(as) do perfil, que muitas vezes reproduzem o assunto com uma nova interação entre o corpo/ ferramenta virtual. Podemos buscar Donna Haraway (2000) e Merleau-Ponty (1999) para analisar o ser não dual e suas formas de interatividade com as ferramentas virtuais. Mas, como a
temática é muito complexa e o tempo curto para fazer a apresentação na dissertação de mestrado, embora a pesquisadora já venha coletando o material para desenvolvimento e aprofundamento desta pesquisa, o desenvolvimento deste estudo se dará no doutorado.
Figura 16 - Página do Coletivo Uttopia 21 na rede social Facebook
Fonte: Rede Social Facebook
Importante observar que na página do Facebook ocorre uma mutação entre o Coletivo Uttopia 21 e o perfil da coordenadora, que se encontra misturados e não dá para diferenciar mais o que seria corpo/coletivo. De acordo com Merleau-Ponty (1999), os objetos podem expandir o corpo do indivíduo, o que pode ser observado em vários momentos na opinião dos(as) participantes em contato com o perfil, proporcionando uma interação indivíduo/ferramenta/indivíduo. Entretanto, esse estudo ficará para ser desenvolvido mais intensamente durante a tese de doutorado.
CONCLUSÃO
Levando em conta as considerações de Maturana e Varela (1980), nas quais os autores concebem os ambientes virtuais como organismos vivos e redes autopoiéticas, podemos entender que um ser vivo não é simplesmente um conjunto de moléculas, e sim uma dinâmica molecular singular e autônoma resultante de uma rede de interações recursivas internas e externas. Foi observado no Coletivo Uttopia 21 que os(as) participantes que mais tempo permaneceram conectados à comunidade virtual acabaram por reproduzir a proposta da comunidade de propagar as relações de Zona Autônoma Temporária. A TAZ alastrou-se por meio de ex- participantes ao ministrarem cursos no coletivo voluntariamente ou ao constituírem novos coletivos com a proposta de autogestão sem o apoio de capital do Estado. Essas transformações nos corpos dos sujeitos foram consideradas como relações entre humanos, coisas e dependeram da construção da percepção em relação a outros sujeitos e em relação dos corpos com as ferramentas virtuais disponibilizadas no Coletivo Uttopia 21.
Em um não espaço físico denominado no estudo como TAZ surgiram cocriações do sujeito enquanto indivíduo, que ao relacionar seu corpo com as ferramentas virtuais construiu outros coletivos, outras formas de comunicação autogeridas, as quais denominamos no estudo de Zona Autônoma Temporária. Resta salientar que, assim como o Hakim Bey (2001), o estudo não teve, em momento algum, o intuito de conceituar o que seja TAZ ou como criar uma TAZ. A proposta do estudo foi relatar uma experiência na web e demonstrar novas possibilidades de espaços de cocriação e interação de corpos/ferramentas virtuais.
Levando em conta também que um lócus virtual pode modificar a percepção do sujeito, a noção de tempo, espaço e construção corporal, o que proporciona uma nova reflexão a respeito de indivíduos/ferramentas virtuais e da própria construção do ser ciborgue.
Observamos, por um lado, que as interações entre corpos/ferramentas virtuais geraram um modelo de estimulo-resposta em alguns sujeitos que participaram do experimento, não ocasionando uma interatividade mais profunda com a ferramenta
virtual. Por outro lado, tivemos corpos nos quais a interação corpo/ferramentas virtuais transformou a relação com o mundo e a sua própria necessidade de mudança, modificando sua relação ao tocar o mundo, seu contexto social, dispondo seus corpos para um contato mais livre e revendo sua existência em um espaço marcado por discursos de poder.
O estudo tem o intuito de elaborar questões e hipóteses a respeito de um determinado lugar, numa determinada época diante de um determinado estudo e olhar científico.
O olhar que se construiu neste estudo parte de uma vivência real sem corpo físico da pesquisadora com os(as) participantes dos cursos, com as ferramentas virtuais e o próprio lócus virtual, na busca de um emaranhado de histórias orais, sentimentos e construção de percepções vivenciadas no decorrer de toda a pesquisa. Tais experiências afetivas com as ferramentas virtuais e com os(as) participantes trouxeram novos questionamentos a serem desenvolvidos e aprofundados em outros momentos e estudos, sejam eles científicos ou não.
Afinal, nossa personagem principal entrou na cibercultura de forma visceral. Pelo portal fugia de seu contexto social e atravessava rumo à tecnologia adquirindo assim Antenas. O nickname Mulher de Antenas era uma referência à tecnologia como forma de combate a submissão feminina na sociedade patriarcal, da exploração do corpo pelos meios-de-produção capitalista e uma referência a Gregor Samsa, que aos olhos Kafkianos ficava cada vez mais humano ao se metamorfosear para algo não humano. E foi assim que ela se viu entre signos e significantes na rede e em uma Zona Autônoma Temporária, que passou e passa por significantes momentos de transformação.
Tal experiência na cibercultura afetou sua relação com o mundo, com as coisas, com a educação acadêmica e proporcionou uma imersão intensa na teoria proposta por Merleau-Ponty (1999), em seu livro ‘A Fenomenologia da Percepção’.
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APÊNDICES
APÊNDICE A – Imagens do formulário aplicado na inscrição do curso ‘Corpo e sexualidade Discutindo Homofobia’
Figura 01 – Formulário do curso ‘Corpo e sexualidade Discutindo Homofobia’
Fonte: Google Docs
Figura 02 – Formulário do curso ‘Corpo e sexualidade Discutindo Homofobia’
APÊNDICE B - Imagens do formulário aplicado no curso ‘Planejamento de Cursos em EAD: Discutindo História da Arte’
Figura 01 – Formulário do curso ‘Planejamento de Cursos em EAD: Discutindo História da Arte’
Fonte: Google Docs
Figura 02 – Formulário do curso de ‘Planejamento de Cursos em EAD: Discutindo História da Arte’
Figura 03 – Formulário do curso ‘Planejamento de Cursos em EAD: Discutindo História da Arte’
Fonte: Google Docs
Figura 04 – Formulário do curso ‘Planejamento de Cursos em EAD: Discutindo História da Arte’