• Aucun résultat trouvé

De acordo com Locke (1978), “comunicação” consiste na transposição de idéias entre indivíduos, por meio de protocolos estabelecidos. A necessidade de expressar sentimentos e opiniões acompanha o ser humano desde tempos remotos e, para viabilizar a comunicação entre seus semelhantes, ele criou um tipo especial de tecnologia. Ela é imaterial, não existe como máquina, mas como linguagem (KENSKI, 2007).

Os sistemas de comunicação, além de mensagens trocadas entre dois ou mais indivíduos, influenciam também o trânsito de pessoas e produtos. Contemplam todos os tipos de meios de comunicação, dos sinais de trânsito à linguagem (MSLUHAN, 1968). Segundo Kittler (2006), em um sistema de comunicação, dados são armazenados, direcionados e transmitidos. Dependendo de como essas três operações são fisicamente constituídas, tem-se uma tecnologia. Computadores operam a transmissão de dados com endereçamento, o armazenamento dos dados que compõem a informação e controlam o processamento de comandos através de algoritmos matemáticos. O processo de produção industrial da Informação trouxe uma nova realidade para a linguagem. Surgiram diversos novos meios de comunicação, como os jornais, revistas, rádio, cinema, vídeo, etc., baseados no uso da linguagem (oral, visual e escrita) e na síntese entre áudio e vídeo. De

modo geral, os sistemas de comunicação compreendem tecnologias específicas de informação e comunicação (TIC) (KENSKI, 2007).

Existem diversas definições para o processo de comunicação, porém, em todas, há um emissor, mensagem e receptor. Schramm (1982) define que em toda troca de informação há cinco componentes: (1) Fonte, onde é originada a comunicação; (2) Mensagem, o conteúdo da comunicação, que consiste na informação a ser trocada; (3) Codificador, tradutor da mensagem para um formato passível de ser comunicado, geralmente um formato que não pode ser diretamente interpretado pelos sentidos humanos; (4) Canal, o meio ou sistema de transmissão utilizado para transferir a mensagem de um lugar a outro; (5) Decodificador, que reverte o processo de codificação.

A comunicação também pode ser classificada de muitas maneiras: de acordo com o número de pessoas envolvidas, com o grau de interatividade ou de acordo com a direção em relação à fonte e ao receptor. Lévy (2000) explica que a comunicação pode ser classificada em três categorias: um-para-todos, um-para-um e todos-para-todos:

 Um-para-muitos: um emissor envia suas mensagens a um grande número de

receptores. Ex.: rádio, imprensa, televisão analógica, etc.;

 Um-para-um: relações estabelecidas entre indivíduos, ponto a ponto. Ex.:

telefone, correio, etc.;

 Todos-para-todos: comunidades, de forma progressiva e cooperativa,

constituindo um contexto comum, via ciberespaço. Exemplo: conferência eletrônica, Web, ambientes de EaD, etc.

Lévy (1999) reforça que as realidades virtuais compartilhadas, que podem fazer comunicar milhares ou mesmo milhões de pessoas, devem ser consideradas como dispositivos de comunicação “todos-para-todos”, típicos da cibercultura. Comunicação em massa geralmente é definida como “um-para-muitos”. Nesse caso, uma mensagem é comunicada de uma única fonte para centenas ou milhares de receptores, com relativamente poucas oportunidades para a audiência comunicar-se de volta com a fonte. Exemplos clássicos são jornais, revistas, televisão e filmes.

Uma implicação da revolução digital é a convergência de meios de comunicação. A multimídia integra texto, imagens, áudio e vídeo em redes de dados, e dessa maneira apaga as distinções rígidas entre os meios de comunicação. Os meios de massa, convencionais, como rádio, televisão, impressos e filmes costumavam ter sistemas de produção e transmissão bem diferenciados (STRAUBHAAR, 2004).

O protocolo que uniformiza o transporte destes serviços entre redes de camadas físicas diferentes é o IP (Internet Protocol), do pacote de protocolos TCP/IP (Internet). Os padrões de TV Digital (ATSC, DVB-T, ISDB-T, etc.), através do IP Datacasting (IPDC)15, e

as redes de celulares 4G16 já adotaram o IP como protocolo para transmissão de dados.

Isso vem a confirmar uma convergência em serviços baseados no protocolo IP – esse protocolo tende a ser o elo de comunicação na convergência digital.

O padrão de TV Digital no Brasil é unidirecional (broadcast), ou seja, o sinal é enviado da emissora para as residências e não acontece o contrário. Para que o haja essa comunicação, um segundo canal, o de retorno, foi proposto pelo SBTVD, o qual utiliza outro meio de comunicação já existente, como a rede de telefonia ou de Internet banda larga. Por outro lado, a transmissão de vídeo é melhor em broadcast do que pela Internet ou telefonia, pois, nestes últimos, quanto mais usuários visualizarem o vídeo, mais a banda é utilizada - o que pode implicar em problemas na qualidade do serviço. A hiperligação (crossed-links) entre conteúdo televisivo e o conteúdo da Web é um dos novos desafios.

Empresas de telecomunicações são capazes de transmitir vídeo por seus links de Internet de banda larga, invadindo o espaço tradicionalmente ocupado por empresas de TV por assinatura. Da mesma forma, empresas de TV por assinatura são capazes de oferecer serviços de voz através de suas redes utilizadas tradicionalmente para transmitir o conteúdo dos canais por assinatura. Em alguns casos, temos tecnologias convergentes incrementais, ou seja, aplicações tradicionais às quais foi adicionada uma nova e particular tecnologia convergente, como o telefone VoIP baseado em PC.

Não importa se áudio, vídeo e dados virão pelo mesmo cabo ou virão através de redes distintas. Para o usuário final, o que importa é a percepção que tudo faz parte de um todo, com os serviços também interagindo de forma única. Essa á a grande motivação da convergência digital. O paradigma de Computação Ubíqua17 vem ao encontro dessas

necessidades, envolvendo grande heterogeneidade entre os componentes computacionais e alto grau interoperabilidade entre eles. Pode-se pensar em pequenos dispositivos computacionais distribuídos e integrados provendo serviços e informações a qualquer momento, em qualquer local. Estes serviços tendem a ser incorporados à vida cotidiana de

15

Datacasting, ou Data Broadcasting, consiste de um serviço de entrega de informação para clientes com terminais de acesso adequados, através do mesmo meio utilizado na difusão (FORSTER; LOVELL, 2000 apud PICCIONI, 2005, p. 40).

16 A 4G é uma nova geração de telefonia móvel baseada em IP e, por isso, promove a convergência entre redes de cabo e sem fio, assim como entre computadores, dispositivos eletrônicos e tecnologias da informação. 17 Com a computação ubíqua os computadores passam a ser embutidos em diversos locais e nos mais diferentes objetos, de forma que sejam utilizados naturalmente, praticamente sem perceber a presença deles, do mesmo modo que se utiliza a energia elétrica hoje. (WEISER, 1991).

maneira que sua presença passe a ser despercebida, ao passo que sua ausência causaria grandes transtornos (WEISER, 1991).