Chapitre 4. Identification des informations sur les adventices mobilisées par les
4.4. Mise en regard des informations prélevées par les agriculteurs avec les indicateurs
Na interpretação dos saldos migratórios estimados através de técnica indireta, algumas de suas características devem ficar bem claras para facilitar a análise dos resultados. A primeira delas refere-se aos locais de residência nas
duas datas limites do período de análise7
. Ao se trabalhar com dois censos consecutivos, considera-se imigrante a pessoa que residia na região em estudo no segundo censo, mas não no primeiro. O emigrante será aquele que residia em uma região no primeiro censo, mas estava em outra na data do segundo censo. Trata-se, portanto, de pessoas que sobreviveram, tanto à mortalidade, quanto à remigração.
Existem crianças que nascem durante o período intercensitário. Quando elas migram com seus pais, há o chamado efeito direto da migração. O imigrante será a criança que não nasceu na região onde foi recenseada, mudou-se para lá durante o período intercensitário e não remigrou. O emigrante será quem nasceu na região após a data do primeiro censo, saiu e não retornou antes do segundo censo.
No entanto, existe também o conhecido efeito indireto da migração, referente aos filhos de migrantes que nasceram na região de destino dos pais, não morreram e dela não saíram (efeito indireto da imigração), ou que não retornaram à região de origem dos pais (efeito indireto da emigração).
Vale lembrar que a estimação indireta da migração corresponde ao resultado líquido do saldo migratório de um determinado período, isto é, não considera aqueles que saíram após a data inicial, mas retornaram antes da data final, tampouco aqueles que entraram após o início do período em questão, mas saíram antes de seu final.
Quando entraram mais migrantes do que saíram, o saldo migratório é positivo, ocorrendo o contrário quando o saldo é negativo. Saldo migratório nulo não significa, necessariamente, ausência de fluxos migratórios. Os volumes de imigrantes e emigrantes podem ser iguais, produzindo um saldo nulo. O saldo da população total também pode ser nulo quando ocorrer alternância de saldos positivos e negativos nos diversos grupos etários que se compensem totalmente.
Pode ainda ocorrer que os saldos sejam nulos para a população já nascida na data do primeiro censo, porém negativos ou positivos para a
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Para uma análise mais detalhada do conceito de migrante, tendo-se como base as técnicas indiretas de estimação da migração, ver Carvalho (1982) e Rigotti (1994).
população nascida durante o período intercensitário. Esta seria uma evidência da existência de fluxos migratórios da população já nascida no primeiro censo, e também de diferenciais de fecundidade e/ou natalidade nos diversos grupos etários dos migrantes (Carvalho, 1982).
Também importante para a análise das migrações, a partir de
estimativas indiretas, é a definição de taxa líquida de migração (TLM). Esta pode ser o quociente entre o saldo migratório e a população observada no final do período. Quando a taxa for positiva corresponderá à participação do saldo migratório em relação à população observada no segundo censo. Se a taxa for negativa, será interpretada como a proporção em que a população observada no segundo censo foi diminuída, devido à migração (Carvalho, 1982).
Evidentemente, a definição da taxa depende do objetivo do trabalho. Por exemplo, quando a taxa for usada para verificar a participação do processo migratório no crescimento populacional entre duas datas fixas, seria mais aconselhável utilizar a população esperada, fechada, durante o período em questão, como denominador da taxa líquida de migração (Carvalho e Rigotti, 1999).
Estas considerações são relevantes porque não há uma única definição de taxa líquida. Rogers (1989) fez algumas ponderações bastante oportunas sobre os problemas inerentes à algumas definições de taxas, que também servem para se ter uma idéia das próprias limitações da técnica indireta. Para o autor, os resultados da técnica indireta não são claros, porque as taxas usadas confundem mudanças na propensão à migrar, com mudanças nos estoques populacionais. Também não esclarecem os padrões da dinâmica espacial.
Um dos problemas apontados é a ambigüidade da TLM, quando definida como a diferença entre os fluxos de imigração e emigração divididos pela população que experimenta ambos - população da região no início do período. Nesse caso, a taxa de emigração é uma probabilidade, na medida em que divide o número de vezes que um evento, emigração, ocorreu durante um período, pelo número de pessoas expostas ao risco de experimentar aquele evento.
Por outro lado, a taxa de imigração é uma medida de prevalência e não probabilidade. O numerador corresponde ao cálculo da ocorrência de um evento particular, imigração, mas seu denominador não é um cálculo do número de pessoas que deveriam experimentar o evento. Ao contrário, seu denominador é a população que estava exposta ao risco de emigrar.
“Desde que a taxa líquida de migração é a diferença entre uma medida de prevalência e uma taxa verdadeira, ou probabilidade, sua interpretação é necessariamente ambígua” (Rogers, 1989:3).
Observa-se que o cuidado com a definição da TLM é fundamental, caso contrário as conclusões podem ser equivocadas. As colocações de Rogers (1989) esclarecem que não há sentido lógico em se definir TLM com população ao início do período no denominador. Seguindo o raciocínio do autor, poderíamos dizer que não se deveria usar no denominador a população na metade do período em questão. Esta também não seria a população exposta ao risco de emigrar.
Outro ponto salientado por Rogers (1989), para mostrar os problemas da técnica indireta, é que a TLM de uma região é função da sua própria taxa de emigração e das taxas de emigração de todas as outras unidades espaciais para esta região, ponderada pelo número de pessoas inicialmente residindo em cada região de origem8.
A cada par de taxas de imigração e emigração associam-se diferentes distribuições espaciais de populações, que resultarão em diferentes TLM. Por outro lado, a distribuição espacial inicial de uma população pode gerar uma mesma TLM a partir de um leque de taxas possíveis de imigração e emigração. No longo prazo, as implicações sobre a distribuição espacial e os fluxos populacionais poderão ser muito diferentes (Rogers, 1989:4).
Enfim, uma TLM incorpora as influências da distribuição espacial da população e das probabilidades de migração. Assim como a TLM não é uma probabilidade, também não diz nada sobre a origem dos fluxos, centrando-se apenas na região de destino.
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Portanto, o autor utiliza outro conceito de TLM como exemplo, com população das áreas de origem, no início do período, como denominador.
Estas considerações de Rogers deixam claro a importância da definição da taxa líquida, ao mesmo tempo em que expõe as limitações da técnica indireta. Deve-se lembrar, no entanto, que a taxa utilizada nesta tese - população ao final do período como denominador - não deve ser interpretada como probabilidade, uma vez que não se trata de população exposta ao risco de experimentar o evento. Também não se pode dizer que o saldo migratório do numerador seja um evento ou soma de eventos. Trata-se da resultante final de um processo mais amplo, que sintetiza múltiplos movimentos ocorridos entre duas datas fixadas previamente. Interessa, aqui, o impacto deste resultado sobre a população observada e seu significado frente a uma gama de outras informações, que serão analisadas conjuntamente.