Chapitre 3 Utilisation d’extrema en modélisation analytique pour l’optimisation
IV. Mise en œuvre
Há inúmeros estudos sobre a produção de metabolitos secundários e cultura in vitro de plantas e imensas revisões que compilam muita dessa informação (Zhang & Furusaki, 1999; Chattopadhyay et al., 2002; Karuppusamy, 2009; Matkowski, 2008). No entanto, a grande maioria da informação necessita de ser atualizada e focalizada somente na produção de compostos fenólicos. Na Tabela 2, estão descritos os compostos fenólicos (extratos fenólicos e individuais, incluindo antocianinas) produzidos em cultura de células vegetais, descrevendo a origem dos mesmos e o processo de extração dos compostos. A produção de extratos fenólicos é o objetivo da grande maioria dos estudos revistos (Andarwulan & Shetty, 1999; Lozovaya et al., 2000; Santos-Gomes et al., 2003; Gális et al., 2004; Lozovaya et al., 2006; Kouakou et al., 2007; Bairu et al., 2011; Cui et al., 2011;
Krzyzanowska et al., 2011; Palacio et al., 2012; Szopa et al., 2013; Siu et al., 2014; Szopa &Ekiert, 2014; Yildirim & Turker, 2014). No entanto, alguns desses trabalhos focalizam-se também no estudo de propriedades bioativas desses extratos fenólicos, nomeadamente propriedades antioxidantes (Grzegorczyk et al., 2007; Hakkim et al., 2007; Kovatcheva- Apostolova et al., 2008; Hussein et al., 2010; Amoo et al., 2012; Giri et al., 2012; Khateeb et al., 2012; Barros et al., 2013; Bhagya & Chandrashekar, 2013; Chaniany et al., 2013; Madhu, 2013; Goyali et al., 2014; Lugato et al., 2014; Piątczak et al., 2014; Valdez-Tapia et al., 2014), antimicrobianas (Hussein et al., 2010; Ncube te al., 2011; Zhao et al., 2011; Khateeb et al., 2012) e mesmo citotóxicas (Skoríc et al., 2012).
Tabela 2. Extratos fenólicos e compostos fenólicos individuais produzidos por cultura de tecidos vegetais (Dias et al., 2016)
Composto/extrato bioativo Origem Solvente de extração Referência
Antocianinas Eugenia myrtifolia Sims (rebentos) Longo et al. 2007
Extratos bioativos Satureja hortensis L. (calli) Metanol Gϋllϋce et al., 2003
Glucoiridóides Penstemon serrulatus Menz. (calli) Etanol Bazylak et al., 1996
Compostos fenólicos individuais Helichrysum aureonitens L. Moench (calli) Água:Etanol (5:95, v/v) Ziaratnia et al. 2009
Mirabilis jalapa L. (calli) Diclorometano:Metanol (50:50, v/v) Yang et al. 2001
Ocimum americanum L., var. pilosum (rebentos) Extratos alcoólicos Rady & Nazif, 2005
Psoralea corylifolia L. (calli) Ácido sulfúrico Shinde et al. 2010
Rauwolfia serpentina Benth. ex Kurz (células) Metanol Schroeder et al. 1996
Salvia miltiorrhiza Bunge (raízes tansgénicas) Metanol Chen te al., 1999
Scutellaria baicalensis Georgi (raízes tansgénicas) Metanol Nishikaw et al. 1999
Ácidos fenólicos Eryngium planum L. (raízes e rebentos) Água:Metanol (50:50, v/v) Thiem et al., 2013
Schisandra chinensis (Turcz.) Baill.( calli) Metanol Szopa & Ekiert 2012
Theobroma cacao L. (estaminódios/anteras) Água:Metanol (20:80, v/v) Alemanno et al. 2003
Compostos fenólicos Aloe arborescens Mill rebentos Água:Metanol (50:50, v/v) Amoo et al., 2012
Aronia melanocarpa (Michx.) Elliott (rebentos e calli) Metanol Szopa & Ekiert, 2014
Aronia melanocarpa (Michx.) Elliott (rebentos e calli) Metanol Szopa et al., 2013
Brassica nigra L. (calli) Metanol Hussein et al., 2010
Castilleja tenuiflora Benth. (rebentos) Metanol Valdez-Tapia et al., 2014
Cichorium pumilum Jacq. (calli) Água:Metanol (5:95, v/v) Khateeb et al. 2012
Cistus creticus subsp.creticus L. (rebentos e raízes) Água:Etanol (3:97, v/v) Skoríc et al. 2012
Clitorea ternatea L.(rebentos) Etanol Madhu 2013
Coriandrum sativum L.( partes vegetativas) Água:Metanol (20:80, v/v) Barros et al. 2012
Daucus carota L. (raízes transgénicas) Água:Metanol (50:50, v/v) Sircar et al., 2007
Fagopyrum tataricum Gaertn. (calli) Lozovaya et al., 2000
Fragaria vesca L. (folhas e calli) Metanol Yildirim & Turker, 2014
Gossypium hirsutum L. (calli) Metanol Kouakou et al. 2007
Habenaria edgeworthii Hook. f. ex. Collett (calli) Água:Metanol (20:80, v/v) Giri et al. 2012
Hypericum perforatum L. (raízes adventícias) Água:Metanol (20:80, v/v) Cui et al., 2011
Hypericum polyanthemum (partes aéreas) Metanol Nunes et al., 2009
Hypericum rumeliacum Boiss. (rebentos) Metanol Danova et al. 2010
Hypericum ternum A. St. Hil. (partes aéreas) Metanol Pinhatti et al. 2010
Juglans regiaL. (micro-rebentos) Água:Metanol (20:80, v/v) Cheniany et al., 2013
Justicia gendarussa Burm. f. (caules, folhas e calli) Etanol, metanol e éter Bhagya & Chandrashekar, 2013
Larrea divaricata Cav. (calli) Água:Metanol (5:95, v/v) Palacio et al. 2012
Lavandula vera DC Água:Etanol (60:40, v/v) Kovatcheva-Apostolova et al. 2008
Melissa officinalis L. (partes aéreas) Água Barros et al., 2013
Mentha longifolia (L.) Huds. (calli e células) Água:Metanol (30:70, v/v) Krzyzanowska et al., 2011
Mentha piperita L. (calli e células) Água:Metanol (30:70, v/v) Krzyzanowska et al., 2011
Ocimum sanctum L. (calli) Água:Metanol (20:80, v/v) Hakkim et al., 2007
Passiflora alata Curtis (folhas) Água:Etanol misturas Lugato et al., 2014
Pimpinella anisum L. (raízes) Água:Etanol (5:95, v/v) Andarwulan & Shetty, 1999
Rehmannia glutinosa Libosch (folhas e raízes) Metanol Piątczak et al., 2014
Rosa damascena Mill. Água:Etanol (60:40, v/v) Kovatcheva-Apostolova et al. 2008
Salvia miltiorrhiza Bunge (raízes transgénicas) Água:Etanol (5:95, v/v) Zhao et al., 2011
Salvia miltiorrhiza L. (raízes transgénicas) Tampão fosfato (75mM, pH=7) Siu et al., 2014
Salvia officinalis L. (rebentos e raízes) Metanol ou acetona Grzegorczyk et al 2007
Salvia officinalis L. (calli e células) Acetona Santos-Gomes et al. 2003
Solidago graminifolia L. (plântulas e calli) Metanol Thiem et al., 2011
Solidago virgaurea L. (plântulas e calli) Metanol Thiem et al., 2011
Tulbaghia violacea Harv. (partes aéreas) Água:Metanol (50:50, v/v) Ncube et al. 2011
Vaccinium angustifolium Ait. (folhas) Água:Acetona:Ácido fórmico
(20:80:0.1 v/v/%) Goyali et al., 2014
Zea mays L. (calli) Lozovaya et al., 2000
Zea mays L. (calli) Lozovaya et al., 2006
Compostos fenólicos e antocianinas Ipomoea batatas L. cv Ayamurasaki (calli) Ácido acético 16% Konczak-Islam et al., 2003; Konczak-Islam et al., 2005
Compostos fenólicos em extrato de
betalaínas Beta vulgaris cv. Detroit Dark Red (raízes transgénicas) Água:Etanol (30:70 v/v) Georgiev et al. 2010
Compostos fenólicos, flavanois Taxus baccata L. (calli) Água:Etanol (30:70 v/v) Dubravina et al. 2005
Taxus canadensis Marsh. (calli) Água:Etanol (30:70 v/v) Dubravina et al. 2005 Compostos fenólicos, galotaninos,
iridóides
Harpagophytum procumbens (Burch.) DC. ex Meisn
(plântulas e calli) Água:Metanol (50:50, v/v) Bairu et al. 2011
Compostos fenólicos tetra-
hidroprotoberberinas C. ochotensis var. raddeana (calli) Iwasa et al. 2010
M. cordata R.Br. (calli) Iwasa et al. 2010
Os extratos antociânicos são também muito apelativos para a produção de metabolitos secundários em estudos de cultura in vitro. São pigmentos naturalmente produzidos pelas plantas, frutos e vegetais com um grande potencial antioxidante, apresentando também outras bioatividades tais como antitumoral, anti-inflamatória e antimutagénica (Kong et al., 2003). Konczak-Islam et al. (2003) e Konczak-Islam et al. (2005) obtiveram concentrações elevadas de antocianinas acetiladas em calli de Ipomoea
batatas L. cv Ayamurasaki após transferência para um meio próprio para a produção de
antocianinas. Neste mesmo estudo, os ácidos clorogénico e cafeico foram também identificados como os compostos fenólicos maioritários. Por outro lado, Barros et al. (2012) detetaram a produção de antocianinas num clone obtido de partes vegetativas de
Coriandrum sativum L. no mesmo meio MS onde os restantes clones foram também
produzidos, sugerindo que a produção de antocianinas pode ser afetada pelas condições ambientais ou stresse fisiológico da cultura in vitro. Longo et al. (2007) focaram-se somente na produção e caraterização de antocianinas em rebentos de Eugenia myrtifolia Sims, observando que esta planta produz somente uma forma molecular de malvidina, uma das antocianinas mais comuns em plantas superiores (Kong et al., 2003), podendo ser usada como modelo para o estudo das vias biossintéticas destes compostos.
As betalaínas são também pigmentos usados como corantes alimentares, apresentando um elevado potencial antioxidante devido à presença de grupos hidroxilo fenólicos na sua estrutura. Georgiev et al. (2010) estudaram a composição fenólica em extratos de betalaínas excretados para o meio de cultura por raízes transgénicas de Beta
vulgaris cv. Detroit Dark Red, observando que estes extratos apresentavam maior atividade
antioxidante que o material vegetal inicial, concluindo sobre a existência de efeitos sinergísticos entre as betalaínas e os concomitantes compostos fenólicos. Dubravina et al. (2005) focaram-se na produção de compostos fenólicos flavanois em calli de Taxus baccata L. e T. Canadensis Marsh. durante o período de um ano, notando um aumento significiativo destes compostos em condições que mimetizam o verão, e também durante a diferenciação dos tecidos. Isawa et al. (2010) obtiveram compostos fenólicos tetra-hidroprotoberberinas a partir de tecido de calli de Corydalis ochotensis var. raddeane, Macleaya cordata R.Br e
Nandina domestica Thunb, importantes pela sua atividade antimalária e, por isso, apelativos
para a indústria farmacêutica. Os ácidos fenólicos são também um grupo de compostos que demonstram uma alta potencialidade fitoquímica devido às suas caraterísticas biológicas. Thiem et al. (2013) estudaram a produção de ácidos fenólicos em raízes transgénicas e rebentos de Eryngium planum L., observando níveis elevados de ácidos cafeico e clorogénicos, mas sobretudo, ácido rosmarínico excretado pelas raízes (procedimento de extração facilitado). Szopa & Ekiert (2012) encontraram também níveis elevados de ácidos
chinensis (Turcz.) Baill., aumentando o valor fitoquímico desta planta. Alemanno et al.
(2003) estudaram estaminóides e anteras de Theobroma cacao L. descobrindo que a cultura
in vitro é uma técnica fiável para a manutenção e multiplicação de clones de alta produção
desta planta, identificado também três ácidos fenólicos derivados de amidas de ácidos hidroxicinâmicos, nunca antes identificados em tecidos originais.
Todos os estudos acima mencionados referem-se a extratos fenólicos. No entanto, há já muitos estudos que estão já focalizados para a produção e extração de compostos fenólicos individuais que possam ter caraterísticas bioativas interessantes. Na Figura 5 estão representados esquematicamente alguns compostos fenólicos individuais produzidos em cultura de células vegetais. Como foi dito anteriormente, os ácidos fenólicos são um grupo de compostos que incitam os investigadores pelas suas propriedades bioativas. A maioria dos estudos são direcionados para a produção destes compostos. Chen et al. (1999) estudaram a produção de ácido litospémico B (3a) e ácido rosmarínico (3b) em raízes transgénicas de Salvia miltiorrhiza Bunge, enquanto Rady & Nazif (2005) produziram ácido rosmarínico em rebentos de Ocimum americanum L. var pilosum, pelo seu potencial bioativo. O ácido o-coumárico glicosilado (3c) e o ácido cinâmico glicosilado (3d) foram ambos produzidos numa suspensão celular de Rauwolffia serpentine Benth. E Kurz para comprovar a atividade de glicolisação desta planta in vitro (Schroeder et al., 1996). Schroeder et al. (1996) também isolaram piceina (3e), composto relacionado com a marcação de danos físicos nos tecidos celulares das plantas. Sircar et al. (2007) usaram o sistema de raízes transgénicas para a produção de ácido p-hidroxibenzóico (3f) em Daucus
carota L. mostrando que a acumulação deste composto ocorre no citosol e na parede
celular, sendo por isso um modelo promissor para o estudo biossintético deste compostos. Por outro lado, o ácido cafeoilquínico (3g) foi produzido em plântulas e calli de Solidago
graminifoli L. e Solidago virgaurea L., plantas tradicionalmente usadas na Polónia pela
maioria da população pelas suas caraterísticas medicinais que podem ser atribuídas à presença de ácidos fenólicos (Thiem et al., 2011). No mesmo estudo, um éster fenólico glicosilado, leiocoposídeo (3h) foi também isolado, demonstrando a atividade urológica deste compostos, e por isso com grande interesse de ser produzido em larga escala (Thiem et al., 2011).
Com menos significado numérico, mas com importância bioativa, a classe dos flavonoides, especialmente flavonas, são também alvos para a produção e isolamento em sistemas de cultura in vitro. Nishikaw et al. (1999) produziram um derivado de flavona (3i, 5,2'-di-hidroxi-6,7,8,3'-tetrametoxiflavona) em sistema de raízes transgénicas de Scutellaria
baicalensis Georgi, tradicionalmente usadas pelas suas raízes para o tratamento da
hepatite, tumores, diarreia e doenças inflamatórias. Shinde et al. (2010) também isolaram uma isoflavona numa cultura de calli de Psoralea corylifolia L. testando-a pela sua atividade
antioxidante, que foi maior sob condições de luz constante, sendo correlacionada com a maior presença de isoflavona. Por outro lado, Yang et al. (2001) isolaram uma isoflavona (3j) em calli de Mirabilis jalapa L. pela sua atividade antifúngica contra Candida albicans. Neste estudo, um segundo composto foi também isolado (desidro-rotenóide, 3k) também com atividade antifúngica. Ziaratnia et al. (2009) isolaram um novo composto em cultura de calli de Helichrysum aureonitens L. Moench, clorofenol (3l), que foi testado pela sua atividade antitumoral e antituberculose. Os autores reconheceram a necessidade de estudos futuros para avaliar o seu potencial como molécula anticancerígena. Finalmente, Pinhatti et al. (2010) isolaram dois novos compostos fenólicos nas partes aéreas de Hypericum ternum A. St Hill, hiperosídeo e uliginosina (3m), observando que os níveis produzidos in vitro são significativamente mais elevados do que nas plantas silvestres, sendo necessária uma otimização do método para produzir estes compostos farmacologicamente pretendidos.
Figura 5. Exemplos de alguns compostos fenólicos individuais produzidos por técnicas de cultura in vitro: a) ácido litospémico B; b) ácido rosmarínico; c) ácido o-coumárico glicosilado; d) ácido