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A competência social vem sendo descrita como a habilidade da criança para interagir com os eventos do cotidiano, procurando a resolução de problemas, tentando adequar seu comportamento a situações sociais, assim como a compreensão e utilização de habilidades sociais e aceitação social. (Cecconello & Koller, 2003; Del Prette & Del Prette, 2005; Greene et al., 2002; Tyler, 1984).

A avaliação da competência social procura dimensionar o desempenho social, as habilidades sociais e as questões que a estas se somam. A avaliação da competência social em crianças tem sido um desafio, pois são muitas as controvérsias em relação a fase a que se destina, provavelmente pela escassez de instrumentos e estudos a respeito, dificultada pelo fato de que na maioria das vezes é preciso se obter uma avaliação por parte de um informante qualificado (professores, pais) e com pouca frequência baseia-se somente em autoavaliação.

São ainda bastante raros os instrumentos de autoavaliação de pré-escolares e escolares iniciantes, provavelmente devido às dificuldades próprias da fase de desenvolvimento das habilidades na qual as crianças se encontram. A autoavaliação, por exemplo, supõe uma automonitoração, que se torna mais acurada ao longo do desenvolvimento, e determinados tipos de instrumentos (lápis, papel e instruções escritas) comumente utilizados em tais avaliações são contraindicados para crianças que não têm suficiente domínio da leitura e da escrita (Cecconello & Koller, 2003).

Tendo-se bem presente que as relações sociais iniciam-se muito cedo, através do contato com pais, escola, colegas e todo o social ao entorno da criança, este contato social

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favorece e enriquece as aquisições e aprendizagens que se desenvolvem num processo crescente. Essa competência pode ser estimulada no seu desenvolvimento, observando-se aí, a importância da avaliação para se antever os avanços e prejuízos que podem ocorrer, no intuito de favorer comportamentos socialmente competentes.

De acordo com estudos realizados, a avaliação da competência social em crianças, tem seguido uma metodologia sociométrica, observacional, com participação de informantes (pais, professores), de acordo com a idade da criança a ser avaliada (Cecconello & Koller, 2003; Del Prette & Del Prette, 2002; Lemos & Meneses, 2002; Martins do Valle & Garnica, 2009).

Estudo realizado por Martins Valle e Garnica (2009) com 31 crianças com idades de 5 a 6 anos, da pré-escola, em escolas municipais do interior de São Paulo, teve como objetivo avaliar a competência social, e desenvolver um treinamento de habilidades sociais (THS), observando as diferenças no comportamento de meninas e meninos. Foram divididos em dois grupos; um experimental e outro de controle. O experimental recebeu o THS, e o outro não. Foi utilizada uma escala para avaliar a ocorrência de problemas de comportamento, a Escala Comportamental Infantil ECI-A2 de Rutter (Graminha & Coelho, 1994), que avalia distúrbios emocionais comportamentais em crianças, e para avaliar as habilidades sociais, foi utilizado o Sistema Multimídia de Habilidades Sociais – SMHS – (Del Prette & Del Prette, 2005), inventário de autoavaliação pela criança. Após a avaliação houve três episódios de treinamento (THS), as pesquisadoras observaram, ao finalizar, um aumento das respostas comportamentais habilidosas tanto em meninos como em meninas. Concluem apontando a importância do THS para auxiliar no desenvolvimento da competência social de crianças.

Estudos realizados no Brasil, na avaliação de crianças com idades de 7 a 12 anos, utilizam com frequência o Sistema de Multimídia de Habilidades Sociais – SMHS – (Del Prette & Del Prette, 2005), por ser um dos poucos testes padronizados para esta faixa etária, porém outros instrumentos vêm sendo utilizados e pradronizados. Cecconello e Koller (2003)

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trabalharam na adaptação do Teste das Histórias Incompletas (THI) para avaliação da competência social com crianças brasileiras, num estudo realizado com crianças em Porto Alegre. O THI foi inicialmente elaborado por Tyler e Mondell (1981) para avaliar competência social em crianças. É composto por quinze histórias incompletas que envolvem interações cotidianas entre crianças e seus pais, irmãos, professores e colegas, as quais são lidas para a criança, atribuido um final ou justificativa para os acontecimentos. Cada história está relacionada a uma subescala seja confiança, autoeficácia e iniciativa, que apontará onde a criança se adequou.

Para avaliar comportamentos socialmente habilidosos Bolsoni-Silva, Marturano e Freiria (2009) utilizaram o Questionário de Respostas Socialmente Habilidosas para Professores (QRSH-PR, Bolsoni-Silva, Marturano, & Loureiro, 2009), e para avaliar problemas de comportamento foi empregada a Escala Comportamental Infantil B. de Rutter – Professores (ECI-B, Santos, 2002). O QRSH-PR consiste em uma lista de comportamentos socialmente habilidosos, constando de 24 itens cujas respostas organizam-se em três fatores: Sociabilidade e Expressividade Emocional (representa relações positivas de interesse pelos outros, comunicação e afetividade); Iniciativa Social (significa decisão, participação, opiniões) e Busca de Suporte (significa procurar atenção, fazer pedido e perguntar). A ECI-B é uma escala que apresenta 26 itens descritivos de problemas de comportamento respondidos pelo professor.

Lemos e Meneses (2002) adaptaram a escala para professores do Social Skills Rating System - de Gresham e Elliott (1990), na avaliação da competência social em contexto escolar, com crianças portuguesas, com idades de 8 a 15 anos, em escolas em Portugal. A escala é composta por três subescalas (habilidades sociais, problemas de comportamento e competência acadêmica), preenchidas pelo próprio aluno e pelo professor.

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A competência social pode aparecer prejudicada em crianças com o TDAH, pois as próprias características sintomatológicas remetem a problemas nas interações sociais que se refletem nas áreas sociais, emocionais e acadêmicas (Barbosa, 1995; Barkley, 1998; Benczik, 2002; Castellanos, 1996; Goldstein & Goldstein, 1994; Rhode, 1999; Rubia; 2000). Queixas de hiperatividade e desatenção vêm sendo apresentadas com frequência pelos pais e professores como desencadeadores de alguns comportamentos que denotam pouca habilidade social, apresentam problemas nas diversas relações, configurando baixa competência social. Alguns estudos avaliam estes comportamentos nas crianças com TDAH, abordando o tipo de avaliação utilizada. Fernández-Jaén et al. (2011), avaliaram 170 crianças de 6 a 2 anos, diagnosticados TDAH, num centro médico de Madri, entre os anos de 2007 e 2010. Utilizou o BASC – Sistema Avaliação do Comportamento de Crianças e Adolescentes. Trata-se de um instrumento de avaliação pautado na história do desenvolvimento, e de questionários descritivos, preenchidos pela criança, professores e pais. Como também, a Escala para avaliar o Déficit de Atenção com Hiperatividade –EDAH, sendo esta uma adaptação espanhola da Escala de Conners (Conners, 1970). Outros instrumentos vêm sendo desenvolvidos, como também normatizados para crianças brasileiras.

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5. TEORIA DA MENTE, FUNÇÕES EXECUTIVAS E COMPETÊNCIA SOCIAL

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