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Conclusion

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HIPERATIVIDADE

A partir do exposto, serão relacionadas as questões referentes à teoria da mente, funções executivas e TDAH, considerando suas consequências na competência social na criança em idade escolar.

A criança que apresenta o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade começa a despertar maiores incômodos ao seu entorno, quando se depara com sua entrada na escola, pois na maioria das vezes o transtorno só é reconhecido quando inicia a vida escolar, sendo que nesse período, as dificuldades de atenção e inquietude são as percebidas com maior frequência. Além dessas dificuldades, começam a evidenciar as dificuldades nas interações sociais, pois a falta de controle das atitudes e reações dificultam sua participação em atividades de grupo, ou que envolvam outra criança, denotando uma inabilidade de compreender e aceitar as demandas do outro. Coincidindo com tal fase, há uma crescente evidência de que a teoria da mente começa a emergir nos anos pré-escolares. Por volta mais ou menos dos 4 anos de idade, desenvolve-se a capacidade de perceber e entender as emoções, crenças e desejos de outras pessoas (Rodrigues, 2004; Santana & Roazzi, 2008). Para poder entrar em contato com a realidade ao seu entorno, “a criança precisa antes de tudo, de ter um sistema de representação, mediado pela atividade perceptual e de pensamento, que corresponda, ao máximo à percepção compartilhada pela maioria das pessoas” (Roazzi & Santana, 1999, p.3)

Assim, a compreensão destes estados mentais tem implicações nas áreas da cognição, da linguagem e das relações sociais. A criança aos 4 anos apresenta a habilidade de representação do objeto. Pouco mais tarde, segundo os autores citados, perto dos 6 ou 7 anos,

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já apresenta a habilidade de Metarepresentação, que é a capacidade de pensar sobre o pensamento do outro. “A metarepresentação seria uma representação de uma representação como uma representação” (Perner, 1988).

Baron-Cohen (1996, como citado em Caixeta & Caixeta, 2005, p. 65) ressalta que “estando lesada alguma das estruturas, seja frontal, parietal, ou cerebelar, poder-se-á estabelecer como sintoma, um problema na teoria da mente. De acordo com Caixeta e Caixeta (2005, p.109), estudos de neuroimagem funcional realizados no momento em que indivíduos normais eram testados em tarefas relacionadas à teoria da mente, demonstraram que o córtex frontal parece ser a região mais relacionada a essa habilidade. Não só os déficits relacionados ao córtex frontal, mas também déficits das funções executivas, sejam de atenção, de memória, do controle inibitório e tomada de decisão, que se localizam também nesta região cerebral, podem estar implicados no desenvolvimento da criança com TDAH, com possíveis reflexos no desenvolvimento da teoria da mente e das relações sociais.

De acordo com Lyra, Roazzi e Garvey (2008, p. 56), “aprender a identificar a intencionalidade das ações das pessoas, isto é, as características dos estados mentais, é uma habilidade cognitiva útil do ponto de vista de adaptação ao mundo social”. Essa habilidade, que aparentemente mostra-se comprometida nas crianças com TDAH, pode mostrar relação também com funções executivas e teoria da mente.

Kouhbanani, Kazemi, Maleki e Soltani (2013) pesquisaram a existência de déficits da teoria da mente e funções executivas em 40 crianças iranianas, com diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, em idade de 6 a 8 anos, comparando com crianças normais. Concluíram que o desempenho das crianças com funcionamento executivo normal (sem déficits) mostrou-se bem mais avançado do que o das crianças com TDAH. Os resultados foram replicados e mostraram uma forte correlação entre tarefas de teoria da mente e tarefas da função executiva, principalmente naquelas que envolviam o controle inibitório.

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Confrontando com os resutados, Perner, Kain e Barchfeld (2002), em estudo, analisam três pesquisas que envolvem as funções executivas, teoria da mente e transtorno de déficit de atenção em crianças, e a partir desses achados, investigaram em crianças austríacas em risco para TDAH, as possíveis relações entre teoria da mente e funções executivas. Foram avaliadas 234 crianças australianas em idades de 4 anos e meio a 6 anos e meio, em que, após todos os procedimentos avaliativos, 21 crianças foram consideradas em risco para o TDAH. Concluíram não encontrando uma relação de significativa confiabilidade entre controle executivo e teoria da mente em tarefas de primeira ordem, resultado este, que concorda com outras pesquisas já realizadas anteriormente (Buitelaar, et al., 1999; Charman et al., 2006; Happe & Frith, 1996; Hughes et al., 1998). Porém, levanta a questão que crianças desatentas, sinalizaram mais dificuldades nas tarefas de segunda ordem de teoria da mente, o que sugere a necessidade de maiores investigações sobre a teoria da mente de segunda ordem e o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

Roazzi e Santana (2008) desenvolveram um estudo de tarefas de primeira e segunda ordem para a compreensão dos estados mentais, verificando expressões linguísticas em 113 crianças brasileiras com desenvolvimento típico, para entre outros objetivos, investigarem a influência da idade no desenvolvimento do estado mental baseados em tarefa de crença falsa de primeira e segunda ordem. Este estudo remete à compreensão de que a criança de 6 anos em diante não apresenta dificuldades em realizar as tarefas de primeira ordem.

Um estudo importante para esta pesquisa, foi o de Charman, Carrol e Sturge (2006), que pesquisaram a teoria da mente, a função executiva e a habilidade social em 22 meninos ingleses, com TDAH comparados com 22 meninos com desenvolvimento típico com idades de 6 anos e meio a 10 anos e meio, focando os aspectos da inibição e planejamento, sendo este, o primeiro trabalho empírico a testar essas competências em crianças com TDAH. Concluíram que crianças com TDAH não apresentam necessariamente um déficit em teoria da

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mente, mas podem apresentar deficiências nas funções executivas. Algumas crianças com TDAH podem apresentar um atraso no desenvolvimento da teoria da mente, a depender das habilidades das funções executivas que estiverem comprometidas, assim como as habilidades sociais apresentaram prejuízo nas crianças com TDAH, em comparação às crianças com desenvolvimento típico.

Apesar da variedade de estudos realizados em diversos países (Astington & Gopnik, 1991; Baron-Cohen, Leslie, & Frith, 1985; Lourenço, 1992; Perner et al., 1987; Siegal & Beattie, 1991; Wimmer & Perner, 1986), no Brasil, ainda são poucos os estudos na área de teoria da mente. Particularmente, utilizando tarefas de crença falsa, os estudos pioneiros foram realizados por Dias (1993); Dias, Soares e Sá (1994); Roazzi e Santana (1999) e Roazzi e Santana (2008). Menos frequentes, ainda, são estudos que relacionam TDAH com a teoria da mente e com os outros constructos abordados neste trabalho.

Diante das questões e estudos expostos, percebemos a necessidade de se realizar pesquisas com amostragem brasileira, uma vez que a literatura levantada é basicamente de outros países. No Brasil, os estudos existentes geralmente estão em torno do autismo ou situações não patológicas, e pelo que consta, diante da pesquisa bibliográfica realizada, não se encontrou nenhuma pesquisa que relacione as variáveis propostas neste estudo. Assim sendo, tais fatos, justificam a urgência do presente estudo, no qual se trabalha a hipótese de que crianças em risco para o TDAH apresentam um desempenho prejudicado das funções executivas, com implicações na emergência da teoria da mente, que resultam numa baixa competência social. Procura-se então responder à questão: O TDAH está relacionado com um prejuízo das funções executivas, assim como da teoria da mente, resultando em uma baixa competência social.

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